A SÍNDROME “FLORENTINO PÉREZ”

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R. Gaúcho: vale a pena se endividar por ele?

2008. O São Paulo Futebol Clube  contrata o artilheiro Adriano da Internazionale  por empréstimo por 6 meses. O intuito? Ter um craque de nível de seleção brasileira, títulos e marketing de camisas estourando nas lojas oficiais.  Mas Adriano não consegue fugir dos problemas. Conhece as baladas paulistanas e até mesmo abandona o treino.  Resultado? Uma participação média e insatisfatória.

2009. O Corinthians contrata Ronaldo, o maior artilheiro da história das Copas  e faz sucesso com títulos e patrocínios exorbitantes. A maioria dos lucros são para pagar o alto  salário do atleta. Com o tempo Ronaldo perde a sua luta contra o peso e as seguidas contusões. O investimento vai se tornando um fardo. Mas o marketing e a exploração da imagem continua. Bom para o Ronaldo e para a marca Corinthians. Ruim para o torcedor que não o vê praticamente em campo.

2011. A bola da vez é Ronaldinho Gaúcho. Quatro grandes clubes quebrados do futebol brasileiro tentam possuir o direito federativo do meia. O Flamengo que ainda paga pelas seguidas más adminstrações desde os anos noventa quer despejar mihões pelo seu futebol. Isso num período em que o Rio de Janeiro ficará sem o Maracanã até 2013.  O Palmeiras, que tem problemas para pagar o direito de imagem de alguns atletas está com um estádio semidestruído e com uma enorme dúvida se a Arena sairá do papel ou não.  Até mesmo o principal patrocinador do clube, a Traffic, está cobrando dívidas da diretoria palestrina que não consegue se entender.

O Grêmio, recém saído de uma enorme crise financeira depois da má sucedida parceria com a ISL quer reaver um jogador que saiu pelas portas dos fundos do clube.  Quer pagar um preço que moralmente nem deveria tentar pelo fato de Ronaldinho Gaúcho ter cometido uma bobagem ao abandonar o tricolor gaúcho sem que o clube ganhasse um tostão de início. Precisou apelar para a Fifa para ter algum ganho. Vale a pena se matar por ele? A diretoria gremista acha que sim, mas uma parte da torcida acha que não.

O fato é que as cifras do futebol mundial estão se tornando cada vez mais inverossímeis. As contas milionárias não fecham num mundo em crise. A econômia da maioria dos países está  em franca queda tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. É  uma loucura que os clubes brasileiros fazem no momento.  Alguns dirigentes enbasbacados pegam os números do “espetáculo do crescimento” do ex-presidente e confiam que podem manter um atleta com salários astronômicos.  A justificativa? Mais venda de camisas, mais exposição da marca do clube, mais venda de ingressos e é claro, títulos a rodo. É a sindrome “Florentino Pérez” que toma conta da mente dos cartolas brasileiros.

Desde o sucesso de Ronaldo no Corinthians em 2009, muitos clubes tentam repetir a fórmula para que a exposição da mídia seja a principal força motriz do clube. Talvez Ronaldo seja a exceção à regra pelo fato de ser um jogador fora de série, mas que apresenta agora problemas físicos graves e que limitaram bastante o seu futebol.

Todo esse montante que os clubes  desejam investir em atletas veteranos e decadentes deveria  ser usado na formação das categorias de base dos clubes. O times brasileiros deveriam se esforçar e se unirem para mudar vários pontos da atual lei Pelé, que tornou o jogador de futebol um mero títere de empresários inescrupulosos. O clube mal consegue formar um atleta e já tem a sua “jóias” aliciadas por clubes europeus, árábes e outros centros menos expressivos  em busca de “pé de obras” mais baratos. Esse verdadeiro tráfico velado deveria mudar imediatamente. Não é possível que um atleta como Felipe Coutinho saia tão cedo do Brasil por uma quantia tão insignificante.

Mas o futebol brasileiro é uma velha vítima dos cartolas incompetentes e beijadores de mãos dos presidentes das federações e confederações. Os mesmos que só pensam em dinheiro ao tranformarem torneios sub 18 em vitrine para empresários. A falta de visão e a ausência de solidariedade dos clubes entre si são responsáveis pelo atual estado de decadência dos campos nacionais. Enquanto as agremiações forem desunidas o futebol brasileiro continuará na UTI. E o torcedor vai acreditar que a aquisição de um jogador veterano que futuramente vai quebrar o seu clube será a solução de seus problemas.

