Archive for the ‘Crônica’ Category

CARO LUIS FABIANO….

12/06/2013
Nei Bala, Lê e Aloísio Chulapa: na galeria onde nenhum Luis Fabiano jamais esteve

Nei Bala, Lê e Aloísio Chulapa: na galeria onde nenhum Luis Fabiano jamais esteve

Caro Luis Fabiano…

Bom dia…

Gostaria muito que você desse uma olhada nesses três jogadores da foto acima. Por esses acasos da vida são centroavantes como vossa senhoria. Autênticos camisas nove.

Eles nunca chegaram a uma seleção brasileira. Num azar do destino eles não tinham a sua técnica refinada. Pela época em que jogaram não recebiam a mesma quantia milionária que você desfruta hoje.

Mas existe uma bela diferença entre eles e você caríssimo “fabuloso”.

Nei, Lê e Aloísio Chulapa honraram a camisa nove tricolor enquanto eles a vestiram.

Ganharam títulos e foram decisivos em momentos chave da história do clube.

Nei Bala por marcar gols pontuais na campanha do título paulista de 1989.

O baixinho Lê por subir mais alto que o gigante Mauro e marcar de cabeça o segundo gol da primeira partida da final do Paulista em 1987. O São Paulo terminou campeão.

Aloísio Chulapa por dar o passe que deu ao tricolor paulista o seu terceiro título mundial. Além de ajudar o São Paulo a vencer o seu quarto título nacional.

Sim, Luis Fabiano. Eles podem ter ficado menos tempo que você no São Paulo, feito poucos gols ou batido menos recordes no clube em comparação aos seus , mas por essas ironias do destino eles foram muito mais decisivos e entraram na galeria dos eternos.

Ambos deram o sangue. Não se encolheram na primeira dificuldade como um moleque mimado.  Não se curvaram às artimanhas do destino. Buscaram dentro de si algo para superar  as adversidades.

Nenhum deles foi expulso estupidamente em momentos chave como uma final ou deixaram seus companheiros na mão. Não discutiam constantemente com o árbitro nas horas erradas. Muito menos fizeram manha e bico doce citando o clube adversário, como se a torcida tivesse a obrigação de perdoar todas as cagadas que você faz.

A mesma plebe de 50 mil pessoas que te recebeu carinhosamente e que esperava que você tivesse mudado e amadurecido pelos anos de Europa e de disputa de torneios importantes pela seleção brasileira, inclusive uma Copa do Mundo.

Mas caríssimo centroavante, infelizmente você não mudou. Apesar de todo o trabalho e dinheiro que o clube teve que desembolsar para o seu retorno.

Não vou cometer o pecado de lhe chamar com o cruel apelido de “pipoqueiro”.

Mas infelizmente temos que constatar que Nei, Lê e Aloísio Chulapa não darem um Luis Fabiano em matéria de técnica, eles foram muito mais jogadores que você na história do São Paulo Futebol Clube.

Obrigado Luis Fabiano, pelos gols e pelas alegrias. Poucas é verdade, mas é hora de você ir respirar novos ares.

O São Paulo continuará sendo um clube grande e vencedor e você continuará a fazer gols por aí. Quem sabe contra nós, mas é a vida. Ninguém é insubstituível.

Nei, Lê e Aloísio Chulapa também não foram, mas com apenas um detalhe:

Eles estão no poster de campeão.

Você não.

Boa sorte.

lf

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O MAIOR MESTRE

26/07/2011

No dia de hoje,  Telê Santana faria oitenta anos. Infelizmente o maior técnico que eu já vi em minha vida não está mais entre nós. Sempre fui fã se seu trabalho até nos momentos mais difíceis de sua carreira no começo dos anos oitenta. Apesar da fama de “pé-frio” todos os times treinados por ele jogavam o mais puro futebol brasileiro.

