Archive for outubro \31\UTC 2012

AS ´COISAS-ZUMBIS´ TEM VIDA PRÓPRIA

31/10/2012

Reproduzo aqui a espetacular coluna  de Arnaldo Jabor no dia 15 de maio de  2012.

Um belo resumo das nossas  expectativa e das desilusões dessas duas primeiras décadas do novo século.  Confiram.

Arnaldo Jabor – O Estado de São Paulo

Antigamente tínhamos um norte, ilusório ou não. Hoje, vivemos numa permanente incerteza que tentamos deslindar com mecanismos antigos. O colunista ou comentarista se empoleira num pódio de opiniões e fica deitando regras. Como eu, hoje em crise.

E aí? Qual é essa de um sujeito ficar dizendo o que acha certo ou errado na Paisagem? Fico falando na TV,escrevendo nos jornais, tentando ser relevante, tentando salvar alguma coisa que nem sei o que é. Salvar o quê?

Antigamente, era mole. O mal era o capitalismo e o bem era o socialismo. Agora,os intelectuais, caridosos de carteirinha, cafetões da miséria, santos oportunistas estão em pânico, pois não conseguem pensar sem almejar alguma forma de ‘totalidade’.

Mas,isso acabou. As coisas estão controlando os homens. As coisas tomaram o poder e nós, seus escravos, criamos nomes: ‘neoliberalismo, esquerdismo, nacionalismo’, um reducionismo apressado para nos dar a ilusão de controle. Mas, hoje, a marcha das coisas zumbis já começou.

Diante dessa invasão dos vampiros de mercado e da tecnociência incontrolável, o pensamento ‘progressista’ ficou lamentoso, tristinho de tanto absurdo, tanto na guerra internacional como no caos brasileiro. De que adiantam os queixumes?Como falar em democracia com muçulmanos analfabetos que desde o século 8.º batem a cabeça nas pedras para exorcizar qualquer ‘perigo’de liberdade, repetindo mantras do Corão, enquanto, do outro lado, os caretas republicanos competem para ver quem é mais reacionário e escolhem esse Romney a repetir mantras da Bíblia fundamentalista? É terrível ver a vitória das religiões sobre a razão, é feio ver o século 21 começando na Idade Média, com bilhões de seres dominados por Alá, combatidos pelo Deus da indústria de armas.O homem bomba matou o Eu.

Surge no horizonte da crise uma nova ‘razão irracional’ (se é que o oximoro é possível), pois vemos a direita crescer no mundo, junto a uma esquerda cada vez mais neoestalinista, uma razão burra e organizada, fascistoide, principalmente na América Latina.

O problema é que não conseguimos abrir mão do “eu”, do desejo de ser um profeta ou professor ou comandante, tanto no pensamento, na política e nas artes.E,no entanto,vemos que o mundo se move como uma máquina própria.Os indivíduos viraram apenas uma peça ínfima que às vezes dispara novas rotas para as catástrofes. O “eu” virou um privilégio para poucos. Hitler foi um “eu” que encarnou o rancor nacional da Alemanha. Décadas depois, Osama foi um novo “eu” para atacar a modernização do Ocidente, supremo pavor (e desejo) do Islã. Do outro lado, Bush arrasou a América e o mundo. Dois psicopatas mudaram o tempo. Achávamos que tudo se moveria pelas grandes forças socioeconômicas e acabamos mudados por um maluco religioso e um imbecil alcoólatra.O mal difuso elege apenas seus operadores.

E no meio,entreoindivíduoeamassa, respira a liberdade como um bicho sem dono, a ‘liberdade’ – essa coisa que nos provoca tanta angústia. Que liberdade? Contra um mal teórico ou a favor de um bem inapreensível? A único consolo que resta ao “eu” é o narcisismo como moda social, a acumulação de riquezas, charmes e ilusões. É o nascimento do eu-boçal. Seria o eu-burguês, ou eu-Miami. Ou então, o ‘eu’ como uma espécie de prêmio para quem furar o muro do anonimato, para quem conseguir criar um eu fantasioso, um eu excêntrico, um eu que mostra a bunda,um eu de silicone ou um eu-big brother. O indivíduo está cada vez mais ridículo.

