Archive for the ‘História’ Category

PONTO FINAL

17/11/2013

reconhecimento03

Logo após a confirmação do terceiro título brasileiro do Cruzeiro, as redes sociais e parte da imprensa questionaram se a Taça Brasil de 1966 ganha pelo time de Belo Horizonte poderia ser considerado um título brasileiro.

Antes da polêmica das oficializações por parte de Ricardo Teixeira em 2010 o blog já abria um espaço para a discussão do tema.

Tivemos muitas dúvidas a respeito até porque não tínhamos um embasamento histórico e nem documental da época para concordar com a homologação dos títulos antes de 1971, que foram realizados numa espécie de acordo político, já que a Globo e a CBF pressionaram os clubes para a assinatura de direitos individuais de TV.

Porém, temos que fazer justiça. O pedido dos clubes vencedores da Taça Brasil e do Robertão vieram muito antes do imbróglio entre o Clube dos 13 e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira. O maquiavélico cartola mór usou o que tinha como moeda de troca. Não foi uma atitude das mais nobres, mas no final se fez justiça.

Sim caros internautas. Se antes o blog não tinha a certeza total sobre a homologação das conquistas da Taça Brasil e do Robertão, hoje não temos a menor dúvida de afirmar que existem campeões brasileiros desde 1959. O Bahia foi o primeiro campeão brasileiro e não o Clube Atlético Mineiro.

Mudamos de ideia a respeito do tema. Lemos livros, jornais e opiniões sobre o assunto a favor ou contra. O principal trabalho que nos fez alterar a nossa linha de pensamento foi o Dossiê sobre a unificação dos títulos brasileiros escritos pelo jornalista Odir Cunha e José Carlos Peres.

Muitos questionam a veracidade do trabalho de Odir simplesmente pelo fato dele ser um santista declarado e praticamente, um historiador não oficial do clube. A confirmação dos títulos beneficiaria principalmente o seu time de coração mas…alto lá. Quem mandou o Santos ter um time espetacular e que até hoje é considerado um dos maiores esquadrões que o planeta já conheceu?

Além disso, o Palmeiras também “ganhou” mais quatro títulos. A exemplo do alvinegro praiano, ambos os clubes tem 8 brasileiros no total. Por que Odir faria isso apenas para beneficiar o seu clube de coração se um rival também ganharia a vantagem? O que houve foi um estudo e um reconhecimento da história do futebol brasileiro. Simples.

Cruzeiro vencedor da Taça Brasil em 1966: o primeiro brasileiro do clube

Cruzeiro vencedor da Taça Brasil em 1966: o primeiro brasileiro do clube

Vamos colocar os pontos colocados no livro e que são bastante admissíveis na nossa opinião.

– O Brasil é praticamente um continente. O país tem uma área vasta de 8,5 milhões de quilômetros. Nos anos sessenta era muito complicado um time andar de avião todas as semanas para disputar um campeonato brasileiro como é feito nos dias de hoje. Os clubes não tinham tanto dinheiro. A economia industrial em larga escala começava a dar os seus primeiro passos.

– Por isso os principais campeonatos da época eram os estaduais, que hoje são incipientes. Sim, caros colegas! Vencer o campeonato paulista ou carioca era muito mais importante na época que disputar um título nacional e até vejam vocês…jogar a Taça Libertadores!!!

– Com a criação da Libertadores em 1960, a CBD foi obrigada a que criar um torneio nacional um ano antes chamado de Taça Brasil com grupos regionalizados e que cruzariam com vencedores de outras chaves nas fases seguintes até surgir o campeão e representante brasileiro no torneio em 1960.

-Não havia mais nenhuma disputa nacional para definir este representante. A Taça Brasil era o único torneio nacional da época e portanto pode ser considerado um campeonato brasileiro sem a menor dúvida.

-O próprio presidente da CBD na ocasião afirmou que havia criado um campeonato brasileiro de clubes. Batom na cueca. Se o próprio João Havelange atestou isso não há como abrir espaço para discussão.

Além disso existe um fator preponderante nessa história toda. O papel do regime militar nos anos setenta.

No governo barra pesada do general Emílio Garrastazu Médici houve uma enorme massificação de propaganda de massas. Se iniciava ali a “era do Brasil grande”, no nacionalismo exacerbado pelos meios de massa e o futebol, principal esporte nacional não poderia ficar de fora.

Em 1971 foi criado o “campeonato nacional” e se esqueceu praticamente de tudo o que fora feito de 1959 para cá. Os campeonatos nacionais surgidos num Brasil democrático e que pertenceram a era de ouro do futebol brasileiro tiveram que ser suprimidos, assim como qualquer possibilidade de volta à democracia.

O campeonato nacional de 1971 era simplesmente uma continuação do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, mas quando o regime militar passou a tomar conta do futebol tudo se alterou.

propaganda nos anos de chumbo: o futebol não ficou de fora

propaganda nos anos de chumbo: o futebol não ficou de fora

Os clubes que em 1971 eram 20 aumentavam a cada ano na década de setenta. Era a época do Brasil transamazônico. Times de todos os estados passaram a ser convidados sem o menor critério técnico, apenas ajudar a Aliança Renovadora Nacional a ganhar votos e influências nessas regiões.

O torneio tinha virado um “brasileirão” de fato. Inchado, soberbo e que servia como máquina de propaganda do regime militar.

Taça Brasil? Santos? Juscelino? Pelé? Jânio?Goulart? Eram coisas do passado.

Talvez por isso alguns brasileiros tenham ficado tão reticentes quando se falou em reconhecer os títulos do passado em 2010. Fomos lobotomizados pela propaganda militar. Acreditamos piamente que o Campeonato Brasileiro de 1971 foi o primeiro nacional de fato. Mas o fato único e notório foi que houveram campeões nacionais antes do Galo em partidas históricas e emocionantes.

Não é possível digitar o botão de “delete” e começar tudo de novo como um programa de Windows. Por muito tempo a torcida e a imprensa alimentada também pela questão das rivalidades entre as torcidas acreditaram que a Taça Brasil fosse um torneio “menor”. Talvez pelo ineditismo e pela importância dos regionais no passado.

Mas o tempo passou e essas conquistas foram ganhado contornos lendários. Nenhum torcedor do Bahia vai esquecer de 1959, assim como nenhum torcedor cruzeirense vai mandar 1966 para o limbo. O abnegado santista sempre se recordará do amplo domínio do time de Pelé e Coutinho na década de sessenta e seus cinco títulos nacionais seguidos. Claro, se um clube vence o Boca Juniors dentro de La Bombonera numa decisão de Libertadores e ganha de Benfica ou Milan num mundial de clubes, como negar que esse time é o melhor do Brasil? Por seis vezes o Peixe deixou isso bem claro.

jornais da época: Santos bicampeão brasileiro. Por que mudaram?

jornais da época: Santos bicampeão brasileiro. Por que mudaram?

Contudo, na era do ódio gerado pelas redes sociais muitos torcedores de outras equipes e jornalistas contestaram a homologação das conquistas. Uma delas foi de que a Taça do Brasil era semelhante a atual Copa do Brasil.

