A CARTILHA DOS PERNAS DE PAU

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Cartillha cópia

 

 

Há alguns anos o futebol brasileiro está sendo regido e dominado por um estranho “código de ética” dos jogadores dentro de campo.

Nessa espécie de “cartilha”, dribles, desconcertantes e jogadas de efeito são considerados “humilhação”, “falta de respeito”, “tripudiar o adversário”, entre outras frases feitas e politicamente corretas.

É a chamada cartilha dos pernas de pau.

Aquela que privilegia apenas os meio campistas e zagueiros brucutus , que não tendo a mesma técnica e capacidade dos jogadores mais badalados ficam nervosinhos quando levam uma caneta embaixo das pernas, ou quando são chapelados por um talentoso camisa dez.

Como meu avô dizia, “se não aguenta bebe leite”.

Esse chororô insuportável como o do atacante Nunes do Botafogo de Ribeirão Preto é que transforma o esporte numa coisa chata, burocrática e sem sal.

Não gostou do chapéu do Neymar senhor Nunes? Então é melhor ser padeiro, taxista, empresário, médico ou advogado. Porque futebol você já mostrou que não manja nada.

Drible faz parte das quatro linhas. Não consta em nenhum estatuto ou regra de que seja proibido pela Fifa. É do esporte como todos os outros. Existem os gênios, os bons, os ruins e os péssimos. Se Deus não te deu o dom, não adianta esbravejar. Siga o seu caminho com respeito e dignidade.

Em meus áureos tempos de futebolista amador já tomei chapéu, bola embaixo das pernas entre outras jogadas que podem ser consideradas “humilhantes”, mas nunca tive vontade de quebrar ou levar algum adversário para a o ortopedista.

Em qualquer esporte do mundo sempre haverá um cara melhor do que você. No basquete existem os tocos e as enterradas dos americanos, mas nenhum atleta adversário vai ficar alterado se isso acontecer. Se puder faça igual, ou tente defender de maneira limpa.

Neymar é mil vezes melhor do que o reclamão Nunes. Assim como Garrincha, Didi, Pelé e Rivelino que fizeram o futebol brasileiro ser conhecido no mundo todo pela sua beleza e técnica. Justamente porque existem os craques e também os “Joões” como o nosso amado Mané chamava suas vítimas em campo.

As juras de ódio de Nunes ao atacante santista mostram o quanto o futebol brasileiro mudou ao longo desses 25 anos. A moral é totalmente inversa. Se antes tínhamos um técnico como Telê Santana que pedia para seus jogadores recuperar a bola lealmente, hoje vemos treinadores medíocres que ficam coléricos ao menor sinal de drible adversário. Esses chamados “professores” mandam bater, chegar junto e até xingam como foi o caso do técnico do Ituano Roberto Fonseca ao mesmo Neymar na partida de ontem.

Em todas as profissões a história é a mesma. Os medíocres não conseguem ganhar por capacidade e apelam para o grito numa lógica Shakespeariana como foi escrito no ensaio “Ricardo III”.

Nessa obra foi retratada a história de um monarca feio, corcunda e um dos últimos na linha sucessória da Inglaterra. Ambicioso ele mandou desaparecer seus dois sobrinhos sucessores do trono para se tornar rei e por fim não conseguiu manter seu poder. Foi derrotado por sua inabilidade política. Deu um passo maior que as perna.

Ibra: ao ser driblado ele sorri

Ibra: ao ser driblado ele sorri

No futebol brasileiro a mediocridade ganha força, nessa lei abstrata instituída por zagueiros carniceiros e inábeis volantes. Temos aí diversos corcundas da bola. Ambiciosos, mas que não tem a capacidade e nem o jeito para fazerem o seu futebol melhorar.

Ao invés disso proferem ódio e bravatas.

Mas há ainda esperança nesse esporte tão amado chamado futebol. Alias, adorado justamente por causa dos golaços, das jogadas de efeito e dos dribles.

Na França o consagrado atacante sueco Slatan Ibrahmovic levou uma caneta humilhante no meio das pernas do zagueiro camaronês Chedjou. Mas ao invés de correr atrás bufando como um equino e dar uma entrada violenta pelo chamado “desrespeito” o centroavante do Paris Saint Germain simplesmente sorri. Quem dera todos os jogadores do mundo tivessem esse espírito esportivo e a compreensão da verdadeira natureza do futebol.

Enquanto isso vemos no Brasil a proliferação de mandamentos absurdos. Incentivados por jogadores e treinadores inexpressivos. Eternos perdedores e escravos do pragmatismo, que no auge de suas derrotas acachapantes devem olhar para o banco e gritar:

“Meu cavalo, meu reino por um cavalo”.

8 Respostas to “A CARTILHA DOS PERNAS DE PAU”

  1. Marcelo Bianchini Says:

    Bom. Nenhum desses que vc citou chapelava adversário com a partida interrompida para fazer graça para a torcida. O menino mimado fez isto duas vezes. Dar embaixadinhas com o time ganhando e diante de um Botafogo da vida é fácil. Duro é fazer o mesmo diante de um Barcelona ou mesmo de um Velez. Chapelar, passar a bola no vão das pernas é algo normal, ficar passando o pé sobre a bola, em determinados momentos, soa como provocação gratuíta. Peguemos exemplos no clube que exibe o tal futebol arte há cem anos. O que faria um Márcio Rossini diante das presepadas do Neymar? Estenderia lhe a mão ou lhe daria um belo de um chega pra lá? Já imaginou o lendário Zito diante do Neymar fazendo as tais gracinhas?

