AS SELEÇÕES QUE ENCANTARAM, MAS NÃO LEVARAM

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Há uma semana do maior torneio do esporte mundial, o blog do Abdul não poderia ficar de fora.  Vamos publicar alguns especiais sobre os mundiais e acompanharemos a Copa do Mundo com comentários sobre os jogos. Para começar vamos conhecer  times inesquecíveis que encantaram o mundo  durante esses 80 anos de Copa, mas que por um detalhe não levaram o tão sonhado caneco.   Contudo ganharam  o carinho eterno dos amantes do futebol.

BRASIL -1950

O Brasil de 1950 foi a primeira grande seleção que encantou a todos, mas que não levou o caneco. Tendo como base o Vasco da Gama, o melhor time brasileiro da época e chamado de “expresso da vitória”, o time brasileiro ainda tinha craques como Zizinho e Bauer.  Com o artilheiro Ademir de Menezes fazendo gol atrás de gol,  o time da casa foi arrasando seus adversários com goleadas impiedosas.

Na fase final um 7 x 1 contra a Suécia e um 6 x 1 contra a Espanha levaram a torcida brasileira a lotar o Maracanã no jogo final contra o Uruguai.  Mas depois de marcar o primeiro gol, o time do treinador Flávio Costa parou na determinação e na raça de Obdúlio Varela e Ghiggia e o Brasil perdeu de virada. Foi a maior tragédia da história do futebol brasileiro, maior até de que se o país tivesse perdido uma guerra. O Brasil mudou completamente depois do “Maracanazzo”. Alterou a cor da camisa e se tornou a maior potência futebolística mundial.

Tudo graças as lições de uma derrota  pela qual o país jamais se esqueceu e que condenou injustamente 11 grandes jogadores. Afinal esse time chegou em segundo. Bem melhor que a Espanha que mal saiu de um décimo segundo lugar jogando em seus domínios em 1982.

HUNGRIA – 1954


Uma das seleções mais espetaculares da história do futebol mundial. Chamado de “time de ouro”, a Hungria chegou a Copa da Suíça como ampla favorita não só pelo título olímpico de 1952, mas pela campanha invicta de 27 jogos até ali. Se somou nessa campanha   duas vitórias inesquecíveis contra a Inglaterra. Foi a primeira seleção que derrotou os ingleses  dentro de Wembley e por uma goleada de 6 x 3. Um feito louvável na época.

Comandados por Puskas “o major galopante”, pelo habilidoso Hidegutti e pelo artilheiro Kocsis, a Hungria mostrou a sua força durante toda a Copa. Goleou a Coreia do Sul por 9 x 0 e o time reserva da Alemanha Ocidental por 8 a 3.  Nas quartas derrotou o Brasil por 4 x 2 num jogo tumultuado que ficou conhecido como “A batalha de Berna”.  Nas semifinais venceu os uruguaios campeões do mundo por 4 x 2 depois de empatarem em 2 x 2 no tempo normal.

Na final contra o time titular da Alemanha, a Hungria começou avassaladora fazendo 2 x 0. Tudo indicava que os húngaros repetiriam o sucesso de Helsinque. Mas a Alemanha começava a mostrar a sua tradicional escola. Aos poucos os germânicos reagiram e empataram o jogo.  Aos 39 minutos o goleador Rahn passa por dois marcadores húngaros e chuta no canto. A Alemanha vira o jogo e vence o seu primeiro título mundial. A partida ficou conhecida como o “milagre de Berna”.  No mundo inteiro apesar da derrota, o “time de ouro” ganhou o coração e mente de todos os amantes do futebol.

PORTUGAL – 1966


A esquadra portuguesa participava de sua primeira Copa do Mundo. Tudo indicava que os lusos seriam meros figurantes no Mundial da Inglaterra, mas o time do treinador brasileiro Oto Glória, que tinha como base o campeoníssimo Benfica surpreendeu o mundo pela habilidade e virilidade de seus atletas.  Entre eles se destacava o atacante Eusébio, “o pantera negra”. Dono de uma categoria exemplar,bom chute e senso de colocação, o moçambicano virou artilheiro do Mundial de 1966 com 9 gols.

