Archive for the ‘Mundial Interclubes’ Category

AS MENTIRAS E CONTRADIÇÕES DA FIFA

29/01/2017
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Infantino: seis por meia dúzia

O vergonhoso recado da Fifa sobre o Mundial Interclubes ao jornal “O Estado de São Paulo” revela que pouca coisa mudou na entidade desde que os escândalos de corrupção foram expostos e vários cartolas envolvidos com a entidade detidos.

Não há nenhum compromisso da assossiação pela história e excelência do futebol.  Pouca coisa mudou. Como disse o jornalista britânico Andrew Jennings , a eleição de Giovanni Infantino foi trocar “seis por meia dúzia”.

O Catar, escolhido como sede do Mundial de 2022 será mantido como nação anfitriã mesmo após várias denúncias de compras de votos e até trabalho escravo.

Infantino, para angariar votos de países periféricos do futebol mundial para a sua eleição  aumentou o número de 32 para 48 seleções na Copa do Mundo no último mês. Um óbvio compromisso com decisões comerciais e de nenhuma relevância para a qualidade do espetáculo.

O comunicado frio e desrespeitoso da Fifa ao jornal “Estado de São Paulo” sobre os Mundiais Interclubes mostra novamente que a organização tem pouco apreço a história do esporte que dirige.  O recado coloca grandes jogadores da história do futebol como Pelé, Cruyff, Púskas, Spencer, Beckenbauer,Platini,Van Basten, Raí, Renato Gaúcho e Zico em segundo plano. Além de obviamente ignorar os grandes feitos de times que fizeram a história do futebol mundial como o Real Madrid e Santos nos anos 60, considerados pela própria Fifa “os clubes do século XX” no mundo e nas Américas.  Uma óbvia contradição e um crime de lesa pátria ao futebol.

Os amantes do esporte sentiram-se ultrajados ao ver que grandes partidas históricas do passado e a emoção do torcedor pouco significam pouco para entidade já que tudo só presta para a Fifa se ela tem as mãos, não importando que a mesma tenha se apoderado do torneio Intercontinental em 2005 e renomeando-o com outro nome. Como a própria instituição colocou na época e até recentemente em seu último guia da Copa do Mundo de Clubes em 2016.

Uma situação semelhante a Copa Rei Fahad que não foi organizada pela Fifa e sim pela federação saudita em 1992  e que depois virou a Copa das Confederações. Mas diferente de agora a mesma oficializou o título da Argentina e da Dinamarca em 1995 sem maiores problemas. Será que o dinheiro da milionária nação petrolífera pesou nessa decisão?

Talvez eles tenham esquecido a relevância do torneio do antigo formado do mundial de clubes , ou de que o próprio secretário-geral da Fifa na época, o suíço Sepp Blatter já foi visto entregando o troféu intercontinental ao capitão campeão.

Esqueceram também da carta do presidente da Fifa na época,. João Havelange ao presidente do Flamengo parabenizando-o pelo título mundial de 1981 sem qualquer impedimento ou vergonha.

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A “amnésia” correu solta em 2005 quando em sua página oficial na Internet a Fifa colocou no mesmo pedestal os campeões intercontinentais de 1960 a 2004 e o Corinthians campeão do torneio dirigido por ela em 2000.  Mais que isso, colocou a história de cada partida da antiga competição desde 1960 para promover a “fusão” em 2005 no Mundial ganho pelo São Paulo FC.

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No entanto, estranhamente várias dessas postagens foram apagadas com o tempo.Mas para o desespero dos velhacos existe uma grande invenção da humanidade chamada “printscreen”.  Existem várias outras postagens publicadas até neste blog que contrariam a tese de que só “vale de 2000 para cá” ( ué, o que aconteceu em 2001, 2002, 2003 e 2004?). Em tempo, o nome oficial do torneio em 2005 era Toyota Cup, o mesmo desde…..1980!

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Então não há um sentido de continuidade? Do caminho natural da história do esporte e da globalização do futebol que se ampliou em vários continentes? Para a Fifa não. Que se dane o Santos de Pelé, O Ajax de Cruyff, O Milan de Baresi e Van Basten, a Juventus de Platini, o Nacional de Hugo de Leon. Grandes times que formaram a base para grandes seleções em Copas do Mundo. Para a entidade um dos 300 Al Ahlis do Oriente Médio tem maior importância pelos votos e pelo dinheiro que a entidade poderá angariar no futuro.

O comunicado dirigido ao jornal brasileiro carrega uma imensa hipocrisia e uma mentira descarada dos comandados de Infantino. Sim, a Fifa mente para o seu público com esse viés oficialista e puramente comercial.

O mais engraçado no entanto é ver a “globalista” Fifa somente dar prêmio de melhores jogadores do mundo quando eles atuam na ….Europa e que a até hoje a Oceania não tem uma vaga garantida na Copa do Mundo tendo que disputar uma repescagem em cada eliminatória (quem sabe UMA vaguinha agora com esse novo inchaço não?).

A Fifa é um poço de contradições dirigida por pessoas que não entendem nada de futebol. A resposta ao periódico brasuca foi mais uma prova de que Jennings estava absolutamente correto.A falta de respeito e a ganância dessa entidade continua a nos assombrar.  Quem rebaixa Pelé e Bechenbauer ao vencedor de um mero torneio do passado não pode ser levado a sério.