O Palmeiras de 1979, a seleção brasileira de 1982, o Atlético Mineiro de 1987 foram equipes que não ganharam títulos mas estão na boca de muitos torcedores até hoje. Mas Telê sempre foi um vencedor em sua vida. Desde os tempos em que deixou a pequena cidade mineira de Itabirito para figurar entre os maiores jogadores da história do Fluminense. Quando iniciou a sua carreira de treinador já venceu um campeonato carioca com o time do coração em 1969. Em 1971 levou o Atlético Mineiro ao seu primeiro (e até agora único) título nacional. Em 1977 é lembrado com carinho pelos gremistas pelo título gaúcho que quebrou a hegemonia quase imbatível do Internacional.

Chamado como técnico da seleção brasileira em 1982, Telê não conseguiu vencer a Copa da Espanha mas passados quase trinta anos o seu time ainda é lembrado com carinho pelos torcedores brasileiros. Coisa que nem mesmo a seleção tetracampeã do mundo de 1994 conseguiu. Por que?

Talvez a resposta esteja abaixo.

Escola brasileira pura. Que anda ultimamente em baixa pelos Manos e Muricys  que contaminaram o futebol nacional com seu estilo brucutu e insensível.

Quando Telê voltou ao São Paulo em 1990 fiquei feliz de ver o meu treinador favorito comandar o meu time de coração.

O resto todos nós são paulinos sabemos. Telê comandou o maior esquadrão da história do clube e se tornou o maior técnico do time do Morumbi até hoje. Dois mundiais, duas Libertadores, um brasileiro, dois paulistas e muitos títulos internacionais. Foi o melhor momento da história do tricolor paulista.

Por isso até hoje, o mestre é lembrado carinhosamente pela torcida são paulina, que grita o seu nome a cada título conquistado como uma forma de agradecimento eterno.

Ele representava o verdadeiro futebol brasileiro em todo o seu esplendor. Disciplina mortífera, passes certeiros, ética, postura ofensiva, dedicação e alma.

Quem dera tivéssemos mais Telês em nosso futebol.

Não só o esporte, mas o mundo seria um lugar melhor.

QUANDO SENTI VERGONHA DE SER BRASILEIRO

25/07/2011

SONHO COM UM BRASIL ONDE EU NÃO SINTA CULPA POR PODER ALIMENTAR A MINHA FILHA. SONHO COM UM PAÍS QUE CONSIGA SER REALMENTE NAÇÃO E QUE NÃO FAÇA DOS SEUS FILHOS SUAS MAIORES VÍTIMAS.

De Khalil Gibran

 

Fortaleza-CE, 22 de julho de 2011, caminhava eu tranquilo numa das mais movimentadas avenidas da cidade, a 13 de maio, quando me deparei com uma cena que mudaria os rumos da minha tarde.

A cena que presenciei era, de certa forma, já bastante comum nas grandes cidades brasileiras, porém, algo naquele instante me tocou de forma diferente.

O semáforo fechou e dei os primeiros passos para cruzar a faixa de pedestres quando avistei uma garotinha, não mais que 05 (cinco) anos de idade, encostando o rosto nos vidros dos carros que paravam no sinal, na tentativa de enxergar quem estava ao volante e, quem sabe, comover com o olhar os proprietários dos luxuosos veículos.

Tinha o cabelo na altura do ombro, pisava o asfalto com os pés descalços, estava sem camisa e usava um calção sujo e rasgado.

Aquela menina não tinha comida, escola, brincadeiras, sonhos, pai, mãe, lar, saúde… ela não tinha nada!

Lembrei da minha Sophia de 03 (três) anos de idade que estava em casa, bem alimentada, bem vestida, com um teto, escola, saúde, amor e uma mãe maravilhosa. Continuei atravessando a rua.

A menininha chegou ao segundo carro, que seguindo o exemplo do primeiro, não baixou o vidro. E os telejornais noticiavam o nervosismo do mercado financeiro. Caminhou então ao terceiro carro e o governo brasileiro contava suas vitórias de ser uma das maiores economias do mundo. Correu ao quarto carro, alguém lhe deu uma moeda, e mais uma vez se concretizava bem ali, na frente dos meus olhos, um país miserável.

O sinal abriu, continuei caminhando na avenida enquanto minhas lágrimas iam deslizando pelo rosto. Tentei esconder o choro com os óculos escuros, mas não consegui esconder a vergonha que senti de ser brasileiro.

