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JUCA KFOURI E O RECALQUE

21/04/2013

recalque-aqui-bate-e-volta

Sábado, 20 de Abril de 2013. Uma tarde fria em São Paulo. Um belo dia para aproveitar o fim de semana e ir para o cinema, assistir a um bom filme para depois jantar num restaurante agradável na capital paulista.

Para os chamados jornalistas esportivos uma boa pedida. Já que não havia muitas partidas interessantes para se comentar no modorrento campeonato paulista de futebol. Vôlei? A Superliga já acabou. Basquete? Humm. Ninguém comenta. Não adianta. O ideal seria aproveitar o Outono paulistano e as belezas gastronômicas e culturais da cidade.

Entretanto o jornalista Juca Kfouri ficou em casa e no alto de seu laptop soltou essa pérola ontem.

http://blogdojuca.uol.com.br/2013/04/pastor-ceni/

Em primeiro lugar, não há torcedor que não respeite o trabalho do senhor Kfouri. Muitas de suas reportagens fizeram história no jornalismo brasileiro. Suas opiniões sempre contundentes e também ácidas foram um oásis num deserto de profissionais “chapas brancas” que nós vemos por aí.

No entanto, Juca pisou na bola. Quis achar pêlo em ovo ao expor dubiamente e com uma pérfida malícia, o discurso de Rogério Ceni nos vestiários do Morumbi antes da partida derradeira contra o Atlético Mineiro na quarta passada. Levou ema enxurrada de críticas em seus comentários e com razão.

O boca a boca nas redes sociais foi trágico e a tentativa de consertar a má repercussão de sua postagem piorou a situação. A emenda ficou pior que o soneto. O texto seguinte jactou arrogância e até rancor pelas monstruosas críticas pesadas que recebeu. Algo perfeitamente normal que ocorre num país onde ainda se constrói uma democracia.

http://blogdojuca.uol.com.br/2013/04/pequena-aula-de-interpretacao-de-texto/

Qualquer um tem todo o direito de criticar quem quiser, mas também deve suportar a carga do debate contrário depois.

O próprio título “Aula de Interpretação de Texto” já revela uma certa prepotência referente ao leitores do seu blog como se a imensa maioria deles fossem analfabetos funcionais e não entendessem realmente o que o texto sobre Ceni quis dizer, ou seja, grande parte dos internautas. Entre eles Marco Aurélio Cunha que é médico, vereador e também criticou a postagem do sociólogo em seu Facebook. Um profissional que não deve entender muito de “interpretação de texto” não é verdade?

Ainda nessa justificativa, Kfouri chamou os fãs do goleiro de “Cenistas”,como se todos os fãs do jogador fossem uma horda de fanáticos religiosos homens bomba. No entanto, as críticas negativas  causadas pelo seu texto vieram de todos os lados, até de corintianos e palmeirenses que não tem a menor admiração pelo arqueiro tricolor.

Rogério Ceni é um mito para os são paulinos pela carreira que ele construiu dentro do clube. Mas ele é um ser humano como todos nós. Tem virtudes e também defeitos. Todos sabemos disso.

Porém, a carga negativa dos leitores do blog veio justamente porque o sociólogo criticou um momento positivo tentando transformá-lo em algo torpe e asqueroso. Achou chifre em cabeça de cavalo.

Bem, perdoe-nos discordar de seu texto senhor Kfouri. Houve uma crítica velada ao discurso do goleiro sim. Juca colocou o pronome “vocês” como defeito, como se Ceni fosse um individualista marrento que se julga superior até mesmo a seus companheiros. A simples citação do nome “Feliciano” provocou a ira dos são paulinos nas redes sociais. Mas o jornalista não deve ter visto o resto da fala em que o goleiro usou as palavras “nosso” e “a gente” e nem mesmo deve ter observado o pós-jogo em que o goleiro presenteia e exalta o seu companheiro de time Paulo Henrique Ganso com uma camiseta.

Realmente, um senhor exemplo de pessoa individualista…

Como dizia a minha avó. “Se não aguenta bebe leite”.

Juca Kfouri, apesar de ser um profissional consagrado também profere bravatas no dia a dia. Ninguém está imune ao erro. Nem mesmo ele.

