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RETROSPECTIVA 2012 – OS MELHORES DO ANO ( E OS PIORES TAMBÉM)

29/12/2012

Fala galera. Mais um ano se passou e que mudanças ocorreram de uma temporada para outra. O badalado Barcelona não conseguiu manter o ritmo do ano passado mas Messi continou no topo. A Espanha mais uma vez deu o seu recado como melhor seleção do mundo e o Corinthians alcançou o topo do futebol mundial.  Como esse é o último post deste ano desejo a todos um feliz ano novo com paz, saúde e felicidades a todos os internautas, especialmente ao Geraldo Lina e ao meu parçeiraço Guina. Um grande 2013 para todos vocês.

Time do ano – Corinthians

Corinthians Bicampeão do Mundo

O futebol, muito mais que uma partida entre 22 jogadores é um duelo de filosofias e propostas. Nesse quesito ninguém foi melhor que o Corinthians em 2012. Sim, sem sombra de dúvida o time do ano. Campeão da Taça Libertadores da América com uma campanha brilhante e invicta com direito a uma sapecada no algoz brasileiro Boca Juniors na final. No final do ano um título mundial memorável cima do badalado Chelsea que venceu na Champions League nada mais nada menos que o consagrado Barcelona de Messi.

Muitos dirão que o Corinthians não foi um time “técnico” como o Barcelona no ano passado. Verdade, mas voltando a primeira frase do texto, o futebol é um combate de filosofias e táticas. O Corinthians com sua disciplina ferrenha e bons jogadores sobrou nesse ano, mesmo não contando com nenhum grande craque como Neymar. O plano de jogo do treinador Tite se mostrou eficaz e mortífero. Nem é necessário falar da força de sua torcida que lotou as arquibancadas do Japão e fez com que Yokohama virasse um Pacaembu. Por isso o Corinthians é o clube do ano em 2012. Com méritos.

Jogador do ano – Messi

messi 91

Cada ano que passa a barbada continua. Messi mesmo sem conquistar um título relevante pelo Barcelona no ano de 2012 ainda ostenta o título de melhor jogador do mundo. Apesar do ano pífio e de transição da equipe catalã, “La pulga” fez uma das suas melhores temporadas neste ano. Fez gols a rodo e se tornou o atleta que mais balançou as redes em partidas oficiais num ano com 91 gols. Uma estatística controversa é verdade, mas que não diminuiu a importância e a capacidade do camisa 10 do Barcelona que finalmente desandou na seleção argentina e a colocou como líder das eliminatórias para a Copa de 2014. Gênio, somente isso.

Melhor técnico – Tite

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Sim, o gaúcho de Caxias do Sul é um tremendo de um “mala”. Mas Tite provou que além de ter uma boa lábia é um grande treinador dentro de sua proposta de jogo. Foi o principal responsável ao armar um esquema tático quase impermeável no time corintiano durante a campanha da Taça Libertadores e no Mundial de Clubes. Por isso o clube paulista quebrou uma escrita de nunca ter vencido a principal competição sul-americana e ainda faturou o bi mundial. Com essas conquistas o treinador que apareceu no mundo do futebol brasileiro justamente como um algoz do Corinthians em 2001, se consagra hoje como um dos maiores treinadores da história do Parque São Jorge. Por isso este ano Tite leva merecidamente o caneco.

Melhor goleiro – Manuel Neuer

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No ano passado o atual arqueiro do Bayer de Munique já se destacava por ter quebrado o recorde de Oliver Khan com 1018 minutos sem tomar gols. Mas foi em 2012 Manuel Neuer provou de uma vez que é um grande goleiro. O camisa 1 do Bayer se consagrou ao defender os pênaltis de Cristiano Ronaldo e Kaká na semifinal da Liga dos campeões levando o time da Bavária para mais uma final continental. Frio, seguro e extremamente técnico, Neuer é titular absoluto da seleção alemã e um representante legítimo da grande escola germânica de arqueiros que já teve Turek, Seep Mayer , Schumacher e Oliver Khan. O melhor goleiro do ano.

Melhor seleção – Espanha

espanha euro 2012

Já não bastava ser campeã européia. Também não bastava ser campeã mundial. A Espanha também tinha que conquistar a Eurocopa novamente com um autêntico baile contra a seleção italiana de Balotelli por 4 x 0. Pela primeira vez na história, o torneio tem um bicampeão seguido e também uma seleção européia conquista seguidamente a Euro, a Copa e a Euro novamente. Apesar de não fazer uma primeira fase brilhante, a equipe de Vicente Del Bosque novamente detonou na fase final. A “fúria roja” é a equipe a ser batida. Melhor futebol no planeta por enquanto não há. A primeira grande seleção do século XXI. Prova de que o futebol espanhol vive o melhor momento de sua história.

Melhor time brasileiro – Fluminense

Flu campeão brasileiro 2012

O elenco do tricolor carioca fala por si só. Fred, Deco, Rafael Sóbis, Thiago Neves e outros bons jogadores. O Fluminense simplesmente arrebentou em todos os torneios que disputou este ano. O clube das Laranjeiras venceu o campeonato carioca com direito a um desdém na Taça Rio e no brasileiro foi tetracampeão com três rodadas de antecedência.

Fred num ano sem contusões fez uma temporada inesquecível desancando a fazer gols. Jovens revelações como Wellington Nem foram fundamentais nos alicerces do treinador Abel Braga. Por isso o Fluminense ganha o título de melhor equipe brasileira este ano. Em terras brasucas o tricolor das Laranjeiras foi insuperável.

Melhor jogador brasileiro – Fred

fred

Sim, Neymar foi essencial no primeiro semestre do Santos. Deu um baile em Piris numa semifinal inesquecível contra o São Paulo e levou o clube a semifinal da Taça Libertadores da América com um show diante do pobre Bolívar por 8 x 0. Mas as convocações do atleta santista para a seleção brasileira e uma natural queda técnica diante de tantos jogos descredenciaram o camisa 11 santista como melhor jogador do ano.

O título pertence ao Fred do Fluminense. Muitas vezes chamado de “chinelinho” e “desinteressado” pela torcida tricolor, o artilheiro realizou um ano brilhante. Sem contusões e com uma vontade imensa de provar que não era um mero medalhão, Fred fez gols decisivos no campeonato carioca e deu o título carioca ao Fluminense quebrando a alternância de títulos entre Flamengo e Botafogo desde 2005.

Na Libertadores, Fred teve atuações de gala e o time carioca apesar de ter feito uma grande campanha na primeira fase foi eliminado graças a um descuido da defesa nos minutos finais contra o Boca Juniors.