Ronaldinho foi um bom jogador. Espero que volte a ser o mesmo atleta de antes de 2006 que encantou a todos. Mas o que se espera é que os clubes gastem seu dinheiro e seu esforço na formação de outros Ronaldinhos e que se dediquem ao máximo para mantê-los.  Caso contrário o governo vai ter que criar outra “Timemania” para sanar as dívidas fiscais dos dirigentes irresponsáveis que mesmo depois de quebrarem seus clubes continuam a gastar mais do que arrecadam.  Os lucros podem crescer mas as dívidas ainda estão no balanço anual das receitas clubísticas. Quem vai pagar essa conta?

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16 Respostas to “A SÍNDROME “FLORENTINO PÉREZ””

  1. GUINA SP10 Says:

    O Ronaldinho Gaucho se encontra em uma situação delicada, faz leilão e possibilita uma futura cobrança em massa (imprensa e torcida). Sua atitude deixa os inconfíaveis clubes na disputa, desconfiados. O Palmeiras (clube para mim, de grandeza contestável) tenta empurrar goela abaixo do seu sofrido torcedor um craque da grandeza do passado da academia (sim, a academia e a Parmalat foram grandes, e em algum lugar dentro do Ronaldinho Gaucho tem um jogador mágico adormecido pelo sono que as baladas proporcionam), o Corinthians vive da falácia e se empanturra de dividas em nome da grandiloquência de seu maufadado centenário, o Flamengo é um capítulo a parte, não sei de onde arrumam dinheiro, talvez a globo….mas deixa isso pra lá. O perigo para o Gaucho é o Grêmio, de onde ele sai Herói e vilão, corre o risco de não jogar bem e ter a ira de seus antigos admiradores, só deve ir para lá se realmente quiser voltar a jogar bem (nem precisa ser aquele jogador mágico que um dia foi). Mas como acho que ele gosta do perigo deve escolher o Grêmio. E se vocês me perguntassem se eu o queria no SPFC, a resposta é sim.

  2. GUINA SP10 Says:

    Complementando: Só acho estranho a forma desvairada do sr. Ronaldo Fenomêno em tentar repatriar, para o Corinthians, os craques brasileiros que atuam no exterior. Estranho, muito estranho…….

  3. Marcos Says:

    Abdul,

    Brilhante texto!!!
    Eu já tinha a opinião formada de que este dinheiro deveria ser investido no futebol de base. Para mim, está tão óbvio que, quem não enxerga isto é cego!!! O único problema é que a grande maioria dos dirigentes não tem comprometimento com o clube. Eles querem agradar torcedores e conseguir votos para a próxima eleição. Para estes dirigentes, o clube que se dane. O importante é estar lá o mais tempo possível e agir conforme interesses pessoais e financeiros.

    abraço!!!!

  4. Marcelo Abdul Says:

    Também penso dessa forma Marcos. Os dirigentes mais bitolados só pensam no imediatismo e ignoram as consequências. Isso é muito grave. Talvez por isso os deputados da “bancada da bola” no Congresso queiram retirar da lei sobre o futebol a responsabilidade fiscall dos dirigentes. Gasta-se a rodo e que o sucessor pague a conta.Uma vergonha.

  5. Marcelo Abdul Says:

    É constrangedor o leilão que o Assis está promovendo. Mais vergonhoso ainda são os clubes endividados ficarem de pires na mão pedindo pelo amor de Deus para que Ronaldinho Gaúcho escolha os seus clubes. Dentro da realidade nacional o que Assis e o Milan pedem é um absurdo. Eu me sentiria envergonhado se visse meu time se humilhando dessa maneira. Alguns cartolas perderam a noção da realidade.

  6. Marcelo Abdul Says:

    Nem tão desvairada e nem tão estranha assim. Ronaldo é empresário. Ganharia muito com a vinda de seu ex-companheiro de seleção brasileira. Nada é por acaso.