Semelhante sim, porém não igual. A Taça Brasil até 1967 era o único torneio nacional entre clubes de todo o Brasil enquanto a Copa do Brasil foi criada para ser o segundo maior torneio em importância no país em 1989.

Ricardo Teixeira elaborou o torneio para igualar o sucesso das copas europeias como a Copa do Rei da Espanha. Absolutamente nada a ver com a antiga Taça Brasil. Apesar dela ser lembrada.

Como foi dito na postagem sobre os mundiais interclubes, os torneios mudam de nome, mas não a importância do que eles realmente significam. A Taça Brasil não era igual ao campeonato de pontos corridos de hoje e nem dos confusos e inconstantes torneios dos anos setenta e oitenta, mas o único torneio nacional daquele tempo e portanto era um campeonato brasileiro. O significado e a importância são equivalentes.

Outros torneios pelo mundo mudaram de nome, Bundesliga, Premier League. Mas jamais os campeões anteriores desses torneios deixaram de ser reconhecidos como campeões nacionais. Por que no Brasil teria que ser diferente?

Por que teríamos que renegar e não reconhecer um glorioso passado?

O reconhecimento desses títulos que vieram de uma forma despudorada já deveriam ser oficializados há muito tempo. Bahia, Palmeiras, Santos, Botafogo, Cruzeiro e Fluminense não “ganharam” brasileiros a mais. Eles já o haviam vencido no passado. Eles não tiraram a conquista de ninguém. Flamengo e São Paulo continuam hexacampeões. O Corinthians continua penta. O Internacional é tricampeão e a história do futebol brasileiro segue o seu rumo.

Se lamenta apenas que Ricardo Teixeira tenha usado esses clubes como massa de manobra para defender seus interesses e pedir para que os presidentes exibissem as miniaturas da horrível taça pós moderna que parece um latão retorcido.

Luis Álvaro, e Palaia cobertos de medalhas: show desnecessário

Luis Álvaro, e Palaia cobertos de medalhas: show desnecessário

Nem era necessário exibir medalhinhas. Bastava mostrar os troféus da Taça Brasil e da Taça de Prata e reconhecer os torneios. Apenas respeitar o que os atletas e profissionais da época fizeram. Se praticou uma política nojenta e desnecessária, mas a razão prevaleceu.

Portanto, para este blog a história do campeonato brasileiro começa em 1959. Não porque Ricardo Teixeira reconheceu esses títulos tardiamente.

Simplesmente porque estes esquadrões lendários conquistaram esses títulos há muito tempo quase esquecidos pela falta de televisão e de informação. Felizmente o resgate chegou a tempo para enriquecer o nosso esporte mais amado.

A história do futebol brasileiro não foi reescrita. Ela foi sim engrandecida apesar de todos os pesares.

Ponto final.

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ACABOU A POLÊMICA! Arquivo raro (risos) comprova que o São Paulo ganhou do Palmeiras e do Corinthians no Paulistão de 1991

02/10/2013

\Rai1991

Um ingresso “raro” (risos novamente) vem circulando pela Net e comprova que o São Paulo foi SIM campeão paulista de 1991 eliminando o Palmeiras e Corinthians nas partidas finais.

Recentemente um vídeo do jornalista Paulo Vinicius Coelho afirmando que o São Paulo não foi rebaixado deixaram as torcidas adversárias bastante chateadas.

Todos nós sabíamos que o São Paulo foi campeão paulista de 1991, agora está mais do que comprovado.

Ingressos91

O internauta que frequenta o blog deve estar se perguntando, mas “porque raios o Abdul colocou esse post no blog dele”? Calma galera, foi uma ironia ao pessoal que diz ter um “arquivo” (diga-se um ingresso velho) do jogo entre Marília e São Paulo pelo Campeonato Paulista de 1990.  No ingresso está impresso o termo “Série B”, o que comprovava o tal “rebaixamento” do São Paulo naquele ano.

O ingresso foi divulgado no “Blog do Paulinho” , o tal “jornalismo com credibilidade” que ele tanto apregoa por aí.  Eu não sou um especialista  mas acredito que o termo “credibilidade” se ganha com o tempo e não se  impõe num título de blog.

A “prova irrefutável” pelo qual o “jornalista” com creti…(ops) credibilidade divulgou é uma falsificação grosseira como demonstra o blog de Alexandre Giesbrecht que destrinchou na lata a patifaria. Cliquem aqui e confiram. 

A função do profissional por mais que tenha sido deformada pelo jornalismo “joão sorrisão” da TV aberta ainda tem a missão de informar e não “fazer polêmica” ou “tornar o assunto divertido”. Para isso existem os comediantes.

O profissional de jornalismo tem a função de pesquisar e informar devidamente o seu leitor. Isso é premissa básica seja numa revista de circulação nacional ou num blog da internet.

Se você carimba o termo “credibilidade” , você deve ter a obrigação de mantê-lo, mas não é o caso do blog do Paulinho.

O post em seu espaço só alimentou o jornalismo mambembe que tem como representantes, nomes como Mílton Neves, Neto, entre outros.

Profissionais  que ele frequentemente critica em seu blog,  mas que no final segue a cartilha dos mesmos.

Como não poderia deixar de ser questionamos o conteúdo da postagem de Paulinho. Fizemos as perguntas necessárias para saber se ele estava devidamente bem informado sobre o assunto.  Afinal ele é um jornalista de credibilidade certo?

comentario

Mas infelizmente não obtivemos qualquer resposta sobre a questão. Pior, o sr. Paulinho nem aprovou o comentário.  Por que será hein?

“Jornalismo com Credibilidade”…. sei…..

UMA LENDA CHAMADA DJALMA SANTOS

23/07/2013

Djalma-Santos

Se alguém me perguntar, você já viu o Djalma Santos jogar?

Responderei que não. Nasci em 1972, dois anos depois do lateral conquistar seu último título pelo Atlético Paranaense.

Portanto a possibilidade de ter visto algum jogo do lendário atleta é zero.

Mesmo assim acredito no que as pessoas mais velhas me diziam ao vê-lo atuar pelos campos brasileiros e mundiais com a camisa da Portuguesa, do Palmeiras e da Seleção Brasileira.

Como desacreditar de alguém que foi escolhido o melhor de sua posição em apenas uma partida na final da Copa do Mundo na Súécia em 1958?

Como contrariar os títulos nacionais e internacionais ganhos pela Portuguesa e pelo Palmeiras nos anos 50 e 60? Como não constatar a grande campanha do bicampeonato Mundial com o Brasil em 1962?

E o fato de não ser expulso uma única vez em toda a sua gloriosa carreira?

Impossível.

Djalma Santos já era uma lenda antes deste blogueiro nascer e assim permanecerá para sempre.

Jogadores como ele nunca desaparecem de nossa memória, mesmo aqueles que nunca tiveram o deleite de assistí-los nos gramados uma única vez na vida.

Assim são os heróis e os mitos. Como Hércules, Sansão e Perseu.

Acreditamos nos contos e nas lendas e os usamos como exemplo para gerações futuras.

Apenas com um detalhe: o maior lateral direito da história do futebol mundial foi real.

