CRÔNICA DE ALGUM LUGAR – PARTE 3

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Olá amigos. Ainda estou aqui teclando de algum lugar aproveitando o meu descanso. E para não perder o hábito, cá estou para tecer alguns comentários do esporte e do nosso Brasil varonil. Em breve, estaremos de volta.

“Restart” na música brasileira – O excesso de premiação à “banda” multicolorida Restart no VMB revela o quanto a indústria musical brasileira anda perdida. Qualquer lixo vindo da internet e que faz sucesso entre as aborrecentes brasileiras e atraí a atenção das “majors”.  Esse processo é muito comum e não muda apesar dos anos. Agora a moda são esses “emos new wave” intragáveis. Mas foi engraçado ver o biquinho de outras tosqueiras como NX Zero chorando pelo resultado. Oras, não foram vocês que começaram com essa merda? Então agüentem.

A Fronteira Final – O último trabalho da banda Iron Maiden “The Final Frontier” bombou no mundo todo sendo primeiro lugar em vendas em vários países, inclusive no Brasil. A nova bolacha da donzela revela uma senhora mudança no som dos britânicos. A banda parece ter engatado a terceira marcha fazendo um som mais intrínseco e com flertes ao progressivo. Bruce Dickinson deixa de exagerar nos agudos e o resultado é um som mais morno e cuidadoso. Se você é fã da fase áurea da banda vai estranhar. Mas se você gosta de ver um grupo fazendo novas experiências musicais vale a pena curtir. E não se esqueçam, Iron Maiden na abertura das Olimpíadas de Londres em 2012. Chega de Shakira, Anastacia e outras merdas escolhidas pelo Blatter e pelo COI.

Cala a Boca Lula – Quer dizer presidente, que a imprensa só pode exercer a sua função democrática quando denuncia o governador do Distrito Federal que é da oposição? Quando a denúncia chega aos tapetes do Palácio da Alvorada a imprensa é golpista? Que vergonha. O presidente segue a tendência neo populista de chefes de estado antidemocráticos do cone sul como Hugo Chaves e Cristina Kitchner que perseguem sistematicamente a imprensa e estupram os direitos fundamentais da democracia. Mais vergonhoso ainda é acompanhar o apoio de jornalistas e outros blogs financiados pelo nosso dinheiro, pois são pagos por empresas estatais. São os chamados “petralhas”, que na verdade deixam a KGB, a STASI E A SECURITATE no chinelo. Quando constatamos a perseguição da presidenta argentina Cristina Kirtchner ao jornal Clárin nem quero imaginar o que será da Veja quando Dilma chegar ao poder.  Parabéns a Hélio Bicudo pela coragem e pela defesa da cidadania e da liberdade de pensamento. Direitos garantidos pela nossa Constituição.

Tríplice coroa? Foi pro saco – Os sonhos do presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro de repetir o feito do Cruzeiro em 2003 foi para a vala. A demissão injusta do treinador Dorival Júnior revelou uma faceta cada vez mais trágica do futebol brasileiro.  A de que o negócio suplanta qualquer ato de indisciplina. Achei incrível como muitos jornalistas apoiaram a atitude imbecil da diretoria santista dizendo que a não convocação de Neymar para o jogo contra o Corinthians seria uma “punição ao Santos.” De fato, seria uma senhora punição ao grupo de empresários que bancaram a permanência do jogador. Da mesma maneira seria uma punição às televisões que veriam sua audiência baixar sem a presença do menino-craque num jogo importante. Em suma, Dorival foi demitido porque futebol hoje é negócio. Que se dane os valores éticos e morais. O Santos perde muito sem Dorival no comando e perderá também qualquer pretensão ao título brasileiro.

O Idiota – O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez se revela um dos dirigentes mais idiotas do futebol brasileiro. A sua última pérola contra o São Paulo FC foi digna de risos. “O São Paulo está por trás do comportamento estranho de Dorival”. Ah Ah Ah! O sujeito não consegue esquecer o tricolor. Recomendo um psiquiatra para esquecer essa sua estranha obsessão pelo rival. Aliás, recomendo ele cuidar do próprio time do que dar pitacos desnecessários e constatações delirantes. Tenho a ligeira impressão de que ele estava no Morumbi em 1987 quando o baixinho Lê deu uma cabeçada mortal contra os grandalhões Mauro e cia. no título paulista de 1987, ou chorou copiosamente quando Raí acabou com o seu time na final dos paulistas de 1991 e 1998. Afinal ódios obsessivos são movidos por traumas inesquecíveis.  Pobre presidente amigo de Kia e de Teixeira.

ps – Dorival foi para o Atlético-MG. Pois é senhor Sanchez. Quem tem boca vai a Roma, mas vai parar na Groelândia se não souber usá-la. Chupa!

