Archive for the ‘Futebol Nacional’ Category

A CARTILHA DOS PERNAS DE PAU

01/02/2013

Cartillha cópia

 

 

Há alguns anos o futebol brasileiro está sendo regido e dominado por um estranho “código de ética” dos jogadores dentro de campo.

Nessa espécie de “cartilha”, dribles, desconcertantes e jogadas de efeito são considerados “humilhação”, “falta de respeito”, “tripudiar o adversário”, entre outras frases feitas e politicamente corretas.

É a chamada cartilha dos pernas de pau.

Aquela que privilegia apenas os meio campistas e zagueiros brucutus , que não tendo a mesma técnica e capacidade dos jogadores mais badalados ficam nervosinhos quando levam uma caneta embaixo das pernas, ou quando são chapelados por um talentoso camisa dez.

Como meu avô dizia, “se não aguenta bebe leite”.

Esse chororô insuportável como o do atacante Nunes do Botafogo de Ribeirão Preto é que transforma o esporte numa coisa chata, burocrática e sem sal.

Não gostou do chapéu do Neymar senhor Nunes? Então é melhor ser padeiro, taxista, empresário, médico ou advogado. Porque futebol você já mostrou que não manja nada.

Drible faz parte das quatro linhas. Não consta em nenhum estatuto ou regra de que seja proibido pela Fifa. É do esporte como todos os outros. Existem os gênios, os bons, os ruins e os péssimos. Se Deus não te deu o dom, não adianta esbravejar. Siga o seu caminho com respeito e dignidade.

Em meus áureos tempos de futebolista amador já tomei chapéu, bola embaixo das pernas entre outras jogadas que podem ser consideradas “humilhantes”, mas nunca tive vontade de quebrar ou levar algum adversário para a o ortopedista.

Em qualquer esporte do mundo sempre haverá um cara melhor do que você. No basquete existem os tocos e as enterradas dos americanos, mas nenhum atleta adversário vai ficar alterado se isso acontecer. Se puder faça igual, ou tente defender de maneira limpa.

Neymar é mil vezes melhor do que o reclamão Nunes. Assim como Garrincha, Didi, Pelé e Rivelino que fizeram o futebol brasileiro ser conhecido no mundo todo pela sua beleza e técnica. Justamente porque existem os craques e também os “Joões” como o nosso amado Mané chamava suas vítimas em campo.

As juras de ódio de Nunes ao atacante santista mostram o quanto o futebol brasileiro mudou ao longo desses 25 anos. A moral é totalmente inversa. Se antes tínhamos um técnico como Telê Santana que pedia para seus jogadores recuperar a bola lealmente, hoje vemos treinadores medíocres que ficam coléricos ao menor sinal de drible adversário. Esses chamados “professores” mandam bater, chegar junto e até xingam como foi o caso do técnico do Ituano Roberto Fonseca ao mesmo Neymar na partida de ontem.

Em todas as profissões a história é a mesma. Os medíocres não conseguem ganhar por capacidade e apelam para o grito numa lógica Shakespeariana como foi escrito no ensaio “Ricardo III”.

Nessa obra foi retratada a história de um monarca feio, corcunda e um dos últimos na linha sucessória da Inglaterra. Ambicioso ele mandou desaparecer seus dois sobrinhos sucessores do trono para se tornar rei e por fim não conseguiu manter seu poder. Foi derrotado por sua inabilidade política. Deu um passo maior que as perna.

Ibra: ao ser driblado ele sorri

Ibra: ao ser driblado ele sorri

No futebol brasileiro a mediocridade ganha força, nessa lei abstrata instituída por zagueiros carniceiros e inábeis volantes. Temos aí diversos corcundas da bola. Ambiciosos, mas que não tem a capacidade e nem o jeito para fazerem o seu futebol melhorar.

Ao invés disso proferem ódio e bravatas.

Mas há ainda esperança nesse esporte tão amado chamado futebol. Alias, adorado justamente por causa dos golaços, das jogadas de efeito e dos dribles.

Na França o consagrado atacante sueco Slatan Ibrahmovic levou uma caneta humilhante no meio das pernas do zagueiro camaronês Chedjou. Mas ao invés de correr atrás bufando como um equino e dar uma entrada violenta pelo chamado “desrespeito” o centroavante do Paris Saint Germain simplesmente sorri. Quem dera todos os jogadores do mundo tivessem esse espírito esportivo e a compreensão da verdadeira natureza do futebol.

Enquanto isso vemos no Brasil a proliferação de mandamentos absurdos. Incentivados por jogadores e treinadores inexpressivos. Eternos perdedores e escravos do pragmatismo, que no auge de suas derrotas acachapantes devem olhar para o banco e gritar:

“Meu cavalo, meu reino por um cavalo”.