Vá em paz Dejalma dos Santos.

A sua eterna lenda sempre permanecerá viva em nossos corações terrenos.

lendas1958

ASSUNÇÃO – 02/07/2013

04/07/2013

olimpiamosaico

Antes da primeira partida da semifinal da Libertadores, a torcida do Olímpia mostrou vários mosaicos enaltecendo as principais  conquistas do clube desde a sua fundação. Pois é pessoal. O futebol tem história e a torcida sempre terá a memória dos grandes feitos de seu clube. O resto é conversa mole para boi dormir.  Ah, o Olímpia venceu o Santa Fé por 2 x 0. Rumo ao Bi Mundial?

Joinha procêis.

joinha

SÓ PARA ESCLARECER…

13/06/2013
Bayer: Campeão do Mundo em 1976

Bayer: Campeão do Mundo em 1976

Este escriba estava dando uma passadinha no site da Fifa e encontrou um artigo bem curioso em relação ao Mundial de Clubes de 2013 que será disputado no final do ano no Marrocos.

Depois da vitória arrebatadora contra o Borussia Dortmund pela Champions League lá está o resumo do europeu time do Bayer de Munique, que participará da disputa em Dezembro.

O texto esclarece muito o que tem sido escrito aqui neste blog há bastante tempo. Mas vamos ler primeiro o que foi colocado antes no site oficial da Fifa.

bayerintercontinental

“Contudo, os bávaros nunca participaram de uma Copa do Mundo da Fifa,…”

O que não deixa de ser verdade, já que este novo formato de torneio foi estabelecido em 2005, com um evento inicial em 2000, cujo modelo não se sustentou.

Mas a frase completa está escrita bem claramente.

“…apesar de terem vencido a extinta Copa Intercontinental em duas ocasiões, nas edições de 1976 e 2001.”

Vamos perguntar novamente aos oficialistas de boteco.

Se a Copa Intercontinental era mesmo um “amistoso” como alguns embusteiros proferem porque essa frase está estampada no site oficial da entidade?

Afinal não era apenas um “joguinho da chave”? Uma partida sem importância?

Como sempre afirmamos em posts anteriores ( Relatório Mundial Interclubes I e II) tudo tem um começo e uma história. A Copa Intercontinental era o único torneio desde 1960 que dava ao vencedor o título de campeão do mundo.

Conquista que era reconhecida no mundo todo e não “apenas no Brasil” como algumas vozes raivosas proferem.

Não dá para eliminar a história. A Copa Intercontinental estará sempre ligada ao atual Mundial de Clubes da Fifa. É impossível dissociar uma coisa da outra. Nem mesmo a entidade maior do futebol faz isso e reconhece o valor do torneio anterior.

É só ver o texto escrito em inglês.

bayerintercontinental2

Pois é…passado…. torneio predecessor, coisas difíceis de engolir para quem adora surrupiar e diminuir a conquista dos outros.

Esclarecido?

Joinha proceis.

joinha

“ESQUEMA” PARMALAT

12/06/2013
Palmeiras: 20 anos do fim da agonia

Palmeiras: 20 anos do fim da agonia

Hoje é um dia muito especial para os palmeirenses de todo o Brasil. Se comemora o fim de um incômodo jejum de quase 17 anos que terminou do dia 12 de Junho de 1993.

O Palmeiras tinha um timaço que incluía Roberto Carlos, Mazinho, César Sampaio, Antônio Carlos, Edmundo, Zinho e Evair.

Um dos maiores times do Palestra de todos os tempos, que derrotou o Corinthians por 4 x 0 numa partida incontestável.

Mesmo assim, 20 anos depois algumas vozes ainda insistem em dizer que aquele título foi “roubado” pelo árbitro José Aparecido de Oliveira.

Nada pode ser mais hilário.

Depois de tanto tempo, o chororô continua. O Palmeiras tinha um verdadeiro esquadrão. Engoliu o Corinthians no segundo jogo da final e estava totalmente concentrado depois da provocação de Viola na primeira partida quando o atacante imitou um porco após marcar o único tento da partida.

Quando o apito assoou na peleja decisiva se viu um Palestra disposto a dar o sangue pelo titulo depois de tantos anos de lamentos, derrotas humilhantes e gozações dos adversários.

O Corinthians não teve a menor chance dentro de campo e as expulsões e cartões foram totalmente justos.

Muitos reclamam da entrada de Edmundo em Paulo Sérgio, mas Aparecido errou também ao expulsar Tonhão que foi vítima de uma cabeçada simulada do goleiro Ronaldo. Ou seja, o árbitro errou para os dois lados. Creditar uma derrota de 4 x 0 a uma arbitragem é mascarar a própria incompetência. O Corinthians tomou uma lavada de uma equipe muito superior e que viria a conquistar mais um Campeonato Paulista no ano seguinte ( com pontos corridos) e dois Campeonatos Brasileiros.

Nascia ali um time lendário, que dominou o futebol brasileiro por quase uma década.

Muitos torcedores adversários creditam essas vitórias a uma teoria da conspiração chamada jocosamente de “Esquema Parmalat”.

Sou obrigado a concordar com eles. E vamos agora aqui desnudar toda a história desse cabuloso “golpe” no futebol brasileiro (como diria um saudoso apresentador palestrino, parem as máquinas!).

Uma multinacional italiana faz parceria com um time brasileiro.

Compra uma porrada de bons jogadores.

Traz um jovem e promissor técnico em ascensão.

Coloca um gestor no clube e impede que os problemas internos se misturem com a equipe de futebol.

Esquema montado.

Graças a ele, os cânticos de parabéns e as contagens das torcidas rivais  eram coisa do passado e a incômoda fila palmeirense não completou a maioridade.

O resto é conversa mole para boi dormir.

OLIMPÍADAS – O CALCANHAR DE AQUILES DO FUTEBOL BRASILEIRO

19/07/2012

Brasil em Pequim 2008: centenária frustração

Cinco títulos mundiais, três Copas das Confederações, oito Copas Américas e outros títulos secundários não deixam a menor dúvida, o Brasil é uma das maiores potências futebolísticas da historia do esporte.

Porém existe um torneio pelo qual a seleção brasileira não é nem de longe o bicho papão tão aclamado dos gramados internacionais. Pelo contrário.

Derrotas vergonhosas para times de menor expressão, desclassificações humilhantes e vexames inexplicáveis. O torneio olímpico de futebol é um dos calcanhares de Aquiles do futebol brasileiro. A única competição de importância internacional que o Brasil nunca venceu e lá se vão mais de cem anos.

A dificuldade é histórica. O Brasil nunca conseguiu impor a sua soberania nas Olimpíadas e por muito tempo nunca formou um time emocionalmente sólido o suficiente para disputar a medalha de ouro. Aos poucos, o primeiro lugar no pódio se tornou uma verdadeira obsessão para a confederação brasileira, imprensa e parte de torcedores e chegou ao auge nas Olimpíadas de Atlanta em 1996 e Sidney em 2000. Mesmo com astros internacionais em sua equipe, o time canarinho não alcançou o título máximo e o pior viu a seus maiores rivais da América do Sul faturarem o ouro antes. Vamos analisar a participação do escrete verde amarelo em todos os torneios olímpicos de futebol na história e tentar explicar porque o Brasil nunca conseguiu vencer a competição. Em julho o time de Mano Menezes irá disputar novamente o pódio em Londres. Um novo vexame ou o fim da “maldição”?

