PORRADARIA EM ROSÁRIO

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Chicão entra pra capar: o jogador foi a síntese do Brasil no jogo contra os argentinos

Segunda fase da Copa da Argentina em 1978. A seleção brasileira comandada pelo técnico Cláudio Coutinho se prepara para uma guerra na cidade de Rosário na Argentina. O time canarinho enfrentaria o seu maior rival, a Argentina numa Copa do Mundo e pior, dentro da casa do adversário. Na primeira fase o Brasil não foi bem,  empatou com Suécia e Espanha e se classificou no sufoco derrotando a Áustria por 1 x 0 com um gol chorado de Roberto Dinamite. A Argentina também não foi um primor na primeira fase com duas vitórias (contra Hungria e França) e uma derrota (para a Itália).  A seleção portenha tinha um tabu. Há exatos oito anos eles não venciam o Brasil ( o último foi 2 x 0  em 1970, num amistoso em Porto Alegre e com Pelé em campo) e esperavam que aquele jogo fosse a garantia de classificação para a final da Copa.

Para isso os argentinos fizeram uma verdadeira operação de guerrilha para que o time de Coutinho saísse derrotado. A “batalha de Rosário” como ficou conhecida essa partida, começou no Hotel Libertadores no centro da cidade, onde os brasileiros estavam hospedados. Durante toda a madrugada,  muitos jogadores do  elenco canarinho não conseguiram  dormir. Gritos, fogos de artifício, buzinaço, coros da torcida, o barulho era infernal. Os portenhos fariam de tudo para ir a sua segunda final de Copa do Mundo.
O técnico Coutinho já esperava pelo pior.  E se precaveu contra a pressão do adversário.

Oscar e Luque: duelo em Rosário

Rivelino estava contuntido e não poderia jogar. Para substituí-lo o treinador brasileiro escalou o volante Chicão do São Paulo. Chicão era um volante estilo “pegador” e “raçudo”. Campeão brasileiro pelo São Paulo em 1977, o jogador se caracterizava pela virilidade  e pelas botinadas que distribuia aos seus adversários dentro de campo. Seria o jogador perfeito para uma partida como aquela. Até porque o volante tinha experiência com Libertadores e sabia de cor e salteado todas as mandingas dos “hermanos”.

No dia 18 de Junho os dois times finalmente entram em campo no “caldeirão do diabo” como é conhecido o acanhado estádio Rosário Central na cidade de Rosário. Os gritos dos fanáticos argentinos ecoavam por todos os cantos e impressionavam os jogadores brasileiros. O campo era acanhado e a torcida ficava rente aos donos do espetáculo, dando a impressão de que poderiam invadir o campo a qualquer momento. A pressão era infernal. O Brasil caia numa verdadeira guerra e entrava em campo com Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto, Batista e Chicão, Dirceu, Jorge Mendonça, Gil e Roberto Dinamite.

A partida se inicia e logo Chicão gruda em Mário Kempes e Batista em Ardiles.O desenho do jogo está feito. Chicão pára os atacantes argentinos na base da porrada. O jogo é violento e truncado. Bertoni distribui cusparadas homéritas contra os atletas  canarinhos. O atacante Luque da Argentina simula agressões tentando cavar alguma expulsão de um jogador brasileiro, truque que o árbitro húngaro Karol Palotai não engole. Apesar de toda pressão desde a concentração do hotel, o Brasil não se intimidou com o cenário armado pelos donos da casa e a Argentina não conseguiu produzir jogadas. Pelo contrário, a seleção brasileira teve mais chances de marcar com Gil entrando na área emendando um chute em cima de Fillol. Jorge Mendonça também teve a sua chance, oportunidade mais uma vez defendida pelo goleiro argentino.

Dinamite: a segunda melhor chance da partida foi brasileira.

Os donos da casa tiveram algumas  oportunidades de marcar com chutes a longa distância de Kempes mas foi com  Ortiz que a Argentina teve a sua melhor chance  após um cruzamento de Bertoni, e foi só.  O meio campo Galván, cinco minutos depois acertou um chute em Gil,  irritado com a marcação cerrada do ponta brasieliro.  Depois de muitas botinadas finalmente Chicão ganhava um cartão amarelo após acertar mais uma vez o atacante Kempes. O  primeiro tempo terminou tenso e com o placar em 0 x 0.


disputa de bola: cada enxadada era uma minhoca

Na segunda etapa do jogo, o panoramara não mudou. A Argentina não conseguia articular suas principais jogadas de ataque e os volantes brasileiros funcionaram muito bem na marcação.  A pressão do time portenho e  todas as artimanhas  para vencer o jogo falharam e o ímpeto dos “hermanos” foi diminuindo. E o Brasil foi crescendo em campo. Após uma linda tabela com Batista, Roberto Dinamite ficou na cara do gol e Fillol fez outra grande defesa. Após esse lance a  a partida foi se tornando truncada e bocejante até o juiz húngaro apitar o final da partida. 0 x 0.  O Brasil conseguiu sobreviver a todas a adversidades e teve até mais chances de vencer e ir para a final da Copa. A decisão ficaria para a terceira rodada do grupo.  O Brasil enfrentaria a Polônia e a Argentina o Peru.

Os dois jogos não foram marcados para serem realizados em horários simultâneos. A Argentina jogaria depois conhecendo o resultado do Brasil e saberia quantos gols teria de marcar para ir à final. O time canarinho venceu por 3 x 1 e a Argentina precisaria de 4 gols para enfrentar a Holanda.

Mais do que 4 gols, o time de Kempes, Passarela, Ardiles, Luque e cia.  fizeram  seis no pobre Peru num jogo até hoje polêmico e que provoca suspeitas de suborno e de que os peruanos “facilitaram” a partida. O Brasil terminou a competição invicto e em terceiro lugar.. Um “campeão moral” pelas palavras do capitão Cláudio Coutinho, técnico da seleção brasileira e que até hoje é usada de maneira pejorativa por alguns orgãos da imprensa.

Hoje podemos entender melhor as palavras do falecido treinador brasileiro. Depois de passar um sufoco como na “batalha de Rosário” e ser “garfado” pelos hermanos, a definição de Coutinho não poderia ser diferente. E se aquela  bola do Dinamite entrasse…

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2 Respostas to “PORRADARIA EM ROSÁRIO”

  1. Geraldo "JASON" Lina Says:

    O Chicão era o cara né velho ?
    Por isso que a gente gosta tanto do Lugano…
    ***(*) ******(*)

  2. Marcelo Abdul Says:

    Porra. Pelo que me falavam dele ele era sim. Eu pouco vi ele jogar, mas quem viu me disse que ele era raçudo mesmo e dava a alma. E vamos ver o Lugano detonando aquele merda do Domenech.

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