O jornalista escreveu bobagem. Se não tem coragem para admitir, pelo menos tenha a capacidade de manter o que penejou, sem se justificar depois com uma nota mais ridícula ainda.

O problema é que uma opinião dessas dá margens a imensas interpretações dos mais exaltados. De que ele é “corintiano”, “petista”, “tucano”, “marciano”, entre outros.

No entanto, a preferência clubística do jornalista ou política pouco tem a ver com a triste crítica de ontem.

Juca Kfouri somente pisou no tomate, escorregou e ao tentar limpar a barra se sujou mais ainda.

O jornalista sentiu o peso da democracia em sem blog, pois ninguém é obrigado a concordar com tudo com o que ele escreve como se o mesmo fosse um oráculo de Delfos.

Todos nós temos o direito de rebater uma opinião contrária. Quem é jornalista há anos deve ser o primeiro a saber disso.

Simples assim.

O ATAQUE DOS HOMENS DAS CAVERNAS

26/02/2013

Charge Yoani

VIVA YOANI!

25/02/2013
Yoani: protestos forjados pelo governo brasileiro

Yoani: protestos forjados pelo governo brasileiro

“Conhecer os outros é inteligência, conhecer-se a si próprio é verdadeira sabedoria. Controlar os outros é força, controlar-se a si próprio é verdadeiro poder.”

Lao Tsé

Me causou uma imensa revolta observar o pavoroso “comitê de recepção” à blogueira cubana Yoani Sánchez armado por manifestantes do PT e do PC do B.

Mais bárbaro ainda foi constatar o imenso silêncio na presidente Dilma ( sim, presidente, pois não chamo uma chefe de gerenta) e do seu emporcalhado e comprometido staff.

O partido dos trabalhadores e seus mentecaptos aduladores e acólitos defendem a ditadura e o totalitarismo. São falsos democratas. Fascistas travestidos em pele de cordeiro que usam a palavra democracia para disfarçar a tirania dos governos podres que defendem. Entre eles, o regime teocrático repressor do Irã e Muamar Khadafi que acabou sendo morto por rebeldes líbios dado os seus anos de desmandos, assassinatos e corrupção.

As manifestações de grupelhos e ataques covardes à Yoani demonstram muito bem os verdadeiros objetivos do Partido dos Trabalhadores. A revista Veja alertou antes da chegada da ativista que o governo brasileiro com a ajuda de agentes cubanos e da eminência parda Gilberto Carvalho montaram um falso dossiê difamatório contra Yoani.

Carvalho é uma espécie de Cardeal Richelieu brasuca dos tempos pós-modernos. Silencioso, se esgueira entre os meandros do poder para fazer todo o trabalho sujo de seus chefes. José Dirceu e outros dirigentes tem uma imensa ligação com o regime ditatorial castrista. Isso não é novidade para ninguém.

O curioso é que em pleno 2013 com o Brasil vivendo uma experiência democrática ininterrupta de quase 30 anos tenhamos que ver ações forjadas repressivas de estilo nazista. Manifestações covardes armadas com o objetivo de calar a jornalista e impedir que ela fale sobre a ditadura cubana, a mais antiga do planeta.

O comunismo é um regime morto. Assassinado pela economia de mercado e na busca de melhoria de vida da população mundial. Pergunte aos romenos, húngaros, thecos, albaneses e ex-alemães orientais os que eles achavam de viver sobre o abraço de Moscou na guerra fria. Ou dos norte coreanos num país comandado por uma brutal  dinastia absolutista  há meio século.  A resposta não será agradável certamente.

Virou uma espécie de chavão a pergunta “ Gosta de Cuba? então por que não se muda para lá”?

Poderia acrescentar o seguinte: Ao se mudarem para Havana os pseudo manifestantes do boutique, depois de constatarem que não há linha de banda larga para a sua internet e nem shoppings centers para comprarem suas camisetas com palavras de ordem falidas tentarem criticar o regime castrista.

Certamente no “paraíso socialista” em que até Che Guevara pulou fora, estes mesmos zé ruelas com camisas de grife serão tratados com o devido respeito. Uma prisão horrível e quem sabe um belo de um “paredón”.

