OLIMPÍADAS – O CALCANHAR DE AQUILES DO FUTEBOL BRASILEIRO

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Brasil em Pequim 2008: centenária frustração

Cinco títulos mundiais, três Copas das Confederações, oito Copas Américas e outros títulos secundários não deixam a menor dúvida, o Brasil é uma das maiores potências futebolísticas da historia do esporte.

Porém existe um torneio pelo qual a seleção brasileira não é nem de longe o bicho papão tão aclamado dos gramados internacionais. Pelo contrário.

Derrotas vergonhosas para times de menor expressão, desclassificações humilhantes e vexames inexplicáveis. O torneio olímpico de futebol é um dos calcanhares de Aquiles do futebol brasileiro. A única competição de importância internacional que o Brasil nunca venceu e lá se vão mais de cem anos.

A dificuldade é histórica. O Brasil nunca conseguiu impor a sua soberania nas Olimpíadas e por muito tempo nunca formou um time emocionalmente sólido o suficiente para disputar a medalha de ouro. Aos poucos, o primeiro lugar no pódio se tornou uma verdadeira obsessão para a confederação brasileira, imprensa e parte de torcedores e chegou ao auge nas Olimpíadas de Atlanta em 1996 e Sidney em 2000. Mesmo com astros internacionais em sua equipe, o time canarinho não alcançou o título máximo e o pior viu a seus maiores rivais da América do Sul faturarem o ouro antes. Vamos analisar a participação do escrete verde amarelo em todos os torneios olímpicos de futebol na história e tentar explicar porque o Brasil nunca conseguiu vencer a competição. Em julho o time de Mano Menezes irá disputar novamente o pódio em Londres. Um novo vexame ou o fim da “maldição”?

Helsinque – 1952

Brasil em 1952: futuros campeões do mundo e uma campanha irregular.

A primeira participação do futebol brasileiro nas Olimpíadas não foi das piores, mas também poderia ter sido melhor. Um time que contava com futuros campeões mundiais como  Zózimo e o artilheiro Vavá começou goleando a Holanda por 5 x 1. Depois de uma vitória apertada sobre Luxemburgo por 2 x 1, o time brasileiro caiu frente a Alemanha Ocidental por 4 x 2 nas quartas de final.

Roma – 1960

A seleção canarinho foi para os jogos olímpicos de Roma com um time muito jovem. Entre os atletas estava o zagueiro Roberto Dias, um dos maiores defensores da história do São Paulo FC além do futuro canhotinha de ouro, o craque Gérson. Na estréia, o Brasil venceu a Grã-Bretanha por 4 x 3 num jogo disputado. Depois uma goleada de 5 x 0 sobre a seleção de Taiwan. O torneio olímpico era divido em grupos com quatro seleções cada. O campeão de cada chave se classificaria para as semifinais. E o Brasil disputaria a primeira colocação contra os donos da casa. A Itália venceu por 3 x 1 deixando a seleção brasileira fora da disputa.

Tóquio – 1964

Mais uma vez o Brasil levou uma seleção de jogadores inexperientes. Um dos mais promissores seria o atacante Roberto Miranda que foi ídolo no Botafogo do Rio. Na estreia, um empate contra o Egito e uma goleada contra a Coreia do Sul por 4 x 0. O terceiro jogo seria contra a Checoslováquia, uma das fortes seleções do leste. Apesar da resistência brasileira, os checos levaram a melhor pelo placar de 1 x 0. Mas o Egito goleou a Coreia do Sul por 10 x 0 e ficou com a segunda vaga pelo saldo de gols. O Brasil mais uma vez ficou a ver navios.

Cidade do México – 1968

Novamente o Brasil chegou à Olimpíada com uma jovem equipe que tinha como destaque o atacante Manoel Maria, o Brasil, não passou da primeira fase do futebol olímpico. Uma derrota para os espanhóis e dois empates contra Japão e Nigéria. Seleções absolutamente amadoras na época. Talvez tenha sido o primeiro grande vexame futebolístico brasileiro nos jogos.