Mas no campeonato brasileiro, o camisa nove das Laranjeiras mostrou todo o seu potencial. Com gols bonitos e decisivos, Fred levou o Fluminense ao seu quarto título brasileiro além de ser o artilheiro da competição com 20 gols. Por sua regularidade Fred foi o melhor jogador brasileiro do ano.

Técnico brasileiro do ano –  Cuca

cuca atletico

Como Tite já ocupou a melhor colocação entre técnicos do planeta, o título fica por conta de Cuca do Atlético Mineiro. Abel peca pelo defensivismo exacerbado e cautela extrema apesar de ter um elenco forte.

Cuca, ao contrário tirou leite de pedra. Fez Ronaldinho Gaúcho voltar a jogar um bom futebol e deu o título estadual ao Atlético Mineiro. No campeonato brasileiro, Cuca fez uma grande campanha com o Galo. Faturou o primeiro turno, mas não soube segurar o cedro. Apesar disso, o Atlético Mineiro fez a sua melhor campanha em brasileiros desde 1999 e acima de tudo, jogando um bom futebol. Ousado,  Cuca é o melhor técnico do ano. Um profissional que merece muito mais títulos em sua galeria de troféus por sua dedicação e capacidade.

Pior técnico – Emerson Leão

leão são caetano

Ano passado Juvenal Juvêncio disse que o problema do São Paulo não era o técnico e sim o plantel. Pois bem, passados seis meses o time continuou ruim mesmo tendo um elenco bem diferente do ano anterior. As derrotas para o Santos na semifinal do paulista e as atuações pífias do tricolor contra o Coritiba pela Copa do Brasil foram a pá de cal para o treinador Emerson Leão, conhecido pro ser um treinador com prazo de validade dada a antipatia que ele desperta em seus comandados.

Passados alguns meses se descobre que o treinador interferia na preparação física do São Paulo desgastando inutilmente a equipe com coletivos e treinos puxados nas vésperas dos jogos. O pulmão renovado da equipe no fim da temporada com outro treinador prova que os métodos ultrapassados de Leão não tem mais vez no futebol brasileiro. Nem mesmo o São Caetano aguentou sua filosofia e o demitiu antes do campeonato brasileiro da série B terminar.

Mico do ano –

Rebaixamento do Palmeiras –

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O segundo rebaixamento do Palmeiras em dez anos é um sintoma de uma grave doença. Apesar do título da Copa do Brasil de uma forma invicta, a incompetente diretoria alviverde pouco se planejou para a temporada deixando tudo ao “Deus-dará”.

Tirone: bem a vontade depois do rebaixamento

Tirone: bem a vontade depois do rebaixamento

Brigas internas, ciumeira de diretores e conselheiros, intrigas contra o técnico Scolari  foram minando o clube. Com um comando fraco e resultados ruins o rebaixamento foi inevitável. Felipão não aguentou a pressão e o substituto Gilson Kleina pouco pode fazer para salvar o time do desastre. Passado o rebaixamento, o presidente do Palmeiras foi fotografado bem a vontade numa praia do Rio de Janeiro. Este fato mostra bem o porque do clube disputar a série B pela segunda vez em sua história em menos de uma década. Enquanto outros clubes se renovaram depois do desastre, o Palestra Itália continuou a ser dirigido como se fosse um time de bairro. Lamentável que um grande clube do futebol brasileiro seja tratado dessa forma.

A “arregada” do Tigre 

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Foi feio. Não pelo fato da briga em si que foi horrível tanto para o lado platino como para o brasileiro. Mas a final da Copa Sul-Americana de 2012 vai ser conhecida para sempre como “o dia que um time argentino arregou”. Como se viu mais tarde, nenhum dos atletas “hermanos”  estavam com a perna fraturada ou com o braço arrancado. Com 2 x 0 no placar,  a vergonhosa briga com os seguranças do São Paulo veio bem a calhar. Um belo pretexto para poder anular um jogo já perdido.  Não adiantou muita coisa. A taça ficou no Morumbi e o Tigre virou um gato vira-lata. Com todo o respeito aos nossos amados felinos.

Troféu Jason Voorhees – O time do Tigre

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Imagine só você ser um time pequeno de um país tradicional do futebol. Seria uma honra. Talvez a única oportunidade desse clube chegar a uma final de um torneio continental. Você talvez jogaria o máximo que o talento de seu time pudesse permitir certo?

Errado. O Tigre da Argentina distribuiu a caixa de ferramentas. Com a anuência do árbitro paraguaio bateu, bateu e bateu no time do São Paulo e provocou a ira do esquentado Luis Fabiano que caiu na armadilha. Durante os quase 180 minutos da final o time ‘hermano” só se preocupou em usar as piores e mais rasteiras armas de um clube argentino numa competição internacional.

No jogo de volta o vexame foi maior. Além de arrancarem sangue de Lucas, tentaram o tempo todo provocar brigas e celeumas.  Um dos clubes mais desleais que o público brasileiro já teve oportunidade de ver. Lembrou as velhas brigas dos anos sessenta, setenta e oitenta. Mas diferente de Rivelino que correu de Ramires naqueles áureos tempos, quem fugiu foi o Tigre. Brigaram na entrada e apanharam na saída. No campo e fora dele.

A melhor  do ano

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 Kaylyn Kyle. Meia campista da seleção feminina do Canadá.  A paixão da minha vida.  I love you!

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DICA CULTURAL – “O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA”

22/12/2012

hobbit

Confesso, ao adentrar no cinema para assistir o filme “O Hobbit – Uma Jornada Inesperada” de Peter Jackson fiquei com o pé atrás.

Afinal de contas, todo o público já conhece o cenário e alguns personagens da marcante trilogia “O Senhor dos Anéis”. E de fato lá estão Gandalf, Frodo, Bilso Bolseiro…

Porém não se deixe enganar pelo fato de ser uma aventura retroativa. Nem pelo livro original de J.J. Tolkien ser bem mais infantil do que a trilogia do anel.

O Hobbit é um filmaço. O melhor do ano junto com “Intocáveis”. Um espetáculo visual monumental que enche os olhos e não deixa o espectador com a mínima vontade de ir rever a sua coleção de DVD´s dos primeiros três filmes da saga.

Filmado em 48 frames (quadros) por segundo, o espectador tem a impressão de estar dentro da Terra Média tal a precisão da espetacular fotografia da película.

