A METAMORFOSE

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Muricy atônito com o massacre: pragmatismo "fail"

Passadas algumas horas da humilhante goleada do Barcelona sobre o Santos na final do Mundial Interclubes da Fifa muitas questões foram levantadas.

Entre elas o próprio desenvolvimento do futebol brasileiro nos últimos anos. Essa é uma questão que merece uma análise profunda e que não pode ser feita sob o aspecto do oito ou oitenta. O Brasil não passou a ser um terceiro mundo do futebol por causa da derrota santista. O maior país da América do Sul continua a ser uma referência quando se fala do esporte no globo.

Os números falam por si. Desde a década de noventa o Brasil tem feito campões mundiais interclubes, da libertadores e a seleção brasileira tem vencido torneios internacionais como a Copa América e a Copa das Confederações. Se não vencem, pelo menos chegam a final deste torneios.

Contudo é inegável que existe uma falta de renovação técnica nos treinadores brasileiros. Mais que isso. Há  ausência da compreensão de muitos deles em conhecer as verdadeiras raízes do futebol brasileiro. Desde a vitória do Brasil na Copa de 1994, a grande maioria dos técnicos nacionais seguiu o estilo “pragmático”. Depois da derrota da seleção brasileira em 1982 criou-se o falso mito de que “jogar bonito é sinônimo de derrota”. Nada pode soar tão falso e mentiroso, pois aquela seleção, além de atuar contra outro grande time, jogou de igual para igual até o apito final no estádio Sarriá.

Desde lá uma geração inteira de craques como Zico, Sócrates, Júnior, Cerezo, Falcão e Éder ficou marcada como derrotada porque não venceu um mundial. Inacreditável pois todos esses atletas foram campeões em seus clubes.

Conseguir uma Copa do Mundo é importante sem dúvida, mas mais fundamental ainda é  o modo de como você a vence. Quando Sócrates faleceu há algumas semanas o mundo do futebol se comoveu, principalmente pela sua maravilhosa atuação na Copa da Espanha. Um time que é lembrado até hoje e que causa mais nostalgia que a seleção campeã do mundo em 1994.

Mas os catastrofistas e pragmáticos de plantão começaram a vencer a batalha depois que Dunga levantou a Taça Fifa aos urros no estádio Rose Bowl. A partir desta data os treinadores passaram a encher as suas esquadras de brucutus. Os meio campistas criativos foram perdendo espaço e cada vez mais os chamados “volantes de contenção” ganharam a alcunha de craques. Pelo menos na visão dos práticos e dos simplistas. Felipe Melo na Copa de 2010 que o diga.

Dunga levanta a Copa em 1994: a exceção vira a regra

O resultado de tudo isso é que hoje vemos um futebol brasileiro bem diferente das suas origens. Não que ele tenha sido totalmente esquecido. Isso é uma falácia. O próprio Santos no ano passado contrariou essa tese. Mas o que era antes regra no futebol brasileiro virou uma exceção. Jogar com toque de bola e avançar hoje é uma raridade dentro dos estádios verde-amarelos. O medo e a covardia prevalecem.

A ascensão e o sucesso de treinadores como Muricy Ramalho, Felipão, Mano Menezes, Celso Roth e Tite é a prova de que o resultado em si prevalece sobre a filosofia de jogo. Basta colocar dez volantes atrás e um centroavante parrudo na frente para os problemas dentro de campo sejam resolvidos. Uma visão tosca quando se trata de um futebol tão rico como o brasileiro. Na Irlanda isso pode até ser considerado normal, mas num país que apareceu para o mundo com um futebol ofensivo, de toques refinados e craques de bola isso é um sacrilégio fatal. Infelizmente essa é a realidade do futebol brasileiro na atualidade. Nos últimos campeonatos nacionais o time mais defensivo foi o vencedor.

Muricy foi tricampeão pelo São Paulo assim. No Fluminense ele foi vencedor em 2010 com um futebol pior do que jogado por Cuca um ano antes mesmo tendo verdadeiros craques em seu time. Tite foi campeão  pelo Corinthians com um futebol comum e nada excepcional.

A roda da vida gira. O mundo muda e a Espanha joga um futebol de cinema. Vence a Euro, o Mundial e os seus dois principais clubes dominam as manchetes do mundo a cada semana. Aqui nos fechamos dentro de uma redoma de vidro. Enchemos nossos clubes de volantes que mal sabem passar uma bola, quanto mais chutá-la para o gol e chamamos nosso torneio como um dos “campeonatos mais difíceis do mundo”.

Nossos técnicos dão declarações arrogantes como “espetáculo só no teatro municipal” ou “ quero ver o Guardiola ser campeão brasileiro”. Não foi campeão do torneio da CBF mas venceu o Mundial. Deu espetáculo e não foi na praça Ramos de Azevedo. Pobre Muricy. Foi arrogante e percebeu que não basta apenas inchar o time com perebas. É necessário algo mais.