Helsinque – 1952

Brasil em 1952: futuros campeões do mundo e uma campanha irregular.

A primeira participação do futebol brasileiro nas Olimpíadas não foi das piores, mas também poderia ter sido melhor. Um time que contava com futuros campeões mundiais como  Zózimo e o artilheiro Vavá começou goleando a Holanda por 5 x 1. Depois de uma vitória apertada sobre Luxemburgo por 2 x 1, o time brasileiro caiu frente a Alemanha Ocidental por 4 x 2 nas quartas de final.

Roma – 1960

A seleção canarinho foi para os jogos olímpicos de Roma com um time muito jovem. Entre os atletas estava o zagueiro Roberto Dias, um dos maiores defensores da história do São Paulo FC além do futuro canhotinha de ouro, o craque Gérson. Na estréia, o Brasil venceu a Grã-Bretanha por 4 x 3 num jogo disputado. Depois uma goleada de 5 x 0 sobre a seleção de Taiwan. O torneio olímpico era divido em grupos com quatro seleções cada. O campeão de cada chave se classificaria para as semifinais. E o Brasil disputaria a primeira colocação contra os donos da casa. A Itália venceu por 3 x 1 deixando a seleção brasileira fora da disputa.

Tóquio – 1964

Mais uma vez o Brasil levou uma seleção de jogadores inexperientes. Um dos mais promissores seria o atacante Roberto Miranda que foi ídolo no Botafogo do Rio. Na estreia, um empate contra o Egito e uma goleada contra a Coreia do Sul por 4 x 0. O terceiro jogo seria contra a Checoslováquia, uma das fortes seleções do leste. Apesar da resistência brasileira, os checos levaram a melhor pelo placar de 1 x 0. Mas o Egito goleou a Coreia do Sul por 10 x 0 e ficou com a segunda vaga pelo saldo de gols. O Brasil mais uma vez ficou a ver navios.

Cidade do México – 1968

Novamente o Brasil chegou à Olimpíada com uma jovem equipe que tinha como destaque o atacante Manoel Maria, o Brasil, não passou da primeira fase do futebol olímpico. Uma derrota para os espanhóis e dois empates contra Japão e Nigéria. Seleções absolutamente amadoras na época. Talvez tenha sido o primeiro grande vexame futebolístico brasileiro nos jogos.

Munique – 1972

Brasil em 1972: com um jovem Falcão vexame em Munique

O time canarinho contava com um grande craque em início de carreira, o meio campo Paulo Roberto Falcão do Internacional de Porto Alegre. Mas nem mesmo o talento do catarinense ou a virilidade do zagueiro Abel ( atual técnico do Fluminense)  conseguiram livrar o Brasil de um novo vexame olímpico. Derrota para a Dinamarca por 3 x 2 e um surpreendente empate com a Hungria ( que ficaria com a prata nesse torneio). Mas o pior ainda estaria por vir. A seleção brasileira foi derrotada pela zebraça Irã por 1 x 0 na terceira partida e a exemplo das duas edições anteriores deixou os jogos olímpicos na fase preliminar.

Montreal – 1976

Batista: boa campanha e um quarto lugar

Depois de sucessivos fracassos nos jogos olímpicos enfim o Brasil conseguiria fazer uma campanha razoável. Pela primeira vez o time chegava à uma semifinal olímpica. A equipe era dirigida por Cláudio Coutinho (que também treinou o Brasil na Copa de 1978) e tinha um bom elenco como o goleiro Carlos (futuro titular do Brasil na Copa de 1986), o zagueiro Edinho, o lateral Júnior ( que se consagraria no Flamengo) e o meio campo Batista. Na estreia um empate sem gols contra a Alemanha Oriental ( que ganharia a medalha de ouro) e uma vitória contra a Espanha por 2 x 1. Nas quartas de final uma goleada de 4 x 1 contra a seleção de Israel. Entre os semifinalistas, o Brasil era o único time fora da cortina de ferro. Não foi possível derrotar os “amadores” poloneses. Derrota de 2 x 0. Na disputa do bronze, mais uma derrota, 2 x 0 para a União Soviética.

Moscou – 1980

O Brasil não se classificou para a Olimpíada. No pré-olímpico, o Brasil perdeu para a Argentina por 3 x1 e foi impiedosamente goleado pela Colômbia por 5 x 1. Moscou não viu a camisa canarinho.

Los Angeles – 1984

Los Angeles: a primeira medalha do futebol brasileiro

Com a recusa dos clubes brasileiros em ceder seus atletas para a Olimpíada de Los Angeles, o Internacional de Porto Alegre se prontificou a mandar sua equipe representando o Brasil nos jogos. O time contava com bons jogadores como o zagueiro Mauro Galvão,  goleiro Gilmar Rinaldi, futuro bicampeão brasileiro com o São Paulo e Flamengo e tetracampeão do mundo como reserva em 1994, o artilheiro Kita, que ganharia destaque em 1986 com a inédita conquista da Inter de Limeira no campeonato paulista e o meio campo Dunga, futuro capitão do da conquista do quarto titulo mundial da seleção brasileira. O treinador era Jair Picerni, ex-jogador da Ponte e que tinha levado o time de Campinas ao vice-campeonato paulista de 1981 e que anos mais tarde ganharia destaque ao levar o São Caetano a duas finais de brasileiro e de uma Libertadores.

Gilmar Popoca: um dos melhores da campanha brasileira

Com uma certa desconfiança da imprensa brasileira a seleção canarinho estreou com uma vitória contra a Arábia Saudita por 3 x 1. Com o boicote dos países socialistas em represália à desistência do bloco ocidental olimpíada de Moscou em 1980, as possibilidades de uma conquista do ouro no futebol aumentaram já que as nações do leste europeu dominavam a modalidade desde 1956. Essa possibilidade aumentou com a vitória de 1 x 0 contra a forte Alemanha Ocidental. Uma terceira vitória de 2 x 0 contra o Marrocos fez o Brasil ficar em primeiro no seu grupo e pegar o Canadá pelas quartas de final. Jogo fácil? Pelo contrário. O canadenses engrossaram a partida e a jogo terminou em 1 x 1 no tempo normal e na prorrogação. Nos pênaltis a estrela do goleiro Gilmar brilhou e o Brasil venceu por 4 x 2. A semifinal seria contra a Itália. Um gosto de revanche pela tragédia no estádio Sarriá em 1982 foi inevitável. Em outro jogo complicado a seleção brasileira venceu por 2 x 1 e pela primeira vez ganharia uma medalha, já que a prata estava garantida. Os garotos de Picerni foram muito mais longe do que qualquer um imaginaria. Na final o adversário seria a França. E no estádio Coliseu de Los Angeles viu um passeio dos franceses. Um 2 x 0 incontestável em que o Brasil não teve a menor chance de reação. Porém o Brasil finalmente conquistara uma medalha no esporte favorito de sua nação.

