CRÔNICAS – DE ASSAD ABDUL NOUR

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A principal inspiração para escrever e seguir com o sangue do jornalismo não veio pelas palavras de um Jorge Amado, Eça de Queiroz, Machado de Assis ou Gabriel Garcia Marquez.  O principal responsável por isso é  o meu pai Assad Abdul Nour. Cronista por muitos anos dos jornais “Gazeta de Limeira”,  “O Atibaiense”,  “Atibaia Hoje” e “Tribuna de Petrópolis”, ele acaba de lançar um livro com o melhor de seus textos ao longo de toda a sua carreira. Tive a honra por muitas vezes de ler seus escritos antes de saírem nas páginas dos jornais e como muitos leitores me maravilhei com suas palavras.

Para quem não conhece o estilo inconfundível e harmonioso do senhor Assad aqui vai um aperitivo.

O tema? Tem a ver com o futebol é claro.

Quem quiser adquirir o livro é só contatar os e-mails assad.abdul@hotmail ou marcelo.abdul@gmail.com

Recomendo desde já.

UM BRASILEIRO CHAMADO “MANÉ”

De Assad Abdul Nour 

Ele nasceu em 28 de outubro de 1933 Manoel dos Santos. Ou melhor: Mané Garrincha. Onde nasceu, garrincha é apelido do cambaxira, um pássaro doce e de belo trinado.

“Mane“ era como o pássaro: pequeno para a sua idade, e dócil, muito dócil. Assim nos elucida Ruy Castro, em seu livro “Estrela Solitária, Um Brasileiro Chamado Garrincha”, volume de quinhentas páginas.

A vida de “Mane Garrincha” nunca foi um mar de rosas. Isso para quem o observasse clinicamente, de fora ele. Porém para ele, ele mesmo, a vida era de prazeres.

Ruy Castro nos conta a multifacetada ida de Garrincha. Tim Tim por Tim Tim. Tudo mesmo. Para isso, entrevistou, longamente, 170 pessoas chegadas intimamente à Garrincha. Nos conta desde a sua “pura inocência” (que conservou na vida adulta), e que cativava a quem o conhecesse. Desde suas aventuras sexuais, que lhe deixaram 14 filhos (um na Suécia). Desde seu longo e abrasante relacionamento com Elza Soares (que realmente o amava e o protegia), com quem viveu de 1962 a 1977. Até sua morte, em 1983, como derradeira conseqüência do alcoolismo.

Garrincha e Elza, péssimos financistas, foram milionários várias vezes e várias vezes deixaram de sê-lo. Ambos eram generosos com seus familiares e amigos. Quem saiu-se mal, terrivelmente mal, nessa história toda, apesar da bondade de Garrincha, foi a Nair, sua primeira mulher, que morreu de câncer, aos 38 anos. Ludibriada, sabe-se lá por quem ou por quantos, que lhe dilapidaram os bens que nosso herói lhe deu, na consumação do divórcio. Falou-se que seu advogado lhe cobrava 2/3 de comissão, e supõe-se que a cunhadagem do nosso herói aproveitou-se da humildade de Nair.

Vários mitos a seu respeito são derrubados. Ele não era “tolo” como faziam crer as hilariantes piadas a seu respeito. Ele era sim espirituoso, a seu modo. Não dependeu financeiramente de Elza Soares, como se acreditava na época. Isso aconteceu em determinadas fases da sua vida.

Amava suas filhas, que produzia “abundantemente” em Nair, mesmo depois de não viverem mais juntos. E era generoso e atencioso com elas. Visitava-as freqüentemente. Uma delas tem as mesmas pernas tortas do pai. O alcoolismo prejudicou, seriamente, sua vida profissional. Faltava com freqüência, aos jogos treino do Botafogo. Suas incríveis pernas tortas, além de tortas, uma era mais curta, provocaram o surgimento da artrose, que lhe minou a carreira, dificultando-lhe o domínio da bola e dos adversários. Nosso grande herói até chegou a ser vaiado, por aqueles que antes, o aplaudiam delirantemente.

Para se entender o grande ídolo, proponho a leitura, às vezes gostosa, e muitas vezes triste, de “Estrela Solitária”.

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6 Respostas to “CRÔNICAS – DE ASSAD ABDUL NOUR”

  1. GUINA SP10 Says:

    Meu grande brother Abdul, naum sabia que seu pai era escritor, e essa crônica me fez alimentar a saudade imensa de quando me apaixonei pelo livro de Ruy Castro, “Estrela Solitaria”. Que li sem parar num espaço de 3 dias, essa crônica recolocou minha vontrade de ler novamente, este que para mim é uma das maiores obras de biografias já escritas. E parabéns meu amigo, por ter um pai que te incentivou à literatura. Ah se todos os pais fossem assim…
    E em uma daquelas semelhanças, ontem postei uma poesia minha no meu blog. É época de evocar à literatura, e quero um livro do seu pai!

  2. GUINA SP10 Says:

    hahahaha, naum pense que eu quero um livro de graça! Pq eu vou comprar…Rsrsrsrsrsrsr

  3. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Fala ai Abdul !
    Salve o seo Nour !
    Inspiração dentro de casa é para poucos.
    Parabéns !
    ***(*) ******(*)

  4. Marcelo Abdul Says:

    Oi Guina. Ele é escritor sim e um dos melhores. A história dessa crônica é engraçada. Meu pai não estava muito a fim de ler as obras atuais até que um dia eu cheguei na casa dele com o livro do Ruy Castro debaixo do braço. Pimba! Como você ele começou a ler a biografia do Mané sem parar. Sem dúvida é uma das melhores que eu li também. Manda um e-mail que a gente combina o lance e eu te mando o livro. Abraços.

  5. Marcelo Abdul Says:

    Opa….rsss. Manda um e-mail Guina e a gente combina. Eu te mando o livro. Vale a pena. Abração.

  6. Marcelo Abdul Says:

    Valeu Lina. Obrigado. 🙂

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