  2. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Abdul, o Neymar é bom pra dar chapéu e fazer palhaçadas na frente dos zagueiros dos times do interior de São Paulo.
    Quando ele pegou o Barcelona de Messi, ele nem viu a cor da bola.
    É craque ? Sim é, mas precisa respeitar os companheiros de profissão.
    Gracinha no meio de campo não é arte, é desrespeito.

  3. Marcelo Abdul Says:

    Márcio Rossini? Fala sério. O Zito era capitão do Santos e comandava aquele esquadrão. Em muitos jogos segundo testemunhas ele pedia para o time dele dar “show”. Futebol está muito chato. Achei um barato o Neymar chapelar o Chicão. Faz parte do futebol a provocação. O adversário tem que devolver jogando bola e não dando porrada. E o Neymar não é um mero ciscador, ele é craque. Joga muito. O futebol brasileiro está mesmo virado do avesso.

  4. Marcelo Abdul Says:

    Despulpe discordar brimo, mas o Neymar provou por A mais B que não é só bom em dar caneta ou chapelar alguém. Veja o quanto ele ganhou nesses últimos anos fora as bolas de ouro, as artilharias e os títulos. É um craque em formação? Sim. Precisa amadurecer mais? Sem dúvida. Cai muito? Sim? É do jogo? Sim. Acho que a graçinha é válida. Quando ele fez aquilo com o Piris no ano passado eu fiquei puto, mas depois de um tempo até ri com a jogada. Assim como eu abri o sorriso quando o Lucas ficou ziguezagueando contra os argentinos do Tigre do ano passado. Você nunca sorriu com um drible do Denílson? A provocação faz parte. Enerva o time adversário. Adoro ver os pernas de pau ficando putinhos falando em desrespeito. São sempre os grossos que reclamam, percebeu?

  5. Marcelo Bianchini Says:

    Um conhecido meu esteve conversando com o Zito. Segundo o volante que nasceu no Vale do Paraíba, a ordem era: a defesa batia com gosto e no ataque o Pelé resolvia…… Os “maravilhosos” anos 60 não foram tão românticos assim…..

  6. Marcelo Abdul Says:

    Mas que ataque. Pelé, Mengálvio, Coutinho e Pepe. Nem precisava de defesa boa mesmo. Hoje em dia não temos mais ataque e sim “sistemas” dirigidos por técnicos filósofos e brutalhões.

  7. Antonio Carlos de Carvalho Says:

    Deixe-me ver se eu entendi. Abdul: “Achei um barato o Neymar chapelar o Chicão. Faz parte do futebol a provocação. O adversário tem que devolver jogando bola e não dando porrada.”
    O Neymar pode tripudiar num lance parado, mas o Corinthians deveria “se vingar” jogando bola?
    Errado. O Chicão também teria o direito de pregar alguma peça no Neymar, pois o que ele fez foi isso: uma peça. Se um jogador, no decorrer, de um lance, dá chapéu ou mete no meio das pernas o zagueiro/volante não tem direito de reclamar de nada. É do jogo, e o adversário já está até preparado sabendo que poder levar um chapéu e mesmo assim, as vezes não consegue evitá-lo. Diferentemente do lance parado em que o jogador vai buscar a bola e o outro comete uma macaquice. os chapéus e canetas com bola rolando não rendem amarelo para ninguém que os aplica. Mas a macaquice rendeu. Ora, então havia algo de errado com o lance. No mínimo, o jogador estava retardando o reinício do jogo. Comparo isso a um zagueiro passar a mão na bunda do atacante e este revidar de algum modo e se prejudicar. Veja que não há como o atacante reagir. Talvez ele queira dar um chapéu nesse zagueiro, mas quem disse que irá conseguir? Quem disse que ele é obrigado a ser talentoso a ponto de ser certo que conseguirá chapelar? Ele pode ser um grosso que só sabe empurrar pra dentro. Não é crime não ser craque. Ou seja. o Chicão poderia revidar com uma água batizada (que também renderia punição) ou por exemplo, após marcada uma falta no Neymar ele dar umad e besta e dar um bico na bola na cara do Neymar. E também é um lance do jogo, como o chapéu.Amarelo também por certo. Sem contar que, tecnicamente, o Neymar não chapelou o Chicão, pois este não estava em ação, assim como o Neymar estava no chapéu, com bola rolando, que o Ralf lhe deu no Pacaembu. este não foi muito comentado e por quê? Por que foi lance de jogo e não macaquice. É simples.

  8. Marcelo Abdul Says:

    O Neymar fez uma molecagem com o Chicão. Não achei o fato tão grave assim. Tanto que nem me lembro se ele recebeu cartão pelo lance. Foi hilário. Em muitas peladas existem molecagens assim. O problema é que o futebol está chato demais. O torcedor acha que está vendo uma batalha e não uma partida de futebol. Menos pessoal…menos. É bem diferente de dar “água batizada” para alguém. O Chicão poderia simplesmente dar uma embaixo das pernas do Neymar. Bola se responde na bola. O resto é chororô de perna de pau. Caras como você por exemplo.

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