O EFEITO FELIPÃO

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Renato Gaúcho: a aposta messiânica da torcida gremista

Nessa semana após a chegada de Renato Portaluppi ou Renato Gaúcho para dirigir o Grêmio de Porto Alegre surgiu uma dúvida que paira nas entranhas do futebol brasileiro. Não estamos valorizando demais os treinadores e nos esquecendo de situações mais importantes na formação de um time? Renato chegou como um messias junto a torcida do tricolor gaúcho. Um ex-ídolo como jogador que foi campeão mundial com o clube agora chega com o desafio de mudar a constrangedora situação do time que ocupa a zona do rebaixamento nesse campeonato brasileiro.

Como se o ex-atacante agora como treinador com apenas um toque de mão pudesse fazer com que seus atletas joguem como ele em seus anos áureos de Grêmio, Flamengo,Cruzeiro e Fluminense.

Uma situação complicada já que o Grêmio não é uma usina de grandes jogadores, assim como a grande maioria dos times brasileiros que disputam a série A e B, tem elencos formados por jogadores “meia-boca”. Craques de verdade no Brasil são poucos, em parte devido a imensa sangria de jovens revelações que se mudam para qualquer centro estrangeiro como Emirados Árabes ou Uzbequistão. Com todos esses fatores não se consegue ver porque um treinador brasileiro se valorizou tanto.

É um absurdo que um treinador brasileiro cobre um salário de mais de quinhentos mil reais a um clube de futebol. É algo totalmente fora da atual realidade nacional. Os clubes do país não são um modelo de administração bem sucedida. Pelo contrário, se afundam cada vez mais em dívidas buscando e até mesmo repatriando atletas que vendeu anteriormente para times de fora. O Palmeiras  é um exemplo. Vendeu Kléber e Valdívia para depois recomprá-los por um preço igual ou maior. Que receita aguenta um prejuízo desse porte?

Se pergunta, o que um treinador brasileiro fez no planeta para cobrar setecentos mil reais de salário a um clube do país? Por acaso existe algum técnico da terra brasilis que se consagrou em gramados europeus? Não, não vejo nenhum. Felipão foi uma exceção e fez sucesso na seleção portuguesa. Mesmo assim não conseguiu ser campeão da Euro jogando em casa. Fracassou no futebol inglês e ficou incógnito durante um bom tempo no futebol uzbeque. Luxemburgo, considerando por muito tempo o melhor treinador do Brasil teve uma passagem pífia no Real Madrid com todos aqueles atletas galáticos.

Paulo Autuori e Abel Braga, sempre lembrados quando um time brasileiro entra em crise, estão no obscuro e desconhecido futebol árabe. Por que não estão treinando uma Juventus de Turim ou pelo menos um Valência da Espanha? Pagam menos por lá ou ambos não tem ambição profissional? Ou pior, não são nem lembrados pelos times europeus? Será que eles são tão “bons” assim como nós pensamos? A figura do “super técnico” é cada vez mais valorizada pelos clubes brasileiros. Um erro grave, já que não há feiticeiro que faça milagres. Até Telê Santana sofria com Beto Fuscão quando treinava o Palmeiras e passou aperto com um certo Pedro Luiz no São Paulo.

Os clubes precisam investir na formação da base e garantir atletas mais técnicos e comprometidos com uma filosofia de jogo. Acima de tudo tem a obrigação de resguardar e proteger as suas jovens promessas para que não sejam levadas imediatamente pelos sanguessugas europeus, ávidos em um pé de obra barato. Por que não se faz um omelete sem fazer os ovos. Nenhum treinador, nem mesmo um Rinus Michaels resistiria a um bando de pernas de pau sob seu comando. Os treinadores brasileiros pegaram carona da supervalorização de craques e como eles até são geridos por empresários, não em busca de um crescimento profissional, mas apenas no lucro e no time que paga mais. A falta de bons atletas valoriza e cria um verdadeiro messianismo em torno da figura do treinador.

Quem paga por isso é o futebol brasileiro que dá cifras astronômicas a um técnico de “ponta” mas que se esquece de investir em sua formação. Afinal a partida é decidida, salva raras exceções, pelos jogadores que estão dentro do gramado. Do jeito que a coisa anda é melhor dar o colete para o técnico. Vai que ele resolve usar os seus “superpoderes” e sozinho consiga driblar os onze adversários até fazer o gol? Esse sim talvez valesse uns 5 milhões por mês…

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16 Respostas to “O EFEITO FELIPÃO”

  1. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Tem que haver um limite nos gastos com profissionais do esporte, como acontece na NBA, o Birner diz isso em seu blog.
    Imagina que um time falido como Sujeiras, ter no comando técnico do time, um camarada que cobra R$ 700 mil reais por mês ?!?!?!?! E os otários acreditam que ele não quis ir pra seleção por amor aos fascistas…

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    ***(*) ******(*)

  2. Marcelo Abdul Says:

    Não só o Felipão como o Autuori e o Abel Braga. Apesar dos suas multas serem milionárias, o salário que eles pedem aos clubes brasileiros beiram o absurdo. Birner tem razão. Mas o “lockout” aos moldes da NBA é proibido pela legislação brasileira. Resta o bom senso dos clubes. Mas muitos como o Palmeiras e o Atlético MG não querem nem saber e torram a grana com a comissão técnica. No caso do galo de Minas, adiantou alguma coisa?