Graças a Yoani Sánchez não vimos apenas as mazelas do podre e decadente regime totalitário cubano. Enxergamos também a pior e verdadeira face do PT . Um partido que aos poucos vai mostrando a sua vocação fascista.

Obrigado Yoani. Que a sua voz se espalhe no mundo e mostre ao planeta não só as mazelas do governo cubano, mas também a vergonha de se viver num país onde o governo defende fuzilamentos sumários e a corrupção.

Ontem Raul Castro foi eleito para governar Cuba por mais 5 anos. Escolhido sem votação popular por um colegiado de compadres. Tudo sob o olhar magnânimo do “grande irmão” Fidel. Velho, decadente e apodrecido como o regime que ele defende com unhas e dentes.

Esse é o governo que os “democráticos” petistas assaltantes do dinheiro público tanto defendem.

Felizmente nem só de pedras a ativista viveu em sua visita ao Brasil. A oposição finalmente reagiu e mostrou que no Brasil, ao contrário das autoridades cubanas ainda existe democracia e o direito de se expressar livremente.

Essa sim a verdadeira liberdade que tanto desejamos.

NERO E O FUTEBOL

14/11/2012

Muitos que acessam o blog diariamente já ouviram falar de um tal de Nero Cláudio César Augusto Germânico ou para os mais íntimos Lucio Domício Enobardo.

O sujeito foi um dos tiranos mais insanos que o império Romano já conheceu. Matou a mãe, assassinou a mulher com um chute e era metido a ator. Em resumo ele era um tremendo de um canalha sanguinário.

Mas apesar de muitas acusações contra ele ao longo da história muitas coisas se revelaram infundadas. Por exemplo o colossal incêndio de Roma em 64 D.C.

A maioria de todos nós acreditamos mesmo por entrelinhas que foi Nero o grande causador da destruição da cidade. Que no auge das chamas, ele se inspirou e tocou arpa enquanto Roma ardia no fogaréu. Uma lenda que se espalhou ao longo da história e se tornou verdadeira após séculos e séculos. Vejam o filme “Quo Vadis” para conferir, junto com a maravilhosa interpretação de Sir Peter Ustinov, o melhor Nero do cinema até hoje.

Mas fontes históricas revisionistas seguem outro caminho. Nero não incendiou Roma. Pelo contrário, ele nem estava na capital do Império no dia do incêndio. Quando soube da tragédia, imediatamente se dirigiu para Roma para ajudar a população. Doou dinheiro do tesouro para os afetados e abriu as portas do palácio imperial para ajudar os desabrigados. O povo adorava Nero, mas ele era odiado pela elite romana por cobrar impostos muito altos na reconstrução na cidade.

Mais tarde, essa mesma elite conspirou para eliminá-lo cansada dos excessos extravagantes do imperador. Os patrícios difamaram e potencializaram todos os crimes de Nero, que ficou conhecido na história como um pária, um imperador maligno. Anos depois, pela ótica cristã que começou a dominar a idade média, Nero ficou se tornou uma espécie de anticristo por perseguir os cristãos e culpá-los pelo incêndio, além de ter ordenado a morte dos principais líderes da igreja primitiva da época.

Mesmo não tendo queimado Roma, a história persistiu por séculos e séculos. A mentira se tornou verdade como o canalha nazista do Goebbles afirmara e todos nós associamos o incêndio de Roma com o imperador Nero. A fama é tanta que o nome do imperador romano virou até nome de um programa de computador que grava DVDS e “queima” mídias. Era um tremendo de um filha da puta? Certamente! Porém, não foi ele que colocou Roma em chamas.

Onde eu quero chegar com essa história e o que ela tem a ver com o título da postagem? Que porra de viagem é essa?

Bem, em todos as épocas da história existiram escribas pagos ou filósofos contratados apenas para contar “parte” de uma história, ou até mesmo mentir sobre ela. Demonizar ou falar mal de opositores era algo comum. Com Nero não foi diferente. Até no Egito antigo vemos lápides propositalmente arrancadas para apagar o passado de governantes. Até mesmo Jesus Cristo sofreu com isso após a sua morte.