Num grupo complicado, com o Brasil bicampeão do mundo, Hungria e Bulgária, os portugueses nem tomaram conhecimento de seus adversários  e venceu os três jogos.  O bagunçado Brasil perdeu feio dos portugueses e viu Pelé,  seu maior jogador,  ser caçado pelos ferozes defensores lusitanos, que batiam com a leniência do árbitro inglês McCabe.

Depois de ser a sensação na primeira fase, Portugal espantou a zebra Coréia do Norte por 5 x 3 depois de estar perdendo por 3 x 0 com grande atuação de Eusébio. As semifinais seriam contra a dona da casa, a Inglaterra. A seleção portuguesa viajou para Londres e numa partida equilibrada perdeu em Wembley  para os donos da casa por 2 x 1.  Portugal garantiu o terceiro lugar vencendo a União Soviética por 2 x 1, a melhor colocação da seleção até hoje.

Portugal só viria a voltar a uma semifinal 40 anos depois em 2006 com Felipão no comando. Por coincidência outro brasileiro no comando técnico dos rubro verdes.

HOLANDA – 1974


A seleção responsável pela maior revolução tática do futebol mundial em todos os tempos. Tendo como base o Ajax de Amsterdam e Feynoord, times consagrados na Europa, os holandeses tinham craques como Krol,  Neeskens, Cruyff  e Resenbrink e um treinador visionário: Rinus Michels.

O time laranja não tinha posição fixa,  e confundiam o adversário.  A consagrada seleção do Uruguai foi a primeira vítima na primeira Copa da Alemanha. A celeste olímpica mal passou no meio do campo e  foi massacrada durante 90 minutos. O placar de 2 x0 foi enganoso. Depois de um empate em 0 x 0 com a boa seleção sueca a Holanda goleou a Bulgária e foi para a segunda fase num grupo em que tinha Brasil e Argentina.

Medo? Que nada! Cruyff comandou uma sonora goleada de 4 x 0 contra os platinos, uma vitória tranquila contra a Alemanha Oriental por 2 x 0 e um passeio contra o Brasil por 2 x0.  A Holanda tinha simplesmente derrotado as três maiores potências sul americanas na Copa da Alemanha. Um feito inigualável até hoje. A final seria contra os donos da casa em Munique e logo no inicio do jogo a Holanda fez um gol sem que os alemães tocassem na bola. Num lance de toques rápidos Neeskens foi derrubado, pênalti que o próprio atacante marcou.

Mas os alemães como em 1954 são conhecidos pro sua frieza e determinação dentro de campo. Aos poucos o time de Beckenbauer controlou o jogo e não caiu nos truques e nos encantos do jogador holandês. Veio o empate com Breitner e o gol da virada com o “bombardeio” Gerd Müller.  O goleiro Seep Maier segurou o ataque da “laranja mecânca” (alusão ao um filme famoso do diretor Stanley Kubrick na época)  no segundo tempo e a  Alemanha garantiu o  bicampeonato mundial.  A revolução tática de Rinus Michaels serviu de inspiração para muitos treinadores, entre eles, Telê Santana. Mas o impacto da laranja mecânica jamais se repetiu em uma Copa do Mundo.

POLÔNIA – 1974

Uma seleção igual ou tão boa quanto a Holanda em 1974 foi a Polônia de Tomaszewski, Zmuda, Deyna, Szarmarch e Lato. Talvez ofuscados pelo brilho da laranja mecânica na Copa, a Polônia de 1974 não foi considerada uma seleção inesquecível.  Mas os números não mentem. Dois anos antes,  esse mesmo time havia conquistado o ouro olímpico nos jogos de Munique ( os jogadores eram “amadores” na Polônia comunista e podiam participar dos jogos).

Na eliminatórias, os poloneses desclassificaram nada mais, nada menos do que a Inglaterra em pleno estádio de Wembley com uma grande atuação do goleiro Tomasszewski.  Na Copa, venceu a Argentina por 3 x 2, goleou o modesto Haiti por impiedosos 7 x 0 e eliminou a Itália por 2 x 1 conseguindo a melhor campanha na fase de grupos.