Competição que era mil anos luz melhor que o modorrento mundial interclubes atual. Um mero campeonato protocolar e chato realizado para que os super times europeus com seleções multinacionais vencerem.

Se esse torneio da Fifa está desmoralizante agora imagina uma Copa do Mundo com 48 times em 2026…

Obrigado Fifa por jogar o passado, o presente e o futuro do nosso futebol na lata do lixo.

A HISTÓRIA QUE NUNCA SE APAGARÁ

24/12/2013

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Todo o final de ano é a mesma coisa.

Quando o árbitro apita o final do Mundial Interclubes lá vem os oficialistas de boteco querendo desqualificar a Copa Intercontinental e desmerecer as conquistas dos clubes que a venceram com chavões vazios e  mantras repetitivos.

Alguns deles –

“Copa Intercontinental é Mundial? Só no Brasil!”

“Os Europeus não ligam para o Mundiais”.

“Os times que venceram os Intercontinentais não se consideram “campeões do mundo”.

A resposta?

Site da Fifa. A postagem foi publicada no mesmo dia da final do Mundial Interclubes em que se destaca as duas conquistas anteriores do time alemão em 1976 e 2001.

24.12.2013-site fifa

http://www.fifa.com/clubworldcup/news/newsid=2248557/index.html

Fim de jogo em Marrakech. O Bayer conquista o Mundial da Fifa e a torcida bávara abre um bandeirão em que a Taça Intercontinental e o atual troféu da entidade são destacados em conjunto com o escudo do time no meio. Para eles a Intercontinental também é um título do mundo. Pois é…”só no Brasil” não?

23.12.2013-bandeirão

Site oficial do Bayer de Munique, minutos depois do time ter vencido o Raja Casablanca por 2 x 0 e conquistado o seu terceiro título mundial. Para quem não sabe alemão, recomendo o Google Translator.

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https://www.fcbayern.de/de/spiele/spielberichte/2013/spielbericht-klub-wm-finale-fc-bayern-raja-casablanca-211213.php

Como sempre escrevemos, tudo tem um começo e uma história. Aos que tentam passar a borracha no glorioso futebol do passado os nossos sinceros pêsames. A história do futebol mundial é poderosa, encantadora e maravilhosa. Ninguém poderá apagá-la.

Esclarecido?

Joinha Procêis.

joinha

TRICAMPEÃO COM UM PÉ NAS COSTAS (1976-2001-2013)

21/12/2013
Lahn levanta a taça: o Bayer conquista o mundo pela terceira vez

Lahn levanta a taça: o Bayer conquista o mundo pela terceira vez

Foi a decisão de mundial interclubes mais chata, monótona e previsível de todos os tempos. O roteiro já estava firmado. O desfecho altamente esperado.

O Bayer de Munique se sagrou tricampeão mundial em cima da sensação Raja Casablanca por 2 x 0 no Stade de Marrakesh em Marrocos. O time bávaro teve todos o domínio das ações durante quase todo o jogo.

Ao contrário do bufão Atlético Mineiro, o time alemão levou a decisão a sério. O Bayer atuou com firmeza marcando desde o campo marroquino e não deu muitas chances para o adversário criar jogadas no primeiro tempo. A seriedade foi logo premiada com um gol do zagueiro brasileiro Dante logo os seis minutos da primeira etapa. O clima de empolgação do estádio de Marrakech se arrefeceu e o elenco do Raja Casablanca percebeu que já havia ido longe demais no Mundial Interclubes.

Guardiola: o técnico é o maior vencedor de mundiais interclubes da história (2009,2011,2013)

Guardiola: o técnico é o maior vencedor de mundiais interclubes da história (2009,2011,2013)

Vencer o Clube Atlético Mineiro foi a glória máxima da história do clube local. A realidade bateu forte nos primeiros minutos da decisão. Não havia como derrotar o campeão da Liga dos Campeões da Europa. O Bayer de Munique se impôs e mostrou que o mundo mais uma ver era dele. O segundo gol de Thiago Alcântara deixou bem claro que os alemães jogavam em ritmo de treino.

Dante: pelo menos um brasileiro ficou com a taça

Dante: pelo menos um brasileiro ficou com a taça

A partida começou a ficar monótona e sonolenta. O Bayer tocava a bola e segurava o jogo até o apito final. O Raja, ao contrário, dava o seu máximo, mas ainda era pouco. O time da casa quase marcou dois gols em vacilos de Neuer e Dante no segundo tempo quando o time alemão já puxava o freio de mão. Entretanto, nem as poucas falhas europeias mostraram que o Raja poderia fazer um milagre em seus domínios. O vice campeonato ficou de bom tamanho.

Depois da final de hoje, muitos questionam o atual formato do Mundial da Fifa e lamentam o Bayer não ter enfrentado o Atlético Mineiro. O que poderia ter sido uma partida bem melhor dada a tradição dos dois clubes. Porém o futebol é apaixonante justamente pelo imprevisível. O time brasileiro não foi competente o suficiente para chegar à final. O Raja Casablanca mereceu chegar a decisão.

Vexame brasileiro? Não. Incompetência técnica e tática? Sim.

O Bayer completa um ano histórico e esplendoroso em sua história. Nunca um clube alemão havia conquistado os cinco principais títulos da temporada. O início do domínio mundial que havia passado de raspão num jogo de muito azar contra o Chelsea no ano passado agora é realidade 1 ano depois. Sinal de que a eficiência alemã sempre dá resultado com um belo trabalho e muita persistência.

