BOLSA FUTEBOL

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O patrocínio de R$ 30 milhões de reais da Caixa Econômica Federal ao Corinthians gerou a revolta de muitos e principalmente de torcedores adversários que não viram seus respectivos times serem agraciados com o “mesadão” governamental.

O fato do Corinthians ter ganho um estádio de graça da prefeitura e do governo federal para a Copa do Mundo de 2014 somente piorou a visão daqueles que já consideraram o clube paulista o time do “Establishment” governamental. O ex-presidente corintiano Andrés Sanchez é filiado ao partido dos trabalhadores e tem corredores livres até o ex-presidente Lula, que apesar de hoje ser um mero civil, ainda tem muita influência política.

Mas o privilégio do Corinthians não é o único dentro da história do futebol brasileiro.

Vários outros clubes já ganharam a sua graninha apoiados pelo poder público. Algo que numa sociedade dita capitalista é algo bem contraditório.

Palmeiras e São Paulo tem seus CTS construídos em terrenos da prefeitura na Barra Funda em troca de permutas. Não pagaram nada por eles.

O São Paulo recebeu milhões de reais de uma lei de incentivo fiscal para melhorias no seu Centro de Treinamento de Cotia.

Ok, se tratava de uma lei federal e o tricolor paulista soube aproveitar dela muito bem, mas isso não deixa de ser dinheiro de nossos impostos.

O Flamengo foi patrocinado em quase duas décadas por uma empresa petrolífera estatal. O Vasco da Gama também ostenta em sua camisa uma companhia de energia pública em troca de generosos milhões de reais.

Internacional e Atlético Paranaense estão reformando os seus estádios para a Copa com a ajuda do BNDES. Um banco estatal.

Isso sem contar o benefício que todas as agremiações recebem da Timemania, loteria criada pelo governo para que os clubes paguem as suas enormes dívidas trabalhistas. Um achincalhe, pois na opinião governamental temos que financiar a roubalheira que os corruptos cartolas do futebol brasileiro cometeram em seus times.

Se um dirigente de futebol deixa enormes dívidas para comprar um iate ou um apartamento da Barra da Tijuca ele deveria ser preso e não ser auxiliado com dinheiro de nossos impostos.

Mas a presidente da República homologou o substitutivo da Lei Pelé que exime os cartolas da responsabilidade financeira de seus clubes. Agora pensam em criar a Timemania 2, já que a primeira foi um fracasso comercial.

Curioso… são os mesmos clubes que se dizem privados e que escondem balancetes anuais. Mas no apagar das luzes adoram receber dinheiro do governo. De que lado estão nossas autoridades?

O poder público deve zelar pelo “pão e circo” ou ajudar a população? Pelo jeito a primeira opção é a preferida, pois dão mais votos.

A cara de pau dos dirigentes é colossal. Em países sérios muitos desses times seriam enquadrados e não participariam de campeonatos até pagarem as suas dívidas. Muito menos receberiam qualquer benefício público sem antes serem duramente fiscalizados por órgãos governamentais.

Mas estamos no Brasil. O país do “jeitinho”. As leis não foram feitas para beneficiar o esporte em si diretamente, mas para ajudar o patrimônio privado dos clubes de futebol. Uma vergonha.

Nesse caso, ninguém é “inocente ou santo”. Todos os times de uma certa maneira ou outra já tiraram proveito do governo. Muitos jornalistas e torcedores tentam apaziguar essas vantagens indevidas mostrando os erros do passado de outras agremiações. Como se uma coisa justificasse a outra. Na verdade todos estão errados e continuam a proferir mau caratismo.

Afinal vivemos numa sociedade capitalista, os clubes são privados e dois mais dois são igual a quatro. Mas na visão distorcida de muitos cartolas a soma é igual a cinco.

No final quem sai perdendo somos nós com hospitais de péssima qualidade e escolas públicas putrefatas com professores desmotivados. Os dirigentes continuam a gastar milhões em maus investimentos e também em benefício pessoal para depois pedirem dinheiro com o pires na mão como se fossem clubes miseráveis da terceira divisão. Coitadinhos…

O futebol é privado, feito por clubes privados. Pela lógica de mercado deveriam procurar empresas privadas para financiarem os seus times. Quando o governo auxilia mandatários incompetentes e clubes de futebol com dinheiro, leis e outros benefícios eles só encobrem a bandalheira e atrapalham o próprio desenvolvimento do futebol. O cartola podre continua a roubar o clube e sua ingerência não é percebida pelo torcedor, financiado pelos milhões de reais do estado. Um círculo vicioso que não tem fim e que os políticos mentecaptos insistem em perpetuar. Uma aberração.

4 Respostas to “BOLSA FUTEBOL”

  1. Robson Rogerio Says:

    Pois é, e teve jornalista por aí justificando que a CEF apesar de ser um banco estatal, precisa se promover e concorrer com bancos privados, e citando para comparação, o BMG que tem ligação com o valerioduto.
    Pois então que vá se promover de outra forma, fique longe do futebol, e principalmente do time do “presidente”.

  2. Marcelo Abdul Says:

    Concorrêcia é uma bela desculpa. Existem outras formas mais simples de concorrer com um banco privado como por exemplo baixar as taxas de juros. Você já viu o Bradesco ou o Itaú patrocinarem um time de futebol diretamente? Por que será? Mas o Banco do Brasil financia atletas olímpicos. Bradesco e Itaú no máximo fazem propagandas bonitinhas. Então essa “concorrência” com bancos privados é papo furado.

  3. guina Says:

    Roubado agora!@ Brilhante

  4. Marcelo Abdul Says:

    Opa. Pelo menos não é dinheiro público “roubado”..rsss. Valeu Parceiro.

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