A história demora um pouco para decolar. Os mais impacientes até esboçarão um leve bocejo, mas quando a coisa degringola você não consegue tirar os olhos da tela. É ação, humor e aventura do inicio ao fim. Vemos mais uma grande atuação de “Sir” Ian McKellen e dos personagens que fazem os anões. Além de Martin Freeman, excelente como Bilbo mais jovem.

Mas o momento chave do filme é a aparição de Gollum e o seu duelo psicológico com o personagem principal. Ainda insuperável, a criatura é o ser mais perfeito já produzido em computação gráfica na história do cinema. Fora a interpretação estupenda de Andy Serkis, que mesmo coberto pela tela verde faz um Gollum tenebroso e insano como nunca se vira na trilogia do “Senhor dos Anéis”. Você chega a sentir medo.

O espectador deixa o cinema com a sensação de “quero mais”. O filme é excelente e Peter Jackson de  novo acerta a mão, honrando todo o trabalho que ele já havia realizado anteriormente.

Impossível você sair do cinema sem cantar…

“ La longe nas frias montanhas sombrias,

até calabouços profundos e velhas cavernas…”

Ano que vem tem mais e esperamos ansiosamente 2013 acabar para vermos mais uma capítulo dessa nova saga.

Abençoado Peter Jackson.

RELATÓRIO MUNDIAL INTERCLUBES – PARTE 2

19/12/2012
Taça Intercontinental: a primeira disputa mundial entre clubes

Taça Intercontinental: a primeira disputa mundial entre clubes

Não demorou nem ao menos um dia.

A partir do momento em que Alessandro levantou a taça do bicampeonato mundial do Corinthians se reacendeu uma velha polêmica.

Mas como foi dito no post anterior sobre este assunto não vamos desmerecer títulos ou méritos de qualquer clube. Vamos simplesmente apresentar os fatos.

Impressionante como muitos torcedores e pasmem, até jornalistas usam e abusam de sofismas baratos.

Já levantamos o tema uma vez. Mas não custa nada retomá-lo novamente.

Em primeiro lugar tudo tem um início. Não se pode ignorar a história do futebol mundial.

Chamar a Copa Intercontinental de “Copa Jipe”, “Toyotão” e outros termos desqualificantes revelam ignorância, falta de bom senso e obscurantismo.

Afinal de contas a mesma chave ganha por Cássio no domingo passado foi dada a outros grandes campeões mundiais como Zico, Renato Gaúcho, Raí, Cerezo e Rogério Ceni.

Além disso perguntamos aos nobres torcedores qual o nome do estádio que o Corinthians jogou a primeira partida do Mundial Interclubes 2012? Estádio Toyota.

Grande ironia e santa hipocrisia. A mesma que abraça o oficialismo da Fifa em seus torneios mundiais e que rejeita os títulos nacionais do Santos e Palmeiras nos anos sessenta chancelados pela CBF há dois anos. Para o meu time é”oficial”, para os outros é “fax”. E durma-se com um ronco desses.

Zico, Renato, Raí, Cerezo, Ceni e Cássio: qual a diferença?

Zico, Renato, Raí, Cerezo, Ceni e Cássio: qual a diferença?

Não custa nada lembrar, a Copa Intercontinental foi criada para definir o melhor time do mundo na época. Anos sessenta, quando o poderio econômico e técnico do futebol estava restrito a América do Sul e Europa. Onde times da Ásia, África e Oceania não tinham desenvolvido um futebol competitivo o suficiente para fazer frente a grandes equipes dos dois tradicionais continentes. Por coincidência os únicos até agora que venceram a Copa do Mundo.

A Fifa não tinha dinheiro e nem capacidade de realizar um torneio e dar 1 milhão de reais ao medíocre Sanfrecce Hiroshima em caso de vitória numa partida de play-off como faz hoje. O mundo era outro. As circunstâncias eram diferentes.

A Copa Intercontinental nesse período foi o único torneio que definia o campeão do mundo de clubes. Bem mais tarde a Fifa assumiu as rédeas e incorporou o torneio ao seu Mundial em 2005, por coincidência com o mesmo patrocinador que galhofeiros desdenham.

Fifa que no guia oficial do Mundial Interclubes desse ano que mostra a história da Copa Intercontinental, seus respectivos campeões e como ela foi criada. O relatório cita todos os campeões e os resultados dessas partidas no seu guia oficial. Repito: guia oficial.

Se fosse mesmo um mero “amistoso” como muitos canibais da razão proferem, porque o torneio está citado no guia do Mundial Interclubes da entidade? Erro gráfico? Mera coincidência?

Quando fiz o primeiro post sobre o tema transbordaram acusações. Alguns me chamaram até de mentiroso por dizer que A Intercontinental tinha se fundido ao Mundial da Fifa.

Oras, então leia o relatório e inglês e observem bem o significa a palavra em inglês “merged”.

2005: a fusão.

2005: a fusão.

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Esclarecido?

Mas o pior dessas teorias oficialistas estapafúrdias é o total desprendimento em relação a história do futebol.

Fato gravíssimo. A Copa Intercontinental foi um dos torneios mais clássicos e emocionantes que o planeta já viu no esporte futebol. Desses campeões se consagraram timaços como o  Real Madrid de Puskas e Di Stéfano, Penarol de Spencer e Pedro Rocha, Santos de Pelé e Coutinho, Internazionale de Milão de Mazzola e Jair da Costa, Ajax de Cruyff e Neeskens, Bayer de Munique de Gerd Muller e Franz Beckenbauer e o Flamengo de Zico e Júnior.

Muitas dessas equipes se tornaram bases de seleções que se consagraram em Copas do Mundo como a Holanda e a Alemanha em 1974 além do Brasil de 1982.

Era  a época de ouro do futebol mundial. Nos anos 60, 70 e 80 o esporte viveu o seu apogeu técnico.  Nunca mais vimos tantas equipes de grande qualidade e  jogadores tão espetaculares. Hoje tudo se restringe a um feudo de equipes milionárias na Europa.  Nenhuma equipe brasileira que venceu o atual Mundial de Clubes passeou como o Milan em 2007 ou o Barcelona no ano passado.  Pelo contrário, ambos sofreram na primeira partida e depois derrotaram seus adversários europeus na decisão pelo mirrado placar de 1 x 0.  A diferença técnica hoje é abissal.

Alguns mentem descaradamente, desqualificando o torneio apenas pelo fato da nomenclatura “Intercontinental” não ser a mesma de “Mundial”. Como se houvesse alguma diferença relevante no termo. Na prática é a mesma coisa. O principal campeonato nacional brasileiro já se chamou Taça Brasil, Robertão, Taça de Ouro, Copa União e o vencedor sempre teve o status de campeão do país.

