REFLEXÕES OLÍMPICAS

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Fabiana Murer:decepção

A cada ciclo olímpico a história parece se repetir.

O Brasil faz boas campanhas no judô, vólei, iatismo e natação e fracassa fragorosamente em outras modalidades.

A “refugada” de Fabiana Murer gerou protestos e a fúria de muitos torcedores pelo Brasil como pode se comprovar nas redes sociais. Este fato foi uma gritante falha individual, mas Fabiana vai carregar a fama como o símbolo da aparente má campanha brasileira nos jogos.

Pela quantia grandiosa que o COB investiu nessa Olimpíada de Londres poderíamos dizer que a aventura brasileira em terras britânicas foi um fracasso.

Em parte, pois o judô, natação e a vela repetiram os bons resultados de Olimpíadas anteriores. Desde 1984 essas modalidades são responsáveis por trazerem medalhas para o Brasil.

Se via uma grande esperança na Ginástica feminina com o trabalho do treinador ucraniano Oleg Ostapenko. O país havia obtido um ótimo resultado em Pequim com uma classificação inédita na final e o oitavo lugar na classificação geral por equipes. Mas com a sua saída no comando ocorreu uma decadência na modalidade. A ginástica não se renovou e o resultado foi decepcionante em Londres pois um bom trabalho foi deixado de lado por problemas políticos, ciumeiras e frescuras de atletas.

No entanto vemos o Handebol feminino fazer bonito nessas Olimpíadas. Desde os jogos passados as meninas apanharam bastante, cresceram e aprenderam a disputar as partidas de igual para igual com suas rivais. Ou seja, um bom trabalho está sendo realizado. O segredo é não deixar a peteca cair.

Temos o exemplo do voleibol, que nos anos sessenta e setenta foi saco de pancadas dos países da “cortina de ferro” e hoje é uma das maiores escolas do esporte no planeta. Nos anos 2000 o Brasil mandou e desmandou na modalidade. Bicampeão olímpico, tricampeão do mundo e maior vencedor da Liga Mundial, o vôlei só começou a acertar quando o trabalho da geração vice campeã do mundo em 1982 e prata em 1984 teve continuidade. Formou-se uma cultura esportiva e o resultado está latente.

O judô é outro grande exemplo. Desde 1972 com o bronze de Chiaki Ichi, a modalidade só cresce e se tornou o esporte pelo qual o Brasil vence mais medalhas. Para se ter uma idéia da força do país, o Brasil está entre os dez melhores países do mundo na classificação geral em Olimpíadas.  Outra cultura esportiva forte e que colhe frutos de geração em geração.

Aurélio, Sarah e Rogério: ouro em três gerações do judô

Diz o velho ditado “pau que bate em Chico, bate em Francisco”.  A continuidade de um bom projeto dá resultados. Se pode demorar trinta anos, mas isso ocorre. Basta coragem, planejamento e humildade de reconhecer as próprias falhas.

Um projeto olímpico sério não é apenas alugar um Crystal Palace e enfiar todos os atletas brasileiros lá dentro em quartos confortáveis e com um agradável cheiro de arroz com feijão.

O país não tem uma educação esportiva. Existe sim uma cultura mono esportiva do futebol. O que é altamente prejudicial num país que deseja ser uma potência olímpica. A realidade é triste mas é verdadeira. Um país que pouco se lixa para os outros esportes não pode cobrar um desempenho igual a de americanos, russos e chineses. Chega a ser uma piada.

Essa mesma população não enche estádios em torneios de atletismo e tampouco comparece em eventos de outros esportes menos badalados.

