EURO 2012 – BALANÇO INICIAL

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Acabou a fase de grupos da Euro 2012 e podemos concluir que pouca coisa mudou no cenário futebolístico europeu de seleções de quatro anos para cá. Tanto que dos oito classificados para as quartas de final do torneio, apenas a Grécia pinta como uma suposta “zebra”, mas o país helênico também já foi campeão do torneio em 2004. Ou seja, só teremos a chamada “elite” da Europa no início da fase de mata-mata. O que denota que o torneio não apresentou grandes surpresas.

Em matéria de organização foi temerário a UEFA escolher a Ucrânia e Polônia como países sedes. Com históricos de racismo e intolerância religiosa por parte de alguns torcedores, alguns atos ensandecidos provaram que os países da ex-cortina de ferro necessitam ainda de muito amadurecimento democrático antes de sediarem um torneio desse porte. O genocídio de animais de rua para “limpar” as cidades sedes foi outro fator negativo, que contribuiu muito para sujar a imagem da competição.

russos e poloneses duelam em Varsóvia: vergonha

Aliás a UEFA deveria somente aceitar sedes em que o futebol conta com força e tradição, como no Rúgbi. A Polônia tem uma certa história, mas a Ucrânia não. A UEFA e a Fifa deveriam levar isso em consideração primeiro e não aceitar sedes meramente pelo poder econômico de um país. A escolha de certas nações como o Catar para sediar uma Copa do Mundo se revelam verdadeiras aberrações. Estádios lindos a rodo e campeonatos fraquíssimos sem renda, público ou prestígio. Ambas as entidades precisam se higienizar e Michel Platini, mesmo sendo um ex-craque não está longe desse escrutínio.

Dentro de campo também muitas partidas deixaram a desejar. A maioria dos jogos foi uma correria só, sempre com os times se preocupando mais com a defesa que com o ataque. Muitas partidas da Euro foram verdadeiros soníferos, com jogos truncados e com poucas chances de gols. Exceção feita a Espanha, Alemanha e Portugal que colocaram algum brilho no torneio.

Na parte disciplinar bons pontos no fato extra campo, como multas e ameaça de perdas de pontos de seleções que deixaram seus torcedores exagerarem nas brigas e nos infelizes atos de racismo.

Na arbitragem se vê cada vez mais a necessidade de usar recursos eletrônicos em grandes torneios. A Inglaterra que foi prejudicada na copa de 2010, desta vez foi beneficiada na partida contra a Ucrânia. A bola do time da casa claramente entrou e nem mesmo a colocação de auxilares de linha ajudou. Claro, ele é um humano e os homens erram, pois existem limitações físicas de tempo e percepção do espaço. Até quando os cartolas do futebol mundial vão perceber que os recursos eletrônicos são poderosos auxiliares contra os calamitosos erros dos homens do apito?

mais um erro grave de arbitragem: recurso eletrônico já

Com a Euro de 2016 aumentada para 24 países, a tendência é que o fator técnico decline ainda mais.

Já imagino seleções como Albânia, Islândia e Estônia se apresentar em campos franceses e judiar da nossa amada bolinha.

Vamos a uma rápida análise das seleções nessa primeira fase.

Polônia – Bem que a seleção da casa tentou. Mas um Lewandowski não faz verão. A Polônia começou a Euro muito mal quando empatou com a fraca Grécia e com a rival Rússia. Na última partida sucumbiu em casa para a República Theca. Uma vergonha. A Polônia não tem o mesmo brilho das seleções dos anos setenta. Tanto que dá vexame em fases finais de Euro e Copa do Mundo desde 2008. Um time tão fraco que nem o fator “casa” ajudou.

Polônia: vexame em casa ainda na primeira fase

Rússia – Iniciou muito bem a sua campanha com uma goleada estrondosa sobre a República Checa. Mas o bom futebol russo não refletiu no comportamento de sua torcida. Marchas patrióticas, brigas e rusgas dos passado contra com poloneses, além de bandeiras imperialistas no estádios da Euro mancharam o nome da competição e renderam uma bela multa da UEFA ao russos. Sabemos que o esporte sempre vem com um componente político, mas o que importa mesmo é o resultado dentro de campo e o desempenho e talento de cada atleta. Nas quatro linhas a Rússia empatou com a Polônia e conseguiu ser desclassificada pela retranqueira Grécia. No final, o time de Arshavin caiu fora para o bem do futebol e levou junto seus intolerantes torcedores, pois o esporte nunca deve se misturar com conflitos políticos do passado.