Pensei até que ponto eu também era culpado pelo que havia visto, pensei em muitas coisas que nem saberia explicar. Mas tem algo que não consigo parar de pensar: aquela brasileirinha, linda e abandonada, não foi abandonada somente pelos pais, foi abandonada pela nação.

A inocência arrancada, os sonhos impossíveis de serem sonhados, os dias sem nenhum sabor de esperança.

Enquanto isso, políticos brasileiros continuam a roubar o dinheiro do povo, negociar obras e projetos em troca de apoio, usar e abusar do poder e dos privilégios que eles mesmos se concedem.

Leitores queridos, pouco me importa a bipolaridade da doente política nacional! Não me interessa o PT ou o PSDB, ou sei lá qual o partido. É tudo uma grande piada sem graça. No fim das contas, gente mesquinha correndo atrás de prestígio, dinheiro dos outros e poder. Não tenho esperanças com a atual geração de políticos brasileiros, não tenho esperanças com o modelo de gestão do nosso país.

Sonho com um Brasil onde eu não sinta culpa por poder alimentar a minha filha. Sonho com um país que consiga ser realmente nação e que não faça dos seus filhos suas maiores vítimas.

Provavelmente nunca mais verei aquela menina. E certamente vocês nunca mais irão ler uma notícia sobre ela. Sem nome, ela reflete a realidade de um país que vive sob a falácia de caminhar para ser uma grande potência.

Agora eu lhes pergunto: potência de quê?

Brasileirinha, perdoe nossa incompetência.

Eu não sei o que fazer. Eu só soube chorar.

Khalil Gibran é cantor, compositor e produtor cultural.

http://www.twitter.com/khalilgoch

 

Texto original – http://www.brasil247.com.br/pt/247/brasil/9262/Quando-senti-vergonha-de-ser-brasileiro.htm#

UM GOLPE DE ESTÁDIO

11/03/2011

Por Aguinaldo Rodrigues

A sensação que paira no ar é de no mínimo enfado e descrédito com a moralidade da cúpula diretora do futebol brasileiro. Um descaso com o único intuito de ruir com as esperanças daqueles que acham que o país pode mudar. Assim eu resumo a epopéia da tentativa (!?) de se fazer uma licitação para o repasse dos direitos de transmissão do futebol tupiniquim.
Durante o processo licitatório, aconteceu de tudo, desde quebra de contratos, até falta de capacidade administrativa de dirigentes (?) que preferiram ver escoando pelos ralos uma boa quantia de dinheiro. Será que os clubes nacionais estão tão bem financeiramente?

 
Não defendo aqui a causa da emissora A, B ou C, defendo aqui a oportunidade de valorizar um dos maiores bens de lazer da população brasileira. Se bem que não posso furtar-me de afirmar que jamais investiria meu suado dinheiro em uma mídia que não pode ser exibida. Explico, a rede Globo se recusa a transmitir os jogos em horários mais acessíveis, pois isso implicaria em mexer em sua já tradicional grade de programação. Durante suas (tecnicamente perfeitas) transmissões recusam-se a mostrar os patrocinadores dos times e os apoiadores de seus estádios, chegando ao cúmulo de os times (principalmente do interior de SP) serem obrigados a taparem os logotipos dos mesmos com lona preta (reparem nas transmissões).

 

Uma das balelas midiáticas atuais, são os tais de naming rights. Quem investiria milhões para ter o direito de ter sua marca atrelada a um nome que nunca é dito? A fórmula 1 é prova disso, em que a Globo se recusa a dizer “RED BULL RACING TEAM”, e durante a corrida insistem no nome RBR, é absurdo para os austríacos, que compram uma equipe de formula 1, e nem sequer, podem ter o nome difundido. Detalhe, isso também vale para a versão italiana da Red Bull, a SUPER TORO ROSSO, que na Globo foi rebatizada de STR. Um absurdo, mas voltemos ao texto…

 
Alguns espertalhões da matemática, já estão dizendo que o golpe foi bom para a saúde financeira das equipes que racharam o futebol brasileiro, duvido!
Foi premeditado. Um golpe digno de Khadafi, de causar inveja em Bush. Foi um golpe à brasileira, mas não um golpe por motivos étnicos, religiosos ou até mesmo políticos. Foi um golpe por um estádio.