O mundial de basquete feminino disputado no Brasil em 2006 teve um público ridículo nos jogos do ginásio do Ibirapuera e olha que estamos falando da maior cidade da América Latina. Agora vem a pergunta, com que moral um esporte vai crescer no Brasil se o público de um torneio internacional mal comparece?

basquete feminino: em baixa

O basquete masculino brasileiro sofreu muito com esta falta de interesse nas últimas décadas. O esporte era o segundo em popularidade no Brasil. Atraía um público frequente e apaixonado além de ter times nos grandes centros como o Corinthians, Sírio e Monte Líbano. A partir do momento que o esporte deixou os grandes centros para figurar em equipes do interior, a bola ao cesto decaiu. Os grandes times? Sumiram. Sobraram o Franca, o Flamengo e outros times itinerantes. Hoje a modalidade tenta se recuperar.

A falta de interesse da população dos grandes centros urbanos em outros esportes é um fator de quase morte do esporte. Outro exemplo no basquete são que na NBA, os grandes times vem das principais cidades daquele país como Los Angeles, Boston, San Antonio e New York. O resultado? Popularidade, mais visibilidade e pequenos fãs que logicamente se converterão em atletas no futuro.

Mas o que fazer se o estádio do Ibirapuera fica quase vazio num Troféu Brasil de Atletismo? Cadê o apoio da mídia e televisão e da prefeitura? Kassab? Prefere investir milhões na segunda divisão do automobilismo, a Fórmula Indy. Fala sério…

O belo e caro estádio Olímpico João Havelange é mais utilizado em jogos de futebol do que em meetings de Atletismo. Que tal o Brasil financiar um mundial da modalidade no Rio? Ou mesmo fazer grandes provas nacionais e internacionais por lá?  Mas o governo e prefeitura só pensam no filé-mingon como o Pan e as Olimpíadas e se esquecem do básico. Uma cidade depois de construir arenas e ginásios como foi feito no Rio de Janeiro jamais deve abandonar essas praças seja pelas autoridades, seja pela população.

Sim, devemos cobrar dos governantes eleitos por nós  investimentos vultuosos na educação e  no esporte em geral, mas a cultura esportiva do Brasil não começa pelo governo. Isso é uma mentalidade  comodista e simples pois a cultura esportiva vem de todos nós.

Há alguns meses o ginásio do Ibirapuera sediou o Brasil Open de Tênis. O torneio foi um sucesso de público até mesmo na final quando não havia nenhum brasileiro disputando o título.

Ou seja, quando a coisa é bem feita, o público comparece e isso atraí investimento, patrocinadores e consequentemente futuros atletas.

Enquanto o Brasil for o país da monocultura esportiva, sempre estaremos na rabeira na disputa de um vigésimo lugar no quadro de medalhas em Olimpíadas. O COB? Além das denúncias de ingerências e corrupção investe errado e planeja com uma expectativa ilusória.

Rio 2016 vem aí e infelizmente nossa nação verde e amarela não será uma potência olímpica até lá. Enquanto o país não se conscientizar de que a mudança no esporte brasileiro começa pela própria população veremos americanos, chineses e russos na nossa frente pois a nossa educação, em todas as possibilidades que possamos usar para esta palavra é uma autêntica porcaria.

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4 Respostas to “REFLEXÕES OLÍMPICAS”

  1. guina Says:

    Se vc me permite, vou utilizar seu post em uma matéria de conclusão olímpica. Vlew!
    Fantástico!
    Só uma observação, a legenda na última foto é das meninas do volei. Abçs.. (acho que a Jaqueline e a Adenizia)

  2. Marcelo Abdul Says:

    Valeu Guina. É q Jaqueline sim. Cagada minha. Valeu pelo toque. Corrigido.

  3. Paulo Rubens Says:

    Bdul, espera esse dia sentado porque de pé cansa! Faz 30 anos que ouço a mesma abobrinha e não melhora nunca. Enquanto o povo votar em Tiririca, Agnaldo Timóteo e outras merdas o esporte no Brasil vai ser sempre um lixo.

  4. Marcelo Abdul Says:

    A população em parte é grande responsável pelo Brasil não ser uma potência olímpica. Quem vota em estrume sempre vai receber estrume de volta.

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