Munique – 1972

Brasil em 1972: com um jovem Falcão vexame em Munique

O time canarinho contava com um grande craque em início de carreira, o meio campo Paulo Roberto Falcão do Internacional de Porto Alegre. Mas nem mesmo o talento do catarinense ou a virilidade do zagueiro Abel ( atual técnico do Fluminense)  conseguiram livrar o Brasil de um novo vexame olímpico. Derrota para a Dinamarca por 3 x 2 e um surpreendente empate com a Hungria ( que ficaria com a prata nesse torneio). Mas o pior ainda estaria por vir. A seleção brasileira foi derrotada pela zebraça Irã por 1 x 0 na terceira partida e a exemplo das duas edições anteriores deixou os jogos olímpicos na fase preliminar.

Montreal – 1976

Batista: boa campanha e um quarto lugar

Depois de sucessivos fracassos nos jogos olímpicos enfim o Brasil conseguiria fazer uma campanha razoável. Pela primeira vez o time chegava à uma semifinal olímpica. A equipe era dirigida por Cláudio Coutinho (que também treinou o Brasil na Copa de 1978) e tinha um bom elenco como o goleiro Carlos (futuro titular do Brasil na Copa de 1986), o zagueiro Edinho, o lateral Júnior ( que se consagraria no Flamengo) e o meio campo Batista. Na estreia um empate sem gols contra a Alemanha Oriental ( que ganharia a medalha de ouro) e uma vitória contra a Espanha por 2 x 1. Nas quartas de final uma goleada de 4 x 1 contra a seleção de Israel. Entre os semifinalistas, o Brasil era o único time fora da cortina de ferro. Não foi possível derrotar os “amadores” poloneses. Derrota de 2 x 0. Na disputa do bronze, mais uma derrota, 2 x 0 para a União Soviética.

Moscou – 1980

O Brasil não se classificou para a Olimpíada. No pré-olímpico, o Brasil perdeu para a Argentina por 3 x1 e foi impiedosamente goleado pela Colômbia por 5 x 1. Moscou não viu a camisa canarinho.

Los Angeles – 1984

Los Angeles: a primeira medalha do futebol brasileiro

Com a recusa dos clubes brasileiros em ceder seus atletas para a Olimpíada de Los Angeles, o Internacional de Porto Alegre se prontificou a mandar sua equipe representando o Brasil nos jogos. O time contava com bons jogadores como o zagueiro Mauro Galvão,  goleiro Gilmar Rinaldi, futuro bicampeão brasileiro com o São Paulo e Flamengo e tetracampeão do mundo como reserva em 1994, o artilheiro Kita, que ganharia destaque em 1986 com a inédita conquista da Inter de Limeira no campeonato paulista e o meio campo Dunga, futuro capitão do da conquista do quarto titulo mundial da seleção brasileira. O treinador era Jair Picerni, ex-jogador da Ponte e que tinha levado o time de Campinas ao vice-campeonato paulista de 1981 e que anos mais tarde ganharia destaque ao levar o São Caetano a duas finais de brasileiro e de uma Libertadores.

Gilmar Popoca: um dos melhores da campanha brasileira

Com uma certa desconfiança da imprensa brasileira a seleção canarinho estreou com uma vitória contra a Arábia Saudita por 3 x 1. Com o boicote dos países socialistas em represália à desistência do bloco ocidental olimpíada de Moscou em 1980, as possibilidades de uma conquista do ouro no futebol aumentaram já que as nações do leste europeu dominavam a modalidade desde 1956. Essa possibilidade aumentou com a vitória de 1 x 0 contra a forte Alemanha Ocidental. Uma terceira vitória de 2 x 0 contra o Marrocos fez o Brasil ficar em primeiro no seu grupo e pegar o Canadá pelas quartas de final. Jogo fácil? Pelo contrário. O canadenses engrossaram a partida e a jogo terminou em 1 x 1 no tempo normal e na prorrogação. Nos pênaltis a estrela do goleiro Gilmar brilhou e o Brasil venceu por 4 x 2. A semifinal seria contra a Itália. Um gosto de revanche pela tragédia no estádio Sarriá em 1982 foi inevitável. Em outro jogo complicado a seleção brasileira venceu por 2 x 1 e pela primeira vez ganharia uma medalha, já que a prata estava garantida. Os garotos de Picerni foram muito mais longe do que qualquer um imaginaria. Na final o adversário seria a França. E no estádio Coliseu de Los Angeles viu um passeio dos franceses. Um 2 x 0 incontestável em que o Brasil não teve a menor chance de reação. Porém o Brasil finalmente conquistara uma medalha no esporte favorito de sua nação.