Seul – 1988

Seoul 1988: a melhor seleção olímpica brasileira até hoje

A seleção olímpica que foi disputar o ouro em Seul foi uma das melhores, senão a melhor equipe que o Brasil já teve nos jogos. Muitos desses jogadores se tornariam futuros campeões do mundo e craques consagrados em seus clubes como o goleiro Taffarel, os laterais Jorginho e Mazinho e o artilheiros Romário e Bebeto (futuros tetracampeões do mundo em 1994). Além de jogadores em grande fase como Mílton do Coritiba e Edmar do Corinthians.

Comandados pelo técnico Carlos Alberto Silva, o Brasil arrebentou no grupo D com uma goleada de 4 x 0 sobre a Nigéria e de 3 x 0 sobre a Austrália. Só nesses dois jogos, Romário fez 5 gols se tornando a principal estrela e artilheiro do torneio e despertou a cobiça do PSV Eindhoven que o contratou tão logo os jogos terminaram.

Taffarel: desde o início de carreira pegando pênaltis

Depois de uma vitória sobre a Iugoslávia por 2 x 1, o Brasil venceu a Argentina nas quartas de final por 1 x 0 e foi para a semifinal contra a Alemanha que tinha outro destaque no torneio: o centroavante Klinsmann. As duas maiores equipes do futebol mundial nunca haviam ganho a medalha de ouro e a disputa como se esperava, foi emocionante. Quando o jogo estava 1 x 1, um pênalti bobo do Brasil no tempo normal poderia por todo o trabalho a perder. Mas o goleiro Taffarel defendeu milagrosamente a cobrança e o jogo seguiu até a cobrança de pênaltis. Na disputa, a estrela do jovem goleiro do Internacional brilhou mais uma vez com mais duas cobranças defendidas. Mal sabiam eles que o goleiro faria a nação ficar mais feliz anos depois.

Romário: apesar da artilharia, a prata

O Brasil estava na final pela segunda vez consecutiva. O adversário seria a União Soviética. Na final, o Brasil entrou visivelmente tenso pela pressão de ganhar o ouro olímpico. Romário fez o primeiro gol após uma grande cobrança de efeito no escanteio do meia Neto, mas os soviéticos mantiveram a calma e empataram o jogo num pênalti meio mandrake assinalado pelo árbitro. A partida foi para a prorrogação e um erro da defesa brasileira no contra ataque deixou o atacante Savichev livre para encobrir Taffarel e marcar o gol da vitória soviética. Mais uma vez o Brasil ficava com a medalha de prata.

Barcelona – 1992

Cafu desolado:vexame no pré

A vergonha começou mesmo antes da olimpíada começar. O Brasil deu vexame no pré-olímpico de 1992 e foi desclassificado após um vergonhoso empate com a Venezuela. O time era dirigido pelo incipiente Ernesto Paulo e tinha jogadores do calibre de Dener, Marcelinho Carioca, Roberto Carlos, Márcio Santos e Cafu. Jovens promessas na época que mais tarde iriam se consagrar em gramados brasileiros e internacionais. Como esse time não se classificou?

Vaidades pessoais, brigas entre jogadores, falta de diálogo e críticas dos atletas ao técnico minaram a classificação brasileira. Colômbia e Paraguai foram para Barcelona e o futebol brasileiro assistiu o ouro da Espanha pela televisão.

Atlanta – 1996

Kanu acaba com o sonho brasileiro: obsessão

Depois de bater na trave duas vezes em 1984 e 1988 e ser eliminado vergonhosamente do Pré-olímpico de 1992 após um empate com a Venezuela, a medalha de ouro passou a ser uma obsessão. O Brasil fez um grande projeto olímpico para a conquista da medalha de ouro em Atlanta. Com as novas regras do COI o técnico Zagallo teve a oportunidade de chamar três jogadores experientes para os jogos. E os escolhidos foram Aldair, Bebeto e Rivaldo. O consagrado Romário ficou de fora da lista. Mesmo assim, o Brasil tinha uma boa seleção com nomes como o lateral Roberto Carlos e o atacante Ronaldo, futuros pentacampeões mundiais em 2002.

Bebeto: nem sua experiência ajudou o Brasil

A confiança e o ufanismo de Zagallo logo viraram pó na partida de estreia da seleção. O Brasil não conseguia furar a retranca japonesa e após uma trombada desastrosa entre Aldair e o goleiro Dida, o japonês Ito balançou as redes. O Japão venceu em mais um histórico vexame que a seleção brasileira sempre proporcionou em jogos olímpicos. Nas duas partidas seguintes contra Hungria e Nigéria o time se recuperou e conseguiu passar para as quartas de final.

Kanu: uma partida antológica

Na partida contra Gana já se via uma certa dificuldade do time brasileiro de manter o seu padrão de jogo. Falhas individuais e apagões na defesa tornaram o jogo contra os técnicos africanos mais difícil. O Brasil venceu por 4 x 2 e foi para a semifinal contra a mesma Nigéria da primeira fase. Nesse momento, todo o desenrolar da tragédia começou a acontecer. O Brasil vencia por 3 x 1 e depois de uma falha individual de Rivaldo os nigerianos diminuíram.

Bronze: terceira medalha olímpica do futebol

A seleção brasileira tinha definitivamente apagado e Kanu empatou o jogo levando o jogo para a prorrogação com a “morte súbita”, uma regra inovadora da Fifa que infelizmente não continuou.

Os minutos passaram e o pior aconteceu. O Brasil ainda apavorado e surpreso com a reação nigeriana não conseguiu evitar o “gol de ouro” da Nigéria. Os africanos conseguiram uma incrível virada de 4 x 3 e partiram para o ouro olímpico. Ao Brasil restou vencer a medalha de bronze após uma goleada de 5 x 0 contra Portugal. Mas a maior vergonha foi a falta de esportividade da confederação brasileira de futebol que insistiu em receber as medalhas um dia antes da cerimônia de premiação como todas as outras modalidades fazem. Como se vê o vexame canarinho em Atlanta não acabou após o gol de Kanu.

Sydney – 2000

Fabiano desaba: desastre brasileiro em Sydney

Ares muitos tenebrosos rondavam a seleção brasileira nos jogos olímpicos de Sydney. Após fazer um grande Pré Olímpico no Paraná, o treinador Vanderlei Luxemburgo resolveu manter seus jovens jogadores e não chamar os 3 atletas maiores de 23 anos, o que se revelou depois um imenso erro estratégico.

A situação do elenco olímpico brasileiro piorou quando surgiram denúncias de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro contra o treinador. Duas CPI´s no Congresso Nacional também deixaram o clima pesado entre o atletas. Isso logicamente se refletiu dentro de campo. Nem Alex e nem Ronaldinho Gaúcho conseguiram mostrar todo o seu potencial nas partidas.

