O FIM DOS PONTOS CORRIDOS?

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Com o festival de “entrega-entrega” e malas brancas promovidas por clubes e seus abestalhados torcedores a fórmula de disputa dos pontos corridos está sendo seriamente questionada. Muitos já fazem campanha pela volta do “mata-mata”. Sistema que poderia anular qualquer tipo de maracutaia na disputa de um torneio. Será verdade?

O problema é bem mais sério do que simplesmente mudar a fórmula de disputa. Está se culpando o hospital mas não a doença. A falta de ética dos clubes e de torcedores que colocam a rivalidade acima de qualquer desportividade é o “X” da questão. Afinal de contas “entregadas” e malas brancas também ocorrem no sistema conhecido como mata-mata. Só não vê isso quem não quer. O que se deve questionar é a moral dos clubes que colocam times reservas há duas rodadas do fim do campeonato claramente com a intenção de prejudicar um rival que disputa um título.

Maracutaias também ocorrem em disputas eliminatórias. Quem não se lembra do triste jogo entre Alemanha x Áustria pela Copa de 1982? As duas seleções fizeram um autêntico jogo de compadres para se classificarem e eliminaram a Argélia. Na Copa de 2010 Espanha e Chile não se esforçaram depois que o resultado de 2 x 1 favoreceu ambos.

Pontos corridos – Mais vantagens que desvantagens

Desde que foi instituído em 2003, o sistema de pontos corridos finalmente deu um jeito no bagunçado futebol brasileiro. Desde 1971 na disputa do primeiro torneio vencido pelo Atlético Mineiro nenhuma fórmula de disputa se repetiu. A quantidade de clubes aumentava ou diminuia sem nenhum critério puramente técnico, apenas político. Viradas de mesa aconteciam frequentemente e clubes que estavam na terceira divisão automaticamente entravam na primeira. Foi o que ocorreu com o Fluminense em 2001.

Com os pontos corridos isso acabou. A CBF pela primeira vez em sua história conseguiu antecipar o calendário das disputas divulgando tabelas do campeonato brasileiro até mesmo seis meses antes da competição começar. Os clubes começaram a se organizar. A Série B, que sempre foi deixada de lado pela entidade e não tinha muito critério começou a virar um campeonato rentável, com grande audiência de público e cotas significativas de televisão. Clubes mais organizados começaram a vender todos jogos para a temporada a seus torcedores. O interesse na organização dos clubes aumentou passou a ser prioridade quando os times viram que a desorganização e o tradicional improviso de anos anteriores não apresentaria mais resultados. Quando times grandes começaram a disputar a série B eles viram que a coisa tinha ficado bastante séria e que “viradas de mesa” como ocorreram em 1993, 1995 e 2000 seriam carta fora do baralho.

Que se puna a falta de ética dos clubes

Independente da rivalidade dos torcedores o clube deve primar pela ética e pela desportividade. A rivalidade é sadia até certo ponto. Quando ela começa a prejudicar a própria instituição se deve questionar seriamente os seus critérios. Que a CBF puna disciplinarmente times que coloquem times reservas para prejudicar o seu rival. O que o Grêmio fez no ano passado com o Internacional foi de uma canalhice sem escrúpulos. Foi uma vingança dos tricolores gaúchos pelo fato do Inter ter jogado nas rodadas finais do campeonato de 2008 com o time reserva contra o São Paulo. O Grêmio perdeu o título para o tricolor paulista. Mas os gremistas se esqueceram de uma coisa: o colorado disputava a Copa Sul Americana e priorizou o torneio continental. Foi o campeão.

Mala branca – igualmente corrupta

Assim como a mala preta é uma forma de corrupção a mala branca é igualmente nojenta .

Se deve investigar seriamente os clubes que pagam times já desclassificados para se “esforçarem” contra outros times envolvidos na disputa de títulos. Isso muda seriamente os critérios técnicos e desportivos de uma competição. Que os clubes envolvidos sejam punidos.

Clássicos regionais nas última rodadas. Uma solução?

Talvez seja uma forma de acabar com o sentimento de “entrega” de torcedores e de clubes. Nenhum torcedor vai querer ver seu time “entregar o jogo” para um rival diretamente. Mas isso não deixa de ser uma solução mambembe e improvisada típica da cultura brasileira.