Bem vindo ao clube dos tricampeões mundiais Bayer de Munique.

PRA LÁ DE MARRAKECH

18/12/2013
O Raja está na final do Mundial Interclubes: com as bênçãos de Alá.

O Raja está na final do Mundial Interclubes: com as bênçãos de Alá.

Muitos brasileiros poderão considerar que a derrota do Atlético Mineiro frente ao Raja Casablanca foi uma autêntica “vergonha mundial” já que o time brasileiro vem de uma das maiores escolas de futebol do planeta.

Contudo a partida vista hoje em Marrakech revelou outro fato.

A equipe marroquina atuou com muito mais coração. Os africanos foram mais focados e se dedicaram de corpo e alma com uma força impressionante. O Atlético Mineiro bem que tentou usar o seu tradicional jogo com Ronaldinho Gaúcho e Tardelli na armação e com Fernandinho e Jô como atacantes de área.

Porém Tardelli mal pegou na bola dada a marcação cerrada do time verde. Ronaldinho Gaúcho fez uma média atuação, Jô não acertou a pontaria nenhuma vez e Fernandinho é um péssimo atacante. Se Kalil pensou que ele substituiria Bernard com a mesma eficiência deu com os burros na água.

O lateral El Hachimi fez uma partida estupenda. Não deixou os atacantes brasileiros pensarem no que fazer com a bola. Quando conseguiam furar o cerco eram bloqueados pela forte retaguarda do time da casa. Benlamaalem e Oulhaj foram dois monstros em campo. A forte marcação e a inoperância de Fernandinho e Tardelli sobrecarregaram o meio de campo atleticano. Os contra ataques do Raja se revelaram mortais e fulminantes. Num deles o Raja abriu o placar com Moutaouali.

Jô: apagado pela marcação marroquina

Jô: apagado pela marcação marroquina

O sistema de jogo da equipe mineira estava totalmente corrompido. Por sorte Ronaldinho Gaúcho que estava apagado no jogo fez um golaço de falta e empatou o jogo, mas o Galo se acomodou. O time marroquino continuou a dar trabalho e conseguiu um pênalti mandrake quase no final de jogo após mais um contra ataque e um erro grotesco da defesa atleticana. Era o fim do sonho. O terceiro gol do Raja foi a pá de cal. O fracasso de uma equipe que jogou sem revelar o seu grande potencial desde o início da partida. O time de Minas não foi nem sombra do elenco que conquistou a América este ano.

O Raja Casablanca deu um show. Desde o início do Mundial Interclubes da Fifa vem surpreendendo e mostrando a força do futebol africano. Marrocos, terra de Just Fontaine que é até hoje o maior artilheiro de uma única edição de Copa do Mundo com 13 gols. Marrocos, a primeira equipe africana a passar para a segunda fase de uma Copa do Mundo.

Marrocos que agora surpreende o planeta com o Raja Casablanca, digno e merecido finalista do Mundial Interclubes. A segunda equipe da África a conquistar a vaga na final diante de um time brasileiro. A segunda equipe vencedora do torneio local a ir para uma final de um mundial a exemplo do Corinthians em 2000.

Vergonha? Vexame? Não há como ter. O mundo evolui e o futebol também. Os africanos foram superiores e inteligentes taticamente e vão dar trabalho ao Bayer de Munique.

Ronaldinho Gaúcho: mais um fracasso em Mundiais Interclubes

Ronaldinho Gaúcho: mais um fracasso em Mundiais Interclubes

Agora os brasileiros e outros times sul americanos vão ter que parar para pensar na tradicional “final antecipada” com os europeus. Agora o Mundial começa bem antes. Lição que ainda não foi muito bem digerida pelos times brasucas dada a imensa dificuldade que eles encontram na primeira partida da semifinais. São Paulo, Inter e Corinthians que o digam.

Que os brasileiros se preparem não apenas para um jogo e sim para dois como o campeão da Champions League fez brilhantemente ontem.

Com a vitória marroquina o terceiro título mundial do Bayer é “barbada”?

Sinceramente depois de hoje se tem sérias dúvidas. Porém o adversário teve todos os méritos para estar lá. Um feito histórico para o futebol da África.

PASSEIO BÁVARO

18/12/2013
Bayer vai a final do Mundial: passeio no Marrocos

Bayer vai a final do Mundial: passeio no Marrocos

O Bayer de Munique como era de se esperar passeou ontem no gramado do estádio estádio nacional de Agadir no Marrocos. A primeira semifinal do Mundial de Clubes da Fifa de 2013 serviu como um jogo treino dada a superioridade técnica do time europeu. O time chinês do Guangzhou Evergrande nem fez sombra ou levou perigo ao gol de Neuer.

Foi uma vitória tranquila do time alemão que chega a decisão e tentará o seu terceiro título mundial.

Novamente uma equipe europeia passa sem dificuldades na semifinal do mundial da Fifa. Desde 2005, quando o formato atual foi estabelecido pela entidade, os europeus só tiveram vitórias tranquilas antes da final do torneio.

18.12.2013lippi

o consagrado Marcello Lippi: retranca inútil

Ontem, o Bayer colocou o time chinês na roda. Com toques de bola e velocidade a equipe bávara envolveu o adversário com imensa facilidade. O Ghangzhou comandado pelo consagrado Marcello Lippi se fechou como pode, mas não conseguiu segurar as investidas certeiras de Ribery, Tony Kroos, Lahn e Gotze. Muriqui e Conca mal conseguiram tocar na bola.