Mas vamos ao futebol. Lá estava eu escrevendo uma coluna para meu blog quando analiso qual artigo foi o mais lido na semana. Me surpreendo quando vejo que o post “ A maior farsa do futebol paulista em todos os tempos” fica em primeiro lugar disparado.

O artigo foi postado em 2009. Foi uma das primeiras colunas depois da “refundação” do blog do Abdul. Por que estava em primeiro lugar? Dei uma analisada e … surpresa! Um cidadão que posta num blog chamado de “credibilidade” e de grande audiência afirmou que o São Paulo foi rebaixado em 1990 num post de dias atrás.

Não vou fazer propaganda do sujeito. Os leitores mais atentos devem saber quem é, mas o fato é que mais uma vez se usou da fanfarronice para inventar uma teoria pessoal. O elemento manipulou o seu prestígio junto ao internauta para espalhar uma excrecência.

Baseada em que? Se já foi mais do que provado por jornalistas muitos mais renomados que ele de que o tal “rebaixamento” do São Paulo foi pura invenção de torcedores adversários? Isso é notícia velha. Acabada e enterrada.

Não havia descenso em 1990. Quatro times vindos da Divisão Especial não poderiam disputar a segundona novamente e vários outros pontos  foram abordados no post desse blog. Não vou repeti-los. Leiam ou vejam os três vídeos abaixo que desmontam qualquer argumentação baseada em “achismo”.

 

 

 

 

Não há nenhum documento oficial ou regulamento da Federação Paulista de Futebol que fale em descenso no campeonato paulista de 1990. Se alguém quiser insistir nisso fique a vontade. Estamos numa democracia. Cada um dá o murro na faca que quiser. Vai doer, mas fazer o que? Tem mané para tudo.

Felizmente temos a internet para contrabalancear as mentiras que certas pessoas insistem em transformar em verdades, mesmo tendo as provas documentais e testemunhais na sua frente. Paciência. Fico muito feliz se saber que a postagem que eu escrevi está sendo lida novamente até para dar embasamento as pessoas que primam pelo correto.

Com isso vai ser difícil os escribas pós-modernos divulgarem asneiras no seu teclado..

Pobre Nero. Não havia internet na época para defendê-lo. Se existisse talvez a barra do ex-imperador romano não pesasse tanto. A mentira dita muita vezes se torna verdade? Na era digital a mentira escrita várias vezes te faz passar vergonha.

Porque hoje não temos apenas um “escriba oficial do império”. Temos vários escritores, prontos para defender o seu ponto de vista e rebater ferozmente qualquer asneira proferida.

“Achismo” pode ser até aceito por parte de torcedores. Isso faz parte da rivalidade. Porém jornalista tem o dever de pesquisar e dizer a verdade, ou pelo menos apresentar fatos e jogar a dúvida para que o próprio leitor tenha a sua opinião formada.

O resto são teorias furadas como uma canção horrível. Não é Nero?

AS ´COISAS-ZUMBIS´ TEM VIDA PRÓPRIA

31/10/2012

Reproduzo aqui a espetacular coluna  de Arnaldo Jabor no dia 15 de maio de  2012.

Um belo resumo das nossas  expectativa e das desilusões dessas duas primeiras décadas do novo século.  Confiram.

Arnaldo Jabor – O Estado de São Paulo

Antigamente tínhamos um norte, ilusório ou não. Hoje, vivemos numa permanente incerteza que tentamos deslindar com mecanismos antigos. O colunista ou comentarista se empoleira num pódio de opiniões e fica deitando regras. Como eu, hoje em crise.

E aí? Qual é essa de um sujeito ficar dizendo o que acha certo ou errado na Paisagem? Fico falando na TV,escrevendo nos jornais, tentando ser relevante, tentando salvar alguma coisa que nem sei o que é. Salvar o quê?

Antigamente, era mole. O mal era o capitalismo e o bem era o socialismo. Agora,os intelectuais, caridosos de carteirinha, cafetões da miséria, santos oportunistas estão em pânico, pois não conseguem pensar sem almejar alguma forma de ‘totalidade’.