A grande maioria dos clubes que venceram a Taça Intercontinental se consideram campeões do mundo. Ao contrário do que muitos apregoam que o torneio é uma “invenção da imprensa brasileira”. Vamos ver alguns sites de clubes da Europa e América do Sul que argumentam claramente que a Taça Intercontinental é um torneio de cunho mundial.

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River Plate

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Borussia Dortmund

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Ajax Amsterdam

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Boca Juniors

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Nacional de Montevidéu

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Bayer de Munique

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Inter de Milão

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Já mostramos aqui o que grande parte da imprensa mundial pensa sobre o torneio. Porém é interessante saber o que pensam os jogadores a respeito da antiga competição.

Rabah Madjer foi um dos maiores ídolos da história do Futebol Clube do Porto. Os Dragões venceram o Peñarol do Uruguai debaixo de uma neve torrencial no dia 13 de dezembro de 1987 em Tóquio.

Interessante  o que ficou marcado na memória do artilheiro 25 anos depois e que foi tema de reportagem do site da Fifa.

Porto Campeão do Mundo

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Detalhe: Madjer é argelino. Poderia facilmente nem se importar com o fato do clube dele ter sido o primeiro ( e por enquanto único) time português a levantar um troféu mundial. Mas ele se considera campeão do mundo interclubes, assim como Pelé, Cruyff e tantos outros.  A tese de que o Intercontinental  é considerado um Mundial somente no Brasil cai fragorosamente por terra.

Muitos gostam de ver o passado com olhos do presente. Desconhecem que o antigo formato do Mundial Interclubes atraia um público consagrador, enchia estádios e arrebatava multidões.

200.000 pessoas no Maracanã para ver a partida Santos x Milan, numa das maiores partidas de um clube brasileiro em toda a história do futebol mundial.

Estádios como o San Siro, Santiafo Bernabeu, Centenário, El Cilindro, La Bombonera, Old Traford completamente abarrotados.

Mais de 170 países do mundo inteiro ligados na final das disputas mundiais no Japão.

Não se pode simplesmente ignorar os fatos.

São emoções reais, concretas vividas pelo torcedor e pelos atletas que suaram sangue, derramaram lágrimas e se doaram ferozmente e até exageradamente pela disputa desta taça. Alguém acredita que essas emoções irão morrer com o poder de uma canetada? Certamente que não.

Ninguém tem o direito de suprimir a real emoção do torcedor. Nem desmistificar a história atrás de uma poltrona acolchoada de um dirigente gagá e peidorreiro.

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Santos x Milan: quase 200.000 pessoas numa partida antológica

Santos x Milan em 1963: quase 200.000 pessoas numa partida antológica

A Fifa reconhece o título Intercontinental como um torneio mundial. A entidade chama a competição de torneio predecessor. Em outros termos, uma competição que já ocorria antes. Isso é claro em várias reportagens de seu site oficial na disputa dos mundiais patrocinados por ela desde 2005.

Vamos a alguns exemplos?

Em 2009 o Barcelona venceu o Estudiantes de La Plata por 2 x 1 e pela primeira vez em sua história se sagrou campeão mundial.

A Fifa poderia deixar passar que essa foi a primeira e única aventura da equipe catalã em um mundial de clubes, mas observem o que ela escreveu a respeito das primeiras tentativas do Barça em se tornar senhor do planeta.

Barcelona2009

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Pois é pessoal, título mundial. E o site coloca as derrotas do Barcelona em 1992 e em 2006 no mesmo patamar. Se fosse um mero “amistoso de luxo” como muitos transloucados afirmam porque ele foi citado no site?

Em 2010 a reportagem sobre a final entre Internazionale de Milão e Mazembe é bem esclarecedora.

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Interdemilão

Opa!. Não uma, nem duas, mas três conquistas. No site da Fifa!  E os próprios Nerazzurris se intitulam merecidamente como três vezes campeões do mundo.

Não é uma teoria infundada desse nobre escriba, mas é algo consagrado e repetido pela imprensa do mundo inteiro. Vejam o Olé da Argentina que cita todos os “campeones del mondo”. Repetindo “todos”.

http://www.ole.com.ar/futbol-internacional/campeones_0_829717255.html

A pergunta que fazemos a alguma pessoas é a seguinte. A imprensa  e os  torcedores do mundo inteiro estão errados? Fomos terrivelmente enganados ao longo desses anos?

Imprensa: relatando os fatos

Imprensa: relatando os fatos

Lógico que não. Se por um lado a Fifa decreta o oficialismo de seu torneio por outro a entidade consagra e cita constantemente a competição anterior. Uma relação dúbia e esquizofrênica bem típica da política  era Blatter, mas que nada altera a emoção de uma vitória e as lágrimas de uma derrota.

ZH - Gremio Campeao do Mundo 1983

A partida abaixo é a decisão por pênaltis do Mundial Interclubes de 1988 entre PSV Eindhoven e o Nacional de Montevidéu. Depois de um empate emocionante no tempo normal e na prorrogação por 2 x 2 vemos e sentimos a emoção dos 22 jogadores na derradeira decisão. Nervos a flor da pele e uma narração apaixonada e típica daqueles que aos poucos se sentem um pouco mais perto do paraíso, mesmo que por breves instantes.

 

Nacional Campeão do Mundo 1988

 

A alegria dos uruguaios e a lágrima derramada pelo arqueiro holandês Van Breukelen são a maior resposta a aqueles que insistem em passar uma borracha no passado ou fazerem piadinhas hipócritas e mentecaptas.

Alguns podem até tentar.

Mas jamais irão tirar a emoção daqueles que se sentiram o toque da glória dentro dos gramados num passado não muito distante.

A TERRA É DOS LOUCOS

16/12/2012
Alessandro levanta a taça: Corinthians bicampeão mundial

Alessandro levanta a taça: Corinthians bicampeão mundial

O Corinthians venceu o Chelsea de Londres por 1 x 0 e conquistou pela segunda vez o título de campeão do mundo.

O clube paulista entrou com a mesma garra e aplicação tática que o fez vencer a Libertadores no meio desse ano.

O time inglês, emergente no futebol internacional e recheado de estrelas sentiu o peso da camisa alvinegra e seus 20.000 torcedores que apoiaram o time nos 90 minutos. Uma demonstração de fé e adoração que o Mundial Interclubes nunca vira em sua história.

Como se esperara o Corinthians começou marcando a saída de bola inglesa. Os volantes azuis foram abafados pelo esquema de Tite, que deixaram a retaguarda inglesa livre para os contra ataques. Porém Emerson e Guerrero não estavam calibrados na pontaria. Tiveram boas chances mas desperdiçaram as oportunidades.

