MIXÓRDIA SUL AMERICANA

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torcida do Vézez barbariza: violência crescente

torcida do Vézez barbariza: violência crescente

 

Ontem vimos mais uma vez numa partida de Taça Libertadores da América um ato de selvageria. Desta vez os protagonistas foram os “hinchas” do Vélez Sarsfield da Argentina e do Peñarol de Montevidéu que brigaram no estádio Centenário e atiraram pedras uns nos outros deixando um saldo final de sete feridos e dois torcedores presos.

Depois de tudo o que aconteceu na semana passada, parece que não tem jeito. O barbarismo continua firme e forte no cone Sul.

Depois da morte do jovem boliviano Kevin Strada, a segurança dos estádios e a violência das torcidas organizadas sul americanas foi tema dos mais diversos canais midiáticos.

Alguns trataram o assunto com toda a seriedade que um caso desses necessita. Outros nem tanto. Numa situação grave desse tipo, o clubismo é só mais um adicional para a cafajestagem.

O buraco é mais embaixo. Bem mais profundo do que torcedores e mídia em geral enxergam. Os tristes fatos de Oruro foram apenas mais um caso da longa lista de violência e impunidade que permeou a América do Sul desde os anos 60.

A violência desmedida dos “barrabravas” ou dos “organizados” está encrustado no futebol sul americano. Os clubes mancomunados com esses elementos e seus cúmplices dirigentes nada fazem para deter esses marginais. Pelo contrário, muitos desses cartolas os incentivam.

Explica-se, que a maioria dos clubes de futebol da América do Sul são associações. Não existe um dono como Silvio Berlusconni ou Roman Abramovich que possam centralizar as suas decisões e diminuir o poder político das torcidas organizadas dentro do clube. Muitos desses torcedores são dirigentes ou até se tornaram presidentes do time.

Ou seja, muitos desses cartolas dependem da canalhada para fazer jogo político e se perpetuarem no poder. Isso é fato público e notório.

Exemplos mais latentas que os clubes de São Paulo não existem. A Mancha Alviverde agride jogadores do clube e nenhuma providência é tomada. Fizeram até uma “palestra motivacional” num hotel em Atibaia. Tudo debaixo das asas do presidente do Palmeiras.

A Independente do São Paulo intimida opositores que distribuem panfletos contra o Juvenal e a Gaviões da Fiel quebra aeroportos e incendeia estádios com a anuência catastrófica de nossas autoridades.

Na Argentina, a influência dos “barrabravas” no futebol portenho é algo assustador e preocupante. Até outubro de 2012, mais de 270 torcedores argentinos foram vitimados. Ninguém consegue deter a epidemia de violência que tomou conta do futebol argentino. Muitas de suas torcidas como a “La 12” do Boca Juniors são conhecidas por se tornarem verdadeiras associações criminosas. O livro do jornalista Gustavo Grabia sobre essa organizada argentina é apavorante e provoca calafrios.

Em Avellaneda o presidente do Independiente, Javier Cantero resolveu entrar numa guerra inglória contra os Diablos Rojos, os barrabravas de seu clube. Eliminou todos os privilégios que eles tinham como “mesada” e facilidade na compra de ingressos. Está sendo ameaçado de morte e até recebeu ameaça de bomba na sede do clube.

Javier Cantero: ameaças de morte dos próprios torcedores do clube

Javier Cantero: ameaças de morte dos próprios torcedores do clube

A cultura da impunidade que existe na América do Sul e nos torneios da Conmebol só piora a atual situação vigente.

Os torcedores mais velhos se recordam dos quebra paus homéricos entre argentinos, uruguaios e brasileiros nos anos 60. Isso faz parte do folclore futebolístico da América do Sul. Frases como “isso é Libertadores” demonstram a nossa anuência em relação à violência dentro e fora de campo, como se atirar objetos em campo e ver jogadores participarem de rinhas de UFC fosse algo normal.

Vamos citar apenas alguns exemplos de como a Conmebol é uma entidade banana, prolixa, incompetente e responsável por toda essa mixórdia.

Final da Copa Conmebol de 1997. O Atlético Mineiro goleia o Lanús na Argentina e garante o seu segundo título internacional. Contudo, os jogadores e dirigentes adversários não se conformam com o vareio e agridem covardemente o elenco do galo. O treinador Leão foi golpeado com uma barra de ferro e teve que fazer uma cirurgia de correção do maxilar.

Alguma punição da Conmebol ? Nenhuma

Quartas de final da Libertadores de 2004. Após obter a classificação, os jogadores do São Caetano tem que correr para dentro dos vestiários para não serem linchados pelos “hinchas” do América do México.

Alguma punição da Conmebol? Nenhuma.

Semifinal da Copa Mercosul de 1999 entre Peñarol e Flamengo. Num lance besta os atletas aurinegros partem para a briga contra o elenco carioca com a total leniência da polícia uruguaia. Os flamenguistas fogem para os vestiários para não serem massacrados.

Alguma punição da Conmebol? Nenhuma.

Esses são só alguns exemplos. Existem outros casos que podem ser relatados nessa link, mas ainda é pouco. A América do Sul é a terra de ninguém. Um imenso faroeste futebolístico.

Esperamos que essa nova comissão disciplinar puna seriamente todos os desmandos nos estádios sul americanos com o mesmo peso e a mesma medida. Que não surja um novo STJD que promulgue punições apenas por interesse político.

A punição ao Corinthians foi justa. Esperamos que todos os times sejam tratados com o mesmo rigor em casos graves como ocorreu na Bolívia na semana passada.

Mas isso não depende apenas da entidade sul americana. Os clubes também são responsáveis ao financiarem os marginais organizados. Tem que haver uma separação. Lugar de torcida é na arquibancada e não para servirem de capangas desse ou daquele diretor. Se alguém quiser fazer parte da vida política do clube que se associe.

Que os marginais sejam responsabilizados individualmente pelos crimes que cometem em estádios. Uma arena assim como a rua é um local público. Não há imunidade por ser torcedor. Cometeu um crime? Jaula!

Esperamos que o Vélez e o também o Peñarol sejam responsabilizados e punidos, assim como Corinthians e São Paulo na semana passada.

Daí sim, com o mesmo rigor a todos os participantes da Libertadores poderemos ver esperança de termos um torneio de melhor qualidade e livre da brutalidade genética que permeia o torneio desde a sua criação.

 ps- Quem quiser entender melhor as agruras  ea violência do futebol sul americano  sugiro assistir o programa “The real football factories” da ESPN.  Vejam principalmente os programas feitos na Argentina e do Brasil. Eles estão  disponíveis no Youtube.

2 Respostas to “MIXÓRDIA SUL AMERICANA”

  1. guina Says:

    Brilhante e atual, vc viu o que a Mancha fez ontem a noite no aeroporto de Buenos Aires?

  2. Marcelo Abdul Says:

    Vi e entra exatamente na idéia desse post. Pra vc ver eu escrevi isso há um ano e as merdas continuam acontecendo. Com essa lenga lenga do poder público e dos clubes, ” o Heysel brasileiro” vai chegar logo logo e daí as “nossas autoridades” vão tomar providências como aconteceu na boate Kiss. Uma vergonha!

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