Mas,isso acabou. As coisas estão controlando os homens. As coisas tomaram o poder e nós, seus escravos, criamos nomes: ‘neoliberalismo, esquerdismo, nacionalismo’, um reducionismo apressado para nos dar a ilusão de controle. Mas, hoje, a marcha das coisas zumbis já começou.

Diante dessa invasão dos vampiros de mercado e da tecnociência incontrolável, o pensamento ‘progressista’ ficou lamentoso, tristinho de tanto absurdo, tanto na guerra internacional como no caos brasileiro. De que adiantam os queixumes?Como falar em democracia com muçulmanos analfabetos que desde o século 8.º batem a cabeça nas pedras para exorcizar qualquer ‘perigo’de liberdade, repetindo mantras do Corão, enquanto, do outro lado, os caretas republicanos competem para ver quem é mais reacionário e escolhem esse Romney a repetir mantras da Bíblia fundamentalista? É terrível ver a vitória das religiões sobre a razão, é feio ver o século 21 começando na Idade Média, com bilhões de seres dominados por Alá, combatidos pelo Deus da indústria de armas.O homem bomba matou o Eu.

Surge no horizonte da crise uma nova ‘razão irracional’ (se é que o oximoro é possível), pois vemos a direita crescer no mundo, junto a uma esquerda cada vez mais neoestalinista, uma razão burra e organizada, fascistoide, principalmente na América Latina.

O problema é que não conseguimos abrir mão do “eu”, do desejo de ser um profeta ou professor ou comandante, tanto no pensamento, na política e nas artes.E,no entanto,vemos que o mundo se move como uma máquina própria.Os indivíduos viraram apenas uma peça ínfima que às vezes dispara novas rotas para as catástrofes. O “eu” virou um privilégio para poucos. Hitler foi um “eu” que encarnou o rancor nacional da Alemanha. Décadas depois, Osama foi um novo “eu” para atacar a modernização do Ocidente, supremo pavor (e desejo) do Islã. Do outro lado, Bush arrasou a América e o mundo. Dois psicopatas mudaram o tempo. Achávamos que tudo se moveria pelas grandes forças socioeconômicas e acabamos mudados por um maluco religioso e um imbecil alcoólatra.O mal difuso elege apenas seus operadores.

E no meio,entreoindivíduoeamassa, respira a liberdade como um bicho sem dono, a ‘liberdade’ – essa coisa que nos provoca tanta angústia. Que liberdade? Contra um mal teórico ou a favor de um bem inapreensível? A único consolo que resta ao “eu” é o narcisismo como moda social, a acumulação de riquezas, charmes e ilusões. É o nascimento do eu-boçal. Seria o eu-burguês, ou eu-Miami. Ou então, o ‘eu’ como uma espécie de prêmio para quem furar o muro do anonimato, para quem conseguir criar um eu fantasioso, um eu excêntrico, um eu que mostra a bunda,um eu de silicone ou um eu-big brother. O indivíduo está cada vez mais ridículo.

Quem fala debaixo dessas duas letrinhas: o “Eu”? Quem foi que inventou essa voz, esse brado que soa de dentro de um organismo, a partir do qual o mundo é contemplado, o que é essa voz cheia de certezas, quem são esses corpos opinativos que se pensam diferentes, mas são produzidos em série? Eles pensam:” Eu quero ser inconformista como todo mundo…” O eu dos intelectuais está humilhado…

Há um grande desânimo de pensar, de escrever,de análises sobre algo morto e inevitável e que já foi decidido. Refletir, fazer obras de arte, pra Quê? Sem alguma esperança não há filosofia.

O eu está sem orgulho, inútil. E aí,volta minha crise do início deste artigo deprimido (quem aguentou ler até agora?): como analisar racionalmente um país num tempo em que ninguém comanda? Não dá. Tenho de utilizar novos conceitos para isso. Tenho de me conformar que não há mais solução para muitos problemas. Nem para o terrorismo,nem para a miséria e seus crimes. Nem na guerra, nem no tráfico de São Paulo, por exemplo. Está tudo incorporado ao arquivo morto da História.Acabou o sonho de um futuro harmônico. O século 21 vai ser uma bosta mesmo.