Ao Chelsea restou os lançamentos e as bolas altas e paradas. Num escanteio Cássio operou um milagre ao defender um chute dentro da área do zagueiro Cahil. Não seria a única intervenção do arqueiro alvinegro. Mais tarde o meio campista Moses acertou uma bola colocada, íntegra, quase fatal. Cássio pulou e defendeu milagrosamente a jogada trocando as mãos. O Chelsea pressionava, mas parava na aplicação do Corinthians e na noite feliz de seu guarda redes.

Cássio: gigante na decisão

Cássio: gigante na decisão

Na segunda etapa, o ímpeto e a disciplina do time corintiano continuaram firmes. Sem desespero, os alvinegros cadenciaram a bola, cortaram as principais armas inglesas e levaram o treinador Rafa Benitez ao desespero.

O Corinthians nascido em 1910 por um grupo de operários no Bom Retiro, sempre foi conhecido no mundo do futebol brasileiro por ser um time de raça, de superação em momentos difíceis como nos 23 anos de fila e o título paulista de 1977 feito por um gol de Basílio.

Hoje, no gelado estádio de Yokohama um atleta fez um gol histórico. Talvez o tento mais importante da história do clube. Seu nome resume bem o que representa toda a nação corintiana: Guerrero.

Numa jogada prensada, a bola subiu na cabeça do camisa nove corintiano e foi morrer nas redes de Peter Cech. Um gol chorado como é do feitio do clube mais popular de São Paulo e que mostrou toda a superioridade do time paulista dentro de campo. O esforçado e valente clube sul americano deixava o bilionário time do Chelsea de joelhos.

Rafa Benítez: incrédulo

Rafa Benítez: incrédulo

Rafa Benitez se desesperou de vez e cometeu o erro de colocar o mirrado e indeciso Oscar no lugar de Moses. O Corinthians passou a cadenciar o jogo e atuou de forma densa, tranquila, quase imperial. Os minutos passavam e o desespero dos “blues” aumentava.

As bolas altas passaram a ser a última e derradeira arma do esquadrão azul, mas a defesa e o meio campo corintianos tiravam todas com uma fibra impressionante. Chicão, Paulo André e Fábio Santos foram monstros na retaguarda do Parque São Jorge. Quase ao final da partida o consagrado centroavante Fernando Torres ficou de frente para o gigante de amarelo que defendeu a bola com os pés . Nenhuma  passaria mais.

O árbitro turco pede a bola, apita o final de jogo e milhões de corações corintianos explodem de alegria.

Corinthians bicampeão do mundo.

São Paulo vai ficar pequena para tanta festa.

Curiosidades –

– Desde que a Fifa voltou a patrocinar o Mundial em 2005 é a terceira vez que um clube brasileiro vence o torneio. E nas três vezes o placar foi de 1 x 0.

– Não é a primeira vez que um clube inglês perde por 1 x 0 com uma grande atuação do goleiro adversário tendo o espanhol  Benítez como treinador. Lembra de 2005 Rafa?

– O Corinthians quebrou um incômodo tabu de cinco anos. Desde 2006 um time da América do Sul não vencia um duelo contra os europeus. Agora contando todos os títulos do Mundial de Clubes desde os anos 60 o número de conquistas está empatad0. 26 taças para cada continente.

– Com a vitória corintiana o Brasil é o país que mais tem títulos mundiais interclubes. 10 no total.

O DIA QUE O SÃO PAULINO ALCANÇOU O CÉU

13/12/2012
São Paulo: título para a eternidade

São Paulo: título para a eternidade

Hoje, dia 13 de Dezembro de 2012 se comemora uma das partidas mais memoráveis da história do São Paulo Futebol Clube.

Vinte anos se passaram desde a conquista do primeiro título mundial. E vão passar quarenta, cinquenta, cem…

O fato é que esse momento vai ficar gravado na retina e no coração de cada são paulino para todo o sempre.

No dia 12 de Dezembro de 1992 foi o dia mais angustiante de minha vida. Na sexta mal havia dormido. No sábado a espera e a ansiedade eram monstruosas. Não conseguia parar em casa pela expectativa de ver o jogo final da Copa Intercontinental no estádio nacional de Tóquio.

Desde criança via grandes times vencerem mundiais por lá. Flamengo, Peñarol, Grêmio, Independiente, Juventus, River Plate, Milan. Mal acreditava que meu clube de coração estaria naquele mesmo palco glorioso daqui a algumas horas.

O São Paulo de Raí, Telê, Palhinha, Muller e Cafu. De Pintado, Ronaldão, Adílson, Ronaldo Luis, Vitor de da muralha Zetti. Prontos para disputar o derradeiro título. Um jogo que valeria uma via inteira para muitos daqueles atletas.

Time que já havia nos dado uma imensa alegria em 1991 quando finalmente venceu um campeonato brasileiro depois de duas derrotas em finais anteriores e um campeonato paulista em cima do maior rival. Que venceu uma Libertadores com coragem virando os olhos do mundo para o Brasil novamente.

Sim, no começo dos anos noventa o futebol brasileiro estava em baixa. Telê e seus comandados nos mostraram o caminho da esperança. De que poderíamos ganhar sim jogando o verdadeiro futebol brasileiro. Sem “overlapings”, líberos e esquemas táticos confusos realizados por treinadores medíocres e soberbos. Bastava jogar com a nossa verdadeira alma. Com talento, garra, técnica e superação.

As horas não passavam naquele maldito e ao mesmo tempo bendito sábado. Quanto mais tentava me acalmar, mais ficava nervoso. Quando chegou às 21 horas a Avenina Paulista já começava a ficar mobilizada por milhares de são paulinos. Rojões, gritos. O momento da decisão estava chegando.

Fui até o local mais charmoso da cidade e ali esperei quase tremendo pela expectativa. Precisava fazer algo para me acalmar. Até que vi no agora extinto cine Gazeta o cartaz do filme “Força em Alerta” com o brucutu Steven Seagal.

Era a deixa. “Vou me distrair e acabar com a porra da ansiedade até o jogo começar a meia noite”

Confesso que me diverti muito com as desventuras do personagem Casey Rayback e suas facas ginzu. Ajudou-me a relaxar e a colocar a cabeça nos trilhos. Quando o filme terminou desci as escadarias do prédio da Gazeta e vi um mar branco na minha frente. Parecia que a cidade inteira estava concentrada ali.