UMA PEQUENA HISTÓRIA CORPORATIVA

03/03/2011

João Amélio Ribeiro trabalhava na mesma empresa há mais de trinta anos. Durante todo esse período o empregado foi um funcionário exemplar, mas nunca recebia o que achava que tinha direito. João tinha doze outros amigos que trabalhavam no mesmo lugar e estavam cansados do modesto salário que aumentava regularmente, mas não com a quantia que eles tanto desejavam.

João havia cansado de tudo aquilo e com os outros doze funcionários resolveram fundar uma cooperativa que prestava os mesmos serviços da empresa em que trabalhavam. Eram experientes e já haviam sido contatados por companhias rivais para realizar os trabalhos por uma quantia muito maior do que ganhavam. Parecia que finalmente os treze funcionários iriam ganhar a sua independência financeira.

Mas o patrão deles era invejoso e manipulador. Percebeu o movimento de independência e não queria perder os seus funcionários para que eles virassem os seus futuros concorrentes. O maldoso chefe tratou então de dividi-los. Primeiro, começou a convidar os empregados rebeldes para churrascos em sua casa e viagens para acompanhá-lo em convenções internacionais. Algo que nunca havia feito com aqueles treze empregados. Depois passou a bajular alguns deles concedendo títulos de “funcionário do ano” a eles depois de trinta anos de casa. Alguns receberam a contenta oito vezes em apenas um mês.

Com tantos “mimos” alguns do grupo começaram a cair fora do projeto de emancipação. O chefe inventou um “bônus” que deveria ser dado ao melhor funcionário do mês de julho, mas devido a um problema criado pelo próprio patrão, ele foi injustamente condedido a outro funcionário dos treze homens. O grupo começou a se acusar mutuamente e se separou. Cada um resolveu seguir o seu lado e o sonho de uma vida melhor se esvaiu como um castelo de areia.

Os treze funcionários continuam na empresa e recebem exatamente aquilo que o patrão quer. Endividados, alguns empregados lamentam desiludidos pelas falsas promessas de seu patrão que lhes prometeu um aumento maior, mas que gratificou apenas alguns com uma família maior. Outros ficaram a ver navios embasbacados pelas viagens até Londres ou pelos títulos e premiações que na prática não valiam nada, pois eles sabiam que eram bons profissionais há muito tempo.

Caíram vítimas de suas próprias ambições pessoais e de seu individualismo barato. Se desuniram e foram conquistados pela esperteza dos fascínoras e dos sacripantas que se jactam de sua desonestidade. Se tornaram escravos de seu orgulho e da sua própria incapacidade de se unir em prol de um bem maior. Perdidos, os treze funcionários olham o seu holerite e as contas para pagar e se perguntam.

“Que futuro eu deixarei para meus filhos se aceitei o convite do diabo para me ajoelhar e não me levantei sozinho”?

Ps – Qualquer semelhança com a vida real NÃO é mera coincidência

O CÍRCULO VICIOSO DAS ÁGUAS DA MORTE

14/01/2011

Franco da Rocha debaixo da água: mortes e caos no RJ e em SP

Todo ano é a mesma coisa…

O mês de janeiro chega e com ele o calor intenso e as tradicionais chuvas de verão. As ruas e avenidas alagam. Os morros e encostas deslizam como areia e são completamente destruídos. As pessoas morrem e os políticos continuam afirmando que a culpa é da madrasta natureza. Não chamo a natureza de mãe porque uma genitora jamais faria maldade com seus filhos. O homem é apenas um mero visitante aqui no planetinha azul como foram os dinos um dia. Se a natureza quiser ela simplesmente nos lima do mapa.