Luxa: acusações de evasão fiscal e demissão

A estréia nos jogo foi tranquila com um 3 x 1 contra a Eslováquia, mas nas pelejas seguintes se percebeu algo errado no time brasileiro. Na segunda partida contra a África do Sul, a equipe foi bisonha e perdeu por 3 x 1. Contra o Japão a seleção chegou a ficar ameaçada de desclassificação,mas ganhou por 1 x 0. Apesar da vitória, a pálida apresentação do Brasil deixou claro que o time não estava em seus melhores dias. Tudo poderia mudar nas quartas de final contra a seleção de Camarões, mas o pesadelo só estava começando.

Ronaldinho: nem seu talento salvou o Brasil

Os africanos dominaram inicialmente o jogo e  Mboma  de falta abriu o placar para o leões indomáveis. Depois do susto, o Brasil melhorou seu ritmo e passou a atacar a defesa africana. Mas a bola não entrava. O assédio brasileiro começou a incomodar a defesa camaronesa que começou a bater mais que um lutador de MMA. Ao longo da partida, dois jogadores dos “leões indomáveis” foram expulsos. Já nos descontos e no absoluto desespero, Ronaldinho fez o gol de empate. O time brasileiro tinha tudo para arrasar os africanos com três jogadores a mais nos minutos seguintes, mas a prorrogação com a “morte súbita” reservou surpresas desagradáveis para o torcedor brasileiro.

A seleção de Camarões passou a fazer constantemente a linha do impedimento irritando os jogadores canarinhos. Para piorar, o time de Luxemburgo perdia gols incríveis. Fabiano teve um gol mal anulado pelo árbitro e num descuido da defesa canarinho, Mbami fez o gol de ouro. Mais uma vez o Brasil era despachado das olimpíadas. Pela segunda fez consecutiva por um país africano e pela segunda vez na morte súbita. Pelo fato de ter dois jogadores a mais, esse foi talvez o maior vexame brasileiro em jogos olímpicos. O estrago foi tão grande que Vanderlei Luxemburgo foi demitido logo depois. E o sonho do ouro continuou distante.

Atenas – 2004

Robinho e Diego: brincadeira tem hora

Mais uma seleção promissora que nem mesmo conseguiu se classificar para a Olimpíada. Dirigidos por Ricardo Gomes, o Brasil tinha jogadores como Robinho, Alex, Elano e Diego do Santos, Dudu Cearense, Dagoberto e Nilmar. Kaká poderia reforçar o grupo, mas o Milan não permitiu que a ex-jóia são paulina viajasse até o Chile.

O Brasil até teve um desempenho regular na fase de grupos, mas no quadrangular final sucumbiu no pré-olímpico do Chile ante a Argentina (1 x 0) e o Paraguai (também por 1 x 0) com um gol do atacante De Vaca.

As manchetes da desclassificação brasileira foram até bem originais “DE VACA MANDA O BRASIL PARA O BREJO” era uma delas. Muitos culparam o excesso de “brincadeirinhas” entre os jogadores na concentração como responsável pela derrota brasileira. Diego e Robinho acabaram repreendidos pela comissão técnica e pela alta cúpula da CBF. Depois da eliminação para as Olimpíadas ambos foram criticados duramente pela dupla Parreira/Zagallo.

O futebol dos dois não apareceu na seleção brasileira e o time não viajou para a Grécia. O Brasil viu na TV a Argentina faturar o seu primeiro ouro no futebol.

Pequim 2008

Brasil em Pequim: boa campanha e mais um bronze

Diferentemente de outras edições não houve um torneio pré-olímpico para definir as duas vagas da América do Sul nas Olimpíadas de Pequim em 2008. O campeonato sul americano sub 20, disputado no Paraguai em 2007 já valeu como classificação. O campeão e o vice iriam para a China. O Brasil comandado pelo treinador Nelson Rodrigues foi campeão e garantiu a vaga para os jogos.

Mas em 2008 quem assumiu a responsabilidade da seleção olímpica foi Dunga, treinador da time principal. A exemplo de torneios anteriores o técnico chamou vários atletas promissores em seus clubes, entre eles Alex Silva e Hernanes do São Paulo, Thiago Silva do Fluminense, o lateral Marcelo recém-contratado pelo Real Madrid, além de jogadores como Breno, Thiago Neves e o badalado Alexandre Pato do Milan.

derrota: o Brasil não foi páreo para a Argentina

Infelizmente o presidente da CBF Ricardo Teixeira resolveu dar uma de terapeuta e praticamente obrigou Dunga a convocar o já decadente Ronaldinho Gaúcho. A esperança do presidente da entidade é de que a seleção pudesse recuperá-lo para o futebol, justamente no torneio em que o Brasil nunca venceu. Em queda técnica desde 2006, Gaúcho deixou o Barcelona para ter atuações medíocres no Milan. As baladas, mulheres e desinteresse em jogar um futebol de alto nível fizeram o jogador cair em desgraça junto à opinião pública.

Ronaldinho Gaúcho: “recuperação” fracassada

Dunga engoliu o sapo e chamou Ronaldinho. Antes não o tivesse feito. Apesar do Brasil fazer uma boa campanha na China, as atuações do meia foram apagadas e brochantes. Raras vezes se viu algum lance de genialidade do atleta. Gaúcho virou um abacaxi dentro da seleção. Outros jogadores em que o treinador botavam fé tiveram atuações pífias como Hernanes e Diego. Entretanto, o Brasil ficou em primeiro do seu grupo na fase inicial. Venceu a Bélgica, Nova Zelândia e China. Nas quartas derrotou Camarões e devolveu o pesadelo de Sidney 2000.

Na semifinal, se esperava um duelo equilibrado contra os atuais campões olímpicos, mas o que houve foi um massacre futebolístico do lado portenho. A Argentina não deu chances ao Brasil e fez uma partida brilhante comandados pelos jovens talento Messi, Aguero e Di Maria. O 3 x 0 foi um reflexo da superioridade técnica hermana dentro de campo. O Brasil não teve chance nem de reclamar. Colocou bolas na trave mas isso no futebol é considerado erro. A seleção foi disputar o bronze e goleou a Bélgica garantindo o honroso terceiro lugar, mas o tão desejado ouro, escapou das mãos brasileiras mais uma vez.

SER PAULISTA

09/07/2012

SER PAULISTA (Martins Fontes)

Ser Paulista é ser grande no passado. É ser maior nas glórias do presente.É ser a imagem do Brasil sonhado, e , ao mesmo tempo,do Brasil nascente!

Ser Paulista! É morrer sacrificado!Por nossa terra e pela nossa gente!É ter dó da fraqueza do soldado, tendo horror à filáucia do tenente!

Ser Paulista! É rezar pelo Evangelho de Rui Barbosa,o Sacrossanto Velho Civilista imortal da nossa Fé!Ser Paulista! Em brasão e em pergaminho! É ser traído e pelejar sozinho, é ser vencido mas cair de pé!

Homenagem ao meu avô David Assad que foi um dos muitos combatentes da Revolução Constitucionalista  de 1932 que hoje completa 80 anos. Um espetacular imigrante libânes  e ao mesmo tempo o mais fervoroso e carinhoso paulista brasileiro que eu já conheci em minha vida.

HÁ 10 ANOS O BRASIL ERA PENTA!

30/06/2012

 

O tempo passa mas a glória fica para sempre. Valeu galera de 2002!