  7. José Roberto Says:

    Abdul.
    Feliz 2011 para você, familiares e participantes do blog.
    Pior que já tiraram a responsabilidade dos dirigentes no final de 2010, na época das eleições.
    Sou mais velho que vocês, lembro com saudades das antigas negociações entre cubes para venda e compra de jogadores.
    Por exemplo quando o são Paulo foi buscar uma dupla de ataque que fazia muito sucesso no Guarani, o de Campinas não o da Turiassu.
    A dupla que fazia muits gols, Nelsinho e Babá, dias de negociações, aquele frisson, nós torcedores acompanhavamos pelo rádio cada passo até a compra final.
    Quando o Tricolor comprou o Chicão Gavião (FRANCISCO GESUINO AVANZI) da Ponte Preta, outro também vindo da Macaca, o Teodoro grande volante.
    Quando o SP comprou do Santos os maiores centroavantes do mundo, Pagão e Toninho Guerreiro.
    Pagão na vespera de sua estréia quando perguntado por um reporter da capital, como sería jogar no São Paulo já que na crônica esportiva da Baixada Santista era considerado acabado para o futebol.
    Respondeu: “Amanhã vou mostrar se estou acabado ou não”
    Sabe o que aconteceu?

    Veja.

    Em 1963 o Santos era um dos melhores times do mundo, dono de um plantel que dava inveja aos outros times, ganhar dessa equipe era motivo de satisfação. Nessa época as excursões ao exterior era fonte de maior receita, e não era raro a equipe santista entrar com o campeonato já em andamento.
    Mas aquele fatídico 15 de agosto ficaria marcado na história do futebol como o “jogo dos fujões” e até hoje é lembrado por muitos sãopaulinos e que muitos santistas gostariam esquecer.
    A equipe do São Paulo era muito boa e contava com Pagão que durante muitos anos havia jogado na equipe de Vila Belmiro e guardava certa mágoa da equipe praiana por ter sido preterido. O “canela de vidro” apelido maldoso que a imprensa da época lhe deu, prometia “arrebentar” nesse jogo. Na época o regulamento não previa substituição e se o jogador se machucasse, a equipe ficava com 10 elementos. Santos e São Paulo vinham apresentando um jogo equilibrado privilegiando as jogadas ofensivas. Mas naquele dia Pelé vinha se estranhando com o árbitro Armando Marques devido à eficiência marcação de Dias que irritava o “Rei”.
    Com 40 minutos de jogo o resultado mostrava vantagem tricolor de 3 gols a 1. O terceiro gol de autoria de Sabino, o “Pelé” do São Paulo – devido apenas a sua aparência com o verdadeiro – foi motivo para que Coutinho e Pelé se rebelarem, alegando que o gol deveria ser anulado devido a um suposto impedimento do seu autor. Na realidade quem mandava no jogo era o São Paulo e o Santos mal conseguia ameaçar o arco de Suli. A dupla Pelé-Coutinho era facilmente contida pela eficiente marcação de Jurandir-Dias. Armando Marques não titubeou e “mandou para o chuveiro” os dois reclamões.
    Reduzido a 9 jogadores o Santos seria presa fácil para o São Paulo e ao final do primeiro tempo todos apontavam uma vitória elástica sobre o rival. Mas o Santos não estava a fim de sofrer humilhações e já no vestiário Lula ordenou para que o zagueiro Aparecido não subisse ao gramado (foi alegado que o jogador se “contundira”). Aos 4 minutos Pepe também deixava o jogo, alegando contusão. Para coroar a sua atuação, Pagão marcaria o 4º. gol, prenúncio de goleada histórica que Dorval interrompeu a 1 minuto desse gol, ao alegar o mesmo mal de Pepe.
    O Santos ficou restrito a 6 elementos em campo o jogo teve que ser interrompido com 54 minutos. O Santos evitava uma goleada histórica, mas não o vexame de “fugir de campo”.

    São Paulo 4 x 1 Santos
    Data: 15/8/1963
    Competição: Campeonato Paulista da Divisão Especial de 1963 – 1º. Turno
    Local: Estádio “Municipal do Pacaembu”, em São Paulo
    Árbitro: Armando Marques
    Renda: Cr$ 19.950.000,00
    Gols: Faustino (5’), Pelé (21’), Benê (37’), Sabino (40’); Pagão (7’)
    São Paulo: Suli; Deléu, Bellini e Ilzo; Dias e Jurandir; Faustino, Cecílio Martinez, Pagão, Benê e Sabino. Técnico: Osvaldo Brandão
    Santos: Gilmar; Aparecido, Mauro e Geraldino; Zito e Dalmo; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Luís Alonso Peres, o Lula.
    Ocorrências: Pele e Coutinho foram expulsos por reclamação aos 41’, Aparecido não retornou do vestiário ao final do primeiro tempo alegando contusão. Pepe aos 4’ e Dorval aos 8’ da etapa final também deixaram o jogo alegando contusões. Com número de jogadores insuficientes para prosseguir a partida, o árbitro teve que encerrar a partida.