Um Filme Soberano – Ontem, fui ao cinema ver o filme “Soberano – Seis vezes São Paulo”. Eu recomendo a todo são paulino vivo na face da terra que vá assistir. Lá está retratado um pouco do que é ser tricolor. Depoimentos emocionantes de torcedores, dirigentes e jogadores como Waldir Peres, Careca, Raí e o capita Rogério Ceni. É sempre bom rever os títulos brasucas ainda mais em tela grande. Alias, vou dar um panorama de onde eu estava nos seis títulos que o Soberano conquistou.

1977 – Bom, eu era um pinguinho de gente. Nem sabia o que era futebol. Mas quando comecei a torcer pelo São Paulo soube da história do título brasileiro de 1977 num especial da revista Placar sobre os grandes clubes brasileiros. Depois soube por meus primos que eles eram um dos milhares de torcedores que foram ao aeroporto receber o time depois da conquista do primeiro brasileiro. Cena que está retratada no filme.

1986 – Já estava na pré-adolescência e assisti a final na enorme televisão da minha avó no quarto dela. A narração era do saudoso Walter Abraão e os comentários eram do mais saudoso ainda João Saldanha. Lembro até hoje que Saldanha se borrou de rir quando um cachorro da PM quase mordeu um dos árbitros do jogo. Lembro que telegrafei o gol de empate do São Paulo. “Cruza pro Bernardo”, gritei. E não é que o cara foi lá no terceiro andar pra empatar? O jogo foi um dos mais emocionantes que eu vi na minha vida. E lembro até hoje do preparador físico Bebeto de Oliveira revoltado com a diretoria do Guarani que colocou o hino do clube depois do terceiro gol de João Paulo (um dos últimos pontas esquerdas do futebol brasileiro). E quando o Careca fez o milagroso gol de empate gritei tanto que minha avó pensou que eu estava passando mal. Mais uma vez o tricolor venceu nos pênaltis. E lá fui eu pra Paulista comemorar. Bons tempos. Naquela época a galera sabia como comemorar um título.

1991 – Depois de sofrer com a perda de duas finais, não seria daquela vez que nós veríamos o título escapar. Fui ao primeiro jogo com meu primo no Morumbi e no meio do caminho era claro que o Bragantino tinha a preferência dos torcedores rivais. “Braga” gritavam os infelizes. Devidamente respondidos com um “Vai tomar no…” fomos confiantes ao primeiro jogo da final. Uma partida difícil e complicada. Até que Mário Tilico pegou o rebote e fez o primeiro e único gol da partida.

Assisti em casa na TV a final em Bragança e num jogo duríssimo o tricolor quase fez um gol antológico com Flávio no final, mas a bola riscou a trave. Empate sofrido e veio o tricampeonato e o enterro da fama de pé frio do mestre Telê Santana. Lá fomos nós pra Paulista outra vez. Invadimos e fechamos a Avenida mais uma vez pra desgosto da prefeitura que havia proibido comemorações por lá. Ainda bem que naquele tempo não soltavam gás em crianças e mulheres como a PM faz nos dias de hoje. Seria o primeiro de muitos títulos daquela fase. A “maquina mortífera” estava começando a engrenar…

2006 – Ah! Estava lá no Morumba na geral azul com meus amigos. E veio o título brasileiro mais esquisito da minha vida. Os torcedores ficaram esperando dez minutos pra soltar o grito de tetra depois de um empate com o Atlético-PR. Depois de findado o jogo no Paraná foi só comemorar o primeiro título brasileiro ganho no Morumbi. Uma festa linda e lembro que na volta pra casa peguei um dos maiores temporais da minha vida. Devia ser São Paulo abençoando o título com um dilúvio sobre a cidade.

2007 – Onde vocês acham que eu estava? Morumba! Mais uma vez na geral azul acompanhando o jogo decisivo contra o América-RN. Era batata. O time do Rio Grande do Norte era muito fraco e o gol era questão de tempo. Hernanes, o monstro, acertou um canudo e começou a festa. Um mar de bandeirinhas são paulinas foram desfraldadas e veio o Penta com mais dois gols. No Rio o Corinthians perdia para o Flamengo e se afundava ainda mais rumo ao rebaixamento. Lembro dos são paulinos gritarem “mengo, mengo” em plenos pulmões.  A única coisa negativa que eu me lembro foi a rede Bobo preferir transmitir o jogo do Flamengo ao invés do título tricolor no Morumbi na cidade de São Paulo. Uma cagada monumental do diretor de esportes da emissora, que aliás, é amiguinho de Ricardo Teixeira. Mas que se danem. 5-3-3 ninguém tira.

