A FLOR DE DAMASCO QUE MURCHOU

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Amigos, depois de uma experiência curiosa cheguei a seguinte conclusão: jamais se apaixone pela internet. Não há nada mais ingênuo em acreditar do que todas as conversas que temos com as meninas são a real medida de se conhecer realmente uma pessoa. Talvez pelo fato de que ajudados pelo anonimato só fingimos ser algo de que não somos. Não vou me alongar muito no tema. Na verdade estou escrevendo essas palavras para exorcizar um fantasma.

A internet caros colegas é um antro de pessoas com as mais variadas personalidades e manias. Claro, existem as pessoas carentes e com traumas amorosos que tentam a cura mediante uma boa conversa na sala de bate papo e frases românticas no MSN. Tudo em vão, pois sabemos quando a água da realidade bate no pé a primeira impressão não é a que fica. Tive duas experiências nesse sentido.

A primeira foi com uma dentista recém-formada de Catanduva. Era gordinha e tinha um rosto simpático além de ter uma boa conversa e parecer muito charmosa. Entre conversas no MSN, troca de cartas e frases carinhosas marcamos um encontro no cinema. A primeira vista parecia que ia tudo bem, mas algo não estava dando certo. As conversas que tínhamos no messenger não eram as mesmas ao vivo. Somado ao fato de que tinha que comprar remédios para a minha avó na mesma noite e com urgência, o encontro rápido não foi um dos melhores. Sentia uma certa carência afetiva na menina que procurava uma espécie de príncipe encantado mas que encontrou um sujeito que sustentava uma barriga e andava de Uno. No dia seguinte a mulher simplesmente me deletou no MSN mandando uma mensagem indireta no e-mail que falava sobre homens com aquela barriguinha. Barriguinha? Será que ela estava falando de mim mesmo? Será que ela não se olhou no espelho nenhuma fez para constatar que ela TAMBÉM tinha barriga?

De qualquer forma devolvi suas cartinhas perfumadas de volta ao remetente por motivos óbvios. Anos depois a encontrei de repente na Avenida Paulista com outro “pretendente”. Suponho o quinquagésimo oitavo da sua malfadada carreira amorosa. Ela tomou um susto ao me ver mas passei lotado sem ao menos dizer um oi. O meu “delete” foi ao vivo e hoje dou graças a Deus que não me relacionei com ela. Nada como o tempo para esclarecer de fato como as pessoas são por dentro e por fora, sem o auxílio de um programa de computador.

O segundo caso foi bem mais complicado. Acho que foi o extremo de como você pode se tornar um babaca se “apaixonando” por uma menina que você mal conhece. A conheci igualmente na sala de bate papo. Uma tradicional patricinha paulistana. Não era um primor de beleza. Era cheinha e tinha um nariz um pouco protuberante, mas tinha um jeitinho de bravinha que me conquistou. Mas a principal qualidade dela era a pele maliciosamente morena e seios enormes, de deixar qualquer cara maluco. A apelidei carinhosamente de “Flor de Damasco” por ela ser descendente de árabes como eu.

No começo parecia que íamos nos entender mas o fato é que ela não queria nada comigo. Apenas um amigo confidente virtual que pudesse consolá-la de suas dúvidas e suas seguidas brigas com os namorados. Apesar disso achava que a amava. Achava. O mundo da net dá um poder de ilusão muito grande nas pessoas. Não sabemos de fato quem é aquela pessoa do outro lado da linha. Mas alimentei a ilusão e a loucura. Depois de um tempo e de volta a sanidade percebi que não poderia continuar com aquilo. Não quis mais manter aquela amizade e o sentimento estranho de se gostar de alguém de que não pode se ver.

O tempo passou, entre indas e vindas nos falávamos um pouco para depois nos afastarmos novamente entre uma picuinha e outra. A cada ano que passava parece que todas as qualidades dela diminuiram. Aquela menina meiga e sentimental se transformou numa  mulher. Mas na minha vã esperança de um dia transformar aquela ilusão em realidade alimentei o desejo de ter nos braços aquela garota que eu criei na minha cabeça. Mas que na realidade não tinha nada a ver comigo.

Ano passado mantive o último contato virtual com a lembrança daquelas noites virtuais cálidas que alimentavam o meu desatino. Tive uma grande surpresa. Não, ela não havia casado ou ficado grávida. Ela havia mudado mais ainda com uma alteração surpreendente em seu modo de vida. Com a sua revelação qualquer esperança de alimentar uma paixão era inútil. A “flor de Damasco” havia definitivamente murchado.

Não sei o que a vida reserva aos seres humanos. Mas definitivamente ela não se resume a uma tela de computador e em campainhas de comunicadores instantâneos. Portanto colega. Faça como os bons. Saia com os amigos , se divirta para que você possa quem sabe encontrar a mulher da sua vida. Acredite. A internet é importante e uma ferramenta muito legal para se interar com as pessoas. Mas o que é virtual é virtual. Nada como uma boa paquerada para aquela linda garota na mesa de um barzinho ou num show. O estilo antigo é muito bom e funciona que é uma maravilha.

Palavra de um ex-apaixonado da internet.

6 Respostas to “A FLOR DE DAMASCO QUE MURCHOU”

  1. Hannibal Says:

    Tenso.

    Assuntos do coração são foda mesmo Abdul, mas a vida segue! Sorte pra gente, kkkkkkk.

  2. Marcelo Abdul Says:

    É isso ai! Abraços Hanni!

  3. Geraldo "JASON" Lina Says:

    S*E*N*S*A*C*I*O*N*A*L.
    Tá cheio de maluca carente na internet, não há dúvidas.
    Quanto a você, meu brimo brother, essas duas ai com certeza não te merecem, principalmente a segunda que não gosta de carpano.
    Tu não se ligou é ?
    HAUSHAUHSUAHSUHAUSHAUHSUAHSUAHUSAHUSAH

  4. Marcelo Abdul Says:

    AH AH AH AH. Eu me liguei sim Lina. Mas é que temos que ser discretos em certos assuntos. rsssss.

  5. GUINA SP10 Says:

    Quem diria q o velho e bom Abdul, iria tocar em assuntos do coração, parece até um programa da antiga radio Cidade “Cantinho do coração”. Hahahahahahahahaha

  6. Marcelo Abdul Says:

    AH AH AH AH AH AH! Bom Guina. O subtítulo do blog diz tudo. “Esportes, rock n´roll e um pouquinho de tudo”. Mas eu precisava mesmo extravasar esse lance. Abraços.

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