O gol era uma questão de tempo e aos 39 minutos do primeiro tempo, Ribery abriu o placar numa falha do goleiro chinês Zeng. A partir do tento europeu ao time o esquema defensivo do Guangzhou desmoronara. O croata Mandzukic ampliou e praticamente garantiu a vitória do Bayer. A segundo etapa foi uma mera formalidade. O Bayer continuou a procurar o gol com mais tranquilidade e Gotze certou um belo chute que fechou as pretensões chinesas e levou o Bayer à final do Mundial Interclubes.

Agora é esperar o vencedor de Atlético Mineiro e Raja Casablanca. Uma partida muito mais dura para o postulante sul americano. Será a terceira decisão de mundial interclubes do técnico Pepe Guardiola. Se vencer será o treinador com maior número de títulos mundiais interclubes da história.

ASSUNÇÃO – 02/07/2013

04/07/2013

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Antes da primeira partida da semifinal da Libertadores, a torcida do Olímpia mostrou vários mosaicos enaltecendo as principais  conquistas do clube desde a sua fundação. Pois é pessoal. O futebol tem história e a torcida sempre terá a memória dos grandes feitos de seu clube. O resto é conversa mole para boi dormir.  Ah, o Olímpia venceu o Santa Fé por 2 x 0. Rumo ao Bi Mundial?

Joinha procêis.

joinha

SÓ PARA ESCLARECER…

13/06/2013
Bayer: Campeão do Mundo em 1976

Bayer: Campeão do Mundo em 1976

Este escriba estava dando uma passadinha no site da Fifa e encontrou um artigo bem curioso em relação ao Mundial de Clubes de 2013 que será disputado no final do ano no Marrocos.

Depois da vitória arrebatadora contra o Borussia Dortmund pela Champions League lá está o resumo do europeu time do Bayer de Munique, que participará da disputa em Dezembro.

O texto esclarece muito o que tem sido escrito aqui neste blog há bastante tempo. Mas vamos ler primeiro o que foi colocado antes no site oficial da Fifa.

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“Contudo, os bávaros nunca participaram de uma Copa do Mundo da Fifa,…”

O que não deixa de ser verdade, já que este novo formato de torneio foi estabelecido em 2005, com um evento inicial em 2000, cujo modelo não se sustentou.

Mas a frase completa está escrita bem claramente.

“…apesar de terem vencido a extinta Copa Intercontinental em duas ocasiões, nas edições de 1976 e 2001.”

Vamos perguntar novamente aos oficialistas de boteco.

Se a Copa Intercontinental era mesmo um “amistoso” como alguns embusteiros proferem porque essa frase está estampada no site oficial da entidade?

Afinal não era apenas um “joguinho da chave”? Uma partida sem importância?

Como sempre afirmamos em posts anteriores ( Relatório Mundial Interclubes I e II) tudo tem um começo e uma história. A Copa Intercontinental era o único torneio desde 1960 que dava ao vencedor o título de campeão do mundo.

Conquista que era reconhecida no mundo todo e não “apenas no Brasil” como algumas vozes raivosas proferem.

Não dá para eliminar a história. A Copa Intercontinental estará sempre ligada ao atual Mundial de Clubes da Fifa. É impossível dissociar uma coisa da outra. Nem mesmo a entidade maior do futebol faz isso e reconhece o valor do torneio anterior.

É só ver o texto escrito em inglês.

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Pois é…passado…. torneio predecessor, coisas difíceis de engolir para quem adora surrupiar e diminuir a conquista dos outros.

Esclarecido?

Joinha proceis.

joinha

RELATÓRIO MUNDIAL INTERCLUBES – PARTE 2

19/12/2012
Taça Intercontinental: a primeira disputa mundial entre clubes

Taça Intercontinental: a primeira disputa mundial entre clubes

Não demorou nem ao menos um dia.

A partir do momento em que Alessandro levantou a taça do bicampeonato mundial do Corinthians se reacendeu uma velha polêmica.

Mas como foi dito no post anterior sobre este assunto não vamos desmerecer títulos ou méritos de qualquer clube. Vamos simplesmente apresentar os fatos.

Impressionante como muitos torcedores e pasmem, até jornalistas usam e abusam de sofismas baratos.

Já levantamos o tema uma vez. Mas não custa nada retomá-lo novamente.

Em primeiro lugar tudo tem um início. Não se pode ignorar a história do futebol mundial.

Chamar a Copa Intercontinental de “Copa Jipe”, “Toyotão” e outros termos desqualificantes revelam ignorância, falta de bom senso e obscurantismo.

Afinal de contas a mesma chave ganha por Cássio no domingo passado foi dada a outros grandes campeões mundiais como Zico, Renato Gaúcho, Raí, Cerezo e Rogério Ceni.

Além disso perguntamos aos nobres torcedores qual o nome do estádio que o Corinthians jogou a primeira partida do Mundial Interclubes 2012? Estádio Toyota.

Grande ironia e santa hipocrisia. A mesma que abraça o oficialismo da Fifa em seus torneios mundiais e que rejeita os títulos nacionais do Santos e Palmeiras nos anos sessenta chancelados pela CBF há dois anos. Para o meu time é”oficial”, para os outros é “fax”. E durma-se com um ronco desses.