Mas o ponto principal não é esse. Muitas das mortes que assolaram os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo poderiam ser evitadas. Os governos não gastam contra prevenção de enchentes. Um erro imenso que custa a vida de centenas de pessoas. Cidades das regiões serranas do Rio deveriam se beneficiar de obras anti enchente. Pela lógica são locais com um risco imenso de tragédias pois a maioria das casas da região são construídas em encostas. Palco montado para que mais deslizamentos e mortes aconteçam. Um grande trabalho de engenharia e prevenção deveria ser feito em locais com grande probabilidade de alagamentos. Mas nada é feito e tudo é deixado às moscas a espera do próximo drama. Políticos ordinários que se beneficiam dos votos de moradores que vivem em encostas deixam tudo como está e o resultado é esse que vimos na primeira quinzena de janeiro: mais de quinhentas mortes. Nunca morreram tantas pessoas no Brasil por causa das chuvas.

No Estado de São Paulo a situação é igualmente calamitosa. O governador de aluguel Alberto Goldman não tomou nenhuma medida preventiva para anular as enchentes de Atibaia que foi arrasada pelas águas em janeiro passado. Resultado: um ano se passou e cidade da região bragantina foi atingida novamente em cheio pela fúria das correntezas. A cidade de Franco da Rocha foi literalmente afogada pela falta de investimento em projetos de prevenção. Na cidade de São Paulo as chuvas mais uma vez pararam a maior cidade da América Latina. O prefeito Gilberto Kassab aos poucos se revela um administrador incompetente e como seus antecessores fracassou na tentativa de atenuar o problema das enchentes na capital paulista. .A falta de obras de saneamento básico constante como a limpeza de galerias e bocas de lobo contribui para que a capital paulista se desesperasse ao menor sinal de um pingo d´água. A ausência da cultura e do investimento em reciclagem de lixo também é um fator agravante. Não é possível que rios e córregos fiquem empesteados de garrafas pet. O plástico é um dos maiores poluidores da natureza e levam séculos para se deteriorar.

Os políticos que culpam a natureza pelo excesso de chuvas são o mesmos que fazem vista grossa para o desmatamento e queimadas. Os mesmos que fazem reuniões improdutivas a respeito do clima e que assinam protocolos que não podem cumprir, pois tem o rabo preso com muitas empresas que vomitam monóxido de carbono na nossa atmosfera. O exemplo mór é o Sr. George W. Bush que teve grande parte de sua campanha financiada por empresas petrolíferas.

O aquecimento global hoje é uma realidade. A cada ano o clima na terra esquenta e exponencia vários problemas. Só faz vista grossa quem tem o rabinho preso. Está na hora de nossas autoridades em todas as esferas (municipal, estadual e federal) tomarem vergonha na cara e perceberem que o clima no mundo se torna cada vez mais instável e que somente nós seres humanos poderemos mudar isso com educação, respeito e cidadania. Caso contrário muitas pessoas vão continuar a morrer e o governo vai ter que gastar outros milhões de reais para reconstruir cidades e estradas. Será que no calor e no carnaval de março todos nós vamos esquecer novamente todos os nossos problemas como no ano passado? Esperamos sinceramente que não.

A FLOR DE DAMASCO QUE MURCHOU

07/01/2011

Amigos, depois de uma experiência curiosa cheguei a seguinte conclusão: jamais se apaixone pela internet. Não há nada mais ingênuo em acreditar do que todas as conversas que temos com as meninas são a real medida de se conhecer realmente uma pessoa. Talvez pelo fato de que ajudados pelo anonimato só fingimos ser algo de que não somos. Não vou me alongar muito no tema. Na verdade estou escrevendo essas palavras para exorcizar um fantasma.

A internet caros colegas é um antro de pessoas com as mais variadas personalidades e manias. Claro, existem as pessoas carentes e com traumas amorosos que tentam a cura mediante uma boa conversa na sala de bate papo e frases românticas no MSN. Tudo em vão, pois sabemos quando a água da realidade bate no pé a primeira impressão não é a que fica. Tive duas experiências nesse sentido.