ADEUS JT

30/10/2012

fim do JT: edições inesquecíveis

Com muita tristeza li a notícia que o grupo Estado anunciou a última edição do histórico “Jornal da Tarde” para esta quarta-feira. O periódico será extinto e será feita uma remodelação e ajustes no Jornal “O Estado de São Paulo”, principal carro chefe do grupo. O famoso “Jornal do Carro” será publicado agora no Estadão.

Idealizado por Mino Carta que agora comanda a pavorosa revista “Carta Capital”, o Jornal da Tarde propôs uma linguagem menos coloquial e mais dinâmica, com capas irreverentes e sensacionais.

Quem não se lembra da famosa e premiada foto do choro do garoto no estádio Sarriá quando o Brasil perdeu da Itália em 1982? E da divertida capa de Jânio Quadros após o ex-presidente das república ter sido eleito prefeito de São Paulo em 1985, depois de uma virada histórica sobre Fernando Henrique Cardoso?

Mafuf como governador biônico em 78 : previsão certeira

O JT sempre foi o meu jornal de cabeceira. Uma grande referência para muitas pessoas que não suportam as longas dissertações de alguns jornais como a Folha de São Paulo e até o Estadão.

Agora ficamos órfãos.

Com a vinda da internet e de uma comunicação mais ágil de celulares e tablets, a permanência do Jornal da Tarde foi colocada em cheque. O mundo mudou. As pessoas não compram mais jornal impresso. Pais lêem notícias de seus aparelhos carregando os seus filhos no colo em vários lugares diferentes.

Diretas: cobertura histórica

A modernidade tão presente no JT foi a principal causa da sua extinção. Só espero que no futuro, o grupo Estado mude de ideia e retorne com o periódico pelo menos numa edição online como o Jornal do Brasil do Rio de Janeiro. Adaptação é a chave.

a eleição de Jânio em 85: humor presente

Muito obrigado por tudo repórteres e editores do Jornal da Tarde.

O jornalismo brasileiro vai se tornar mais chato e macambúzio sem vocês.

FALHA DELES!

22/08/2012

Jornalismo ao vivo é phoda!

Destaque para o jovem reporter aos 2:03, que tenta em vão mostrar como os ladrões usam o martelo para roubar um carro.

Situação que deixaria o poderoso Thor morrer de vergonha.

Hilário.

CRISE VIRTUAL PRÉ-FABRICADA

22/05/2012

A quem interessa especular sobre a demissão de Leão?

Embaixo dos gols dos craques e da alegria das torcidas do futebol brasileiro se escondem os vermes apodrecidos dos bastidores. As últimas especulações sobre a possível demissão do técnico Leão que pipocam na internet, rádios e televisão são um exemplo de como o jornalismo pode ser usado para prejudicar algumas pessoas e favorecer outras escondidas sobre o manto constituicional da “fonte”.

A pergunta que se faz é a seguinte. Por que as notícias sobre a possível demissão de Leão apareceram na mídia justamente na véspera do São Paulo FC decidir uma vaga na semifinal da Copa do Brasil contra o Goiás?

A quem interessa uma notícia dessas? Isso favorecerá alguém? Existe algum “X-9” nos bastidores do tricolor interessado em plantar notícias? Por que Juvenal Juvêncio não foi consultado pela imprensa sobre o fato já que o mesmo é quem dá a canetada no final ?

Estranho, muito estranho. A direção do São Paulo FC se especializou nos últimos anos a fazer trapalhadas homéricas. A última foi o caso Paulo Miranda. O zagueiro como foi provado no último domingo nunca será um Domingos da Guia ou até mesmo um mero Júnior Baiano, mas os fatos que culminaram nas discussões sobre a permanência de Leão provaram que a direção são paulina apostou num caminho errado e nebuloso.

A especulação sobre a demissão do atual treinador são paulino às vésperas de uma partida decisiva é uma verdadeira piada de mau gosto. Essa espécie de “pressão virtual” causada sabe-se lá por onde e porque não favorecerá o tricolor em nenhuma hipótese.

Afinal onde está a tal “crise”? Há cerca de um mês, o São Paulo fazia uma boa campanha no campeonato paulista e ficou invicto doze jogos igualando inclusive um recorde do próprio clube. A derrota para o campeão da América na semifinal do estadual foi normal. Erros individuais aconteceram? Sim, mas cabe à diretoria trazer reforços nas posições de carência. Buscar um “culpado” é demonstrar amadorismo, ignorância e pouco conhecimento de futebol.