Zico, Renato, Raí, Cerezo, Ceni e Cássio: qual a diferença?

Zico, Renato, Raí, Cerezo, Ceni e Cássio: qual a diferença?

Não custa nada lembrar, a Copa Intercontinental foi criada para definir o melhor time do mundo na época. Anos sessenta, quando o poderio econômico e técnico do futebol estava restrito a América do Sul e Europa. Onde times da Ásia, África e Oceania não tinham desenvolvido um futebol competitivo o suficiente para fazer frente a grandes equipes dos dois tradicionais continentes. Por coincidência os únicos até agora que venceram a Copa do Mundo.

A Fifa não tinha dinheiro e nem capacidade de realizar um torneio e dar 1 milhão de reais ao medíocre Sanfrecce Hiroshima em caso de vitória numa partida de play-off como faz hoje. O mundo era outro. As circunstâncias eram diferentes.

A Copa Intercontinental nesse período foi o único torneio que definia o campeão do mundo de clubes. Bem mais tarde a Fifa assumiu as rédeas e incorporou o torneio ao seu Mundial em 2005, por coincidência com o mesmo patrocinador que galhofeiros desdenham.

Fifa que no guia oficial do Mundial Interclubes desse ano que mostra a história da Copa Intercontinental, seus respectivos campeões e como ela foi criada. O relatório cita todos os campeões e os resultados dessas partidas no seu guia oficial. Repito: guia oficial.

Se fosse mesmo um mero “amistoso” como muitos canibais da razão proferem, porque o torneio está citado no guia do Mundial Interclubes da entidade? Erro gráfico? Mera coincidência?

Quando fiz o primeiro post sobre o tema transbordaram acusações. Alguns me chamaram até de mentiroso por dizer que A Intercontinental tinha se fundido ao Mundial da Fifa.

Oras, então leia o relatório e inglês e observem bem o significa a palavra em inglês “merged”.

2005: a fusão.

2005: a fusão.

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Esclarecido?

Mas o pior dessas teorias oficialistas estapafúrdias é o total desprendimento em relação a história do futebol.

Fato gravíssimo. A Copa Intercontinental foi um dos torneios mais clássicos e emocionantes que o planeta já viu no esporte futebol. Desses campeões se consagraram timaços como o  Real Madrid de Puskas e Di Stéfano, Penarol de Spencer e Pedro Rocha, Santos de Pelé e Coutinho, Internazionale de Milão de Mazzola e Jair da Costa, Ajax de Cruyff e Neeskens, Bayer de Munique de Gerd Muller e Franz Beckenbauer e o Flamengo de Zico e Júnior.

Muitas dessas equipes se tornaram bases de seleções que se consagraram em Copas do Mundo como a Holanda e a Alemanha em 1974 além do Brasil de 1982.

Era  a época de ouro do futebol mundial. Nos anos 60, 70 e 80 o esporte viveu o seu apogeu técnico.  Nunca mais vimos tantas equipes de grande qualidade e  jogadores tão espetaculares. Hoje tudo se restringe a um feudo de equipes milionárias na Europa.  Nenhuma equipe brasileira que venceu o atual Mundial de Clubes passeou como o Milan em 2007 ou o Barcelona no ano passado.  Pelo contrário, ambos sofreram na primeira partida e depois derrotaram seus adversários europeus na decisão pelo mirrado placar de 1 x 0.  A diferença técnica hoje é abissal.

Alguns mentem descaradamente, desqualificando o torneio apenas pelo fato da nomenclatura “Intercontinental” não ser a mesma de “Mundial”. Como se houvesse alguma diferença relevante no termo. Na prática é a mesma coisa. O principal campeonato nacional brasileiro já se chamou Taça Brasil, Robertão, Taça de Ouro, Copa União e o vencedor sempre teve o status de campeão do país.

A grande maioria dos clubes que venceram a Taça Intercontinental se consideram campeões do mundo. Ao contrário do que muitos apregoam que o torneio é uma “invenção da imprensa brasileira”. Vamos ver alguns sites de clubes da Europa e América do Sul que argumentam claramente que a Taça Intercontinental é um torneio de cunho mundial.

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River Plate

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Borussia Dortmund

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Ajax Amsterdam

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Boca Juniors

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Bayer de Munique

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Inter de Milão

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Já mostramos aqui o que grande parte da imprensa mundial pensa sobre o torneio. Porém é interessante saber o que pensam os jogadores a respeito da antiga competição.

Rabah Madjer foi um dos maiores ídolos da história do Futebol Clube do Porto. Os Dragões venceram o Peñarol do Uruguai debaixo de uma neve torrencial no dia 13 de dezembro de 1987 em Tóquio.

Interessante  o que ficou marcado na memória do artilheiro 25 anos depois e que foi tema de reportagem do site da Fifa.

Porto Campeão do Mundo

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Detalhe: Madjer é argelino. Poderia facilmente nem se importar com o fato do clube dele ter sido o primeiro ( e por enquanto único) time português a levantar um troféu mundial. Mas ele se considera campeão do mundo interclubes, assim como Pelé, Cruyff e tantos outros.  A tese de que o Intercontinental  é considerado um Mundial somente no Brasil cai fragorosamente por terra.

Muitos gostam de ver o passado com olhos do presente. Desconhecem que o antigo formato do Mundial Interclubes atraia um público consagrador, enchia estádios e arrebatava multidões.