Quem fala debaixo dessas duas letrinhas: o “Eu”? Quem foi que inventou essa voz, esse brado que soa de dentro de um organismo, a partir do qual o mundo é contemplado, o que é essa voz cheia de certezas, quem são esses corpos opinativos que se pensam diferentes, mas são produzidos em série? Eles pensam:” Eu quero ser inconformista como todo mundo…” O eu dos intelectuais está humilhado…

Há um grande desânimo de pensar, de escrever,de análises sobre algo morto e inevitável e que já foi decidido. Refletir, fazer obras de arte, pra Quê? Sem alguma esperança não há filosofia.

O eu está sem orgulho, inútil. E aí,volta minha crise do início deste artigo deprimido (quem aguentou ler até agora?): como analisar racionalmente um país num tempo em que ninguém comanda? Não dá. Tenho de utilizar novos conceitos para isso. Tenho de me conformar que não há mais solução para muitos problemas. Nem para o terrorismo,nem para a miséria e seus crimes. Nem na guerra, nem no tráfico de São Paulo, por exemplo. Está tudo incorporado ao arquivo morto da História.Acabou o sonho de um futuro harmônico. O século 21 vai ser uma bosta mesmo.

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MENSALÃO – UMA HISTÓRIA

30/10/2012

Um belo resumo de um dos maiores crimes da história da República brasileira. Tudo fazia parte de um esquema de poder do PT para que futuramente o Ministro Chefe da Casa Civil José Dirceu fosse o sucessor de Lula.

Sim caros colegas, agradeçam ao vídeo vazado do funcionário dos correios recebendo propina. Não fosse ele o presidente hoje se chamaria José Dirceu e não Dilma Rousseff.   Vejam como os caciques do Partido dos Trabalhadores como José Genuíno tratam a imprensa com truculência. O mesmo tipo de tratamento autoritário que governos populistas marombeiros da Argentina, Bolívia e Venezuela  adoram usar.

Curiosamente era o mesmo Genuíno que adorava falar nos microfones para dar uma declaração contra o governo de Sarney e Fernando Henrique.  Hoje,  ele critica a mesma imprensa que alavancou a sua vida política e que o levou para a disputa do segundo turno ao governo do estado.

No entanto, o que mais espanta é constatar  que a população ainda continua a votar nesses elementos. O PT é o lobo travestido de ovelha. Um partido dito de esquerda com os piores defeitos que uma ideologia como essa pode proporcionar. Seus chefes, são mais capitalistas e ambiciosos do que um mega latifundário. Mas  o pior é que eles enriquecem com o dinheiro de nossos impostos. Votou no PT? Agora aguenta tovarich!

ADEUS JT

30/10/2012

fim do JT: edições inesquecíveis

Com muita tristeza li a notícia que o grupo Estado anunciou a última edição do histórico “Jornal da Tarde” para esta quarta-feira. O periódico será extinto e será feita uma remodelação e ajustes no Jornal “O Estado de São Paulo”, principal carro chefe do grupo. O famoso “Jornal do Carro” será publicado agora no Estadão.

Idealizado por Mino Carta que agora comanda a pavorosa revista “Carta Capital”, o Jornal da Tarde propôs uma linguagem menos coloquial e mais dinâmica, com capas irreverentes e sensacionais.

Quem não se lembra da famosa e premiada foto do choro do garoto no estádio Sarriá quando o Brasil perdeu da Itália em 1982? E da divertida capa de Jânio Quadros após o ex-presidente das república ter sido eleito prefeito de São Paulo em 1985, depois de uma virada histórica sobre Fernando Henrique Cardoso?

