THE END

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Ricardo Teixeira: o fim do reinado

 

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira renunciou ao cargo da CBF e do COL.

Há duas semanas tudo indicava que o prenúncio de sua renúncia não passava de um boato dada a movimentação contrária de políticos e o apoio que as federações estaduais deram a ele na semana passada. O “golpe” da licença médica já dado há dez anos nas CPIS do Congresso também demonstravam que o cartola iria esperar a chapa esfriar para voltar em grande estilo.

Hoje, surpreendentemente Ricardo Teixeira anunciou a sua saída e deixou a cadeira da CBF, para nunca mais voltar. A pressão da opinião pública, a deterioração de sua saúde e a falta de de apoio da presidenta Dilma Rousseff foram determinantes. A investigação de órgãos federais para devassar a sua vida financeira foram fundamentais para que Teixeira pular do navio como um rato assustado.

Para não perder o que já tinha, Teixeira vendeu suas propriedades e irá viver uma vida tranquila em Boca Raton nos Estados Unidos. José Maria Marin, o vice-presidente mais velho da entidade assumirá o seu lugar.

Ex- governador de São Paulo e ex-presidente da Federação Paulista, Marin voltou a cena depois de roubar uma medalha na entrega de troféus na Copa São Paulo deste ano. Participou do grupo ligado a Nabi Abi Chedid, que comandou tragicamente a CBF nos anos oitenta.

Marin pertenceu a Arena, partido que deu sustentação ao regime militar de 1964. Foi apadrinhado de Paulo Maluf, um dos piores políticos que esta nação já conheceu em toda a sua história.

Depois de 27 anos de ditadura militar parece que uma das únicas instituições que não conseguiram se democratizar foi o futebol. As federações permanecem vinculadas a velhos vícios, sempre com os mesmos presidentes ligados a esse ou aquele grupo político. Trinta anos de descalabros e nada se altera.

A saída de Teixeira poderia representar uma saída para o estilo feudal do futebol brasileiro, mas a entrada de Marin é o sinal de que as coisas continuarão como estão. Nada irá se alterar até segunda ordem. Afinal com filhos de Sarney e outros grupos politiqueiros no comando da entidade não há premissa de melhorias.

Os clubes, os verdadeiros alicerces do futebol brasileiro é que deveriam tomar as rédeas da organização do esporte. Unidos os times poderiam comandar um liga independente e organizar um calendário menos sofrível e buscar maiores lucros almejando uma verdadeira profissionalização do esporte.

Mas as esquadras brasucas são comandadas por verdadeiros “mini Teixeiras”. Alguns, como o agora ex- presidente da CBF alteram o estatuto para permanecerem no poder e outros compram fazendas deixando o seu time a míngua e sem salários. Alguns trocam uma possível independência por estádios e favores pessoais.

Enquanto a mentalidade dos dirigentes for essa, a troca da cadeira da entidade futebolística será um “mero seis por meia dúzia”.

Há motivos para comemoração? Claro. O ex-genro de João Havelange representava tudo o que era mais nefasto do futebol brasileiro, mas não se esqueçam. Ele não se elegeu sozinho. Se o ex-comandante da Confederação Brasileira de Futebol ficou na entidade durante 23 anos é porque o presidente do seu clube o colocou lá.

Enquanto os times de futebol do Brasil continuarem a fazerem o papel de meros serviçais, o desenvolvimento do esporte mais amado pelos brasileiros permanecerá estagnado.

A duvida que fica é a seguinte: a saída de Teixeira representa um avanço ou um retrocesso?

Somente o tempo terá essa resposta.

Esperamos sinceramente que o futebol brasileiro mude para melhor.

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8 Respostas to “THE END”

  1. guina Says:

    Um dos dias mais felizes e tristes da minha vida.
    Feliz pq vc já sabe e trioste pq agora chegou a prova definitiva de que o MUNDO VAI ACABAR EM 2012. Uhauhahahahahahahahha!

    Agoira é hora de fazer a limpa! Mas eu dúvido, a não ser que a Dilma tome uma atitude!

  2. guina Says:

    Ah, brilhante texto parceiro! Mas uma liga nunca daria certo em um país que o clubismo prevalece! Parabéns para vc, para o futebol e pra todos nós.

  3. Antonio Traban Says:

    Abdul

    Apesar de tudo o Teixeira foi vitorioso na seleção. 2 Mundiais, 5 Copas Américas, duas Copas das Confederações. Fora os títulos da base. Como é que fica?

  4. Marcelo Abdul Says:

    Rssss. Na verdade o mundo acabou pro Ricardo Teixeira. Acho que a limpa vai demorar mais um pouco. Depende dos clubes mas eles estão cheios de “Teixeirinhas”. Difícil….

  5. Marcelo Abdul Says:

    Verdade Guina. O clubismo e a ambição dos cartolas falam mais alto. Clubismo de quintal né, pois vários desses presidentes ficaram ricos as custas dos seus clubes. São Ricardos Teixeiras em miniatura. Tem que mudar isso também porque senão a estrutura continuará a mesma. Vide o poodle do Teixeira que em troca de um estádio e favores pessoais implodiu o clube dos 13. Agora os times que foram na onda estão fazendo arrecadação na internet pra comprar jogador meia boca.

  6. Marcelo Abdul Says:

    Verdade. Ele ganhou muito. Mussolini mandou e desmandou na federação italiana e eles ganharam duas Copas. Jorge Rafael Videla, general argentino que está preso hoje por crimes contra a humanidade também ganhou uma Copa do Mundo. Você falou de duas vitórias e esqueceu de dizer da “lazzarenta” seleção de 90, da má administração do “piripaque” do Ronaldo em 1998 e da zona em Vecks na Copa de 2006. Fora o regime de concentração espartano realizado por Dunga em 2010. Teixeira entrou em campo? Fez esquema tático pro Brasil vencer a Itália? Fez gol na Alemanha? Quem ganha Copas de verdade são os jogadores. Cartola só pode aplaudir, lamentar ou chacoalhar o rolex.

  7. guina Says:

    Pra ficar 23 anos a frente da direção da CBF foram muito poucas as conquistas, Antonio. Nessas gerações a que vc se refere tinhamos material humano pra formar “a NBA” do futebol. Mais um que acredita no “Legado” deixado pelo Teixeira?

  8. Marcelo Abdul Says:

    Pois é. Veja o legado que ele deixou. Grande parte do torcedor brasileiro prefere ver seu clube do que a seleção. Virou balcão de negócios. Não é a toa que a Espanha, Alemanha, Holanda e Uruguai estão na crista da onda e o Brasil está caindo pelas tabelas.

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