Seul – 1988

Seoul 1988: a melhor seleção olímpica brasileira até hoje

A seleção olímpica que foi disputar o ouro em Seul foi uma das melhores, senão a melhor equipe que o Brasil já teve nos jogos. Muitos desses jogadores se tornariam futuros campeões do mundo e craques consagrados em seus clubes como o goleiro Taffarel, os laterais Jorginho e Mazinho e o artilheiros Romário e Bebeto (futuros tetracampeões do mundo em 1994). Além de jogadores em grande fase como Mílton do Coritiba e Edmar do Corinthians.

Comandados pelo técnico Carlos Alberto Silva, o Brasil arrebentou no grupo D com uma goleada de 4 x 0 sobre a Nigéria e de 3 x 0 sobre a Austrália. Só nesses dois jogos, Romário fez 5 gols se tornando a principal estrela e artilheiro do torneio e despertou a cobiça do PSV Eindhoven que o contratou tão logo os jogos terminaram.

Taffarel: desde o início de carreira pegando pênaltis

Depois de uma vitória sobre a Iugoslávia por 2 x 1, o Brasil venceu a Argentina nas quartas de final por 1 x 0 e foi para a semifinal contra a Alemanha que tinha outro destaque no torneio: o centroavante Klinsmann. As duas maiores equipes do futebol mundial nunca haviam ganho a medalha de ouro e a disputa como se esperava, foi emocionante. Quando o jogo estava 1 x 1, um pênalti bobo do Brasil no tempo normal poderia por todo o trabalho a perder. Mas o goleiro Taffarel defendeu milagrosamente a cobrança e o jogo seguiu até a cobrança de pênaltis. Na disputa, a estrela do jovem goleiro do Internacional brilhou mais uma vez com mais duas cobranças defendidas. Mal sabiam eles que o goleiro faria a nação ficar mais feliz anos depois.

Romário: apesar da artilharia, a prata

O Brasil estava na final pela segunda vez consecutiva. O adversário seria a União Soviética. Na final, o Brasil entrou visivelmente tenso pela pressão de ganhar o ouro olímpico. Romário fez o primeiro gol após uma grande cobrança de efeito no escanteio do meia Neto, mas os soviéticos mantiveram a calma e empataram o jogo num pênalti meio mandrake assinalado pelo árbitro. A partida foi para a prorrogação e um erro da defesa brasileira no contra ataque deixou o atacante Savichev livre para encobrir Taffarel e marcar o gol da vitória soviética. Mais uma vez o Brasil ficava com a medalha de prata.

Barcelona – 1992

Cafu desolado:vexame no pré

A vergonha começou mesmo antes da olimpíada começar. O Brasil deu vexame no pré-olímpico de 1992 e foi desclassificado após um vergonhoso empate com a Venezuela. O time era dirigido pelo incipiente Ernesto Paulo e tinha jogadores do calibre de Dener, Marcelinho Carioca, Roberto Carlos, Márcio Santos e Cafu. Jovens promessas na época que mais tarde iriam se consagrar em gramados brasileiros e internacionais. Como esse time não se classificou?

Vaidades pessoais, brigas entre jogadores, falta de diálogo e críticas dos atletas ao técnico minaram a classificação brasileira. Colômbia e Paraguai foram para Barcelona e o futebol brasileiro assistiu o ouro da Espanha pela televisão.