200.000 pessoas no Maracanã para ver a partida Santos x Milan, numa das maiores partidas de um clube brasileiro em toda a história do futebol mundial.

Estádios como o San Siro, Santiafo Bernabeu, Centenário, El Cilindro, La Bombonera, Old Traford completamente abarrotados.

Mais de 170 países do mundo inteiro ligados na final das disputas mundiais no Japão.

Não se pode simplesmente ignorar os fatos.

São emoções reais, concretas vividas pelo torcedor e pelos atletas que suaram sangue, derramaram lágrimas e se doaram ferozmente e até exageradamente pela disputa desta taça. Alguém acredita que essas emoções irão morrer com o poder de uma canetada? Certamente que não.

Ninguém tem o direito de suprimir a real emoção do torcedor. Nem desmistificar a história atrás de uma poltrona acolchoada de um dirigente gagá e peidorreiro.

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Santos x Milan: quase 200.000 pessoas numa partida antológica

Santos x Milan em 1963: quase 200.000 pessoas numa partida antológica

A Fifa reconhece o título Intercontinental como um torneio mundial. A entidade chama a competição de torneio predecessor. Em outros termos, uma competição que já ocorria antes. Isso é claro em várias reportagens de seu site oficial na disputa dos mundiais patrocinados por ela desde 2005.

Vamos a alguns exemplos?

Em 2009 o Barcelona venceu o Estudiantes de La Plata por 2 x 1 e pela primeira vez em sua história se sagrou campeão mundial.

A Fifa poderia deixar passar que essa foi a primeira e única aventura da equipe catalã em um mundial de clubes, mas observem o que ela escreveu a respeito das primeiras tentativas do Barça em se tornar senhor do planeta.

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Barcelona20092

Pois é pessoal, título mundial. E o site coloca as derrotas do Barcelona em 1992 e em 2006 no mesmo patamar. Se fosse um mero “amistoso de luxo” como muitos transloucados afirmam porque ele foi citado no site?

Em 2010 a reportagem sobre a final entre Internazionale de Milão e Mazembe é bem esclarecedora.

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Interdemilão

Opa!. Não uma, nem duas, mas três conquistas. No site da Fifa!  E os próprios Nerazzurris se intitulam merecidamente como três vezes campeões do mundo.

Não é uma teoria infundada desse nobre escriba, mas é algo consagrado e repetido pela imprensa do mundo inteiro. Vejam o Olé da Argentina que cita todos os “campeones del mondo”. Repetindo “todos”.

http://www.ole.com.ar/futbol-internacional/campeones_0_829717255.html

A pergunta que fazemos a alguma pessoas é a seguinte. A imprensa  e os  torcedores do mundo inteiro estão errados? Fomos terrivelmente enganados ao longo desses anos?

Imprensa: relatando os fatos

Imprensa: relatando os fatos

Lógico que não. Se por um lado a Fifa decreta o oficialismo de seu torneio por outro a entidade consagra e cita constantemente a competição anterior. Uma relação dúbia e esquizofrênica bem típica da política  era Blatter, mas que nada altera a emoção de uma vitória e as lágrimas de uma derrota.

ZH - Gremio Campeao do Mundo 1983

A partida abaixo é a decisão por pênaltis do Mundial Interclubes de 1988 entre PSV Eindhoven e o Nacional de Montevidéu. Depois de um empate emocionante no tempo normal e na prorrogação por 2 x 2 vemos e sentimos a emoção dos 22 jogadores na derradeira decisão. Nervos a flor da pele e uma narração apaixonada e típica daqueles que aos poucos se sentem um pouco mais perto do paraíso, mesmo que por breves instantes.

 

Nacional Campeão do Mundo 1988

 

A alegria dos uruguaios e a lágrima derramada pelo arqueiro holandês Van Breukelen são a maior resposta a aqueles que insistem em passar uma borracha no passado ou fazerem piadinhas hipócritas e mentecaptas.

Alguns podem até tentar.

Mas jamais irão tirar a emoção daqueles que se sentiram o toque da glória dentro dos gramados num passado não muito distante.

A TERRA É DOS LOUCOS

16/12/2012
Alessandro levanta a taça: Corinthians bicampeão mundial

Alessandro levanta a taça: Corinthians bicampeão mundial

O Corinthians venceu o Chelsea de Londres por 1 x 0 e conquistou pela segunda vez o título de campeão do mundo.

O clube paulista entrou com a mesma garra e aplicação tática que o fez vencer a Libertadores no meio desse ano.

O time inglês, emergente no futebol internacional e recheado de estrelas sentiu o peso da camisa alvinegra e seus 20.000 torcedores que apoiaram o time nos 90 minutos. Uma demonstração de fé e adoração que o Mundial Interclubes nunca vira em sua história.

Como se esperara o Corinthians começou marcando a saída de bola inglesa. Os volantes azuis foram abafados pelo esquema de Tite, que deixaram a retaguarda inglesa livre para os contra ataques. Porém Emerson e Guerrero não estavam calibrados na pontaria. Tiveram boas chances mas desperdiçaram as oportunidades.

Ao Chelsea restou os lançamentos e as bolas altas e paradas. Num escanteio Cássio operou um milagre ao defender um chute dentro da área do zagueiro Cahil. Não seria a única intervenção do arqueiro alvinegro. Mais tarde o meio campista Moses acertou uma bola colocada, íntegra, quase fatal. Cássio pulou e defendeu milagrosamente a jogada trocando as mãos. O Chelsea pressionava, mas parava na aplicação do Corinthians e na noite feliz de seu guarda redes.