AQUELA INESQUECÍVEL NOITE DE QUARTA

16/06/2012

Rái levanta a Taça Libertadores: título para a história são paulina

 

 

Amanhã se comemora os vinte anos da primeira conquista do São Paulo na Taça Libertadores. Um título que hoje é disputado e venerado por muitas torcidas do futebol brasileiro do Rio Grande do Sul até o Pará.  Talvez muitas pessoas não saibam mas o principal torneio da América do Sul não tinha essa “fama”  de hoje. Pelo contrário, muitas equipes nacionais até abandonavam a competição porque achavam os campeonatos estaduais mais importantes. Acreditem, é verdade.

O futebol brasileiro vivia um momento complicado. Com as seguidas derrotas em Copas do Mundo que havia culminado na vexatória campanha canarinho no Mundial de 1990, o esporte ficou abalado em prestígio. Com a grande fase de Ayrton Senna pelas pistas do mundo, a Fórmula 1 ocupava mais espaço em jornais do que o esporte preferido dos brasileiros.

O Brasil era um país  muito e conhecido e admirado pelas conquistas de suas seleção mas em matéria de clubes,  a situação não era a mesma. O último título de Libertadores de um clube nacional havia sido conquistado há quase uma década com o Grêmio em 1983. As seguidas campanhas dos times brasileiros eram vexatórias. Muitos caiam ainda na primeira fase da competição contra equipes chilenas, argentinas e colombianas. Até o São Paulo campeão brasileiro com um timaço formado por Dario Pereira, Muller, Silas, Pita e Careca  fizeram feio na Libertadores de 1987  perdendo para o Guarani de um certo Henágio,  e os chilenos  Cobreloa e  Colo Colo.

Em 1992, essa maldita escrita parecia se manter. O técnico são paulino Telê Santana havia colocado reservas para jogar na estréia da competição em Criciúma e tomou um baile de Jairo Lenzi, 3 x 0 para os catarinenses. Telê odiava a competição que era marcada pela violência, intolerância de torcedores e dopping descarado.

Palhinha é caçado em campo: jogo difícil

Depois de muitas críticas da imprensa e da diretoria contra a postura de Telê, a situação mudou e o tricolor paulista começou a dar importância ao torneio.  Na Bolívia o tricolor fez grandes partidas graças em parte ao programa de condicionamento físico do departamento médico do São Paulo que simulou e treinou os atletas para os efeitos devastadores da altitude boliviana.  O resultado foi ótimo pois o clube brasileiro saiu do país andino com uma vitória de 3 x0 sobre o San Jose e um empate  de 1 x 1 contra o Bolívar.  Mas apesar de toda a preocupação da cúpula são paulina em vencer o torneio, a torcida ainda não acompanhava o ritmo da competição.

Para se ter uma ideia os jogos contra Bolivar, San Jose e Cricíuma eram realizados num Morumbi vazio. Muitas vezes a diretoria deixava o pessoal da arquibancada ir para a cativa num dia de chuva para “pressionar” mais o adversário. Parece incrível, mas a Libertadores para os são paulinos não era essa “adoração” toda. Mesmo assim. o tricolor seguia firme e devolveu a goleada contra os catarinenses por 4 x 0, venceu o Bolívar por 2 x 0 e de salto alto empatou com o fraco San Jose no seu estádio.

Testemunha Ocular

Me recordo até hoje. Nos jogos contra o Nacional e Criciúma pelas oitavas e quartas-de-final da competição e eu e meu primo estacionamos o carro bem em frente num Morumbi semi-deserto. Nem parecia que haveria um jogo  de Libertadores por lá. Ficamos na cativa e o Macedo fez um gol salvador e o tricolor depois empatou o segundo jogo em Criciúma em 1 x 1. O  mais querido estava na semi.

Mesmo com o São Paulo na semifinal, o Morumbi não encheu totalmente. Acho engraçado porque hoje os torcedores se matam na fila se isso acontece. Naquela época você poderia perfeitamente ir no guichê e comprar o ingresso na hora. O futebol brasileiro estava tão prestigiado pelo fracasso da Copa de 1990 que a Globo não transmitia os jogos.  Somente a extinta rede OM, a também liquidada  TV Jovem Pan de televisão além da rede Cultura. Acreditem, Milton Neves narrava os jogos e  bem..rs

Depois de dar um show no Morumbi (3 x 0) e sofrer em Guaiaquil (0 x 2), o São Paulo foi para a final de Libertadores. Foi aí tudo começou a mudar.  Não é a toa que tivemos por muito tempo a fama de sermos uma “torcida de final” . Não cabe discutir isso agora. O fato é que a decisão contra o Newell´s Old Boys da Argentina despertou os são paulinos de toda a cidade. Milhares foram à Federação Paulista de Futebol  garantir o seu lugar na final. Impressionante como brotou são paulino de todo lugar…rs.

Eu que não sou bobo nem nada, fui lá com meus amigos tricolores para participarmos desse momento histórico. A fila na Avenida Brigadeiro era quilométrica, mas andava. Naquela época não havia divisões na arquibancada. Ela era uma só e você poderia sentar onde quiser lá em cima. O ingresso era de papel. Não tinha que mostrar carteirinha da UNE e imprimir ingressos.  Era bem mais eficiente e lépido do que hoje, tenham certeza.

Em meia hora conseguimos os ingressos e  esperamos  o dia do jogo.  No dia da final meu primo pegou uma bandeira tricolor surrada da conquista do Paulista de 1975 e colocou na traseira do carro dele. E fomos nós mais dois amigos para a partida mais importante das nossas vidas.

Ingressos da semi e final da Libertadores: emoção dentro do estádio

Não quero me gabar mas sabia da importância de se ganhar uma Taça Libertadores antes da competição começar. Mas os histórico dos times brasileiros contra os argentinos deixava a desejar nesse torneio ( até hoje é assim) e temíamos que o tricolor travasse na hora H e perdesse o título. O Newell´s Old Boys de Rosário era o bicho papão da Argentina na época. Eram comandados pelo “El Loco” Marcelo Bielsa e já tinham ido para uma final da competição sul americana  em 1988. O primeiro  jogo em Rosário havia sido duro e depois de um pênalti meio mandrake os argentinos ganharam.

Quando entramos no Morumbi, que senhora diferença dos jogos anteriores!!! O estádio estava abarrotado com as pessoas disputando lugar centímetro por centímetro. Mal conseguíamos sentar direito, mas arranjamos um lugarzinho atrás do gol que dá pra praça Roberto Gomes Pedrosa, mal sabíamos que ali seria a visão ideal de um jogo inesquecível.

Nos sentamos e esperamos. O clima no Morumbi era tenso. Um dos meus amigos brigou com outro torcedor por causa de espaço. Acalmamos todo mundo e esperamos a partida começar.  Todos os são paulinos sabiam que a Libertadores da América era um título muito difícil de conquistar.  Não havia espaço pra oba oba ou “já ganhou”. Apesar do time de Telê ser muito técnico sabíamos que o histórico contra os times argentinos era desfavorável. Isso se refletiu no desempenho da torcida são paulina na questão da vibração. Mais se 100.000 são paulinos apertados no estádio roendo as unhas  numa partida disputada e tensa.