Na segunda fase, os poloneses venceram a Suécia e a Iugoslávia e decidiram a vaga na final contra os donos da casa. Numa partida disputadíssima e debaixo de  uma chuva torrencial, a equipe polonesa sucumbiu depois de um gol do “bombardeio” Gerd Muller.  Ficou o consolo de conquistar o terceiro lugar após vencer o Brasil com um gol de Lato, que se tornou artilheiro do Mundial de 74 com sete gols. Esse time é considerado a maior seleção da Polônia de todos os tempos.

ITÁLIA – 1978

Talvez seja a resposta para todos os devaneios e lamentações daqueles que ainda não se conformam com a derrota da seleção brasileira em 1982.  A equipe que derrotou o Brasil no estádio Sarriá e que foi campeão da Copa da Espanha teve uma origem  quatro anos antes na Copa da Argentina em 1978. Tendo como base a Juventus de Turim, bicampeã  do “scudetto”, a “azzurra”  tinha nomes como  o zagueiro Gentile, o excelente líbero Gaetano Scirea, o goleiraço Dino Zoff, o meio campo Marco Tardelli e o atacante Paolo Rossi.

Alguém aí lembra desses nomes? Pois é! Esse time teve a ousadia de ganhar da Argentina em pleno Monumental de Nunes numa Copa do Mundo.  Antes, a azzurra bateu a França por 2 x 1  e a Hungria por 3 x 1 terminando a primeira fase como  a seleção de melhor campanha.  Na segunda fase, a Itália empatou com a Alemanha sem gols e venceu a Áustria com um tento de Rossi. Restou o último jogo contra a Holanda em que os italianos disputariam a vaga na final.

Depois da Itália abrir o marcador com um gol contra de Brandts, o próprio zagueiro se redimiu com um tirambaço de fora da área. E  foi com outro chutaço de Hahn que a seleção laranja tirou os italianos da final. Restou a disputa do terceiro lugar contra o Brasil e mais uma derrota de virada por 2 x1.  Mas a equipe italiana de 78  foi subestimada por essas duas derrotas e se consagraria quatro anos mais tarde.  Resta o consolo de todos nós brasileiros de que não perdemos pra um time “zé mané” qualquer.

BRASIL – 1982

A derrota dessa seleção foi um divisor de águas na história do futebol brasileiro. O Brasil que jogou a Copa de 1982 é sempre usado pelos defensores do futebol força e “pragmático” como um mau exemplo de caminhos para as conquistas. É a velha história do “jogar feio e ganhar”, uma conversa mais inútil do que papo de bêbados no boteco. Na verdade a equipe da Copa da Espanha foi a última  seleção que jogou a verdadeira escola brasileira.

Comandados pelo técnico Telê Santana,  o time base era formado por jogadores das principais equipes do país. Leandro, Zico e Júnior do campeoníssimo Flamengo. Sócrates do Corinthias, Cerezzo e Éder do Atlético Mineiro, Oscar e Serginho do São Paulo, entre outros.

Com um toque de bola refinado e jogadas espetaculares o Brasil já tinha encantado a Europa um ano antes numa excursão em que o time canarinho venceu adversários como a França e Alemanha.  Na estreia do mundial contra a União Soviética o Brasil tomou um susto após um frango de Waldir Peres, mas virou a partida após um golaço de Éder. Nas duas partidas restantes da primeira fase, duas goleadas acachapantes contra a Escócia e Nova Zelândia. A imprensa e o mundo se encantaram com o talento de nossos jogadores.

Na segunda fase, uma vitória demolidora contra a Argentina campeã do mundo colocou o Brasil como favorito a ganhar a Copa. Bastava um empate contra a Itália para o país passar as semifinais. Mas a azzura tinha bons nomes, jogadores experientes e determinados a vencer. O Brasil entrou desligado no estádio Sarriá e se descuidou diante de um adversário tradicional e campeão do mundo como ele. O técnico Enzo Berzot levava consigo toda a filosofia tradicional de cattenaccio italiano, porém gostava de usar as pontas e avançar nas laterais. Bruno Conti dava trabalho a Júnior e Paolo Rossi estava num dia endiabrado. A Itália venceu num jogo espetacular e avançou até o título.