Atlanta – 1996

Kanu acaba com o sonho brasileiro: obsessão

Depois de bater na trave duas vezes em 1984 e 1988 e ser eliminado vergonhosamente do Pré-olímpico de 1992 após um empate com a Venezuela, a medalha de ouro passou a ser uma obsessão. O Brasil fez um grande projeto olímpico para a conquista da medalha de ouro em Atlanta. Com as novas regras do COI o técnico Zagallo teve a oportunidade de chamar três jogadores experientes para os jogos. E os escolhidos foram Aldair, Bebeto e Rivaldo. O consagrado Romário ficou de fora da lista. Mesmo assim, o Brasil tinha uma boa seleção com nomes como o lateral Roberto Carlos e o atacante Ronaldo, futuros pentacampeões mundiais em 2002.

Bebeto: nem sua experiência ajudou o Brasil

A confiança e o ufanismo de Zagallo logo viraram pó na partida de estreia da seleção. O Brasil não conseguia furar a retranca japonesa e após uma trombada desastrosa entre Aldair e o goleiro Dida, o japonês Ito balançou as redes. O Japão venceu em mais um histórico vexame que a seleção brasileira sempre proporcionou em jogos olímpicos. Nas duas partidas seguintes contra Hungria e Nigéria o time se recuperou e conseguiu passar para as quartas de final.

Kanu: uma partida antológica

Na partida contra Gana já se via uma certa dificuldade do time brasileiro de manter o seu padrão de jogo. Falhas individuais e apagões na defesa tornaram o jogo contra os técnicos africanos mais difícil. O Brasil venceu por 4 x 2 e foi para a semifinal contra a mesma Nigéria da primeira fase. Nesse momento, todo o desenrolar da tragédia começou a acontecer. O Brasil vencia por 3 x 1 e depois de uma falha individual de Rivaldo os nigerianos diminuíram.

Bronze: terceira medalha olímpica do futebol

A seleção brasileira tinha definitivamente apagado e Kanu empatou o jogo levando o jogo para a prorrogação com a “morte súbita”, uma regra inovadora da Fifa que infelizmente não continuou.

Os minutos passaram e o pior aconteceu. O Brasil ainda apavorado e surpreso com a reação nigeriana não conseguiu evitar o “gol de ouro” da Nigéria. Os africanos conseguiram uma incrível virada de 4 x 3 e partiram para o ouro olímpico. Ao Brasil restou vencer a medalha de bronze após uma goleada de 5 x 0 contra Portugal. Mas a maior vergonha foi a falta de esportividade da confederação brasileira de futebol que insistiu em receber as medalhas um dia antes da cerimônia de premiação como todas as outras modalidades fazem. Como se vê o vexame canarinho em Atlanta não acabou após o gol de Kanu.

Sydney – 2000

Fabiano desaba: desastre brasileiro em Sydney

Ares muitos tenebrosos rondavam a seleção brasileira nos jogos olímpicos de Sydney. Após fazer um grande Pré Olímpico no Paraná, o treinador Vanderlei Luxemburgo resolveu manter seus jovens jogadores e não chamar os 3 atletas maiores de 23 anos, o que se revelou depois um imenso erro estratégico.

A situação do elenco olímpico brasileiro piorou quando surgiram denúncias de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro contra o treinador. Duas CPI´s no Congresso Nacional também deixaram o clima pesado entre o atletas. Isso logicamente se refletiu dentro de campo. Nem Alex e nem Ronaldinho Gaúcho conseguiram mostrar todo o seu potencial nas partidas.

Luxa: acusações de evasão fiscal e demissão

A estréia nos jogo foi tranquila com um 3 x 1 contra a Eslováquia, mas nas pelejas seguintes se percebeu algo errado no time brasileiro. Na segunda partida contra a África do Sul, a equipe foi bisonha e perdeu por 3 x 1. Contra o Japão a seleção chegou a ficar ameaçada de desclassificação,mas ganhou por 1 x 0. Apesar da vitória, a pálida apresentação do Brasil deixou claro que o time não estava em seus melhores dias. Tudo poderia mudar nas quartas de final contra a seleção de Camarões, mas o pesadelo só estava começando.