  3. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Pelo que eu soube, o São Paulo ofereceu R$ 300 mil pro Autuori. A gente sabe, e nisto temos que tirar o chapéu, que o JJ não faz loucuras.

    Falando nisso saiu uma nota na Folha de hoje, falando a respeito de um “vultuoso” empréstimo que o São Paulo tomou com um grande banco. Deu as cotas dos 4 próximos paulistinhas como garantia…

    Será verdade ?

    ***(*) ******(*)

  4. Marcelo Abdul Says:

    Não sei Lina. Eu não falo mais nada a respeito do Morumbi até definirem tudo.Estou de saco cheio dessa imensa palhaçada que virou a novela da sede da Copa aqui em São Paulo.

  5. Hannibal Says:

    Mais um pra brincar do BR! kkkkkkkkk

    700 mil pra treinador??? Nem a pau!

    Dá pra trazer um meia e um LD de nível com essa grana!

  6. Marcelo Abdul Says:

    O Luxemburgo e o Felipão pedem mais ou menos isso. Mesmo que Scolari tenha prestígio internacional e que tenha sido campeão do mundo é uma senhora falta de visão pedir um caminhão de dinheiro a um clube brasileiro. Num time de um milionário uzbeque ou árabe tudo bem. Mas no Brasil não existe nenhum “mecenas” ou acionista majoritário. O sistema aqui é bem diferente. Nunca o mercado brasileiro de treinadores e jogadores esteve tão caro e tão carente de qualidade ao mesmo tempo.

  7. José Roberto Says:

    No final do jogo do Atlético Mineiro com o Grêmio Prudente o Luxemburgo mesmo com a perna quebrada pulava feito um louco comemorando a vitória parecia que tinha vencido a final de um mundial, percebe-se que sua situação já está constrangedora no comando do Galo.
    Nesse ponto também concordo com o Juju não fazer loucuras, nos últimos 5 anos tivermos técnicos mais baratos que dos outros times grande, mas o São Paulo foi o que mais ganhou campeonatos.
    Só não ganhamos mais porque faltou comprometimento de alguns atletas, e mais alguns detalhes da diretoria.
    Também acho loucura o que estão pagando aos treineiros R$700 mil para o Felipão é muita grana, R$ 23.333,33 por dia, coisa de doido.

  8. Marcelo Abdul Says:

    Não existe um “mecenas” nos clubes brasileiros. Não há empresários bilionários que possam bancar o prejuízo de um clube como Máximo Moratti ou Sílvio Berlursconni. A economia brasileira melhorou sensivelmente, mas não há ponto dos clubes pagarem salários quase que milionários a técnicos que geralmente não mostram serviço. O Felipão é a única exceção da regra mas ele deveria ter o bom senso de não cobrar aqui o que cobra lá. O que Alexandre Cali e Belluzzo fazem é uma total irresponsabilidade. Eles bancam grana do próprio bolso ? Não. Endividam os seus clubes.

  9. Marcos Says:

    ” Vendeu Kléber e Valdívia para depois recomprá-los por um preço igual ou maior. ”

    Está certo que vc é só um torcedor fanático, extremamente parcial e não devemos cobrar isenção de pessoas assim. Mas, pelo menos, poderia escrever fatos verídicos, ao invés de mentiras em seus posts.

    O Palmeiras não vendeu o Kléber coisa nenhuma. Ele estava emprestado junto ao Shaktar Donetsk. O time ucraniano não quis vendê-lo ao Palmeiras e nem renovar o seu empréstimo. Essa é a verdade. Além do que, o dinheiro utilizado em sua contratação não foi 100% do Palmeiras. Comenta-se que o grupo Sonda bancou parte do negócio.

    Já em relação ao Valdívia, gostaria que vc provasse o que diz com números e matérias da época em que ele foi vendido. Tudo bem que não revelaram oficialmente os números, mas comentou-se que o Valdívia foi vendido por 8 milhões de dólares e contratado agora por cerca de 6. Ou seja, um lucro de 2 milhões de dólares com a negociação.

    E mesmo assim, ainda que estes números não sejam reais, deve ficar claro que, a exemplo da contratação do Kléber Gladiador, somente uma parte do dinheiro é do Palmeiras. Um conselheiro do Palmeiras ( Osório Furlan ) entrou com 36% do valor total e o grupo Eternos Palestrinos arrecadou 1 milhão de euros para a contratação. Ou seja, eles ” deram ” dinheiro ao Palmeiras para contratar o Valdívia.

    Em relação à má administração do futebol, o principal exemplo atual é o seu time, que está afundado em dívidas, tanto que está até com o estádio penhorado, devido a dívidas trabalhistas, e mesmo assim insiste em não contratar nenhum patrocínio para a camisa, desperdiçando tempo e dinheiro, pois os diretores pensam que a camisa do SPFC vale mais do que realmente vale, numa atitude patética e desrespeitosa, principalmente, para com os seus próprios torcedores.