A partida estava quase começando. Havia decidido ver o jogo ali mesmo, mas a emoção era grande demais. Saí da Paulista e fui assistir a decisão em casa a poucas quadras da minha casa.

O pessoal em casa já estava dormindo, quase inertes ao que estava acontecendo na cidade. Nunca uma equipe da capital paulista havia decidido um título mundial interclubes desde então.

Ligo a tevê e assisto um dos jogos mais tensos e maravilhosos de minha vida. Logo aos doze minutos de partida, Stoichkov encobre Zetti e faz um golaço. Lembro das últimas duas decisões de mundiais em que Milan e Estrela Vermelha massacraram seus oponentes.

Outra vez?

O São Paulo defendendo a escola brasileira mostra que não. O tento catalão não abala a moral tricolor, que passa a tocar a bola e a criar várias chances de gol. Cafu e Ronaldo Luis levam perigo ao arco espanhol. Aos 27 minutos Muller entorna o lateral Ferrer e toca para a centro da área. Raí, num lance de oportunismo bate na bola que vai para dentro do gol de Zubizarreta.

A cidade explode. Quem estava dormindo acorda sob o barulho de rojões e gritos ensurdecedores. O sonho do título mundial se torna realidade. O São Paulo enfrentava o Barcelona de igual para igual. Não temia o “Dream Team” de Koeman e do treinador Cruyff. A partida era parelha e Muller quase aumentou o placar não fosse a presença do zagueiro adversário.

Mesma presença que teve o “anjo” Ronaldo Luís que tirou a bola enviada pelo atacante Beguiristain em cima da linha, quase no final do primeiro tempo aliviando o coração de milhões de são paulinos.

O segundo tempo prometia e os dois times continuaram a realizar uma grande partida. O São Paulo mortífero passou a dominar os contra ataques e preocupar a defesa catalã. O veterano Toninho Cerezo que foi um dos bodes expiatórios da tragédia de Sarriá na Copa de 1982 realizava uma partida primorosa com cadência e toques precisos explorando a velocidade do ataque tricolor.

Numa dessas decidas a defesa do Barcelona fez falta em Palhinha quase na entrada da área. Raí chega perto de Cafu e falam algo um para o outro. O vento bate forte no rosto do capitão tricolor e milhões de almas são paulinas esperam o desfecho da jogada.

Raí: gol antológico

Raí: gol antológico

Raí toca para o meio campista que para a esfera. O camisa 10 acerta uma das maiores faltas que o mundo já vira. A bola passa pela barreira e faz uma curva esplendorosa, mítica e inesquecível. Ao consagrado goleiro Zubizaretta não resta mais nada senão olhar a bola tocar a suas redes como num canto de sereia hipotizante e mortal.

A torcida tricolor alcança a estratosfera. Em poucos e preciosos segundos subimos aos céus numa mistura emocionante de fé e paixão. A Avenida Paulista e o resto da cidade se transforma num panteão de loucuras desenfreadas.

Gol! Gol! Gol! A pouco minutos de terminar o jogo.

O gigante europeu caiu. Desmoronou como um castelo de areia. Desnorteado, o Barcelona não representou mais perigo ao gol de Zetti. O São Paulo dominava a partida de vez e era o comandante supremo das ações. Não só do jogo, mas do planeta.

Na lateral de campo, o árbitro argentino Juan Carlos Loustau pede a bola. De novo subimos aos céus.

Lágrimas escorrem de nossos rostos. Nos penduramos nas janelas de nossos apartamentos e casas como loucos insanos.

A Avenida Paulista começa a comemorar antecipadamente os festejos de final de ano. Uma constelação de fogos, gritos emocionados, choros desenfreados por torcedores da nova e velha geração.

O São Paulo era campeão do mundo!

site da Fifa 20 anos depois: celebração

site da Fifa 20 anos depois: celebração

Telê e Cerezo se vingavam de 1982, não de maneira bruta e asquerosa como são comuns em todas as revanches, mas sim com amor e dedicação ao esporte. O futebol brasileiro voltava ao topo do mundo aos olhos de milhões de telespectadores.

Hoje vinte anos depois vemos o site oficial da Fifa relembrar a partida que estará para sempre dentro de nossa memória.

Um orgulho encrustado em cada coração de cinco pontas que nada e ninguém poderá nos tirar.

1992: o planeta é tricolor

1992: o planeta é tricolor

Parabéns Zetti, Vitor, Adílson, Ronaldão, Ronaldo Luís, Pintado, Muller, Cerezo, Palhinha, Raí e Cafu.

Parabéns Mestre Telê Santana onde quer que você esteja.

Mais que heróis vocês são a nossa alma.

Deuses para sempre da mitologia são paulina.

AGORA É PRA VALER

13/12/2012
Guerreiro: gol e sufoco nos segundo tempo

Guerreiro: gol e sufoco nos segundo tempo

Acabaram os “jogos treino”. No próximo domingo Corinthians e Chelsea decidirão o título mundial interclubes. O clube paulista lutará pelo bicampeonato. O time inglês tentará uma conquista inédita em sua história. A primeira de um clube da capital do país que inventou o futebol moderno.

Era a final que todos esperavam desde que o campeões da Champions League e da Libertadores de 2012 foram conhecidos.

Não ocorreu a “mazembada”. Mais uma vez Europa e América do Sul decidirão a hegemonia do futebol mundial. Desde que a Fifa assumiu as rédeas do torneio em 2000 é a oitava vez que esses continentes irão disputar a taça, quebrando a perna daqueles que achavam que a Copa Intercontinental não era um mundial por ser jogada apenas por “dois continentes”.

Se hoje, vemos atuações escabrosas de clubes como Auckland City e Pohang Steelers imagine no passado sem a devida profissionalização adequadas naqueles continentes. Zebras como o Mazembe ocorrem de dez em dez anos. Os resultados e as finais da Fifa desde 2000 falam por si.

O Corinthians enfrentou o Al Haly e tentou mostrar a mesma aplicação tática que consagrou o clube de Tite na Libertadores.

Exagerou na dose.

Depois de um razoável primeiro tempo e o gol do peruano Guerreiro o clube brasileiro recuou em demasia na segundo etapa. Tomou um sufoco desnecessário. Com a entrada do meia Aboutrika, o time egípcio por pouco não colocou água no chope corintiano, que se defendeu na base do chutão.