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A METAMORFOSE

18/12/2011

Muricy atônito com o massacre: pragmatismo "fail"

Passadas algumas horas da humilhante goleada do Barcelona sobre o Santos na final do Mundial Interclubes da Fifa muitas questões foram levantadas.

Entre elas o próprio desenvolvimento do futebol brasileiro nos últimos anos. Essa é uma questão que merece uma análise profunda e que não pode ser feita sob o aspecto do oito ou oitenta. O Brasil não passou a ser um terceiro mundo do futebol por causa da derrota santista. O maior país da América do Sul continua a ser uma referência quando se fala do esporte no globo.

Os números falam por si. Desde a década de noventa o Brasil tem feito campões mundiais interclubes, da libertadores e a seleção brasileira tem vencido torneios internacionais como a Copa América e a Copa das Confederações. Se não vencem, pelo menos chegam a final deste torneios.

Contudo é inegável que existe uma falta de renovação técnica nos treinadores brasileiros. Mais que isso. Há  ausência da compreensão de muitos deles em conhecer as verdadeiras raízes do futebol brasileiro. Desde a vitória do Brasil na Copa de 1994, a grande maioria dos técnicos nacionais seguiu o estilo “pragmático”. Depois da derrota da seleção brasileira em 1982 criou-se o falso mito de que “jogar bonito é sinônimo de derrota”. Nada pode soar tão falso e mentiroso, pois aquela seleção, além de atuar contra outro grande time, jogou de igual para igual até o apito final no estádio Sarriá.

Desde lá uma geração inteira de craques como Zico, Sócrates, Júnior, Cerezo, Falcão e Éder ficou marcada como derrotada porque não venceu um mundial. Inacreditável pois todos esses atletas foram campeões em seus clubes.

Conseguir uma Copa do Mundo é importante sem dúvida, mas mais fundamental ainda é  o modo de como você a vence. Quando Sócrates faleceu há algumas semanas o mundo do futebol se comoveu, principalmente pela sua maravilhosa atuação na Copa da Espanha. Um time que é lembrado até hoje e que causa mais nostalgia que a seleção campeã do mundo em 1994.

Mas os catastrofistas e pragmáticos de plantão começaram a vencer a batalha depois que Dunga levantou a Taça Fifa aos urros no estádio Rose Bowl. A partir desta data os treinadores passaram a encher as suas esquadras de brucutus. Os meio campistas criativos foram perdendo espaço e cada vez mais os chamados “volantes de contenção” ganharam a alcunha de craques. Pelo menos na visão dos práticos e dos simplistas. Felipe Melo na Copa de 2010 que o diga.

Dunga levanta a Copa em 1994: a exceção vira a regra

O resultado de tudo isso é que hoje vemos um futebol brasileiro bem diferente das suas origens. Não que ele tenha sido totalmente esquecido. Isso é uma falácia. O próprio Santos no ano passado contrariou essa tese. Mas o que era antes regra no futebol brasileiro virou uma exceção. Jogar com toque de bola e avançar hoje é uma raridade dentro dos estádios verde-amarelos. O medo e a covardia prevalecem.

A ascensão e o sucesso de treinadores como Muricy Ramalho, Felipão, Mano Menezes, Celso Roth e Tite é a prova de que o resultado em si prevalece sobre a filosofia de jogo. Basta colocar dez volantes atrás e um centroavante parrudo na frente para os problemas dentro de campo sejam resolvidos. Uma visão tosca quando se trata de um futebol tão rico como o brasileiro. Na Irlanda isso pode até ser considerado normal, mas num país que apareceu para o mundo com um futebol ofensivo, de toques refinados e craques de bola isso é um sacrilégio fatal. Infelizmente essa é a realidade do futebol brasileiro na atualidade. Nos últimos campeonatos nacionais o time mais defensivo foi o vencedor.

Muricy foi tricampeão pelo São Paulo assim. No Fluminense ele foi vencedor em 2010 com um futebol pior do que jogado por Cuca um ano antes mesmo tendo verdadeiros craques em seu time. Tite foi campeão  pelo Corinthians com um futebol comum e nada excepcional.

A roda da vida gira. O mundo muda e a Espanha joga um futebol de cinema. Vence a Euro, o Mundial e os seus dois principais clubes dominam as manchetes do mundo a cada semana. Aqui nos fechamos dentro de uma redoma de vidro. Enchemos nossos clubes de volantes que mal sabem passar uma bola, quanto mais chutá-la para o gol e chamamos nosso torneio como um dos “campeonatos mais difíceis do mundo”.