Imagine os jogadores são paulinos pensarem que seu treinador não vai mais comandar o time no meio do campo do Serra Dourada. Com que cabeça os jogadores vão entrar no gramado com todo esse zunido midiático? Isso é uma aberração.

Se os dirigentes são paulinos forem um pouco inteligentes eles mesmos irão consertar a imensa cagada que fizeram e acabar com todo esse bombardeio desnecessário da mídia. Apoiar o treinador e prestigiá-lo nesse momento é fundamental. Se Juvenal não se manifestar a situação irá ficar bem clara pois “quem cala consente”. Um enorme atestado de “jumentisse”.

Há anos o São Paulo não disputa uma semifinal da Copa do Brasil. Desde que a falta de Geovani entrou nas redes de Rogério Ceni em 2000 o grito de campeão está entalado na garganta de cada são paulino. Está na hora de faturar esse título inédito e não realizar guerrinha de bastidores e nem pressão velada. Demitir mais um treinador não vai resolver os problemas do time do Morumbi.

Ao torcedor muito cuidado com o que lê por aí. Algumas notícias cheiram muito mal e me parecem direcionadas. A pergunta feita no início continua. A quem interessa a divulgação dessa crise virtual pré-fabricada no Morumbi?

MIKE WALLACE (1918-2012)

08/04/2012

O jornalista estadunidense Mike Wallace da CBS News faleceu ontem aos 93 anos.

Um dos profissionais mais aclamados do mundo, Wallace era dono de um estilo direto, mortífero, questionador e ousado. Seus trabalhos no programa “60 minutos” são uma aula de como um jornalista deve fazer uma entrevista. Sem babação de ovo, com perguntas simples e diretas,  Wallace inaugurou um estilo e fez história na televisão norte-americana.

Presidentes, ditadores do Oriente Médio, celebridades, religiosos, ninguém escapava das palavras e das grandes argumentações do periodista.   21 Prêmios Emmy, cinco prêmios “DuPont-Columbia Journalism” e cinco prêmios “Peabody”. Walace sempre foi uma das minhas referências como jornalista. E pouco importa o nacionalismo esquerdista babaca que impera nos profissionais brasucas. O fato dele ser dos “States” não me diz absolutamente nada.  Wallace foi um profissional espetacular e que infelizmente não estará entre nós para fazer o que poucos jornalistas conseguem hoje: questionar.

Descanse em paz Mike.

OS DRIBLES DE RICARDO TEIXEIRA

23/02/2012

Por Jaime Sautchuk

O (ainda!) presidente da Confederação Brasileiro de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira consegue uma vez mais driblar os agentes da lei e se mantém no cargo, e fora das grades. É certo que tem suas malas prontas para se mandar pros Estados Unidos, onde já está sua família e dinheirama que surrupiou nos seus anos de CBF.

 

 
É certo que seu projeto de chegar à presidência da FIFA já naufragou. Era a estratégia montada por seu ex-sogro João Havelange, chefe da gangue que comanda a entidade maior do futebol mundial há décadas, num suceder de jogadas quase sempre nebulosas.

No livro “Os Descaminhos do Futebol”, publicado há anos, eu já contava a história dessa dinastia. Mostrava, inclusive, como o então falido empresário Ricardo Teixeira entrou no mundo do futebol, pelas mãos de seu então sogro, mas eterno comparsa, o Havelange, com ajuda de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Pelé, aliás, já havia sido peça chave na eleição de Havelange presidente da FIFA, em 1974. Ele ajudou a realizar, aqui no Brasil, o “mundialito” de 72, uma mini-copa, sem a participação dos europeus, mas atraindo a simpatia de países de outras partes do mundo.

Ele também rodou o mundo criando muitas entidades esportivas nacionais (as CBFs de países africanos e asiáticos). Assim, arregimentou novos membros da FIFA para Havelange se eleger, no plano global.