Mafuf como governador biônico em 78 : previsão certeira

O JT sempre foi o meu jornal de cabeceira. Uma grande referência para muitas pessoas que não suportam as longas dissertações de alguns jornais como a Folha de São Paulo e até o Estadão.

Agora ficamos órfãos.

Com a vinda da internet e de uma comunicação mais ágil de celulares e tablets, a permanência do Jornal da Tarde foi colocada em cheque. O mundo mudou. As pessoas não compram mais jornal impresso. Pais lêem notícias de seus aparelhos carregando os seus filhos no colo em vários lugares diferentes.

Diretas: cobertura histórica

A modernidade tão presente no JT foi a principal causa da sua extinção. Só espero que no futuro, o grupo Estado mude de ideia e retorne com o periódico pelo menos numa edição online como o Jornal do Brasil do Rio de Janeiro. Adaptação é a chave.

a eleição de Jânio em 85: humor presente

Muito obrigado por tudo repórteres e editores do Jornal da Tarde.

O jornalismo brasileiro vai se tornar mais chato e macambúzio sem vocês.

SEMANA PARA SÃO PAULINO TORRAR O SALÁRIO

29/10/2012

O São Paulo caminha firme na disputa de uma das vagas da Pré-Libertadores pelo campeonato brasileiro. Pela Copa Sul Americana conseguiu chegar às quartas de final depois de um empate suado contra o LDU genérico do Equador.

À partir da próxima semana o torcedor são paulino vai ter que preparar a carteira. Vem aí duas partidas de arrepiar o cabelo do sovaco.

O São Paulo vai enfrentar o líder Fluminense no Morumbi. O clube carioca, virtual tetracampeão brasileiro em virtude de sua excelente campanha tem um elenco forte, com nomes como Fred, Deco ,o espetacular goleiro Diego Cavalieri, além da maior revelação do campeonato brasileiro deste ano, Wellington Nem.

O São Paulo com Luis Fabiano, Lucas e Rogério Ceni faz uma boa campanha no torneio nacional.  O clube paulista tem boas chances de  se classificar para a Pré-Libertadores e chegar entre os quatro primeiros.

Uma grande partida. Talvez a maior prova de fogo do tricolor das laranjeiras. Se a equipe de Abel Braga vencer o São Paulo fora de casa estará com uma mão na taça. Mas se o tricolor paulista vencer vai colocar água no chope do adversário exatamente como o Fluminense fez em 2008 quando empatou com o São Paulo no Morumbi, adiando o Hexa Brasileiro para a cidade de Brasília na rodada seguinte.

Em suma um jogaço que promete.

Na quarta-feira seguinte, o São Paulo recebe a Universidad do Chile pelo jogo de volta da Copa Sul Americana no Pacaembu. O conhecido time da “La U” é o último campeão do torneio. Comandados pelo visionário Jorge Sampaoli, a Universidad mostrou o futebol mais vistoso da América do Sul no ano passado. Apesar de não contar mais com o brilhante atacante Vargas e outros jogadores de 2011, a partida terá muitos atrativos pelo clube chileno ter um esquema mais ofensivo, diferente de muitas outras equipes do cone Sul.

Outra novidade é a volta do tricolor paulista ao Pacaembu. Palco de muitas glórias do São Paulo Futebol Clube. Apesar do radicalismo dos torcedores mais fanáticos, o Pacaembu não é apenas o local do Corinthians e sim de vários times da capital do estado. O tricolor é um dos maiores vencedores do estádio. Corinthians, Palmeiras, Santos, Portuguesa e até o São Caetano tem histórias de glórias no estádio mais charmoso da cidade.

Portanto vai ser muito bom ver o São Paulo atuar novamente no lugar onde se tem o nome de um ex-presidente são paulino. Fora as facilidades de localização e transporte para a torcida. Chega de atuar na grotesca Arena Barueri e ficar preso no congestionamento da Castelo Branco além de pagar um polpudo pedágio.