    Sobre o excelente Felipão, o técnico campeão do mundo com a melhor campanha de todos os tempos, a verdade é que tratou-se de um negócio fantástico realizado pelo Palmeiras, que atraiu muitos patrocinadores ( Unimed, Parmalat, Banco Banif ) e deu maior visibilidade ao futebol brasileiro, de uma maneira geral.

    A sua forma de pensar é pequena e tendente a deixar o futebol brasileiro sempre em inferioridade em relação a outros países. Como se os grandes times da Europa fossem todos lucrativos, quando, na verdade, são extremamente deficitários e acumulam déficits gigantescos. Real Madrid, Barcelona, Milan, Juventus, Internazionale, etc……. NÃO SÃO superavitários!!!!!!!! Já alguns fatos que vc menciona, como vimos, simplesmente não estão de acordo com a realidade.

  10. Marcos Says:

    Outra coisa, Abdul, que demonstra que seus comentários não estão de acordo com a realidade.

    O Palmeiras inovou e tem uma camisa específica PARA TÉCNICO. A camisa que o Felipão usa nos jogos – e só ela – tem os patrocínios da Parmalat e do Banco Banif, além da Unimed e da Fiat.

    O Palmeiras criou a figura do patrocinador da camisa do técnico. E parece que os valores arrecadados com estes patrocínios chegam muito próximos dos valores que ele recebe de salários.

    Mais um fato que vc omitiu e que muda tudo neste seu frágil post.

    Então, o Belluzzo não está sendo ” irresponsável ” coisa nenhuma. É vc que está mal informado mesmo…….

  11. Marcos Says:

    Foi por amor ao Campeão do Século sim, rapaz!!!!

    Ele sempre deixou claro que se voltasse para o Brasil seria ou para o Grêmio ou para o Palmeiras.

    O Internacional e o Flamengo fizeram propostas iguais ou até melhores para ele e mesmo assim ele veio para o Palmeiras.

  12. Marcelo Abdul Says:

    Olá Marcos. Em relação ao Kléber você tem razão. Mas quanto ao Valdívia foi dinheiro mal empregado sim. Melhor não seria nem vendê-lo ao futebol árabe. Recomprá-lo mesmo com um ou dois mihão de dólares a menos na atual situação financeira do clube é muito arriscado. E no caso dos Eternos Palestrinos a grana não veio de graça. O Palmeiras terá que pagar inclusive com porcentagem na venda de jogadores e 30% da renda dos jogos caso os acordos não sejam cumpridos. Ou seja, mais dívidas que o clube está assumindo e não a Traffic ou o Grupo Sonda. Caso não tenha percebido, só usei o Palmeiras e o Felipão como exemplos. A “má administração” que foi dita se emprega a todos os clubes brasileiros, inclusive o meu. Note que no post eu disse que Felipão é a “única exceção”. Talvez ele mereça ganhar até mais do que setencentos mil reais. O problema é o efeito que a vinda dele causou. A nossa economia ainda não permite que nossos times, que não tem um lucro exorbitante façam loucuras. Se o Palmeiras tivesse Eike Baptista como dono a situação seria bem diferente, mas não é o caso. Aliás, não é a situação de nenhum clube grande do futebol brasileiro. Vide o balanço de todos. Os clubes estrangeiros de fato não são superavitários, mas a proporção de lucro dos mesmos também é MUITO MAIOR do que a dos times daqui. É bem diferente de assumir dívidas gigantescas e ter um lucro pífio com bilheterias, direitos de TV porcamente pagos e venda de camisas que não bancam um salário de treinador. Você pode achar que eu penso pequeno, paciência. Acho que o caminho deve ser totalmente diferente do atual. O dinheiro empregado deve ser usado na formação e não na contratação de técnicos com salários astronômicos. Abraços de um “fanático” são paulino.

  13. Marcelo Abdul Says:

    Ok. Saiba que o “responsável” do seu presidente ainda banca a multa de dois ex-treinadores do clube. Ohhhh…me desculpe, eu não sabia que o patrocínio na camisa pudesse bancar as dívidas de um clube com o INSS entre outras contas fiscais. Leia o post de novo e verá que não falei só do Palmeiras colega. Mas de todos que empregam grana como se fossem um Roman Abramovich. Talvez eu esteja mal informado mesmo. Afinal o Palmeiras deve estar nadando na grana não é? Lucro todo ano…etc. As dívidas devem ter sumido como num passe de mágica e de repente Belluzzo achou uma bacia de petróleo no meio do Parque Antártica.

  14. Marcelo Abdul Says:

    Humm. Tá bom. O Felipão é um treinador com responsabilidade social. Trabalha de graça…

  15. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Estão nadando na grana sim, ou nas notas promissórias…
    KKKKKKK

    ***(*) ******(*)

  16. Marcelo Abdul Says:

    Pois é. Mas eu estou “mal informado” Lina. O Palmeiras não deve direito de imagem, IPTU, INSS . Está com as contas em dia. Depois o cara me chama de “fanático”.

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