Nossos técnicos dão declarações arrogantes como “espetáculo só no teatro municipal” ou “ quero ver o Guardiola ser campeão brasileiro”. Não foi campeão do torneio da CBF mas venceu o Mundial. Deu espetáculo e não foi na praça Ramos de Azevedo. Pobre Muricy. Foi arrogante e percebeu que não basta apenas inchar o time com perebas. É necessário algo mais.

O futebol brasileiro aos poucos sofreu um processo de metamorfose. Esqueceu as suas raízes pois acreditou que o futebol cauteloso e defensivo fosse a chave de todas as vitórias. Uma bobagem. Talvez a maior conquista do futebol brasileiro seja ele voltar a ser exatamente o que ele era há quase vinte anos.

Simplesmente brasileiro.

A TRISTE COR DO RACISMO

13/03/2006

 

 

Repugnante a atitude do zagueiro Antônio Carlos do Juventude contra o volante Jeovânio do Grêmio. Estamos no Brasil em que a maioria da nossa população é miscigenada e atitudes como essa revelam o racismo velado e a falsa “democracia racial” tanto exaltada por alguns. Mais surpreendente é ver um jogador como Antônio Carlos, que começou jogou em grandes equipes brasileiras, cometer um ato tão torpe e indigno. Antônio Carlos começou a se destacar no São Paulo de Telê Santana em 1991, quando foi campeão brasileiro jogando como um líbero. Aliás um dos primeiros líberos verdadeiros que apareceram no futebol brasileiro. Depois foi para a Espanha jogar no modesto Albacete e voltou para o poderoso Palmeiras-Parmalat de 1993-1994. Depois de ser campeão paulista em 1997 pelo Corinthians, o defensor foi para o Roma da Itália. Nesse momento é questionável a sua atitude. Depois de ler sobre o caso, procurei me informar melhor sobre o zagueiro e surpreendentemente me deparei com um artigo feito pelo site www.estadao.com de alguns anos atrás. Leiam o artigo abaixo e deixem seu queixo cair..

 

 

Antônio Carlos Pode Partir. Pela Família

Roma pode estar perdendo o futebol do zagueiro Antônio Carlos. O jogador, agredido domingo por seguidores da Lazio quando deixava um restaurante, disse que sua esposa Sônia e sua filha Natália estão assustadas com o que viram e pretendem deixar o país. “Se o fato tivesse ocorrido em outro país, com certeza iria embora. Mas eu amo a Itália, tenho um avô italiano. Por isso, espero convencê-las a ficar”.

Antônio Carlos aproveitou para pedir calma aos seguidores da Roma. “Peço a eles que não busquem vingar-se por causa da agressão que sofri, não devem descer a um nível tão baixo”. Ontem, foi confirmado que um dos agressores do zagueiro Carlos é da chefia de uma das mais extremistas torcidas da Lazio. O clube azul, por seu lado, mostrou-se solidário com o brasileiro. Ontem, o presidente Sergio Cragnotti revelou irritação com a agressão. “As pessoas que o atacaram são delinquentes e não torcedores. Devem ser perseguidas e castigadas”.

O dirigente afirmou que muitas pessoas se travestem de torcedores para fazer política. E que esse tipo de gente deve ser extirpada. “Temos uma boa relação com a associação de torcedores da Lazio, mas jamais iremos ceder.

Eles sabem que muitas atitudes abalam gravemente a imagem do clube”.

Não é de hoje que a xenofobia está inserida no contexto do futebol europeu, em especial o italiano, no qual torcedores do Verona e da Lazio, ultra-direitistas, não toleram jogadores de minorias, como negros e judeus.

Muitas vezes a discriminação passou da arquibancada para dentro de campo.

Além das faixas e gritos racistas contra os brasileiros Cafu e Aldair, da Roma, no clássico do domingo retrasado, outros exemplos de intolerância são facilmente encontrados. No ano passado, o sérvio Sinisa Mihajlovic foi acusado pelo francês Patrick Vieira, do Arsenal, de tê-lo chamado de negro bastardo após uma partida da Copa dos Campeões da Europa.

Experiência nada agradável também viveu o holandês Winter, vítima de manifestações de racismo quando defendeu a Lazio entre 1992 e 1996. (Marcelo Rozenberg, estadao.com.br)

Agora me expliquem como um jogador brasileiro, que defendeu clubes jogando junto com jogadores negros e que foi vítima de discriminação, mesmo sendo branco, pode tomar uma atitude semelhante a dos torcedores italianos ? Como diria o inesquecível Renato Russo, “o mundo anda tão complicado”.

O link desse surpreendente artigo é http://www.italiaoggi.com.br/migrazioni/migra_20010508a.htm