Semana que vem é hora do torcedor são paulino tirar o escorpião do bolso e torrar o salário. Adiar a festa do Fluminense e ir para a semifinal da Copa Sul Americana são dois grandes atrativos não só para os adeptos do tricolor mais querido do planeta, mas também das pessoas que adoram ver um bom futebol.

SÃO PAULO – O PIOR COLÉGIO ELEITORAL DO BRASIL

29/10/2012

“Entra Fernando e sai Fernando e quem paga é o povo, que pela falta de cultura vota nele de novo”.

Planet Hemp

 

 

 

Quero agradecer imensamente aos eleitores da cidade de São Paulo.

Sadomasoquistas que são, os paulistanos elegeram o pau mandado do Lula para a prefeitura de São Paulo nos próximos quatro anos.

Não aprenderam a lição depois de colocaram na prefeitura figuras grotescas como Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy e Gilberto Kassab.

Além de elegerem na câmara dos deputados elementos como o palhaço Tiririca e Valdemar da Costa Neto..

Não vou discutir os méritos ou defeitos dos candidatos, mas a eleição paulistana deste ano provou que o Brasil vai demorar muito para se livrar de lixos e porcarias que prometem grandes realizações a cada quatro anos e na verdade são estercos que frequentam a mesma privada.

Tanto faz PT, PSDB, PMDB, PTT do G…

São todos iguais na sua essência. Partidos que na verdade querem ganhar poder, comissionar e apadrinhar cargos e que pouco conhecem as reais necessidades da população.

Mas esse é o Brasil. Um país que se mobiliza para saber quem matou o Max na novela e que pouco se importa com o julgamento do Mensalão. Em política apertam o botãozinho do “foda-se” e tanto faz. Lá vamos nós nesse círculo imbecil interminável de PSDB e PT que detona a maior cidade da América Latina.

Vamos acreditar na ilusões baratas e na demagogia exacerbada, no populismo vagabundo e nas promessas vazias.

Vamos nos matar nas ruas num trânsito infernal e botar fé que um homem possa mudar isso num passe de mágica como um Harry Potter transloucado. Um messias delirante movido a ideologias ultrapassadas do século dezenove apoiado por um político procurado pela Interpol.

O Brasil ainda precisa amadurecer muito politicamente.

Parabéns “povo de São Paulo”. O pior colégio eleitoral do país disparado.

CLAP! CLAP! CLAP! CLAP!

OS ESTADUAIS FALIRAM

26/10/2012

Marin e Marco Polo: coluio e calendário bagunçado

Há anos se discute o mau gerenciamento da CBF no calendário do futebol brasileiro. Os jogos da seleção  fora das datas Fifa e a ida constante de jogadores para partidas “monumentais” contra seleções do Gabão e China, desfalcam os clubes, desgastam os atletas e prejudicam o andamento técnico do próprio torneio organizado pela entidade. A CBF atua contra o seu próprio produto.

Tudo isso para favorecer os seus pares nas federações estaduais. Ontem o Conselho Arbitral da Federação Paulista decidiu que campeonato paulista terá quatro meses de duração. A competição se inicia em janeiro e terminará no mês de maio.

Infelizmente somente a cartolada ainda não percebeu que os campeonatos estaduais são torneios que perderam o seu velho prestígio ao longo dos anos.

O mundo mudou, o país também. Se as dimensões continentais do Brasil favoreciam a disputa de torneios regionais no passado, hoje com toda a modernidade, tecnologia e desenvolvimento que a nação teve, outros torneios como a Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores e Sul Americana dão mais prestígio aos clubes e satisfação às suas torcidas.

Os campeonatos estaduais devem continuar, mas não no formato de hoje. Melhor seria se tivessem no máximo um ou dois meses de duração, com torneios e grupos eliminatórios estilo Copa do Mundo. Assim sobrariam mais datas para que a CBF ajustasse os amistosos da seleção em jogos Fifa e pudesse paralisar o campeonato brasileiro sem prejudicar os clubes nacionais que cedem atletas ao selecionado canarinho.

