MARACANÃ: ESCAMBO PÓS-MODERNO

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Maracanã: 100% de investimento público entregue de graça para a iniciativa privada

Maracanã: 100% de investimento público entregue de graça para a iniciativa privada

O ex-gigantesco Maracanã, palco da final da Copa 2014 é sem dúvida o estádio que mais gera polêmicas desde que foi escolhido para ser uma das sedes da competição da Fifa.

A sede da final do Mundial de 50 ser escolhida para uma nova decisão do mundial de seleções 64 anos depois era uma decisão óbvia. O Maraca sempre foi um dos maiores templos do futebol mundial, palco de partidas e times inesquecíveis.

A modernização do estádio para comportar as exigências absurdas da Fifa é um retrato fidedigno da grande balbúrdia governamental que infelizmente se alastra em nosso país.

Nós salientamos que não temos nada contra as chamadas “concessões”. Privatizar mesmo que veladamente um estádio de futebol é algo necessário pois o governo não tem capital suficiente para sustentar arenas colossais. O estado deve se preocupar com outros fatores como saúde, educação, etc.

Porém, o que se faz atualmente no Maracanã é um escândalo de proporções bíblicas. Um desrespeito ao cidadão brasileiro que paga metade do seu salário em impostos durante todos os anos.

Governantes como o sr. Sérgio Cabral Filho deveriam ser presos por tanta desonradez pública e cara de pau.

Não temos nada contra o capitalismo. Muito pelo contrário. Mas não devemos admitir em nenhuma hipótese esse disfarce, esse embuste, este falso capitalismo que o governador do Rio de Janeiro tenta nos enfiar goela abaixo.

Afinal de contas o que o sr. Eike Batista produz de efetivo? Ele construiu algo sem ajuda governamental como a Microsoft? A Apple? A General Motors?

No Brasil empresário bem sucedido virou sinônimo daquele que consegue benesses governamentais e não produz nem 50% do que diz ter. Disfarça e incendeia números escandalosamente. Mas a matemática é exata e cruel. Hoje vemos que o Sr. Eike não figura nem entre os 20 primeiros mais ricos do mundo. A lógica é cruel. Produção = lucro. Disfarce e ostentação = prejuízo.

Se a Odebretch e a IMX realmente fossem capitalistas elas gastariam boa parte do seu dinheiro na reconstrução do Maracanã. Formariam uma real parceria público-privada com seu patrimônio financeiro envolvido. Teriam todo o direito de empresariar o estádio, como será feito inclusive na Arena do Grêmio e do Palmeiras.

Mas o que essas empresinhas fazem? Esperam o governo estadual investir quase 1 bilhão de reais do NOSSO dinheiro no Maracanã para depois da mão grande vencerem uma licitação praticamente casada e faturar uma grana alta sem ter investido em absolutamente nada.

Pois é amigos. Esse é o conceito de “falso capitalismo”. Muitas empresas vivem de mamar nas tetas governamentais e não investem em praticamente nada. Querem ganhar muito e gastar pouco. Um grande negócio. Em países como o Brasil a festa é garantida. Em qualquer nação decente do planeta essa “licitação” seria considerada um crime federal, mas não vivemos num país realmente democrático. Os pusilânimes governantes fazem o que querem. Agradam os seus compadres e financiadores eleitorais.

513 anos se passaram e os índios continuam a serem expulsos de suas moradias. De Cabral a Cabral ,a pérfida simbiose entre governantes e “empresários” chegados continua. Quem perde é a população que assiste estupefata uma escola e um parque aquático serem demolidos para que o carro de uma autoridade velhaca e peidorreira da Fifa entre no estádio sem ser incomodada. Um escambo pós-moderno.

O Maracanã nunca precisou de estacionamentos. Já discutimos aqui a mobilidade urbana dos estádios. Mas Cabral e companhia atendem a todas as exigências dos velhinhos da federação internacional. Se ajoelham para os poderosos e mostram a bunda para os oprimidos.

Independente de como será a Copa de 2014 a mácula da construção dos estádios brasileiros está consolidada. O legado para o Brasil é triste. O Maracanã lindo e reformado pela segunda vez em menos de 10 anos é um firme e bisonho exemplo de que os brasileiros ainda tem muito o que aprender quando socam o maldito dedo na urna eletrônica.

O Maraca é nosso, apenas no custo. A alegria no final ficará por conta deles.

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