A trajetória financeira de Teixeira na CBF foi meteórica. Já em 93, nas eliminatórias da Copa dos Estados Unidos, quando o Brasil ia aos trancos e barrancos, a imprensa o assediou, antes do jogo contra o Uruguai, no Maracanã. Um repórter perguntou:

– E se o Brasil for desclassificado?

Teixeira foi curto e grosso:

– Pra mim, nada. Vocês é que vão ter problemas, porque não vão ter o que fazer. Eu sou um homem rico.

Diante do dito, o jornalista Armando Nogueira recheou seu texto, sempre brilhante, com uma frase que resumia tudo, e entrou pra história: ‘Sou um homem rico, não. Fiquei rico’. E foi isso mesmo, vapt-vupt.

Pelé contou inúmeras vezes que, quando Havelange lhe procurou para propor o nome de Teixeira para a CBF, seu argumento tinha dois pilares básicos. Um: embora sendo de outro ramo, seu genro tinha boas idéias para o futebol brasileiro. Dois: além disso, enfrentava muitas dificuldades como empresário.

O patrimônio de Teixeira, hoje escancarado por parte da imprensa brasileira, é de fazer inveja a qualquer milionário do mundo. Ele fez da CBF uma entidade mais que privada. É particular. Boa parte do dinheiro da entidade está em suas contas ou nas de parentes seus, os laranjas, em paraísos fiscais mundo afora.

Um exemplo é o de seu tio Marco Antônio Teixeira. Esse sujeito ficou cinco anos na folha de pagamentos da CBF, sem fazer nada, ganhando a bagatela de R$ 88.070,04 por mês. E, segundo o jornal Folha de S.Paulo, quando foi demitido, recentemente, usou de artifícios contábeis na rescisão para abocanhar mais de R$ 1.620.000,00. Isso mesmo, mais de um milhão e meio.

Parte desse dinheiro, que é lavado lá fora, volta para o Brasil e aplicados nos inúmeros empreendimentos de Teixeira, que vão de ricas fazendas a luxuosos restaurantes. Nisso, ele se beneficia da generosidade da legislação brasileira sobre sonegação fiscal e dinheiro de origem duvidosa, ou melhor, criminosa.

Em seu livro “A Privataria Tucana”, sobre as falcatruas nos governos de Fernando Henrique Cardoso, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. trata profundamente dessa questão. E dedica bom espaço a Ricardo Teixeira, como exemplo de lavador de dinheiro sujo.

Mas, tanto no caso dele como no da gangue de FHC, que vendeu empresas públicas para embolsar o dinheiro, a legislação brasileira é branda. Nossas leis estão mais voltadas para recuperar o dinheiro (o que nunca consegue) do que punir os ladrões.

Teixeira, no entanto, está bem mais enrolado, pois há inúmeros casos comprovados de recebimento de propinas para favorecer empresários do futebol. Um caso é o de uma gorjeta de R$ 10 milhões, dada pela empresária Vanessa Precht, que superfaturou o jogo da Seleção brasileira com a de Portugal, em janeiro de 2009. Caso já comprovado.

A desgraça é que, desde a chegada de Teixeira, em 1989, a CBF se emporcalhou e, o que é pior, contaminou a maioria das federações estaduais. Vale lembrar que, até o início da década de 70 o futebol fazia parte da Confederação Brasileira de Desporto (CBD), comandada desde 1956 por Havelange.

A separação foi forçada pelo governo federal justamente para ver se acabava com a roubalheira que existia na entidade geral dos esportes. O desvio de dinheiro do “mundialito” de 72, por Havelange, chegou a irritar o então presidente República, general Ernesto Geisel, a ponto dele determinar a separação. Esforço em vão.

Teixeira teve seu atual mandato esticado para chegar à Copa de 2014, no Brasil, mas teve seu poder esvaziado pela presente Dilma Rousseff no comando dos preparativos do evento. E tudo indica que vai pedir o boné antes que o caldo engrosse. Mas fica o problema de sua sucessão. Seu vice, José Maria Marin, com mandato igualmente estendido, está com 80 anos e com a saúde fragilizada.

As pessoas de bem no futebol defendem que, agora, em vez de nomearem alguém, que sejam realizadas eleições. E que estas, desta vez, sejam limpas. Vamos torcer.