O DIA QUE O SÃO PAULINO ALCANÇOU O CÉU

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São Paulo: título para a eternidade

São Paulo: título para a eternidade

Hoje, dia 13 de Dezembro de 2012 se comemora uma das partidas mais memoráveis da história do São Paulo Futebol Clube.

Vinte anos se passaram desde a conquista do primeiro título mundial. E vão passar quarenta, cinquenta, cem…

O fato é que esse momento vai ficar gravado na retina e no coração de cada são paulino para todo o sempre.

No dia 12 de Dezembro de 1992 foi o dia mais angustiante de minha vida. Na sexta mal havia dormido. No sábado a espera e a ansiedade eram monstruosas. Não conseguia parar em casa pela expectativa de ver o jogo final da Copa Intercontinental no estádio nacional de Tóquio.

Desde criança via grandes times vencerem mundiais por lá. Flamengo, Peñarol, Grêmio, Independiente, Juventus, River Plate, Milan. Mal acreditava que meu clube de coração estaria naquele mesmo palco glorioso daqui a algumas horas.

O São Paulo de Raí, Telê, Palhinha, Muller e Cafu. De Pintado, Ronaldão, Adílson, Ronaldo Luis, Vitor de da muralha Zetti. Prontos para disputar o derradeiro título. Um jogo que valeria uma via inteira para muitos daqueles atletas.

Time que já havia nos dado uma imensa alegria em 1991 quando finalmente venceu um campeonato brasileiro depois de duas derrotas em finais anteriores e um campeonato paulista em cima do maior rival. Que venceu uma Libertadores com coragem virando os olhos do mundo para o Brasil novamente.

Sim, no começo dos anos noventa o futebol brasileiro estava em baixa. Telê e seus comandados nos mostraram o caminho da esperança. De que poderíamos ganhar sim jogando o verdadeiro futebol brasileiro. Sem “overlapings”, líberos e esquemas táticos confusos realizados por treinadores medíocres e soberbos. Bastava jogar com a nossa verdadeira alma. Com talento, garra, técnica e superação.

As horas não passavam naquele maldito e ao mesmo tempo bendito sábado. Quanto mais tentava me acalmar, mais ficava nervoso. Quando chegou às 21 horas a Avenina Paulista já começava a ficar mobilizada por milhares de são paulinos. Rojões, gritos. O momento da decisão estava chegando.

Fui até o local mais charmoso da cidade e ali esperei quase tremendo pela expectativa. Precisava fazer algo para me acalmar. Até que vi no agora extinto cine Gazeta o cartaz do filme “Força em Alerta” com o brucutu Steven Seagal.

Era a deixa. “Vou me distrair e acabar com a porra da ansiedade até o jogo começar a meia noite”

Confesso que me diverti muito com as desventuras do personagem Casey Rayback e suas facas ginzu. Ajudou-me a relaxar e a colocar a cabeça nos trilhos. Quando o filme terminou desci as escadarias do prédio da Gazeta e vi um mar branco na minha frente. Parecia que a cidade inteira estava concentrada ali.

A partida estava quase começando. Havia decidido ver o jogo ali mesmo, mas a emoção era grande demais. Saí da Paulista e fui assistir a decisão em casa a poucas quadras da minha casa.

O pessoal em casa já estava dormindo, quase inertes ao que estava acontecendo na cidade. Nunca uma equipe da capital paulista havia decidido um título mundial interclubes desde então.

Ligo a tevê e assisto um dos jogos mais tensos e maravilhosos de minha vida. Logo aos doze minutos de partida, Stoichkov encobre Zetti e faz um golaço. Lembro das últimas duas decisões de mundiais em que Milan e Estrela Vermelha massacraram seus oponentes.

Outra vez?

O São Paulo defendendo a escola brasileira mostra que não. O tento catalão não abala a moral tricolor, que passa a tocar a bola e a criar várias chances de gol. Cafu e Ronaldo Luis levam perigo ao arco espanhol. Aos 27 minutos Muller entorna o lateral Ferrer e toca para a centro da área. Raí, num lance de oportunismo bate na bola que vai para dentro do gol de Zubizarreta.

A cidade explode. Quem estava dormindo acorda sob o barulho de rojões e gritos ensurdecedores. O sonho do título mundial se torna realidade. O São Paulo enfrentava o Barcelona de igual para igual. Não temia o “Dream Team” de Koeman e do treinador Cruyff. A partida era parelha e Muller quase aumentou o placar não fosse a presença do zagueiro adversário.

