Archive for janeiro \31\UTC 2013

SANTA MARIA, ROGAI POR NÓS

31/01/2013

luto - santa maria

Gostaria muito que essa postagem após as férias deste escriba fosse outra..

Infelizmente devido a irresponsabilidade de órgãos municipais e empresários picaretas que querem gastar menos em investimentos de segurança, 236 jovens (número que pode aumentar) perderam a vida.

Pequenos deslizes, incrustados pelo nosso nojento e conhecido “jeitinho brasileiro”. A “malandragem” dos donos da boate em usar equipamentos de segurança de terceira linha e de colocar novecentas pessoas num lugar onde só cabiam seiscentas.

A leniência de prefeitura da cidade gaúcha de Santa Maria que permitiram o funcionamento de uma casa onde só existia uma saída, a mesma da entrada. Sem espaços em caso de incêndios ou acidentes, transformando a diversão de universitários numa câmara de gás de Auschwitz.

Tudo isso em nome do lucro. De uns reais a mais na conta, do improviso patife e da cultura subserviente de funcionários públicos a janotas da noite. Uma molhada de mão a mais, uma vista grossa a um extintor quebrado. Entre outras pequenas ações pérfidas  que impedidas pelos governos constituídos  poderiam  salvar várias vidas e a promessa de um futuro promissor dessas pessoas.

Agora vemos as nobres autoridades municipais, estaduais e federais  arrotarem reuniões e frases vazias sobre a segurança das casas noturnas no Brasil. Uma falsa e hipócrita ação de responsabilidade que já deveria ter sido tomada há muito tempo e não agora que o sangue está derramado.

Esperamos sinceramente que todos os responsáveis paguem na justiça por essa atrocidade. Que processos não se arrastem morosamente  por séculos e que o massacre dessas 236 almas não tenham sido em vão.

A todos os habitantes da cidade de Santa Maria e dos parentes das vítimas as nossas condolências.

MESSI E O “RESTO”

08/01/2013
Messi Bola de Ouro

Messi: melhor do mundo pela quarta vez seguida

Pela quarta vez consecutiva o argentino Messi foi escolhido o melhor do mundo pela Fifa. É a primeira vez que um atleta é escolhido tantas vezes seguidas como o maior jogador do planeta. Um recorde indiscutível. “La pulga” joga muito mas tem mau gosto ao se vestir.

Porém a respeito da festa da bola de outo da Fifa muitas considerações devem ser discutidas.

A primeira é que esse prêmio se parece como uma espécie de “oscar”. Uma festa famosa, vista do mundo inteiro, mas que só consagra uma determinada região.

A Fifa cada vez mais se parece com uma UEFA do que propriamente uma entidade mundial.

A seleção de melhores do ano foi um absurdo. Um combinado Real Madrid-Barcelona, como se no mundo não existisse nada melhor do que o campeonato espanhol.

Nenhum jogador do Chelsea, campeão europeu apareceu na lista. A Juventus que foi vencedora da série A invicta e com um Pirlo fazendo uma temporada espetacular também não teve nenhum atleta na escolha.

O Corinthians atual campeão mundial de clubes nem deve ter sido lembrado, mesmo que Chicão jogasse melhor do que o limitado Sergio Ramos.

A constatação que podemos fazer é que o marketing esportivo espanhol vai bem obrigado. É um reflexo do domínio do país Ibérico no mundo do futebol nos dias atuais. Jogadores de todo o planeta  acompanham as pelejas da Champios League e do campeonato espanhol, enquanto nós contamos com a incompetência de nossos dirigentes que tornam o campeonato brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores torneios nada atrativos do ponto de vista comercial.

O prêmio reflete muitas injustiças. Nada contra os finalistas, mas Neymar entre os 15 melhores do mundo é uma piada de mau gosto. O camisa 11 do Santos está entre os cinco no mínimo.

Muitos dizem que Neymar é um “pipoqueiro” na seleção brasileira e por isso não é lembrado. Messi que se consagrou apenas jogando no Barcelona não fez nada que prestasse na seleção argentina. Perdeu duas Copas do Mundo passando em branco na última e perdeu uma Copa América dentro de casa.