2008 – Devo confessar. Estava muito puto com o Muricy e o jeito do São Paulo jogar. Mas no campeonato de 2008 que time jogava melhor? O Grêmio era dirigido por Celso Roth que não é um treinador que aprecie o futebol ofensivo. Depois do empate contra o Palmeiras no Parque Antártica, comecei a botar fé no tricampeonato e fui até o Morumbi acompanhar o jogo contra o Vitória. 17 mil são paulinos gritavam sem parar debaixo de uma chuva torrencial e  vitória de virada por 2 x1. Depois o jogo que deu a liderança ao tricolor. Um 3 x 0 no time reserva do Internacional que disputava as finais da Copa Sul Americana com direito a um golaço de Dagoberto. Mas um jogo quer não me saí da memória foi o clássico contra a Portuguesa. Era a minha primeira visita ao estádio da Lusa. Nunca tinha ido visitar o lugar que era a antiga sede do tricolor (sim, nós já fomos também um time da marginal, ao contrário de muitos médicos babacas que pensam que somos ricos, arrogantes, etc.).

Ali constatei uma coisa. A torcida da Portuguesa é uma das mais fiéis e fanáticas que eu já vi na minha vida. Apesar de tantos anos sem títulos e lutando contra outro rebaixamento como eles gritavam e como xingavam a torcida são paulina que era a maioria no estádio.  Um jogo épico, tenso com cinco gols e uma bola na trave de Edno que me fez ter a certeza de que o tricampeonato tão sonhado estava cada vez mais perto. Aquilo era sorte de campeão. Um 3 x 2 em que até o Zé Luis fez gol. E ainda dizem que torcer para o São Paulo é uma grande moleza. Vejam os brasileiros que o Sampa conquistou. Não lembro de um que não tenha sido com grande sofrimento e suor no rosto. O de 2007 talvez tenha sido a única exceção.

Depois do empate contra o Fluminense veio aquela tensa semana contra o Goiás em que o Del Nero quis tumultuar o campeonato com uma falsa acusação. De nada adiantou e nem mesmo aquelas reportagens com a “maldição do tri”. Sozinho, numa lanchonete perto de casa vi o São Paulo faturar o primeiro tricampeonato consecutivo da sua história. E pra onde eu fui? Meti a bandeira no carro e invadimos a Paulista outra vez.

Uma carreata inesquecível. Hexa? Nem a seleção brasileira tem amigo. E as nossas estrelas de títulos não são amarelinhas não cumpadi, são VERMELHAS!

Estava escrito. Depois de perder tricampeonatos paulistas, torneio que se esvaziou em importância ao longo do tempo, o São Paulo foi o primeiro time a faturar por três vezes consecutivas o torneio mais importante do Brasil. Uma pena que Marcelo Portugal Gouvêa não tenha presenciado isso entre nós, mas tenho certeza que o presidente chegou lá no céu como um emissário e disse a Leônidas, Bauer, Noronha e tantos outros atletas que tentaram e não conseguiram. “Pessoal, nós conseguimos! Somos tricampeões…”.

É isso aí pessoal! Em breve estaremos de volta em definitivo e com as energias renovadas. Abraços.

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10 Respostas to “CRÔNICA DE ALGUM LUGAR – PARTE 3”

  1. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Em 77 eu tinha 7 anos, não era um pinguinho de gente não…
    Rsrsrsrsrs

    ***(*) ******(*)

  2. Marcelo Abdul Says:

    Tu tá velhinho hein Lina? Uhauhauahauhaua!

  3. José Roberto da Silva Says:

    Grande Abdul.
    Essa praia conheço bem é aqui perto de Santos, a famosa PG acertei?
    Na baixada é a que mais cresceu nos últimos 40 anos, para você ter uma idéia, serví o Exército no Itaipu em 1970.
    PG era só mato e essas praias cheias de prédios como vemos era só areia e mar, tinha só um restaurante que está lá até hoje numa construção que parece uma baleia o Caiçara.
    Quando fizemos nosso trinamento de tiro na Vila Mirim, saimos do quartel com 6 canhões de 8 toneladas cada pela praia até lá, quando muito encontravamos um ou outro pescador no caminho.