Cássio: gigante na decisão

Cássio: gigante na decisão

Na segunda etapa, o ímpeto e a disciplina do time corintiano continuaram firmes. Sem desespero, os alvinegros cadenciaram a bola, cortaram as principais armas inglesas e levaram o treinador Rafa Benitez ao desespero.

O Corinthians nascido em 1910 por um grupo de operários no Bom Retiro, sempre foi conhecido no mundo do futebol brasileiro por ser um time de raça, de superação em momentos difíceis como nos 23 anos de fila e o título paulista de 1977 feito por um gol de Basílio.

Hoje, no gelado estádio de Yokohama um atleta fez um gol histórico. Talvez o tento mais importante da história do clube. Seu nome resume bem o que representa toda a nação corintiana: Guerrero.

Numa jogada prensada, a bola subiu na cabeça do camisa nove corintiano e foi morrer nas redes de Peter Cech. Um gol chorado como é do feitio do clube mais popular de São Paulo e que mostrou toda a superioridade do time paulista dentro de campo. O esforçado e valente clube sul americano deixava o bilionário time do Chelsea de joelhos.

Rafa Benítez: incrédulo

Rafa Benítez: incrédulo

Rafa Benitez se desesperou de vez e cometeu o erro de colocar o mirrado e indeciso Oscar no lugar de Moses. O Corinthians passou a cadenciar o jogo e atuou de forma densa, tranquila, quase imperial. Os minutos passavam e o desespero dos “blues” aumentava.

As bolas altas passaram a ser a última e derradeira arma do esquadrão azul, mas a defesa e o meio campo corintianos tiravam todas com uma fibra impressionante. Chicão, Paulo André e Fábio Santos foram monstros na retaguarda do Parque São Jorge. Quase ao final da partida o consagrado centroavante Fernando Torres ficou de frente para o gigante de amarelo que defendeu a bola com os pés . Nenhuma  passaria mais.

O árbitro turco pede a bola, apita o final de jogo e milhões de corações corintianos explodem de alegria.

Corinthians bicampeão do mundo.

São Paulo vai ficar pequena para tanta festa.

Curiosidades –

– Desde que a Fifa voltou a patrocinar o Mundial em 2005 é a terceira vez que um clube brasileiro vence o torneio. E nas três vezes o placar foi de 1 x 0.

– Não é a primeira vez que um clube inglês perde por 1 x 0 com uma grande atuação do goleiro adversário tendo o espanhol  Benítez como treinador. Lembra de 2005 Rafa?

– O Corinthians quebrou um incômodo tabu de cinco anos. Desde 2006 um time da América do Sul não vencia um duelo contra os europeus. Agora contando todos os títulos do Mundial de Clubes desde os anos 60 o número de conquistas está empatad0. 26 taças para cada continente.

– Com a vitória corintiana o Brasil é o país que mais tem títulos mundiais interclubes. 10 no total.

O DIA QUE O SÃO PAULINO ALCANÇOU O CÉU

13/12/2012
São Paulo: título para a eternidade

São Paulo: título para a eternidade

Hoje, dia 13 de Dezembro de 2012 se comemora uma das partidas mais memoráveis da história do São Paulo Futebol Clube.

Vinte anos se passaram desde a conquista do primeiro título mundial. E vão passar quarenta, cinquenta, cem…

O fato é que esse momento vai ficar gravado na retina e no coração de cada são paulino para todo o sempre.

No dia 12 de Dezembro de 1992 foi o dia mais angustiante de minha vida. Na sexta mal havia dormido. No sábado a espera e a ansiedade eram monstruosas. Não conseguia parar em casa pela expectativa de ver o jogo final da Copa Intercontinental no estádio nacional de Tóquio.

Desde criança via grandes times vencerem mundiais por lá. Flamengo, Peñarol, Grêmio, Independiente, Juventus, River Plate, Milan. Mal acreditava que meu clube de coração estaria naquele mesmo palco glorioso daqui a algumas horas.

O São Paulo de Raí, Telê, Palhinha, Muller e Cafu. De Pintado, Ronaldão, Adílson, Ronaldo Luis, Vitor de da muralha Zetti. Prontos para disputar o derradeiro título. Um jogo que valeria uma via inteira para muitos daqueles atletas.

Time que já havia nos dado uma imensa alegria em 1991 quando finalmente venceu um campeonato brasileiro depois de duas derrotas em finais anteriores e um campeonato paulista em cima do maior rival. Que venceu uma Libertadores com coragem virando os olhos do mundo para o Brasil novamente.

Sim, no começo dos anos noventa o futebol brasileiro estava em baixa. Telê e seus comandados nos mostraram o caminho da esperança. De que poderíamos ganhar sim jogando o verdadeiro futebol brasileiro. Sem “overlapings”, líberos e esquemas táticos confusos realizados por treinadores medíocres e soberbos. Bastava jogar com a nossa verdadeira alma. Com talento, garra, técnica e superação.

As horas não passavam naquele maldito e ao mesmo tempo bendito sábado. Quanto mais tentava me acalmar, mais ficava nervoso. Quando chegou às 21 horas a Avenina Paulista já começava a ficar mobilizada por milhares de são paulinos. Rojões, gritos. O momento da decisão estava chegando.