Ronaldinho: nem seu talento salvou o Brasil

Os africanos dominaram inicialmente o jogo e  Mboma  de falta abriu o placar para o leões indomáveis. Depois do susto, o Brasil melhorou seu ritmo e passou a atacar a defesa africana. Mas a bola não entrava. O assédio brasileiro começou a incomodar a defesa camaronesa que começou a bater mais que um lutador de MMA. Ao longo da partida, dois jogadores dos “leões indomáveis” foram expulsos. Já nos descontos e no absoluto desespero, Ronaldinho fez o gol de empate. O time brasileiro tinha tudo para arrasar os africanos com três jogadores a mais nos minutos seguintes, mas a prorrogação com a “morte súbita” reservou surpresas desagradáveis para o torcedor brasileiro.

A seleção de Camarões passou a fazer constantemente a linha do impedimento irritando os jogadores canarinhos. Para piorar, o time de Luxemburgo perdia gols incríveis. Fabiano teve um gol mal anulado pelo árbitro e num descuido da defesa canarinho, Mbami fez o gol de ouro. Mais uma vez o Brasil era despachado das olimpíadas. Pela segunda fez consecutiva por um país africano e pela segunda vez na morte súbita. Pelo fato de ter dois jogadores a mais, esse foi talvez o maior vexame brasileiro em jogos olímpicos. O estrago foi tão grande que Vanderlei Luxemburgo foi demitido logo depois. E o sonho do ouro continuou distante.

Atenas – 2004

Robinho e Diego: brincadeira tem hora

Mais uma seleção promissora que nem mesmo conseguiu se classificar para a Olimpíada. Dirigidos por Ricardo Gomes, o Brasil tinha jogadores como Robinho, Alex, Elano e Diego do Santos, Dudu Cearense, Dagoberto e Nilmar. Kaká poderia reforçar o grupo, mas o Milan não permitiu que a ex-jóia são paulina viajasse até o Chile.

O Brasil até teve um desempenho regular na fase de grupos, mas no quadrangular final sucumbiu no pré-olímpico do Chile ante a Argentina (1 x 0) e o Paraguai (também por 1 x 0) com um gol do atacante De Vaca.

As manchetes da desclassificação brasileira foram até bem originais “DE VACA MANDA O BRASIL PARA O BREJO” era uma delas. Muitos culparam o excesso de “brincadeirinhas” entre os jogadores na concentração como responsável pela derrota brasileira. Diego e Robinho acabaram repreendidos pela comissão técnica e pela alta cúpula da CBF. Depois da eliminação para as Olimpíadas ambos foram criticados duramente pela dupla Parreira/Zagallo.

O futebol dos dois não apareceu na seleção brasileira e o time não viajou para a Grécia. O Brasil viu na TV a Argentina faturar o seu primeiro ouro no futebol.

Pequim 2008

Brasil em Pequim: boa campanha e mais um bronze

Diferentemente de outras edições não houve um torneio pré-olímpico para definir as duas vagas da América do Sul nas Olimpíadas de Pequim em 2008. O campeonato sul americano sub 20, disputado no Paraguai em 2007 já valeu como classificação. O campeão e o vice iriam para a China. O Brasil comandado pelo treinador Nelson Rodrigues foi campeão e garantiu a vaga para os jogos.

Mas em 2008 quem assumiu a responsabilidade da seleção olímpica foi Dunga, treinador da time principal. A exemplo de torneios anteriores o técnico chamou vários atletas promissores em seus clubes, entre eles Alex Silva e Hernanes do São Paulo, Thiago Silva do Fluminense, o lateral Marcelo recém-contratado pelo Real Madrid, além de jogadores como Breno, Thiago Neves e o badalado Alexandre Pato do Milan.

derrota: o Brasil não foi páreo para a Argentina

Infelizmente o presidente da CBF Ricardo Teixeira resolveu dar uma de terapeuta e praticamente obrigou Dunga a convocar o já decadente Ronaldinho Gaúcho. A esperança do presidente da entidade é de que a seleção pudesse recuperá-lo para o futebol, justamente no torneio em que o Brasil nunca venceu. Em queda técnica desde 2006, Gaúcho deixou o Barcelona para ter atuações medíocres no Milan. As baladas, mulheres e desinteresse em jogar um futebol de alto nível fizeram o jogador cair em desgraça junto à opinião pública.