A primeira foi com uma dentista recém-formada de Catanduva. Era gordinha e tinha um rosto simpático além de ter uma boa conversa e parecer muito charmosa. Entre conversas no MSN, troca de cartas e frases carinhosas marcamos um encontro no cinema. A primeira vista parecia que ia tudo bem, mas algo não estava dando certo. As conversas que tínhamos no messenger não eram as mesmas ao vivo. Somado ao fato de que tinha que comprar remédios para a minha avó na mesma noite e com urgência, o encontro rápido não foi um dos melhores. Sentia uma certa carência afetiva na menina que procurava uma espécie de príncipe encantado mas que encontrou um sujeito que sustentava uma barriga e andava de Uno. No dia seguinte a mulher simplesmente me deletou no MSN mandando uma mensagem indireta no e-mail que falava sobre homens com aquela barriguinha. Barriguinha? Será que ela estava falando de mim mesmo? Será que ela não se olhou no espelho nenhuma fez para constatar que ela TAMBÉM tinha barriga?

De qualquer forma devolvi suas cartinhas perfumadas de volta ao remetente por motivos óbvios. Anos depois a encontrei de repente na Avenida Paulista com outro “pretendente”. Suponho o quinquagésimo oitavo da sua malfadada carreira amorosa. Ela tomou um susto ao me ver mas passei lotado sem ao menos dizer um oi. O meu “delete” foi ao vivo e hoje dou graças a Deus que não me relacionei com ela. Nada como o tempo para esclarecer de fato como as pessoas são por dentro e por fora, sem o auxílio de um programa de computador.

O segundo caso foi bem mais complicado. Acho que foi o extremo de como você pode se tornar um babaca se “apaixonando” por uma menina que você mal conhece. A conheci igualmente na sala de bate papo. Uma tradicional patricinha paulistana. Não era um primor de beleza. Era cheinha e tinha um nariz um pouco protuberante, mas tinha um jeitinho de bravinha que me conquistou. Mas a principal qualidade dela era a pele maliciosamente morena e seios enormes, de deixar qualquer cara maluco. A apelidei carinhosamente de “Flor de Damasco” por ela ser descendente de árabes como eu.

No começo parecia que íamos nos entender mas o fato é que ela não queria nada comigo. Apenas um amigo confidente virtual que pudesse consolá-la de suas dúvidas e suas seguidas brigas com os namorados. Apesar disso achava que a amava. Achava. O mundo da net dá um poder de ilusão muito grande nas pessoas. Não sabemos de fato quem é aquela pessoa do outro lado da linha. Mas alimentei a ilusão e a loucura. Depois de um tempo e de volta a sanidade percebi que não poderia continuar com aquilo. Não quis mais manter aquela amizade e o sentimento estranho de se gostar de alguém de que não pode se ver.

O tempo passou, entre indas e vindas nos falávamos um pouco para depois nos afastarmos novamente entre uma picuinha e outra. A cada ano que passava parece que todas as qualidades dela diminuiram. Aquela menina meiga e sentimental se transformou numa  mulher. Mas na minha vã esperança de um dia transformar aquela ilusão em realidade alimentei o desejo de ter nos braços aquela garota que eu criei na minha cabeça. Mas que na realidade não tinha nada a ver comigo.

Ano passado mantive o último contato virtual com a lembrança daquelas noites virtuais cálidas que alimentavam o meu desatino. Tive uma grande surpresa. Não, ela não havia casado ou ficado grávida. Ela havia mudado mais ainda com uma alteração surpreendente em seu modo de vida. Com a sua revelação qualquer esperança de alimentar uma paixão era inútil. A “flor de Damasco” havia definitivamente murchado.

Não sei o que a vida reserva aos seres humanos. Mas definitivamente ela não se resume a uma tela de computador e em campainhas de comunicadores instantâneos. Portanto colega. Faça como os bons. Saia com os amigos , se divirta para que você possa quem sabe encontrar a mulher da sua vida. Acredite. A internet é importante e uma ferramenta muito legal para se interar com as pessoas. Mas o que é virtual é virtual. Nada como uma boa paquerada para aquela linda garota na mesa de um barzinho ou num show. O estilo antigo é muito bom e funciona que é uma maravilha.

Palavra de um ex-apaixonado da internet.