O Corinthians  tinha  potencial para jogar um melhor futebol, mas o peso da estreia e a tensão dos atletas brasileiros fizeram o clube ficar acuado. A sorte é que a pontaria dos africanos do norte não estava calibrada. Um 1 x 0 magro que leva o time do Parque São Jorge a sua segunda final de Mundial Interclubes. Mas com um gosto de que poderia ter jogado melhor.

juan mata comemora :vitória tranquila

Juan Mata comemora :vitória tranquila

Na outra chave o Chelsea não tomou conhecimento do Monterrey do México e venceu pelo tranquilo placar de 3 x 1. Se o time londrino não tivesse colocado um freio no meio do segundo tempo, o resultado poderia ser maior a favor da esquadra europeia. Os comandados de Rafa Benitez atuavam como num amistoso de luxo. Oscar comandou as principais descidas de ataque com passes precisos e restou ao artilheiro Fernando Torres e Juan Mata completarem o estrago na defesa centro americana. Chavez ainda marcou contra. Não foi dessa vez que um time mexicano chegou a final do Mundial Interclubes. O time inglês foi superior do início ao fim.

Sem surpresas Chelsea e Corinthians farão a final do Mundial. Agora sim, uma partida de verdade. Um pega para capar sem favoritos. O clube paulista com a força de seus jogadores e o apoio irrestrito de sua fanática torcida. O time londrino com o seu aparente favoritismo, seus atletas estrelados e os dólares de Roman Abramovic.

No domingo o mundo será azul ou preto e branco.

Simplesmente imperdível.

FALAR O QUE?

13/12/2012

arrregão

DENTRE OS GRANDES, ÉS O PRIMEIRO

13/12/2012
Lucas levanta a Copa Sul Americana: título inédito

Lucas levanta a Copa Sul Americana: título inédito

Quem acompanha o blog do Abdul desde 2009 sabe o quanto nós sofremos e “cornetamos” o São Paulo Futebol Clube desde esse período. Por coincidência foi a era da “ressaca “, do pós Hexa brasileiro e da formação de times medíocres dirigidos por treinadores igualmente medíocres. Vexames, sacanagens dos cartolas, alijamento do Morumbi na Copa, etc.

Parecia que a canoa estava afundando. Que a grandeza do mais querido estava superada e que viraria contos de um passado distante. Mas o tempo é o maior juiz.

Novamente subestimaram o tricolor do Morumbi.

Ontem no dia 12.12 de 2012 o São Paulo aumentou a galeria de troféus internacionais de sua história. Venceu o varzeano e catimbeiro Tigre da Argentina por 2 x 0 jogando um bom futebol. Toques rápidos, deslocamentos precisos e arrancadas fenomenais detonaram os catimbeiros. Em suma, futebol brasileiro na sua essência. Aos adversários restou a apelação. Como no primeiro jogo na Argentina, Lucas foi caçado em campo. Pontapés, cotoveladas, anuência do árbitro chileno… mas de nada adiantou os truques sujos da mequetrefe esquadra portenha.

O São Paulo estava escolado e não caiu na provocação. Realizou o que deveria ter feito em Buenos Aires: jogou bola e colocou os argentinos na roda. Lucas após uma linda jogada fez o primeiro e fez o abarrotado Morumbi explodir de alegria. Não contente o camisa sete tricolor ainda deu um passe magistral para Osvaldo tocar de leve para o gol de Albil  e aumentar o desespero dos argentinos.

O Tigre havia virado um gatinho sarnento. A partida terminara e se iniciaria uma das maiores vergonhas da história do futebol sul americano. Não contente em apanhar na bola, os atletas adversários criaram um tumulto na entrada dos vestiários. Sobraram agressões, pontapés e socos. A vergonha se estendeu até os corredores do Morumbi. Ameaças de invasão a vestiários, agressões e porradaria comendo solta.

Tigre: catimba e "arregada"

Tigre: catimba e “arregada”

O time argentino alegou falta de segurança e não quis voltar para jogar os segundo tempo. O juiz esperou o tempo necessário e apitou o final de jogo.

Depois de quatro anos o torcedor são paulino grita é campeão diante de 67.000 pagantes. O maior público brasileiro e também da América do Sul este ano.

Foi um ano de recuperação. De Luis Fabiano com seus gols importantes, apesar da besteirada final. De Jadson, “malhado” por muitos e que mostrou um grande futebol no segundo semestre. Da esforçada defesa com Tolói e Rodholfo. Do aguerrido meio campo de Wellington e Denílson. De Paulo Miranda, malhado e afastado pela diretoria que voltou aos braços do povo na lateral direita. De Cortez, simples e ao mesmo tempo audacioso. De Ney Franco que fez o São Paulo jogar com ousadia e talento, mas principalmente do mito Rogério Ceni e de Lucas.

Ceni, que atravessou uma contusão grave no ombro e que se esforçou ao máximo para voltar ao gol são paulino com seus quase quarenta anos e arrebatar mais um título. Lucas, que foi posto em dúvida muitas vezes e que este ano realizou a melhor temporada de sua carreira. Mesmo vendido ao Paris Saint Germain não fugiu das divididas. Pelo contrário jogou ainda mais e colocou o coração na frente da razão.

Mas o ano foi mesmo da torcida são paulina, tão caluniada por torcedores adversários por não ter um título “invicto” no primeiro semestre. Aos poucos, o torcedor respondeu com a sua fé e perseverança ao lotar o Morumbi mesmo em jogos menos importantes. Quebrou esteriótipos e  encheu o seu estádio calando a boca de muitos jornalistas-torcedores.

No final, o são paulino riu por último.  Qual clube brasileiro tem 12 títulos internacionais?

Resposta:Só o São Paulo

Parabéns tricolor paulista, amado clube brasileiro.

Tu és forte, tu és grande

Dentre os grandes, sempre foi e sempre será o primeiro.

O QUE REALMENTE IMPORTA

07/12/2012
Sanfrecce vence o Auckland: jogo chato

Sanfrecce vence o Auckland: jogo chato

Auckland City e Sanfrecce Hiroshima realizaram ontem a partida de estreia do Mundial Interclubes 2012.

O resultado não poderia ser outro. Num jogo fraco o campeão japonês venceu os pobres neozelandeses pelo mirrado placar de 1 x 0. Desde que a Fifa passou a comandar o mundial de clubes desse formato, nenhum clube da Oceania conseguiu passar do primeiro combate. Ou seja, os campeões desse continente vão para o Japão somente para passear.

Considero o atual sistema de tabela do mundial confuso e injusto. A regra de “playoff” ou  “mata único” provoca deformidades,  a ponto de duas equipes do mesmo continente se enfrentarem num duelo. Foi o que ocorreu no mundial de 2008 quando Adelaide United e Waitakere United estrearam no torneio. O time da Austrália nem deveria participar da competição, mas como o Gamba Osaka havia vencido o campeonato japonês e a Copa Asiática de Clubes campeões, o Adelaide entrou por ser o vice continental. Uma confusão que somente o próprio Blatter poderia explicar.