Mesma presença que teve o “anjo” Ronaldo Luís que tirou a bola enviada pelo atacante Beguiristain em cima da linha, quase no final do primeiro tempo aliviando o coração de milhões de são paulinos.

O segundo tempo prometia e os dois times continuaram a realizar uma grande partida. O São Paulo mortífero passou a dominar os contra ataques e preocupar a defesa catalã. O veterano Toninho Cerezo que foi um dos bodes expiatórios da tragédia de Sarriá na Copa de 1982 realizava uma partida primorosa com cadência e toques precisos explorando a velocidade do ataque tricolor.

Numa dessas decidas a defesa do Barcelona fez falta em Palhinha quase na entrada da área. Raí chega perto de Cafu e falam algo um para o outro. O vento bate forte no rosto do capitão tricolor e milhões de almas são paulinas esperam o desfecho da jogada.

Raí: gol antológico

Raí: gol antológico

Raí toca para o meio campista que para a esfera. O camisa 10 acerta uma das maiores faltas que o mundo já vira. A bola passa pela barreira e faz uma curva esplendorosa, mítica e inesquecível. Ao consagrado goleiro Zubizaretta não resta mais nada senão olhar a bola tocar a suas redes como num canto de sereia hipotizante e mortal.

A torcida tricolor alcança a estratosfera. Em poucos e preciosos segundos subimos aos céus numa mistura emocionante de fé e paixão. A Avenida Paulista e o resto da cidade se transforma num panteão de loucuras desenfreadas.

Gol! Gol! Gol! A pouco minutos de terminar o jogo.

O gigante europeu caiu. Desmoronou como um castelo de areia. Desnorteado, o Barcelona não representou mais perigo ao gol de Zetti. O São Paulo dominava a partida de vez e era o comandante supremo das ações. Não só do jogo, mas do planeta.

Na lateral de campo, o árbitro argentino Juan Carlos Loustau pede a bola. De novo subimos aos céus.

Lágrimas escorrem de nossos rostos. Nos penduramos nas janelas de nossos apartamentos e casas como loucos insanos.

A Avenida Paulista começa a comemorar antecipadamente os festejos de final de ano. Uma constelação de fogos, gritos emocionados, choros desenfreados por torcedores da nova e velha geração.

O São Paulo era campeão do mundo!

site da Fifa 20 anos depois: celebração

site da Fifa 20 anos depois: celebração

Telê e Cerezo se vingavam de 1982, não de maneira bruta e asquerosa como são comuns em todas as revanches, mas sim com amor e dedicação ao esporte. O futebol brasileiro voltava ao topo do mundo aos olhos de milhões de telespectadores.

Hoje vinte anos depois vemos o site oficial da Fifa relembrar a partida que estará para sempre dentro de nossa memória.

Um orgulho encrustado em cada coração de cinco pontas que nada e ninguém poderá nos tirar.

1992: o planeta é tricolor

1992: o planeta é tricolor

Parabéns Zetti, Vitor, Adílson, Ronaldão, Ronaldo Luís, Pintado, Muller, Cerezo, Palhinha, Raí e Cafu.

Parabéns Mestre Telê Santana onde quer que você esteja.

Mais que heróis vocês são a nossa alma.

Deuses para sempre da mitologia são paulina.

2 Respostas to “O DIA QUE O SÃO PAULINO ALCANÇOU O CÉU”

  1. guina Says:

    Pô Abdul assim vc mata o velhinho, kkkkkk. Me lembro de cada momento dessa final, e o filme também era show pq tinha no elenco um dos meus atores preferidos , o sempre bom Tommy Lee Jonnes. Época boa que não precisava de mídia para se entender a grandeza de um bom jogo. Os 90 minutos era que contavam para o marketing! Confesso que não vi o gol do Raí, pois tinha ido na cozinha buscar um copo de café para o meu tio…Mas foi o gol mais lindo que eu nunca vi! Vlew…

  2. Marcelo Abdul Says:

    Verdade. O Tommy Lee Jones era o vilão desse filme. O Gary Busey também deu o ar de sua graça. Foi um dos melhores do Seagal que sem dúvida é um dos piores atores do mundo, mas exatamente por isso virou mito a la Chuck Norris. O cara não move um músculo da face e nunca apanha! Confesso que os absurdos do filme aliviaram a minha tensão. Depois foi só comemorar.

    Vinte anos. Pareceu ontem. Inesquecível.

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