Quando o jogo começou os ‘hermanos” quase fizeram o gol. A trave e os deuses da bola estavam do nosso lado e por enquanto  do lado deles também  pois o tricolor balançou o poste argentino.  O São Paulo não foi técnico como nas partidas anteriores. Foi raçudo, racional, químico. Atacava a defesa do Newell´s   esperando uma brecha do adversário e o primeiro tempo terminou 0 x 0. O Morumbi continuava nervoso. E lá estava eu segurando aquela bandeira tricolor de 1975 que me confortava. Sinto o cheiro e o tato dela até hoje.

No segundo tempo o São Paulo foi mais agressivo.  A equipe brasileira  tentava furar a retaguarda argentina mas o atacante Müller estava muito mal.  Além de errar passes e gols,  o atacante estava muito marcado. A torcida começou a se impacientar e começou a gritar “Macedo, Macedo”.  Santo Telê.  Quase imediatamente ele  atendeu a torcida e depois de Müller levar uma das maiores vaias da história do Morumbi,  o seu substituto começou a entortar a defesa portenha.  Em um dos lances foi agarrado dentro da área. Antes dele cair  vimos da arquibancada  a camisa dele sendo puxada. Quando ele foi ao chão nós já estávamos pulando antes do  juiz apitar a infração. O Morumbi, que estava  silencioso, explodiu de alegria.

Raí acerta a cobrança e faz 1x 0: estava aberto o caminho para o título

Estávamos bem atrás do gol onde hoje existe a arquibancada amarela e notamos o rosto frio e impávido do capitão são paulino.  Raí quando foi cobrar não demonstrava nenhum nervosismo. Pelo contrário, parecia um tigre antes de atacar uma presa. Ele bateu com força, precisão e raiva. Gol! O tricolor igualava o resultado agregado. O estádio todo começou a comemorar.  A possibilidade de um time da cidade de São Paulo conquistar uma Libertadores pela primeira vez era algo real. E nós, os adeptos do “time grande mais novo” e a “terceira” maior torcida da cidade até aquele momento iriamos realizar esse feito.

Mas com o tempo os ânimos foram esfriando. A tensão começou a tomar conta da partida  novamente.  Nós sabíamos que um gol deles seria fatal e nos calamos. Telê levantou do banco e começou a agitar a torcida. Nós respondemos e o tricolor começou a pressionar. Mas o jogo acabou e a partida entrou na roleta cruel dos pênaltis.

Zetti defende o chute de Gamboa: a maior defesa da história do Morumbi

Meu Deus! A aquela altura do campeonato eu já estava moído. Pênalti não! O Brasil já estava traumatizado com aquilo desde a Copa de 1986 e em outros torneios. E além de tudo, o goleiro Zetti estava sob desconfiança da torcida  depois de falhar em alguns jogos no campeonato brasileiro.  Me cobri na bandeira e não prestei atenção em mais nada. Quando Berizzo bateu a bola no sagrado metal eu comecei a pular feito louco. PUTA QUE O PARIU!!! NA TRAVEEE!  Amigos me contaram que eu bati o recorde de João do Pulo. Depois foi a vez do “terror do Morumbi” Raí… caixa!!!

Zamora empatava mas Ivan, um zagueiro improvisado na lateral,  antes contestado pela torcida colocou o tricolor novamente em vantagem. Llop empatava para os argentinos, mas a vantagem ainda era nossa. Mas quem disse que Libertadores é fácil? Ronaldão, com uma alta carga de displicência bateu no meio do gol e o cabeludo Scoponi mal havia se mexido para defender a bola. Uma bobeira.

Na minha conta acho  que falei 367 palavrões em menos de um minuto criticando a cobrança do zagueiro são paulino. Ele deu uma hesitada e errou. Mas bola pra frente.  Chegara a vez de um tal de Mendoza e o argentino mandava a bola quase em direção da Praça Roberto Gomes Pedrosa. Mais uma vez o estádio abarrotado gritava de alegria. Cafu fazia a parte dele e mandou a bola no fundo das redes portenhas. Pega lá “hermano”.

jogadores são paulinos se abraçam: é campeão

Então veio o derradeiro pênalti. Gamboa, até então um dos melhores laterais do torneio se concentrou. Zetti, de mãos para o céu parece que recebia uma mensagem divina dos deuses do futebol (mais tarde se soube que o recado celestial veio do consagrado preparador de goleiro Valdir de Moraes). O argentino bateu forte no canto esquerdo, mas o goleiro são paulino voou como um gato e realizou a maior defesa da história do Morumbi.  O São Paulo era campeão da Taça Libertadores da América pela primeira vez e  um Morumbi emocionado assistiu a maior festa que a cidade de São Paulo já vira em muitos anos.

a torcida tricolor invade o gramado: um mar vermelho, preto e branco

Sinceramente? Não há palavras para descrever uma emoção dessas. Somente quem já a viveu por um momento. Ganhar uma Libertadores é uma emoção inexplicável, uma sensação transcendental que ultrapassa qualquer limite da racionalidade.  Depois da defesa de Zetti pulei gritei e me emocionei com meus amigos Camilo, Sérgio e Farias. Não há emoção maior. Choros, gritos de ” é campeão” e uma invasão de campo que o esporte nacional jamais vira em sua história.  O futebol brasileiro havia conquistado um título internacional de clubes depois de anos de sofrimento. A comemoração se estendeu até o dia seguinte e me lembro de ter tomado o maior porre da minha vida comemorando o título na Avenida Paulista, no tempo em que as pessoas sabiam festejar um título de Libertadores sem quebrar nada.

Acordei de ressaca em pleno feriado de Corpus Christi, com uma sensação maravilhosa de um sonho que se realizara. Era como ter transado com a Ellen Rocche a Taís Araújo juntas. Caminhei orgulhoso pelas ruas de meu bairro com um baita sorriso estampado no rosto. Dizem que futebol não é importante. Bobagem. Em certos casos são esses momentos que você guarda para a vida toda e aqui estamos nós depois de vinte anos lembrando desse período espetacular.

O chamado “caçula” do trio de ferro era o primeiro time paulistano a vencer a Taça Libertadores da América. “De São Paulo tens o nome, que ostentas dignamente”. Nunca um hino foi tão certeiro e profético. A conquista são paulina abriu caminho para a recuperação do futebol brasileiro que culminou no tetracampeonato nos Estados Unidos em 1994 e várias outras vitórias anos depois. Se antes estávamos atrás até do Uruguai em número de conquistas de títulos de clubes, hoje disputamos taça a taça a Libertadores e outras competições sul americanas  contra os ainda hegemônicos  argentinos.

Aquela noite de quarta-feira será inesquecível para mim e muitos outros tricolores que agradecem hoje eternamente aos heróis daquela conquista.

Obrigado Zetti, Alexandre,  Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão, Ivan, Adílson, Pintado, Raí, Muller, Macedo, Palhinha e Elivélton.

Obrigado mestre Telê Santana.

E principalmente muito obrigado Deus por eu ter nascido são paulino.