IRRESPONSABILIDADE

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Arena Palestra: do improviso a tragédia

Arena Palestra: do improviso a tragédia

Carlos de Jesus tinha 34 anos. Há 15 anos saiu de sua cidade natal Araci na Bahia para tentar a sorte na cidade de São Paulo, assim como milhares de seus conterrâneos fazem todos os anos em busca de uma vida mais digna.

Ontem o sonho desse operário terminou. Num trágico acontecimento, as vigas em construção dos camarotes da Arena Palestra desabaram e Carlos não resistiu aos ferimentos.

Poderíamos dizer que tudo não passou de um acidente. De que ninguém poderá ser considerado culpado por essa morte.

Mas infelizmente nesse caso todos são responsáveis. Da Prefeitura da cidade de São Paulo, da construtora W Torre e também da diretoria palmeirense.

O acidente ocorreu justamente no local onde existe uma parte de arquibancada do antigo estádio Palestra Itália. Estava sendo construído ali uma espécie de adaptação. Um “puxadinho” já que a Prefeitura de São Paulo munida com a sua pseudo rigorosidade das leis de zoneamento só permitiu que a obra da nova Arena Palestra seguisse com o nome de “reforma”.

O velho conceito do “jeitinho brasileiro” foi usado mais uma vez. A W Torre e o Palmeiras para não ficaram estagnados com prazos e vistorias burocráticas entraram na onda da prefeitura de São Paulo gerida por Gilberto Kassab. Começaram a “reformar” o estádio e deixaram aquele pedaço para burlar a lei vigente. A Prefeitura fez vista grossa e ontem vimos o resultado dessa irresponsabilidade.

Todos nós devemos prestar muita atenção nas atitudes dos governantes. São eles que realizam essas barbaridades com a anuência das empreiteiras. Como já foi escrito em artigos anteriores, se existe a lei que ela seja cumprida por todos.

A Prefeitura não poderia deixar essa “reforma” acontecer e só liberar a obra quando o pedaço arquibancada antiga fosse derrubada. Mas devido a leis complexas de zoneamento a Arena Palestra só poderia ser erguida dessa maneira.

Leis que não foram cumpridas pelo Corinthians na construção do Itaquerão e que tiveram suas obras liberadas a toque de caixa sem a devida fiscalização dos órgãos municipais e que não respeitou prazos e licenças vigentes.

Ao mesmo tempo que se utilizou a pseudo rigorosidade da lei num caso, não se aplicou medidas paliativas no outro. Uma irresponsabilidade.

Agora veremos ações e fiscalização de órgãos como o Ministério Público entre outros.

Tarde demais.

Carlos de Jesus deixou  mulher e 3 filhos.

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