  8. José Roberto Says:

    Velhos e bons tempos meu amigo.

  9. Marcelo Abdul Says:

    Oi José Roberto . Um Feliz 2011 pra você e toda a sua família também. Muita saúde e bons ventos. Eu já tinha ouvido falar desse jogo numa reportagem de revista. Mas um dia no Pacaembu antes de um jogo do tricolor contra o mesmo Santos em 1992 fiquei sabendo da história da boca dos próprios são paulinos mais veteranos que presenciaram a fuga de Pelé e sua trupe. Foi um jogo histórico porque o golear o Santos naquela época era praticamente impossível. E o São Paulo como todos nós sabemos não tinha um time competitivo porque todos os seus esforços financeiros acabavam nos vergalhões e nos cimentos do Morumbi. Sem dúvida um jogo que Pelé jamais irá esquecer. O maior jogador de futebol de todos os tempos teve um momento de perna de pau. E dizem que Pagão arrebentou naquele jogo. Um jogador veterano que ficou marcado no clube por essa partida.

  10. Marcelo Abdul Says:

    O futebol era completamente diferente. Havia desportividade e amor a camisa. Hoje ele é profissional demais. O atleta só quer saber da grana. Por isso o futebol brasileiro está nessa draga.

  11. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Eu acho que esse ex-jogador em atividade vai para o Gaymio.
    Flalido não tem o Maraca assim como a Porquinha não tem mais estádio e está falida.
    Novelinha chata essa não ?

  12. Marcelo Abdul Says:

    Muito chata. Parece que o destino final do cidadão vai ser o Rio de Janeiro. Agora o que seria melhor para o Ronaldinho Gaúcho. Se redimir com a torcida do Grêmio e jogar uma Libertadores com um time embalado ou pegar uma Copa do Brasil com um time em formação e sem o Maracanã? Nem sempre o melhor salário vem acompanhado da melhor decisão. E a Patricia Amorim repete os mesmos erros do Kléber Leite e seu “time dos sonhos” que virou pesadelos.

  13. Hannibal Says:

    1 milhão por isso, pago só se for o RG do Barça! kkkk

    A$$i$ fez a máscara dos dirigentes cair, o que se viu foi amadorismo, subserviência e pouca inteligência. A$$i$ o terror dos dirigentes fanfarrões.

  14. José Roberto Says:

    Nesse jogo se o santos não foge de campo ia ser um balaio, o time da baixada não viu a cor da bola, e um detalhe, quando o Peixe enviava uma goleada o Zito gritava: “Reunião de cabeçudos” era a senha para um olé.
    Mas quando perdia e levava baile com olé e tudo, davam um jeito de arranjar uma expulsão para não passar vexame.
    Não eram adeptos do pau que bate em chico, bate em Francisco.
    Na minha rua a maioria da molecada era santista por causa do Pelé, aguentar a gozação dos caras era do peru.
    Depois desse jogo todos ficaram uma semana sem sair de casa para não aturar os São-Paulinos, aguardaram uma nova vitória no próximo jogo para amenizar o vexame.
    Depois disso nunca mais mexeram com os Tricolinos, com medo da fuga voltar à baila.

  15. Marcelo Abdul Says:

    Naquela epoca era complicado ser sao paulino. Quem diria que depois de 30 anos o tricolor igualaria e ate superaria o Santos de Pele com 3 Libertadores e 3 Mundiais? Pois Jose Roberto. Voce passou aperto mas compensou depois viu? rsss.

  16. Marcelo Abdul Says:

    Muitos acharam as atitudes do A$$i$ uma grande jogada de marketing. Eu discordo. Ele queimou a sua maior mercadoria. Mesmo que Ronalidinho Gaucho jogue o fino da bola, sempre sera tachado como um moleque sem personalidade e “mercenario”.

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