  4. José Roberto da Silva Says:

    Falando de futebol que é o que interessa, eu sou um pouco mais velho, lembro do paulista de 57, mais a final quando o Maurinho tirou um sarro no Gilmar goleiro da galinhada, numa jogada saiu na cara do goleiro e com os dedos indicadores perguntou: lá ou cá? o Gilmar foi para um canto, a bola entrou no outro.
    Com raiva o Gilmar correu atrás dele para agredir, os dois ficaram correndo em volta da trave.
    O jogo que deu o título Paulinsta 13 anos depois em 1970 eu não assisti, estava no quantel e dormia muito cedo poisa tinha que acordar às 4h da madrugada senão perdia o ônibus, antigamente não existia a Ponte do Mar Pequeno, era só a Ponte Pencil.
    Só fiquei sabendo que fomos campeões quando levantei para ir para o quartel, acordei meu tio para saber o resultado.
    Depois veio 71 e daí por diante.
    Mas os brasileiros, o de 77 assisti com amigos foi um afarra, passamos o dia acompanhando aquele jogo de nervos, Serginho joga, não joga, viajou de avião fretado em cima da hora para colocar pressão no galo, que também tinha o Reinaldo suspenso, e a diretoria do galo dizia: se o Chulapa jogar e Reinaldo também entra em campo, nenhum dos dois jogou.quem deu um show foi o Waldir Perez que catimbou tanto que os cara ou chutavam para ele defender ou mandavam para fora.
    86 eu estava atrás do gol onde o Carecda marcou o último e onde foram cobrados os penaltis.
    Naquele dia na saida do estádio quem me deu um beijo no rosto foi o Beijoqueiro, lembra dele?
    91 foi do peru, fui ao Morumbi para o primeiro jogo, 1 X 0 gol do Mario Tilico no fim do jogo. Na volta para Santos nosso carro quebrou num lugar ermo só chegamos em casa, as da manhâ de 2ª feira, rebocados, No segundo jogo, em Braçança o Nabi Abid Chedi só disponibilizou 1.000 (Mil) ingressos para os São-Paulinos 0 X 0.
    Fiquei em casa vendo pela tv.
    2006 contra o Atlético Paranaense eu estva atrás do gol onde o Fabão marcou de cabeça.
    2007 com gripe forte fiquei em casa assistindo pela tv.
    2008 também pela tv.
    O mais legal foi o mundial de 2005, omos para São Caetano no sábado para o casamento de uma prima.
    Ficamos hospedados num flet, e domingo de manhão tive um sonho que o São Paulo tinha sido campeão com vitória de 1 X 0.
    Acordei assustado às 6:15 com o espolcar de alguns rojões, fiquei p da vida achando que tinha perdido o jogo, quando ví que era cedo voltei pra cama ,mas quem diz que conseguia dormir de novo? a adrenalina estava a mil.
    Depois do jogo quando voltava para Santos a festa era imensa em São Caetano, nunca pensei que tinha tantos São Paulinos lá, fizeram uma carreata enorme.
    Agora, essa é uma emoção que o cara de areia mijada nunca vai ter na vida!
    Um abraço.

  5. GUINA SP10 Says:

    Caro Abdul té que enfim apareceu hein, quanto ao post “JURO POR DEUS” que eu não sabia quem era Restart, pensei que era um videogame, mas não me assusto, pq a indústria da música brasileira é uma merda, agora Iron Maiden, nos faz acreditar que o Rock ainda não morreu, só envelheceu com qualidade. O lula me decepcionou, e não tenho nem vontade de comentar. Já o SP, é um dos amores da minha Vida, junto com minha esposa e filhas. Estamos passando por uma das maiores crises técnicas (e administrativas, pq Não?) da história. Mas vai passar…bom retorno véio!

  6. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Fiz agora dia 15 4.0.
    É a vida meu caro.
    ***(*) ******(*)

  7. Marcelo Abdul Says:

    Fala Zé. É a famosa Praia Grande sim. Hoje o que mais tem por lá é prédio, imobilária e sorveteria. Tem um puta “boom” imobilário no litoral. As cidades estão crescendo muito mesmo. Infelizmente os problemas de saúde e segurança também. De qualquer maneira é um bela cidade quando não tem feriado…rsss.

  8. Marcelo Abdul Says:

    Zé Roberto. Você é um privilegiado de ter acompanhado tantos títulos do São Paulo. Parabéns!

  9. Marcelo Abdul Says:

    Puta nominho vagabundo pra uma banda né? Sem comentários senão vou enporcalhar o blog. Iron Maiden na veia cara. Até no Brasil foram primeiro lugar nas vendas. Quanto ao SP já vi fases piores colega. Fica tranquilo que vai passar sim. O Juvenal montou um time de merda com um técnico de merda esse ano. Agora temos que ter paciência.

  10. Marcelo Abdul Says:

    Parabéns Lina. A vida começa aos 40.

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