Grécia – Se os romanos da antiguidade se basearam na cultura clássica grega para organizar a sua cidade, a situação entre as nações se inverteu no futebol contemporâneo mais de 2.500 anos depois.

A seleção grega conseguiu aperfeiçoar o “catennaccio” italiano com uma defesa sólida, jogadores experientes e extremamente disciplinados. Com essa fórmula empataram na estréia contra o time da casa, foram derrotados pela República Theca e conseguiram a classificação para as quartas com uma vitória sobre a Rússia pelo placar mínimo. Contou também com a sorte pelos resultados e a incompetência polonesa. Conseguirá a Grécia repetir a zebra de 2004? Esperamos que não.

República Theca – Começou muito mal essa Euro com uma derrota acachapante para os russos. Parecia que o time envelhecido com veteranos como Baros e Rosincky não iria resistir, mas surpreendentemente os thecos reagiram e ficaram em primeiro do grupo. Nunca devemos subestimar a força da escola Theca, campeã européia em 1976 e duas vezes vice campeã do mundo quando ainda era se chamava Thecoslováquia.  Uma grata surpresa.

Holanda – A grande decepção da Euro 2012. Sabíamos desde 2010 que a Holanda não jogava o mesmo futebol que a consagrou nos gramados mundiais em 1974. O time do chato treinador Bert van Marwijk é pragmático demais. Com a má fase de Sneijder e a péssima pontaria do “pipoqueiro voador” Robben, os laranjas perderam os três jogos dessa Euro se igualando em número de derrotas para a péssima Irlanda. Um vexame para o time vice campeão mundial, que se quiser voltar aos bons tempos terá de demitir Marwijk, que é nada mais nada menos que um Raymond Domenech que fala holandês.

Lucas Podolski: Alemanha forte como sempre

Alemanha – Uma barbada. Mesmo sem jogar o mesmo futebol da Copa do Mundo da África do Sul, a Alemanha atropelou os seus adversários e se tornou a única seleção dessa Euro a marcar nove pontos na primeira fase. Destaque para o grandalhão centroavante Mario Gomez, que nunca repetia pela Alemanha o mesmo desempenho que realizava em seus clubes. Nessa Euro “Super Mario” deixou as estatísticas negativas de lado e resolveu fazer uma penca de gols. O time de Joaquim Low confirma o seu favoritismo em busca de seu quarto título europeu.

Dinamarca – Um time fraco e sem brilho. Apesar da surpreendente vitória contra a Holanda na primeira partida, os dinamarqueses nãos seguraram a onda e perderam para Portugal e Alemanha. Muito longe de ser um time compacto e consistente que lhe deu o título de 1992.

Portugal – Finalmente depois de duas Euros e duas Copas do Mundo, o centroavante Cristiano Ronaldo passou a fazer a diferença. Única estrela da fraca constelação lusitana o time de Paulo Bento resolveu realizar o que qualquer treinador ponderado faria: obrigou  sua equipe a atuar em função de seu principal atacante. Depois de uma penca de gols perdidos contra a Alemanha e Dinamarca, o futebol do jogador do Real Madrid passou a ser novamente questionado. Mas Cristiano Ronaldo fez uma partida de gala contra a Holanda e mostrou que pode fazer a diferença e justificar a sua candidatura de melhor do mundo. Mesmo com gel, laquê e cútis, o metrossexual mostra que joga muita bola.

Cristiano Ronaldo: reação

Espanha – Melhor seleção do mundo, a Espanha justificou o favoritismo. Um jogaço contra a Itália na melhor partida da competição e um autêntico massacre contra a Irlanda mostrou ao mundo de que nada mudou de quatro anos para cá. A “Fúria” continua a jogar o mesmo futebol que a consagrou campeã europeia e mundial. Prova disso foi o terceiro jogo contra a Croácia em que os espanhóis conseguiram ter frieza mesmo no sufoco. Iniesta e Xavi continuam a jogar muito e para o terror dos adversários, Fernando Torres voltou a fazer gols.