A culpa nesse caso é da própria Fifa que nunca deu uma vaga direta para a Oceania em Copas do Mundo, sempre deixando os “socceroos” na repescagem. Cansados, os australianos pediram para disputar as eliminatórias pela Ásia e incrivelmente a absurda proposta foi aceita. Vaga direta na Oceania na Copa do Mundo?

Não! Vamos colocá-los na Ásia! Genial!

Voltando ao Mundial Interclubes, a tabela é bem injusta com os chamados “times mais fracos da competição”. Uma bela hipocrisia, pois os cartolas da Fifa que defendem o Mundial ampliado colocam a equipes consideradas mais frágeis para disputar mais jogos e deixam os clubes da América do Sul e da Europa apenas na espera nas semifinais em chaves diferentes.

Vejam o absurdo. Se o Sanfrecce Hiroshima chegar até a final com o campeão europeu, o clube do sol nascente terá feito o dobro de partidas do Chelsea que jogará no máximo em duas pelejas. O mesmo vale para Monterrey do México e Ulsan Hyundai na Coréia do Sul.

Ambas essas equipes realizarão uma partida a mais do que Chelsea e Corinthians. Para quem gosta de promover a igualdade do futebol entre os povos, esse sistema é um belo atestado de hipocrisia.

Isso foi escrito no ano passado e não custa repeti-lo novamente. Esse chaveamento do “cartola  doido” da Fifa só deixa a competição mais chata e burocrática. Desde 2005  ele é injusto! Ponto!

O ideal é chamar somente os seis campeões continentais. Duas chaves com três equipes e com os campões europeus e sul americanos como cabeças. Todos se enfrentam e o campeões da chave fazem a final. Os vices disputam o terceiro lugar e o últimos de cada grupo competem pela quinta posição.

Três jogos iguais para cada um com a premiação financeira adequada para cada colocação.

Simples! Custa muito?

Afinal se o Monterrey pode disputar o Mundial com três jogos em quinze dias,  porque não Chelsea e Corinthians?

O sistema proposto traria mais competitividade ao torneio. Eliminaria desigualdades e elevaria levemente o nível técnico do Mundial. Mas a Fifa, burocrática como é  prefere tomar decisões esdrúxulas como eliminar a morte súbita na prorrogação e instalar um sistema eletrônico caríssimo, quando se pode usar perfeitamente a televisão para tratar de lances polêmicos. Ô entidade complicada!

Pelos chaveamentos propostos será batata que Chelsea e Corinthians são os favoritos para a final. Alguém tem alguma dúvida? Só uma tragédia tira os dois times da decisão em Yokohama. Só gostaríamos que esse atual Mundial da Fifa fosse um pouquinho mais disputado e emocionante.

Nessa semana veremos uma série de jogos treinos, antes de assistirmos a partida que realmente interessa.

MOLEQUE!

06/12/2012
Luis Fabiano: atitude irresponsável

Luis Fabiano: atitude irresponsável

O São Paulo empatou com o Tigre no estádio La Bombonera pela primeira partida final da Copa Sul Americana.

O jogo em si foi horrível para os dois lados. Apesar do aparente domínio de bola são paulino no primeiro tempo, o clube brasileiro não conseguiu traduzi-lo em gols. O arqueiro Albil só sujou a camisa uma vez num chute de Luis Fabiano após uma bela assistência de Jadson.

Mas o principal destaque na partida não foi a bola e sim o centroavante do tricolor paulista.

Luis Fabiano é um caso a parte. Depois de aprontar poucas e boas em momentos decisivos no São Paulo o centroavante “chuta o balde” e mais uma vez abandona o time em momentos decisivos.

Foi assim na semifinal da Copa Sul Americana em 2003 quando o futebolista distribuiu rabos de arraia nos argentinos do River Plate sendo expulso logo depois. No Sevilha também já deixou a sua marca de esquentadinho.

O jogador também ficou de fora da semifinal decisiva contra o Santos pelo campeonato paulista  após tomar cartões amarelos bobos. Fez falta ao time e Neymar deitou e rolou. A referência havia desaparecido.

Ontem, o Tigre, catimbeiro como todo clube argentino que se preze foi na ferida. Provocou e espezinhou o centroavante sabendo do passado histórico do atleta e não demorou nem treze minutos para que Luis Fabiano fosse mandado para o chuveiro. Patético.

Não se discute aqui as qualidades do atacante e sim a sua personalidade infantil. Um atleta experiente, que atuou no exterior e também em Copa do Mundo jamais poderia ter um descontrole como aquele. Prejudicou a sua equipe e também estragou toda a confiança que parte da torcida tinha adquirido por ele.

O próprio Luis Fabiano se dizia um cara mais amadurecido. Ganhou até a faixa de capitão. Mas agora vemos que ele não aprendeu nada. Continua o mesmo porra louca de sempre e novamente deixou seus companheiros na mão.

Lucas e Oswaldo apanharam mais do que Chael Sonnen com a anuência do péssimo árbitro paraguaio Antonio Arias. Aliás a arbitragem dessa Copa Sul Americana é um verdadeiro lixo. Os jogadores batem a revelia e nem levam um mísero cartão amarelo. Foi assim nos dois jogos da semifinal com a Católica e agora na primeira partida da final. Lembra a Libertadores dos “velhos tempos”. Mesmo assim Lucas, bem mais novo que Luis Fabiano não revidou. Fica o exemplo. Não basta apenas jogar bola, tem que ter cabeça e preparo psicológico também.

Contra argentinos a situação é difícil até se um clube profissional brasileiro jogar contra um time portenho da várzea. Já cansamos de ver equipes inferiores tecnicamente aos brasucas vencerem finais continentais pelo lado psicológico. Eles repetem a fórmula por décadas e quase sempre dá certo.

Mesmo tendo um time muito melhor que o Tigre, a expulsão de Luis Fabiano igualou a partida para o lado dos “hermanos”. Por muitas vezes o São Paulo foi pressionado na bola parada. Houve falhas e Lucas e Oswaldo ficaram isolados na frente. Era tudo que eles queriam.

Parabéns “Fabuloso”. Sua molecagem pode ter custado caro.

Apesar do jogo decisivo ser em casa, não teremos mais um senhor centroavante na linha de frente. Sobra o sub 20 Ademílson e o quase santista William José.

“Pipoqueiro”? Não, apenas irresponsável.