SEM PADRÃO

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Padrão Fifa: mais estádios, mais dinheiro

Às vésperas de assistirmos a Copa do Mundo 2014, o festival de asneiras e bobagens de torcedores internautas se intensificam a cada dia. Muitas dessas opiniões são quase sempre embasadas em achismos desnecessários e preferências clubísticas que limitam o seu córtex cerebral.

Às vezes nos impressionamos como as pessoas captam ideias e conceitos trazidos pela mídia e julgam aquilo como verdade absoluta sem questionar ou observar corretamente o seu real propósito.

A mais nova “verdade” que corre solta na boca pequena é que estádios sem “Padrão Fifa” são “velhos e ultrapassados”.

Ora, todos nós gostamos de comodidade e conforto, mas afirmar que somente as arenas chamadas “Padrão Fifa” são sinônimo de qualidade é  um grave engano.

Primeiramente, as construções “made in Fifa” são elevações de um único padrão. Todos nós sabemos que a diversidade de ideias e conceitos são pré requisitos para uma arquitetura diferenciada, independente e acima de tudo que aceita diversas formas e variedades.

Os estádios “Padrão Fifa” seguem apenas uma linha adotada pela entidade de uma forma ditatorial. Não é permitida a pluralidade de ideias ou formas de construção. Ou é da maneira Fifa ou nada feito.

O resultado dessa linha “pré-fabricada”? Vemos estádios cada vez mais parecidos um com o outro em torneios internacionais como a Euro e Copa do Mundo. Assistimos o campo, o quadrado, as cadeiras e camarotes e no máximo dois lances de arquibancada.

Tudo depende de um ponto de vista. Cada um tem o seu, mas os estádios “Padrão Fifa” se tornaram cada vez mais quadrângulos nos últimos tempos. Não há mais beleza e harmonia em construções redondas?

Questão de gosto pessoal, mas quando comparo o estádio de Wembley antigo com o novo sempre penso na grande “cagada” que os ingleses fizeram, apesar do conforto e modernidade da nova construção ser notadamente melhor. Porém, visualmente dentro de campo, o antigo mostrava muito mais a magnitude do futebol da terra da rainha. Hoje o que vemos? Um quadrado, exatamente como os outros. O antigo glamour de Wembley não existe mais.

Wembley: antes magnífico e agora igual aos outros

Outro exemplo está na Alemanha. A moderna Alianz Arena é um espetáculo do lado de fora. Uma verdadeira obra prima da arquitetura moderna, mas por dentro parece uma Vila Belmiro vitaminada. O estádio Olímpico de Munique, palco das Olimpíadas de 1972 e da final da Copa de 1974 é muito mais bonito visualmente  apesar de ser mais antigo.

estádios de Munique: o Olimpico dá um banho em arquitetura

Então qual seria a solução desse problema? Aliar o antigo ao novo como foi feito no estádio Olímpico de Berlim para a Copa de 2006. Não é necessário destruir totalmente um estádio antigo para fazer outro menor e mais “porco” visualmente apenas para atender a um “Padrão Fifa”. Nem sempre essa alcunha mostra um exemplo de qualidade absoluta.

Olímpico de Berlim: o melhor exemplo da junção do antigo com o moderno

Real Madrid e Barcelona reformaram os seus estádios. São construções quase centenárias e nem por isso chamadas de “velhos e ultrapassados”.

Lembremos que a própria Fifa se contradiz nesse conceito quando aceitou fazer a Copa do Mundo em 1994 nos Estados Unidos com estádios adaptados de esportes como o Beisebol e Futebol Americano. Nenhuma nova construção foi feita na terra do Tio Sam para o Mundial vencido pelo Brasil.

Existem teatros construídos na época do império Romano que até hoje são usados devido a sua perfeição arquitetônica e acústica.

Respeitar preceitos antigos e reformá-los com novos. Esse é o grande desafio, pois destruir tudo para fazer uma coisa igual as outras é uma situação que lembra construções de casas do antigo BNH. Tudo igual e com o mesmo “padrão”, sem nenhuma qualidade.

Achar que “Padrão Fifa” é um selo de qualidade ISO 9002 é bobagem. Quem gosta disso são as empreiteiras e construtoras que ganham milhões do governo pagos por você que gasta fortunas em impostos.

Alguns dizem que é necessário destruir antigos estádios para a construção de estacionamentos. Realmente parar o carro na porta de uma arena é uma situação muito cômoda e confortável. Mas isso não justifica implodir uma construção. Em grandes cidades com grandes problemas de trânsito e mobilidade urbana, o estacionamento seria apenas mais uma ajuda e não a principal solução. Estádios pertos de corredores de ônibus, trens e metrôs são muito mais atraentes e rápidos do que bolsões de vagas. Vimos um exemplo claro disso na primeira final da Copa do Brasil disputada na Arena Barueri. Grande parte dos torcedores ficaram presos do trânsito e pedágios da Castelo Branco até chegar ao local. De metrô a situação de mobilidade seria mais ágil e barata.

O Soccer City, palco da final da Copa do Mundo de 2010 foi alvo de diversas críticas pela dificuldade de acesso e mobilidade,mesmo para quem tinha carro.

Soccer City: estádio moderno, graves problemas de mobilidade

Não há verdades absolutas nesse quesito. Cada estádio, clube e torcida tem necessidades e caminhos diferentes. É perfeitamente possível reformá-los e dar conforto ao seus torcedores sem a necessidade de destruí-los para estabelecer um padrão igual a dos outros. A história nos mostra que ao longo do tempo, o novo pode ficar velho de uma hora para outra. E o novo que é exatamente igual aos outros sem nenhum atrativo arquitetônico atraente tende a envelhecer cada vez mais rápido.

Que dirá a Africa do Sul, que priorizou as construções requisitadas pela Fifa somente para o futebol e esqueceu de outros esportes olímpicos como o atletismo. Resultado: vazios inúteis sem qualquer outra utilidade. Que tipo de benefício eles receberam? Para que esses elefantes africanos servem agora? Para agendar casamentos?

O mundo é redondo, a bola é redonda. Os estádios não podem ser totalmente retangulares. O “padrão Fifa” é nada mais do que um espelho de seus dirigentes arcaicos e ambiciosos: um imenso quadrado vazio e obtuso.

Dirigentes sem nenhum padrão, ISO 0000 em qualidade.

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