Ronaldinho Gaúcho: “recuperação” fracassada

Dunga engoliu o sapo e chamou Ronaldinho. Antes não o tivesse feito. Apesar do Brasil fazer uma boa campanha na China, as atuações do meia foram apagadas e brochantes. Raras vezes se viu algum lance de genialidade do atleta. Gaúcho virou um abacaxi dentro da seleção. Outros jogadores em que o treinador botavam fé tiveram atuações pífias como Hernanes e Diego. Entretanto, o Brasil ficou em primeiro do seu grupo na fase inicial. Venceu a Bélgica, Nova Zelândia e China. Nas quartas derrotou Camarões e devolveu o pesadelo de Sidney 2000.

Na semifinal, se esperava um duelo equilibrado contra os atuais campões olímpicos, mas o que houve foi um massacre futebolístico do lado portenho. A Argentina não deu chances ao Brasil e fez uma partida brilhante comandados pelos jovens talento Messi, Aguero e Di Maria. O 3 x 0 foi um reflexo da superioridade técnica hermana dentro de campo. O Brasil não teve chance nem de reclamar. Colocou bolas na trave mas isso no futebol é considerado erro. A seleção foi disputar o bronze e goleou a Bélgica garantindo o honroso terceiro lugar, mas o tão desejado ouro, escapou das mãos brasileiras mais uma vez.

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12 Respostas to “OLIMPÍADAS – O CALCANHAR DE AQUILES DO FUTEBOL BRASILEIRO”

  1. Paulo Rubens de Abreu Says:

    Sensacional esse post. Parabéns. O Brasil é a décima quinta força no futebol quando o assunto é Olimpíada.

  2. Marcelo Abdul Says:

    Verdade. A seleção brasileira coleciona fiascos, mas pode ser que isso mude nessa Olimpíada.

  3. guina Says:

    Brilhante post! Roubado!

  4. Marcelo Abdul Says:

    Não tinha visto ainda Guina? Valeu.

  5. brazuka Says:

    Londres 2012, outra vez não veio o ouro, se jogadores jovens fracassaram nas olimpiadas e amadurecidos já foram campeões mundias, é preciso trabalhar mais pro torneio olimpico, uma seleção acima dos rivais, o Brasil inventou o futebol arte, mas já vem perdendo muito para seleções que cresceram de nível internacional.Hoje temos esse futebol brasileiro manjado,
    que tem dificuldade de jogar, nao impoe superioridade ao adversário, Por que o basquete americano ja ganhou praticamente todas ediçoes olimpicas? Porque nao fazemos igual no futebol, pra ganhar e dominar alem das copas do mundo as olimpiadas? É preciso reinventar o nosso futebol, acordem senão vamos amargar mais derrotas e deixar de sermos uma seleção forte no futebol mundial.

  6. Marcelo Abdul Says:

    Disse tudo. Não tenho uma vírgula a acrescentar.

  7. adriano mendonça Says:

    Como podem se considerar os melhores se nem de todas sensações que o futebol proporciona eles experimentaram?

  8. Marcelo Abdul Says:

    Pra se pensar…

  9. júnior Says:

    tem que atualizar esse retrospecto .
    pois em 2012 caímos pros mexicanos

  10. Marcelo Abdul Says:

    Júnior. A postagem foi escrita antes das Olimpíadas de 2012. Portanto uma possível atualização só será feita nas Olimpíadas do Rio em 2016.

  11. samuel sztyglic Says:

    abdul .brilhante seu trabalho .queria fazer um reparo .em 1952 o zagueiro MAURO nao era o RAMOS. era o MAURO juvenil do fluminense do rio de janeiro

  12. Marcelo Abdul Says:

    Muito obrigado Samuel. O erro foi corrigido.

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