QUANDO NASCE UM CRAQUE

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Lucas: decisivo na vitória tricolor ontem

Um grande jogador não surge de uma hora para outra. Ao contrário do que muitos podem pensar são raros os momentos em que um futebolista se consagra sem antes ter comido o pão que o diabo amassou. Craque não nasce da noite para o dia, nem é resultado de um show de mágica de David Copperfield ou Mister M. O craque se molda, se torna.

Ontem no Morumbi na semifinal da Copa do Brasil vimos um bom exemplo disso. O São Paulo Futebol Clube jogava uma partida bisonha contra o disciplinado Coritiba do treinador Marcelo Oliveira. Até os 30 minutos do primeiro tempo, o clube paranaense dominou todas as ações do jogo. O meio campo do tricolor não funcionou. Cícero estava patético em campo, Casemiro talvez por não estar acostumado a ver o Morumbi lotado e com a pressão de um jogo decisivo em suas costas literalmente “amarelou”.

O torcedor são paulino mais atento poderia jurar que Casemiro jogava “borrado” nas calças dada o peso que sentia dentro de campo. Parecia que o time coxa branca iria aprontar uma enorme decepção aos mais de quarenta mil torcedores presentes no estádio. Luis Fabiano, principal estrela tricolor no ataque não conseguia marcar seus gols. Furava bolas incríveis e cabeceava tragicamente nas traves malditas do arqueiro coritibano Vanderlei.  Parecia estar contaminado pela “síndrome de David”.

Quase nada funcionava na engrenagem montada pelo “professor” Leão. Quase..

O torcedor que é acostumado a ver futebol sempre escuta dizer que é na hora do aperto que o craque aparece. Ele é o chamado“cara”, o sujeito que não tem medo quando a bola vai aos seus pés num momento difícil. Pois é.

Quase na metade do primeiro tempo o time são paulino descobriu Lucas na ponta direita e o garoto colocou fogo no jogo com arrancadas rápidas e dribles desconcertantes. O panorama da peleja havia mudado. O Coritiba já não ousava atacar mais a retaguarda paulista como antes. Havia alguém com quem se preocupar.

Todo o time tricolor parecia atuar com chuteiras de chumbo, menos Lucas. O garoto chamou a responsabilidade para si. Não se omitiu, tomou porrada, correu, procurou o gol e deu dois passes milimétricos desperdiçados por Luis Fabiano. Para piorar o pavoroso zagueiro Paulo Miranda cometeu uma falta estúpida e foi expulso deixando o São Paulo com um jogador a menos. Logo em seguida, o Coritiba mandou uma bola no travessão. Um empate àquela altura já era lucro para o São Paulo.

Mas Lucas era um oásis no mar de mediocridade são paulino. O camisa sete não desistiu e numa jogada magistral driblou a retaguarda coritibana invadiu a área adversária e deu um toque que entrou no canto do arqueiro coxa branca quase no final do jogo. O Morumbi explodiu. O tricolor paulista mesmo com um atleta a menos vencia o jogo, graças a grande noite de um jogador que antes era até contestado por alguns, como Raí, Dario Pereira e Careca foram.

Assim nascem os craques, não em propagandas de televisão ou dançinhas afetadas. O bom jogador se molda com sangue, suor, técnica e entrega dentro de campo. Ainda é cedo para chamar Lucas de craque? Talvez.

Mas se você torcedor ver o camisa sete se consagrar com a camisa da seleção e ser eleito o melhor do mundo no futuro se lembre do jogo de ontem. Poderá ter sido o dia em que mais um craque se formou no futebol brasileiro.

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