O que se fez com o Santos Futebol Clube foi um crime. O alvinegro da Vila Belmiro paga milhões para Neymar atuar com a camisa do peixe. No entanto, o atleta joga pouco pelo seu clube para atuar na seleção brasileira. Esse ano, entre amistosos, treinos e torneios como a Olimpíada, o camisa onze deixou de participar de partidas importantes pelo Santos. Resultado, o time perdeu fôlego e o principal atleta do Brasil na atualidade não conseguiu render cem por cento.

Esse ano vimos um Neymar totalmente extenuado na Libertadores e na reta final de campeonato brasileiro. O Santos saiu prejudicado. Outros clubes como o São Paulo sentem a falta de rendimento de Lucas. Tudo pela temporada estafante e mal planejada pela CBF que em coluio com as federações estaduais permitem que um torneio regional tenha quatro meses de duração.

Hoje os campeonatos estaduais estão falidos, sem exceção. Se antes muitos times preferiam ganhar o campeonato paulista do que vencer a Libertadores, hoje a situação é totalmente inversa.

As equipes do interior de São Paulo viraram verdadeiros “clubes sanguessugas”. Dependem da renda de dois jogos em casa contra os times grandes para bancar os seus elencos durante um semestre. Majoram absurdamente o preço dos ingressos quando jogam contra Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos.

No entanto quando jogam entre si os clubes chamados “caipiras” não levam nem 2000 pessoas aos seus estádios, mesmo com o preço normalizado.

No Rio de Janeiro um modelo bem sucedido e curto de disputa do estadual acaba de ser alterado pela Federação Carioca. Além de mais datas, o campeonato carioca inchou.

É a falência total do modelo atual dos torneios regionais. Não adianta forçar a barra. Os campeonatos estaduais estão falidos. Somente as federações não aceitam o fato. São teimosas e intransigentes. Tempos gloriosos do passado não irão mais voltar.

Vinte e três datas com partidas contra times como Penapolense,Olaria,e Atlético Sorocaba é perda de tempo e dinheiro. Os clubes grandes do Brasil pagam para jogar as competições estaduais porque a torcida não vai assistir jogos de baixo nível técnico. O borderô das equipes ficam zeradas.

Embora todos esses problemas sejam mostrados os campeonatos estaduais nesse formato longo vão continuar por muito tempo. A estrutura viciada do futebol brasileiro não permite mudanças radicais e os clubes morrem de medo de romper com os cartolas, desunidos e incompetentes que são.

Por incrível que pareça a Federação Paulista paga muito melhor os seus times do que a Conmebol. Enquanto isso não se alterar, a situação permanecerá a mesma, pois no futebol quem manda é o dinheiro. Se Nicolas Leoz tirar o escorpião do bolso, quem sabe.

Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol agora tem mais prestígio que nunca. Além de ocupar a vice presidência da CBF, o mandatário ainda ganhou o cargo de membro executivo da Fifa. É o sucessor natural de José Maria Marin no comando do futebol brasileiro. O dirigente ganhou mais poder com a renúncia de Ricardo Teixeira.

Como se vê a questão ainda está longe de terminar e vai piorar ainda mais com a Copa do Brasil estendida para o ano todo em 2013, com Libertadores, Brasileiro e Sul Americana.

Enfim, no futebol brasileiro não há nada ruim que não possa piorar.

O ÚLTIMO RESQUÍCIO DA DITADURA

24/10/2012

 

Depois de vinte anos de um regime autoritário e sangrento, o regime militar se findou no ano de 1985 com a eleição indireta do civil Tancredo Neves para a presidência da república. Muitas instituições viciadas pelos anos de chumbo e pelos carimbos de censores demoraram anos para se recuperar como o cinema, teatro e outras manifestações culturais. Hoje, elas deram a volta por cima e respiram os ares da livre expressão.