O futebol brasileiro aos poucos sofreu um processo de metamorfose. Esqueceu as suas raízes pois acreditou que o futebol cauteloso e defensivo fosse a chave de todas as vitórias. Uma bobagem. Talvez a maior conquista do futebol brasileiro seja ele voltar a ser exatamente o que ele era há quase vinte anos.

Simplesmente brasileiro.

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14 Respostas to “A METAMORFOSE”

  1. Paulo Rubens Says:

    Ver o Mumu com cara de bosta depois de tomar 4 gols do Barça não tem preço. Tomara que esse cara vá pro Catar e o Brasil tenha uma geração melhor de treinadores. O torcedor brasileiro tá cheio desses treineiros que jogam lá trás e não sabem ensinar um cara a passar uma bola.

    Treinador do Brasil é preguiçoso! Não gosta de treinar fundamento. Fato!

  2. Paulo Rubens Says:

    A propósito parabéns pelo texto. Tem um bocado de jornalista falando isso agora na segunda-feira. Será que eles olham o teu blog? UAHAUAHUAHA!

  3. Zé Duarte Says:

    Deixa eu ver se entendi. Quer dizer que o título de 1994 não valeu nada na sua opinião?

  4. Marcelo Abdul Says:

    O mais incrível é que o Muricy foi auxiliar técnico do Telê e não aprendeu nada. Pelo menos na parte técnica os times dele nunca foram uma unanimidade. Ele é a antíntese do futebol do Telê. Se o mestre estivesse vivo tenho certeza que o Muricy ia ser criticado por seus métodos. Mas cada um escolhe o seu caminho e o seu destino. No futebol cada um tem o seu método de trabalho.

  5. Marcelo Abdul Says:

    Acho que não. O que eu escrevi foi meio óbvio. Todo mundo que acompanha o futebol brasileiro há mais de trinta anos sabe que o mesmo sofreu uma transformação técnica. O pior é que os defensores do pragmatismo perdem 200 Copas do Mundo e ainda tem a cara de pau de citar a seleção de 1982 como mau exemplo. Como se 74, 78, 90, 2006 e 2010 também não fossem.

  6. Marcelo Abdul Says:

    Você entendeu mal. Valeu sim e muito. Tirou o Brasil de uma incômoda fila de 24 anos. Mas os métodos foram diferentes. A maioria entendeu que para vencer você tinha que jogar mais fechado. E assim caminhou o futebol do Brasil nos últimos anos. A técnica passou a ser relevada ao segundo plano e a formação de base dos clubes passou começou a apresentar um excesso de brucutus. Hoje raramente você vê um lateral ou meio campista de criação nas divisões inferiores. Mas olha o meio de campo. Gente é que não falta. O problema foi achar que o título de 1994 foi uma solução para todos os problemas quando na verdade ele é apenas mais uma das muitas soluções que poderiam ser apresentadas.

  7. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Roubado.

  8. Marcelo Abdul Says:

    Que é isso Lina. Roubar definitivamente não é com você. Abraços.

  9. guina Says:

    Roubado II: A missão

  10. guina Says:

    O melhor de tudo Abdul foi a resposta do Guardiola, quando perguntado por que não foi técnico no Brasil:
    “Não tive cvonvites!”
    Rsrrsrsrs
    Putz Muriçoca, fatality.
    Em boca fechada não entra mosquito.

  11. Marcelo Abdul Says:

    Putzzzzz. Rsss.

  12. Marcelo Abdul Says:

    O Muricy foi arrogante. Acho que poderia vencer o Barcelona com seu sistema “10-0-1”. O time dele não pegou na bola. Parecia um Al Sadd com grife. Agora muita gente entende porque não gosto do estilo de jogo dele. Ele é esforçado? Sim. Trabalhador? Sim. Retranqueiro? Demais. Não gosto dos esquemas dele. É anti futebol. Vence mas é uma merda.