Fui até o local mais charmoso da cidade e ali esperei quase tremendo pela expectativa. Precisava fazer algo para me acalmar. Até que vi no agora extinto cine Gazeta o cartaz do filme “Força em Alerta” com o brucutu Steven Seagal.

Era a deixa. “Vou me distrair e acabar com a porra da ansiedade até o jogo começar a meia noite”

Confesso que me diverti muito com as desventuras do personagem Casey Rayback e suas facas ginzu. Ajudou-me a relaxar e a colocar a cabeça nos trilhos. Quando o filme terminou desci as escadarias do prédio da Gazeta e vi um mar branco na minha frente. Parecia que a cidade inteira estava concentrada ali.

A partida estava quase começando. Havia decidido ver o jogo ali mesmo, mas a emoção era grande demais. Saí da Paulista e fui assistir a decisão em casa a poucas quadras da minha casa.

O pessoal em casa já estava dormindo, quase inertes ao que estava acontecendo na cidade. Nunca uma equipe da capital paulista havia decidido um título mundial interclubes desde então.

Ligo a tevê e assisto um dos jogos mais tensos e maravilhosos de minha vida. Logo aos doze minutos de partida, Stoichkov encobre Zetti e faz um golaço. Lembro das últimas duas decisões de mundiais em que Milan e Estrela Vermelha massacraram seus oponentes.

Outra vez?

O São Paulo defendendo a escola brasileira mostra que não. O tento catalão não abala a moral tricolor, que passa a tocar a bola e a criar várias chances de gol. Cafu e Ronaldo Luis levam perigo ao arco espanhol. Aos 27 minutos Muller entorna o lateral Ferrer e toca para a centro da área. Raí, num lance de oportunismo bate na bola que vai para dentro do gol de Zubizarreta.

A cidade explode. Quem estava dormindo acorda sob o barulho de rojões e gritos ensurdecedores. O sonho do título mundial se torna realidade. O São Paulo enfrentava o Barcelona de igual para igual. Não temia o “Dream Team” de Koeman e do treinador Cruyff. A partida era parelha e Muller quase aumentou o placar não fosse a presença do zagueiro adversário.

Mesma presença que teve o “anjo” Ronaldo Luís que tirou a bola enviada pelo atacante Beguiristain em cima da linha, quase no final do primeiro tempo aliviando o coração de milhões de são paulinos.

O segundo tempo prometia e os dois times continuaram a realizar uma grande partida. O São Paulo mortífero passou a dominar os contra ataques e preocupar a defesa catalã. O veterano Toninho Cerezo que foi um dos bodes expiatórios da tragédia de Sarriá na Copa de 1982 realizava uma partida primorosa com cadência e toques precisos explorando a velocidade do ataque tricolor.

Numa dessas decidas a defesa do Barcelona fez falta em Palhinha quase na entrada da área. Raí chega perto de Cafu e falam algo um para o outro. O vento bate forte no rosto do capitão tricolor e milhões de almas são paulinas esperam o desfecho da jogada.

Raí: gol antológico

Raí: gol antológico

Raí toca para o meio campista que para a esfera. O camisa 10 acerta uma das maiores faltas que o mundo já vira. A bola passa pela barreira e faz uma curva esplendorosa, mítica e inesquecível. Ao consagrado goleiro Zubizaretta não resta mais nada senão olhar a bola tocar a suas redes como num canto de sereia hipotizante e mortal.

A torcida tricolor alcança a estratosfera. Em poucos e preciosos segundos subimos aos céus numa mistura emocionante de fé e paixão. A Avenida Paulista e o resto da cidade se transforma num panteão de loucuras desenfreadas.

Gol! Gol! Gol! A pouco minutos de terminar o jogo.

O gigante europeu caiu. Desmoronou como um castelo de areia. Desnorteado, o Barcelona não representou mais perigo ao gol de Zetti. O São Paulo dominava a partida de vez e era o comandante supremo das ações. Não só do jogo, mas do planeta.

Na lateral de campo, o árbitro argentino Juan Carlos Loustau pede a bola. De novo subimos aos céus.

Lágrimas escorrem de nossos rostos. Nos penduramos nas janelas de nossos apartamentos e casas como loucos insanos.

A Avenida Paulista começa a comemorar antecipadamente os festejos de final de ano. Uma constelação de fogos, gritos emocionados, choros desenfreados por torcedores da nova e velha geração.

O São Paulo era campeão do mundo!

site da Fifa 20 anos depois: celebração

site da Fifa 20 anos depois: celebração

Telê e Cerezo se vingavam de 1982, não de maneira bruta e asquerosa como são comuns em todas as revanches, mas sim com amor e dedicação ao esporte. O futebol brasileiro voltava ao topo do mundo aos olhos de milhões de telespectadores.

Hoje vinte anos depois vemos o site oficial da Fifa relembrar a partida que estará para sempre dentro de nossa memória.

Um orgulho encrustado em cada coração de cinco pontas que nada e ninguém poderá nos tirar.

1992: o planeta é tricolor

1992: o planeta é tricolor

Parabéns Zetti, Vitor, Adílson, Ronaldão, Ronaldo Luís, Pintado, Muller, Cerezo, Palhinha, Raí e Cafu.

Parabéns Mestre Telê Santana onde quer que você esteja.

Mais que heróis vocês são a nossa alma.

Deuses para sempre da mitologia são paulina.