No entanto, uma instituição resiste aos ventos do tempo e mantém resquícios muitos fortes de características despóticas adquiridos durante o regime de 1964. Essa instituição infelizmente é o esporte mais amado pelos brasileiros: o futebol.

A maior paixão nacional hoje mantém atos imperiosos, paternalistas e ditatoriais. Em quase 35 anos da abertura democrática brasileira os atletas se mantem mais alienados que nunca. O sindicato de jogadores tem uma participação quase que irrisória nas grandes questões que envolvem o esporte bretão.

Futebolistas de grande prestígio são obrigados a fazer verdadeira maratonas entre a seleção brasileira e seus clubes, com direito a jatinho para chegar rapidamente aos jogos e se desgastar desnecessariamente por causa de amistosos contra as seleções do Azerbaidjão ou de Madagascar.

No entanto, os jogadores, principais interessados nessa questão não se manifestam. Eles tem medo de serem punidos e discriminados pelos seus clubes. A escala sobe. Os times morrem de medo dos presidentes de federações estaduais até chegar no topo da pirâmide representado pela CBF.

CBF liderada hoje por José Maria Marin, um ex-político ligado a extinta Arena, partido que sustentou a democracia de araque da ditadura militar por anos. Em outras federações estaduais não será difícil encontrar figuras ligadas a uma permanência quase infinita no poder.

O regime do futebol brasileiro é ditatorial como no governo iniciado pelo general Castelo Branco. Os jogadores não tem direito ao voto. Estatutos e leis são descumpridos nas eleições e dão mais poder às esclerosadas federações estaduais que os clubes. A democracia passa longe da sede da Confederação Brasileira. Velhos e caducos vícios se mantém num círculo pedante e interminável.

Para piorar existe ainda o STJD. Um tribunal que julga as mais insanas punições e que agora quer restringir o direito constitucional da livre manifestação e do pensamento. No último domingo a irônica torcida do Atlético Mineiro fez um mosaico com as cores do Fluminense escrito CBF de cabeça para baixo.

A manifestação original e bem humorada foi um protesto pelas seguidas falhas de arbitragem que ajudaram o time carioca a se manter na liderança da competição. No entanto o procurador do STJD Paulo Schmitt, não enxergou com bons olhos o recado da torcida do Galo. Denunciou o ocorrido e quer a interdição do estádio Independência.

Um ato indecoroso, totalmente descabível num país dito democrático. Nenhum esporte está acima das leis e da Constituição apesar de muitos desembargadores pensarem ao contrário.

O STJD de longe não é o melhor exemplo de justiça em nosso país. Pelo contrário. Já vimos decisões absurdas como tirar pontos de um time quando o regulamento não permitia. Outro caso surreal foi a volta repentina das férias de seus desembargadores apenas para colocar Edmundo na final do brasileiro de 1997 e outras barbaridades que num país conscientizado paralisaria o campeonato até o tribunal ser extinto.

Mas estamos no Brasil, o país da cultura patronal, do “sim senhor”. Do “ É dando é que se recebe”.

Com urgência é necessário democratizar as federações esportivas. Obrigá-las a ter eleições constantes e contar principalmente com o voto dos atletas, principais interessados nas mudanças que o esporte pode lhes proporcionar. Acabar com o STJD e adotar um tribunal de penas é outra solução viável para que o futebol respire ares verdadeiros de um país livre e sem repressão.

O nosso amado esporte, por causa dos velhos cartolas é um dos últimos símbolos da ditadura. Um baluarte maligno em que jogadores e treinadores não podem ter opinião, nem ao menos comemorar um gol efusivamente com emoção à flor da pele com o risco de tomar um cartão amarelo de um árbitro robotizado e imbecil. Um tapa na cara de um país que se livrou de repressores com farda cinco estrelas e que agora se vê vítima de decisões retrógradas de um soprador de apito que veste amarelo.