  13. Rivelino Santos Says:

    Em primeiro lugar Muricy não venceu a Copa Libertadores sozinho, inclusive ele se negou a comandar o time no jogo contra o Colo-Colo. Se o Santos empatasse o jogo o time estava fora da Libertadores. O treinador foi Marcelo Martelote. O Santos conseguiu a vitória e ficou muito cômodo para Muricy, se o time perdesse ele não tinha nada haver, se o time conseguisse a vitória como conseguiu muitos disseram que já tinha o dedo do trabalho do treinador. Ele ficou isento da partida decisiva. Lembrar que Muricy na mesma Libertadores só conseguiu dois pontos treinando o Fluminense na mesma Libertadores. É só ler o meu blog.
    Somente Muricy acha que o ano do Santos foi bom. O time já no seu comando se classificou para a segunda fase da Libertadores contra o Deportivo Táchira que já estava eliminado da competição, o jogo foi moleza. O campeonato paulista e os outros campeonatos estaduais não serve como parâmetro para analisar qualquer equipe, e lembrando mais uma vez, Muricy deixou o Fluminense eliminado da semi final da taça Guanabara. E no campeonato brasileiro o time fez uma péssima campanha, com atuações horríveis, e jogando um futebol chato e feio.
    Como é que ele diz que o ano do Santos foi bom ?
    O treinador teve o segundo semestre inteiro para trabalhar, e o que nós vimos foi um time muito mal organizado em campo, e com muitas indefinições táticas. A diretoria também teve muita culpa. O clube não contratou reforços, e deixou o time com uma defesa fraca e insegura. O chamado grande jogo do ano ( Santos x Flamengo ) no primeiro turno mostrou a fragilidade da defesa santista. O time tomou uma virada do Flamengo, e se fosse o time fosse mais consistente não sofreria os gols que levaram do Flamengo. Não estou desmerecendo a bela partida que o Flamengo fez.
    É muito difícil esse futebol apresentado pelo mundo influenciar no futebol brasileiro. A CBF só pensa em resultados por que com os resultados os patrocínios aparecem e a entidade fica mais rica, esquecendo das divisões de base, e esquecendo de ajudar o restante dos clubes do futebol brasileiro. Os clubes não tem nenhum interesse em formar atletas e homens, eles só pensam em favorecer determinados grupos de empresários. É difícil colocar na cabeça do torcedor que antes de conquistar um titulo é preciso fazer um trabalho a longo prazo, no Brasil basta perder uma partida que as chamadas torcidas organizadas começam a protestar e tiram o técnico do comando do clube. Mais detalhes nas minhas postagens no meu blog.

    O jogador Paulo Henrique Ganso há muito tempo que não joga nada. Pode ser que o jogador volte a ser o jogador que todos viram jogar. Mas o jogador Paulo Henrique Ganso está muito longe de ser um craque, pode até acontecer, mas eu particularmente acho muito difícil. O jogador não tem mercado no futebol Europeu, e nenhum clube tem interesse no jogador. É muito difícil ele da forma que está jogando jogar no futebol Europeu, ele pode sim ir para o chamado mundo Árabe, ou para o futebol Chinês.
    O jogador não jogou nada pela seleção brasileira e nem pelo Santos. Muitos pode até dizer que as lesões atrapalharam o atleta, concordo. Mas muitos jogadores sofrem lesões graves e volta mais rápido e muito melhor. O jogador Ganso é um jogador que só quer jogar com a bola no pé , não faz uma uma marcação no meio campo, não ajuda os companheiros de defesa dando combate nas jogadas dos adversários, e além de tudo é muito problemático. O jogador não tinha que vender a sua parte para a DIS no exato momento de uma decisão de Mundial de Clubes. Os direitos econômicos era dele e ele tinha todo o direito de vender, mas o momento não foi correto.
    Os jogadores Ganso e Neymar tem que aprender muito com a disciplina tática. Os jogadores são considerados verdadeiros Pop star, cheios de segurança, cheios de mordomia, tirando e colocando treinador ( quero lembrar dos casos que ocorreram com Dorival Júnior ). É muito diferente de alguns grandes jogadores do futebol mundial. O maior exemplo é Messi, que fala pouco e joga muito.

    Convido a todos para ler o meu blog.
    http://www.rivelinosantos.wordpress.com
    E-mail rivelino.futebol@hotmail.com
    E-mail rivelino.futebol@yahoo.com.br
    Muito obrigado e que o nosso bondoso DEUS abençoe a todos.

    • 13h11

  14. Marcelo Abdul Says:

    Rivelino. Esse é o “efeito Muricy”. Para efeito imediato ele funciona muito bem. Mas com o tempo ele “embaranga” o time. Assim foi em todos os clubes em que ele passou. O Santos cantou e decantou planejamento mas foi só o Adílson Batista perder uns jogos que o LAOR mandou ele embora. Num clube considerado sério, Dorival Júnior jamais teria sido demitido. Ele quis dar uma lição no atrevimento do Neymar, mas os cartolas passaram a mão na cabeça do rapaz e o time que encantou o Brasil no primeiro semestre do ano passado se tranformou num time burocrático meses mais tarde.

    E se fosse o Santos do Dorival e não o do Muricy que disputasse a final contra o Barcelona? Será que teríamos um resultado igual? Talvez o vexame não seria tão grande. Mas isso é hipotético. A realidade é que nem Ganso e Neymar são uma porcaria só porque perderam pro Barcelona. O Muricy encheu o time de brucutus. Tirou o Elano ( que dava um toque de qualidade no meio campo) e esperou que o seu 10-0-1 funcionasse contra a equipe do Guardiola. A grande lição é que o futebol é coletivo. Todos devem participar e não apenas destruir para depender apenas de dois bons jogadores. Muricy esperou isso e se fudeu.

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