Balotelli: um maluco na Eurocopa

Itália – Nunca duvidem da Itália. A história da seleção em competições internacionais é a prova disso. Apesar de mais uma vez ter jogadores acusados de participar de apostas ilegais como em 1982 e 2006 (anos em que a Azzurra ganhou Copas do Mundo) , a equipe parece forte, renovada e consistente comandados pelo excelente meio campista campeão do mundo Pirlo. O treinador Césare Prandelli conseguiu dar uma cara e um tom ofensivo na renovada seleção que conta agora no ataque com os “bad boys” Cassano e Balotelli. Um jogo de igual para igual com a Espanha, um empate contra a Croácia e uma vitória tranquila contra a Irlanda mostrou que a Azzurra sempre é candidata ao título. Olho neles.

Croácia – Futebolisticamente, desde a infeliz desintegração da Iugoslávia, a Croácia sempre foi o país que melhor representou o futebol da região do rio Reno. Nessa Eurocopa de 2012 até que os croatas não fizeram feio. Ganharam bem da Irlanda, mas tiveram o azar de cair com as duas últimas seleções campeãs do mundo. A Croácia tem até um bom time, mas no duelo de foices contra a Espanha levou a pior.

Irlanda – Somente o fato da equipe do veterano e consagrado italiano Giovanni Trapattoni se classificar para a fase final da Euro já foi um grande feito. De resto um time ruim, envelhecido e com um esquema de jogo manjado e ultrapassado. Destaque apenas para a alegre torcida irlandesa, que ao contrário da russa, foi a Euro somente para se divertir e não criar confusão. Nota dez para a torcida do Eire e zero para a equipe de Rob Keane.

Inglaterra – A maior surpresa dessa Euro 2012. Sem Wayne Rooney, suspenso nos dois primeiros jogos e com uma série de desfalques por contusões, se esperava um verdadeiro vexame do English Team na primeira fase. Contudo, a improvisada seleção do experiente treinador Roy Hodgson teve a grande qualidade de não esconder as suas limitações técnicas e jogou a moda inglesa, ou seja, defesa forte e cruzamentos constantes ao gol. Deu certo. Com muita raça a Inglaterra segurou a França, venceu a Suécia num jogo eletrizante e teve muita sorte na vitória contra os ucranianos. Se os britânicos irão longe é ainda muito cedo para dizer. O fato é que os ingleses surpreenderam até a sua desacreditada torcida.

Walcott comemora: mesmo improvisado o english team fez bonito

Suécia – A exemplo da Croácia, os suecos não tem um time ruim. A afirmação de que a seleção escandinava depende única e exclusivamente de Ibrahimovic é falsa. O atacante nunca repetiu na Suécia o mesmo desempenho mortífero que fazia em seus clubes. Mesmo assim, essa Euro 2012 foi a melhor atuação de Ibra em competições internacionais de seleções. Mesmo nas derrota contra a Ucrânia, o centroavante deixou sua marca. Contra a Inglaterra uma grande partida, mas a derrota por 3 x 2 eliminou a pretensão sueca de avançar para as quartas. A vitória sobre a França por 2 x0 com um golaço de Ibra provou que a Suécia tinha potencial de fazer algo a mais na competição. Infelizmente a derrota para os donos da casa pesou.

França – Depois do estrago feito na Copa de 2010, a França apostou em um novo técnico e um longo projeto de renovação. Com caras novas como Karin Benzema, e Nasri os “le bleus” fizeram uma primeira fase irregular, mas foi o suficiente para se classificaram para as quartas de final. Foram melhores que a Inglaterra na primeira partida, mas esbarraram na determinação adversária. Contra a Ucrânia, os franceses nem tomaram o conhecimento do time da casa e venceram por 2 x0. Relaxados, perderam da Suécia e ligaram o sinal amarelo. A França é um bom time dirigido por Laurent Blanc, mas precisa melhorar no aspecto defensivo e no salto alto de alguns jovens jogadores, que se julgam a última bolacha do pacote.

Ucrânia – Bem que o treinador Oleg Blokhin se esforçou, mas o que dizer de um time que ainda depende única e exclusivamente de um veterano jogador? Shevechenko tem 35 anos e disse claramente que não tinha condições físicas de jogar todas as partidas da Ucrânia na primeira fase. Apesar disso fez uma estréia antológica contra a Suécia virando o jogo para 2 x 1. Mas o desempenho do centroavante e do resto do time nos dois jogos seguintes foi uma autêntica decepção. Um time sem reação, pesado e que parecia jogar fora de seus domínios. Ficou a festa, a organização e os belos estádios porque o futebol da Ucrânia foi pífio nessa Euro.

Quartas de final

Amanhã – República Theca x Portugal

Sexta –        Alemanha x Grécia

Sábado –    Espanha x França

Domingo – Inglaterra x Itália

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