A chefia de José Maria Marin ao comando da CBF é  um dos maiores símbolos de que o futebol ainda  não acompanhou a evolução política brasileira. Pelo contrário, ele regrediu e voltou a um tenebroso passado. Um período que nós não queremos que retorne nunca mais.

LANCE ARMSTRONG – UMA VERGONHA PARA O ESPORTE

23/10/2012

Armstrong: banido do ciclismo

Sete vezes campeão da tradicional volta da França, o estadunidense Lance Armstrong teve o seus títulos cassados pela UCI (União Ciclística Internacional).

Os resultados e as contraprovas de dopings da Agência Americana de Antidoping (Usada) foram confirmados. Além de ter seus resultados invalidados, o norte americano terá que devolver todos os prêmios em dinheiro, mais de 3 milhões de dólares.

Armstrong também foi banido do ciclismo. Sua medalha de bronze ganha nas Olimpíadas de Atlanta também poderá ser cassada.

Uma vergonha para o esporte mundial.

O ciclista tinha alcançado o status de mito. Um exemplo de superação, já que o atleta tinha adquirido um grave câncer no testículo e havia se recuperado para ser campeão por várias vezes na volta da França.

Hoje, sabemos que tudo era uma farsa. Uma das maiores fraudes que o esporte já proporcionou.

Lance Armstrong perdeu patrocinadores. Empresas como a Nike, a fabricantes de bicicletas Trek, a cervejaria Anheuser-Busch InBev e a fabricante de óculos de sol Oakley não vão mais apoiá-lo financeiramente.

O ex-ciclista também não é mais presidente da fundação Livestrong, que luta contra o câncer. Muitos doadores pediram a devolução do dinheiro da entidade, que já arrecadou mais de 500 milhões de dólares.

Lance Armstrong caiu em desgraça. Suas atitudes pérfidas o levaram para um caminho sem volta. O uso cada vez mais contínuo de substâncias proibidas alimentam o ego inveterado de atletas antiéticos e imorais. Verdadeiros sacripantas do esporte.

O doping constroí uma ilusão. Torna o pseudo atleta um ser aparentemente invencível e sofisticado. As drogas somente mostram e potencializam o lado ruim da personalidade de muitos competidores.

São trapaceiros e bufões. Pessoas sem caráter que não detém dentro de si o verdadeiro espírito do esporte.

Armstrong é apenas mais um num longo universo de desonestidade. Esperamos que todas as entidades ligadas ao esporte apertem o cerco e consigam expulsar todos aqueles que usam substâncias ilícitas para se auto promoverem e potencializar a sua mediocridade.

Lance Armstrong era um atleta inexpressivo que se tornou “mito” graças às drogas sintéticas modernas quase imperceptíveis. Quase…

Descoberto, o ex-ciclista voltou a ser exatamente o que era: um homem pequeno.

FUTEBOL, UM ESPORTE SUJO!

22/10/2012

amigos com benefícios

Uma foto diz muitas coisas.

O amiguinho do Kia e do Ricardo Teixeira, o ditatorzinho de meia pataca e o presidente que está arrebentando o Palmeiras.

Todos juntos alegres e felizes  batendo palminha para o pau mandado do Lula. Bizarro!

Uma pergunta! Quem é o verdadeiro mandatário do Corinthians? O senhor Sanchez ou o senhor Mário Gobbi?

Triste é o futebol em que presidentes de clubes não tenham opiniões políticas verdadeiras e concretas. O motivo? Óbvio.

Futuros benefícios com o nosso dinheiro. Afinal nunca é bom ir contra time que está ganhando não é verdade?

Na eleição passada….