Mata-mata dá certo?

Sim, dá. Em disputas intercontinentais, Copas do Mundo e outros torneios é a melhor fórmula. Num campeonato nacional é questionável se ele seguir fórmulas de campeonatos anteriores no Brasil. Um clube não pode ser rebaixado apenas por 19 jogos. Se deve ter mais critério. Nos Estados Unidos, país onde se ganha mais dinheiro com o esporte todos os campeonatos são no sistema mata-mata. São rentáveis e atraem um enorme interesse da mídia, mas o sistema estadunidense é completamente diferente do resto do mundo. O que se tem lá não são clubes mas “franquias”. O dono do New York Nnicks pode achar que a cidade de Los Alamos lhe dá mais vantagens financeiras e pode trocar de lugar mudando igualmente o nome do time. Lá quem disputa os torneios são times que tem “mais bala” pouco importando os critérios técnicos. Tanto que em campeonatos como a NBA não há rebaixamento.

Na América do Sul quase nenhum país adota o mata-mata. Na Argentina, Chile e Uruguai se faz os famosos torneios Abertura e Clausura. Pontos corridos de apenas um turno, mas que premia a melhor equipe no momento. Nenhum desses países ou na Europa reclamam do sistema de pontos corridos.

Em suma se está aplicando a injeção no braço errado. Tanto faz a fórmula de disputa. O que se deve combater é a falta de espírito esportivo dos clubes. O futebol também é negócio e o que uma empresa de grande porte vai pensar num time que falta com a ética ao “entregar o jogo” e se prejudica para atender aos desejos da massa ? Só lembrando, quando a torcida do São Paulo gritou “entrega o jogo” no campeonato paulista de 2004 qual era o sistema do campeonato? Sim, amigos. Grafite salvou o Corinthians no bom e velho mata-mata.

ps- Guina, um colega e internauta  do blog deu uma solução sensacional para acabar com a “falta de “motivação” de certos clubes. Vejam a proposta.

 

1º ao 3º – Libertadores
4º ao 9º – Sulamericana (ela leva o campeão a Liberta.)
10º ao 14º – Copa do Brasil (ela leva o campeão a liberta)
15º ao 16º – Disputa um quadrangular ida e volta com o 7º e 8º da série B, por uma vaga na copa do Brasil.
17º ao 20º – Só disputam o estadual A copa do Brasil, teria os representantes até o 4º colocado de cada campeonato estadual, ficando a vaga ao colocado subsequente, caso o time já esteja classificado pela nova tabela de colocação dos campeonatos das séries A e B. Não sei se é o mais correto, mas seria a melhor solução para o jeitinho brasileiro de ENTREGAR. Sem contar que não alteraria o calendário nacional (alguns times teriam tempo para reestruturar), e seria legal pacas ver seu time lutando o tempo todo. Seja para ganhar, participar da próxima competição, ou simplesmente não cair. Taí minha contribuição aos velhinhos da CBF e Federações.

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10 Respostas to “O FIM DOS PONTOS CORRIDOS?”

  1. GUINA SP10 Says:

    Pra mim Abdul, a fórmula é premiar os pontos corridos:
    1º ao 3º – Libertadores
    4º ao 9º – Sulamericana (ela leva o campeão a Liberta.)
    10º ao 14º – Copa do Brasil (ela leva o campeão a liberta)
    15º ao 16º – Disputa um quadrangular ida e volta com o 7º e 8º da série B, por uma vaga na copa do Brasil.
    17º ao 20º – Só disputam o estadual

    A copa do Brasil, teria os representantes até o 4º colocado de cada campeonato estadual, ficando a vaga ao colocado subsequente, caso o time já esteja classificado pela nova tabela de colocação dos campeonatos das séries A e B. Não sei se é o mais correto, mas seria a melhor solução para o jeitinho brasileiro de ENTREGAR. Sem contar que não alteraria o calendário nacional (alguns times teriam tempo para reestruturar), e seria legal pacas ver seu time lutando o tempo todo. Seja para ganhar, participar da próxima compet~ição, ou simplesmente não cair. Taí minha contribuição aos velhinhos da CBF e Federações…Vlew.