Neymar nunca jogou um mundial e está amadurecendo. Apesar das bobagens de internautas torcedores é o atleta que mais fez gols pela seleção brasileira e que novamente arrebentou com o Santos este ano. Quem lembra da humilhação sobre o lateral Piris, que fez o paraguaio deixar o São Paulo pela porta dos fundos? E o show diante do Bolívar pela Libertadores da América? Fora os gols magistrais contra Internacional e Atlético Mineiro.

Muitos dizem que Neymar só estará entre os finalistas se for pra Europa. Concordo. Dependendo do time será barbada, mas a Fifa prestou um desserviço quando fundiu o seu prêmio com a “Bola de Ouro” da revista France Football. A bola de ouro era um prêmio exclusivamente europeu.

A Fifa no entanto é uma entidade mundial e deve zelar por todo o planeta.

Só existe a Europa hoje? O melhor futebol está sendo jogado lá? Está aí os mundiais da Fifa ganhos por 3 brasileiros para provar ao contrário.

A escolha do gol do eslovaco Stoch como o mais bonito de 2012 é outra anedota pronta. Entre os três finalistas, o do brasileiro foi muito mais lindo. O problema é que o prêmio Puskas foi votado na internet. Não há credibilidade nesse tipo de escolha.

Ontem o que vimos foi a prova de que a Fifa só enxerga a Europa. A festa, brega como ela só é um reflexo da era Blatter. Uma das piores administrações da Fifa nos últimos tempos. Um prêmio elitista e que infelizmente deixa o resto no mundo na rabeira do futebol.

BOATENG: UM CHUTE NA BUNDA DO RACISMO

06/01/2013
Boateng: atitude louvável em campo

Boateng: atitude louvável em campo

Quem dera todos os atletas tivessem a mesma atitude de Kevin-Prince Boateng.

Num amistoso de pré-temporada do Milan contra o time do Pro Patria da quarta divisão italiana, o atleta alemão de origem ganesa foi insultado por parte da torcida adversária com coros e cânticos racistas.

O meio campista inconformado com a atitude imbecil de parte dos torcedores do Pro Patria pegou a bola e deu um chute em direção aos malfadados agressores verbais e deixou o campo. O resto do time rossonneri em solidariedade ao seu companheiro de equipe também não continuou na partida.

Uma atitude louvável.

Já passou da hora dos futebolistas do mundo todo darem um basta a essa nova onda de racismo que varre porcamente os estádios da Europa.

O que aconteceu na semana passada foi a gota d´água. O cota de paciência das equipes de futebol já se esgotou com a tolerâncias das autoridades do futebol em relação a esse triste fato.

Clubes internacionais e globalizados aceitam atletas e craques do mundo inteiro, não se importando com cor ou origem de seus contratados. Portanto é inadmissível o xenofobismo desenfreado por esses torcedores. Isso representa um atraso moral e político no mundo europeu que ainda sente o peso da segunda guerra e as suas tristes consequências.

A Rússia que sofreu horrores e massacres diante dos nazistas contemplou um manifesto vergonhoso por parte dos “ultras” do Zenit, clube agora bilionário de São Petersburgo. O grupo tentou justificar o fato do time russo não contar com negros em seu elenco. “Uma tradição do clube” segundo os mesmos.

Nada pode ser mais porco e nojento que uma nota dessas.

Mais nojenta ainda é a fala do presidente da Fifa Joseff Blatter, um zero a esquerda no mundo do futebol, que agora é conhecido mais como construtor de estádios e elefantes brancos do que propriamente um dirigente de futebol.

Para ele a atitude dos jogadores do Milan não é a solução.

Mas então qual seria a solução senhor Blatter?
A mesma que deixou o racismo nos estádios crescer na Europa durante a sua gestão? Alguém lembra das lamentáveis ações da torcida Russa na Eurocopa na Polônia no ano passado?

Mas para a Fifa o que importa é a grana. Que se dane que torcedores russos sejam racistas e agridam covardemente pessoas de outras etnias em seus estádios. Se o ditador Putin pagar as monstruosas e caríssimas “Arenas” na Copa da Rússia em 2018 está tudo certo. O resto que se exploda.

Blatter você é uma vergonha para o mundo do futebol.

A atitude de Boateng e do Milan foi magistral. De bater palmas em pé. Se não houve punição administrativa ao medíocre clube italiano houve uma punição moral do mundo inteiro.