Ps – O jornal  “O Estado de São Paulo” publicou ontem que o motivou o apoio dos representantes do “trio de ferro” a Fernando Haddad,  foi um pedido de permuta de dívidas dos clubes como o INSS.  Vai ter aposentado que vai demorar pra receber. Como dissemos…

INTERDIÇÃO

20/10/2012

Vila Belmiro: interditada até segunda ordem

O caso Vila Belmiro continua rendendo manchetes.

Ontem o presidente do Tribunal Superior de Justiça Desportiva, Flávio Zveiter interditou a Vila Belmiro por tempo indeterminado até que o Santos apresente novos laudos que comprovem  novas saídas para ambulâncias.

José Maria Marin, presidente da CBF foi pego de surpresa com as perguntas de repórteres sobre o fato num evento do Comitê Organizador Local para a Copa de 2014. Alegou “desconhecimento” do ocorrido e anunciou a criação de uma Comissão de Vistoria para averiguar possíveis falhas nos estádios brasileiros.

Pois é senhor Marin. Por que somente o senhor tomou essas medidas somente agora?

Amadorismo. Irresponsabilidade.

O Santos fez o velho “jogo de empurra”. Em uma nota oficial acusou os órgãos oficiais de não alertarem o clube para a necessidade de se ter uma rampa de acesso. Como se o próprio clube não tivesse uma parcela de responsabilidade nisso já que é sabido que em todos os estádios do campeonato brasileiro existem locais para a passagem de ambulâncias.

Alguns torcedores santistas vociferaram em redes sociais em comentários na internet. Falam em “perseguição do filho do Zveiter”. Vamos falar do processo de capitanias hereditárias no STJD depois. Vamos relevar alguns fatos importantes.

Muitos santistas depois desse episódio passaram a ofender gratuitamente membros de outras torcidas por causa do assunto. Os que mais sofreram foram os corintianos com frases como:

“ Como é que um torcedor que não tem estádio vem falar da Vila Belmiro”?

Deixando as provocações entre torcidas de lado vamos analisar os números friamente.

O Corinthians, apesar de muitas disposições contrárias sempre teve um estádio.

Ele se chama Alfredo Schürig, mais conhecido como  Fazendinha. Se localiza no Tatuapé, zona leste de São Paulo.

Agora vem a constatação espantosa.

O estádio do Corinthians tem uma capacidade maior que a Vila Belmiro. 18.000 pessoas contra 16.800 do estádio Urbano Caldeira.

Aí se vê a grande ironia. O torcedor santista ironiza um corintiano sendo que o estádio do peixe tem menor capacidade de público que o do Corinthians.

Não é uma senhora contradição?

Fazendinha: mais capacidade de público que a Vila

A Vila Belmiro é pequena demais para um time como o Santos. A sua torcida cresce a cada dia graças as suas últimas conquistas e da geração Robinho/Neymar.

Em uma pesquisa recente realizada pela empresa Stochos Sports & Entertainment foi constatado o crescimento da torcida do alvinegro praiano. Segundo o órgão, o Santos já tem mais fãs que o Palmeiras no interior do Estado de São Paulo.

Muitos podem contestar a pesquisa, mas é público e notório que a torcida santista aumentou nos últimos anos. A própria cidade de São Paulo tem muito mais adeptos do time praiano que a maior cidade do litoral paulista.

A diretoria alvinegra, seu presidente e outros mandatários que virão terão de avaliar seriamente esses números daqui para a frente com responsabilidade. É inevitável que o Santos passe a tratar o assunto “novo estádio”com mais seriedade. Estudos já estão sendo feitos, mas apenas divagações e possibilidades. Nada concreto.

Em tempos de reformas do Morumbi, a construção da Arena Palestra e do Itaquerão é bom o clube da Baixada reavaliar os seus conceitos e não perder a oportunidade do crescimento de seus torcedores e sócios ( que já são quase duas vezes maiores que a capacidade da Vila Belmiro).

Caso contrário o Santos irá perder o trem da história e uma grande oportunidade de crescer junto com  seus novos adeptos.