  2. GUINA SP10 Says:

    * Acrescentando
    A copa do Brasil, teria os representantes do 1º ao 6º da série B, e até o 4º colocado de cada campeonato estadual, ficando a vaga ao colocado subsequente, caso o time já esteja classificado pela nova tabela de colocação dos campeonatos das séries A e B. Não sei se é o mais correto, mas seria a melhor solução para o jeitinho brasileiro de ENTREGAR. Sem contar que não alteraria o calendário nacional (alguns times teriam tempo para reestruturar), e seria legal pacas ver seu time lutando o tempo todo. Seja para ganhar, participar da próxima compet~ição, ou simplesmente não cair. Taí minha contribuição aos velhinhos da CBF e Federações…Vlew.

  3. Marcelo Abdul Says:

    Guina. Muito boa a sua fórmula. É uma forma legal e evitar “as entregadas” . Valoriza o campeonato de pontos corridos ainda mais.

  4. Marcelo Abdul Says:

    É uma boa. Hoje em dia a Copa do Brasil é cheia de “times convidados”. Na verdade deveria existir um critério técnico para essa classificação não importanto a politicagem da CBF que é o que ocorre agora. Parabéns cara. Encontrou uma baita solução pra esse problema de “entregadas” e falta de motivação de alguns clubes.

  5. Hannibal Says:

    Defendo essa fórmula com unhas e dentes, o que ocorre é que ela escancara as mazelas do futebol nacional: corrupção, falta de vergonha, baixo índice técnico, etc… etc…

    Nos pontos corridos fica clara a manipulação de resultados, afinal passa rodada e mais rodada e sempre um mesmo clube é penalizado ou ajudado, já no mata-mata, pela euforia os “erros” passam desapercebidos, no calor do momento ninguém dá atenção, não sei se estou viajando muito, mas pra mim é isso, além é claro da falta de competência de quem não ganha jogar a responsabilidade nos outros… é só fazer o seu, aí não depender de mais ninguém.

    Pra mim essa questão é pra desviar o foco, mata-mata ou pontos corridos, o problema é mais sério do que mudar a fórmula em disputa, afinal já tem os estaduais, LA, Copa do Brasil, Sulamericana no estilo mata-mata, mais o BR ainda?

  6. Marcelo Abdul Says:

    Eu também defendo Hannibal. Todo mundo tá culpando a fórmula mas o que pega mesmo é a ética de certos clubes brasileiros. A imprensa também tem seu papel de responsabilidade nessa história pois acirra rivalidades para vender mais jornal. Engraçado que as pessoas que querem o mata-mata são as mesmas que “pegam leve” quando falta ética aos clubes e aos dirigentes. Ou seja, condenam os pobres pontos corridos por uma estrutura viciada no futebol brasileiro. Enquanto ela não terminar, mata-mata, mata não mata e pontos corridos vão ser feitos de maneira suja de qualquer forma.

  7. Hannibal Says:

    Certamente, dê uma lida nesse post:

    http://blogs.lancenet.com.br/tironi/2010/11/24/a-asneira-do-ano/

    É do blog do Tironi, expôs bem o que achamos.

  8. Marcelo Abdul Says:

    O cara foi na ferida. Que bom que existem pessoas que pensam como a gente nesse caso. Sem dúvida é uma asneira afirmar que os pontos corridos são os culpados pela falta de motivação dos clubes. O que falta é ética esportiva.

  9. Geraldo "JASON" Lina Says:

    O mal do futebol brasileiro senta em uma cadeira com um cubano na mão e um scotch na outra lá na sede do poder do futebol…
    Enquanto não cassarem aquilo e todos seus direitos e dinheiro, não vai adiantar mudar a fórmula.
    Os travestis é que querem mudança da fórmula de disputa, porque pra eles eles são melhores no mata-mata: HASHAUSHAUSHUAHSUAHSUHAUSHA.
    Como se vê, não entendem nada de Libertadores….

  10. Marcelo Abdul Says:

    Exato. Entre os problemas do futebol brasileiro está a sua direção duvidosa. Enquanto o sapo Cururu estiver no poder nuvens negras sempre vão pairar sobre a CBF e qualquer torneio que ela organize. Mudar a fórmula não vai adiantar absolutamente nada.

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