Pois ao contrário do que os racistas pensam não vivemos mais numa bolha de vidro. Mais do que grupos étnicos somos todos do mesmo planeta. Vivemos, comemos e respiramos no mesmo solo e pertencemos apenas a uma única raça: a humana.

Kevin-Prince Boateng, meu ídolo.

LADISLAO MAZURKIEWICZ (1945-2013)

02/01/2013

Mazukiewicz

INDEPENDÊNCIA: O TIRO NO PÉ DO BARCELONA?

01/01/2013
Barça: a independência será benéfica ao clube catalão?

Barça: a independência será benéfica ao clube catalão?

Vazou na internet no final do ano passado, a nova camisa B do time do Barcelona. Com duas listras verticais amarelas e vermelhas o clube homenageia a bandeira da Catalunha e renova o apoio pela independência da região autônoma da Espanha, que ganhou força há alguns meses com a crise financeira européia.

Longe querer decidir o destino de um povo, a população catalã tem todo o direito de escolher o que é melhor para ela. Mas aqui vamos nos restringir somente ao campo esportivo.

Para o Barcelona será uma boa vantagem atuar num campeonato catalão em comparação com o campeonato espanhol?

Na Espanha, apesar da grande vantagem atual do time do Barça e do Real Madrid atualmente vemos times tradicionais como o Atletico de Madrid, Athetic de Bilbao ( de uma região que também busca independência)Valência, entre outros clubes competitivos.

Na Catalunha o que temos? O Espanyol, que provavelmente terá que mudar de nome novamente se a independência catalã chegar e olhe lá. Não há mais nenhum clube de grande expressão.

Será vantagem uma equipe mudar de um campeonato mais competitivo para outro quase inexistente?

Seria bom ver o Barcelona fora do campeonato espanhol e constatar a  diminuição de sua tradicional rivalidade com o Real Madrid, inclusive em outros esportes como o basquete?

O Barcelona cresceria como clube ou teria seu prestígio internacional decrescido?

O presidente do clube Sandro Rossell já manifestou que gostaria de continuar a disputar o campeonato espanhol usando o Mônaco como exemplo.  Mas isso seria possível caso a Catalunha homologasse a entrada de sua federação junto a Fifa?

Além disso sobra a hipocrisia. Como um dos principais símbolos da nação catalã pode fazer questão de participar de um torneio de um país que eles querem se livrar? Não faz o menor sentido.  Seus líderes políticos separatistas permitiriam isso? O outro lado aceitaria esses termos?

São questionamentos que servem de reflexão. É melhor ser parte de algo maior para continuar a ser grande ou fazer parte de algo menor e se reconstruir no futuro?

Na história temos bons exemplos de países que se separaram, mas temos outros péssimos testemunhos.

Um deles é a Iugoslávia, um país que até pouco tempo era uma força esportiva internacional em várias modalidades e que eram habitados por povos de diversas etnias e costumes sem grandes conflitos religiosos. Sarajevo era uma cidade cosmopolita e virou quase um cemitério por causa de líderes separatistas, políticos racistas e oportunistas que transformaram cidadãos em carniceiros.

O país do Bálcãs se desintegrou e se transformaram em republiquetas de fundo de quintal sem a menor expressão e força esportiva que a antiga Ioguslávia carregava. Nem sempre uma cisão é sinal de boas novas.

Sabemos que no caso da Catalunha a situação é outra. Que a região sofreu horrores durante a ditadura de Francisco Franco e que a sua cisão politica da Espanha é quase uma unanimidade para toda a população local.

Porém será curioso ver que o Barcelona, principal símbolo da luta da Catalunha pela sua independência será a instituição que mais sofrerá quando ela se tornar realidade. Afinal não sabemos se a Real Federação Espanhola de Futebol irá permitir que o time de Messi e companhia jogue o seu torneio. Nem saberemos se a Fifa irá autorizar.

O clube poderá perder dinheiro ao disputar um campeonato local muito mais fraco que o Paulistão. Os fãs também perderiam, pois só veriam o time de azul e grená numa Champions League.

Com todas essas  possíveis desvantagens, o Barcelona poderia manter o mesmo nível e excelência de futebol praticado nos dias de hoje? Provavelmente não.

Todo ato de mudança radical  tem uma consequência.

A independência pode ser ótima para todos os habitantes da Catalunha, mas será lamentável para o futebol mundial.