O Brasil se lamentou pela sua segunda maior tragédia futebolística de sua história. E que como em 1950, aconteceram mudanças, porém  no aspecto tático.  Já em 1986 com o mesmo Telê Santana no comando técnico, o Brasil tinha dois cabeças de área de talento médio: Alemão e Elzo.

Foi a consequência que trouxe o tetracampeonato mundial em 1994 contra a mesma Itália depois de um empate boçal de 0 x0. Curiosamente o placar foi o mesmo do Sarriá: 3 x 2 , mas nos pênaltis.  Definitivamente a vingança é um prato que se come frio.

DINAMARCA – 1986

A seleção escandinava abria mais um caminho semelhante ao da Holanda como em 1974.  O técnico Sepp Piontek ensaiava uma revolução tática no comando da Dinamarca. Um país que até então não tinha nenhum destaque no mundo do futebol.  Em 1984 a equipe chegou as semifinais da Eurocopa na França perdendo para a Espanha. Classificados para a Copa do Mundo no México em 1986,  a Dinamarca tinha no ataque um fumante inveterado mas talentoso: Elkjaer Larsen.  No meio campo havia bons jogadores como Laudrup e Jeep Olsen.

Na estreia na copa uma vitória magra contra a Escócia por 1 x 0.  No segundo jogo contra o Uruguai, a consagração: um chocolate inesquecível de  6 x 1. Uma das maiores humilhações da história da celeste olímpica.  No último jogo nova vitória contra outro time campeão do mundo: 2 x 0 na Alemanha Ocidental. Até aí a Dinamarca, agora chamada de “Dinamáquina” por periodistas brasileiros era a seleção sensação do mundial. Até porque a Argentina estava centrada no talento de Maradona e o Brasil estava muito longe de ser o time consagrado de 1982.

Mas o sonho dos dinamarqueses de alcançar voos mais altos se encerrou em Querétaro. Inexplicavelmente os escandinavos pararam contra a mesma Espanha que os havia eliminado na Eurocopa de 1984. Uma derrota  muito mais humilhante do que na Eurocopa dois anos antes: uma goleada de 5 x 1 com uma atuação espetacular do atacante espanhol  Emílio Butrageño que fez 4 gols na partida.

Pelo futebol apresentado na primeira fase, a Dinamarca deixou o mundial muito cedo, Mas deixou suas marcas. Tanto que resquícios dessa filosodia de Pionteck permaneceram e a  seleção dinamarquesa  goleou o Brasil  em Copenhagem por 4 x 0 num torneio em 1989. Em 1992, a Dinamarca surpreendentemente  conquistou a Eurocopa.

CAMARÕES – 1990

Não foi a Tunísia em 1978.  Muito menos a Argélia em 1982 e tampouco o Marrocos em 1986. A seleção responsável pelo crescimento da África no futebol mundial foi  o time de Camarões que disputou a Copa da Itália em 1990. A equipe tinha como estrelas o bom goleiro Thomas N´Kono e o veterano atacante Roger Milla, considerado por muitos o maior jogador africano de todos os tempos.

Com a ajuda de novos talentos como Oman Biyick, Makanaky e M´Fede o time africano surpreendeu na estreia e venceu a Argentina por 1 x 0.  O show dos “Leões Indomaveis” continuou com uma vitória contra a Romênia por 2 x 1. Nem mesmo a goleada sofrida contra a União Soviética por 4 x 0 tirou o brilho de Milla e seus comandados.

Nas oitavas de final, a estrela do atacante camaronês brilhou de novo depois de dois gols na prorrogação contra a Colômbia, sendo que o último ficou marcado pela sua esperteza e talento. Higuita saiu jogando em mais uma de suas tradicionais “presepadas” e foi surpreendido por Milla, que ágil como um felino roubou a bola do arqueiro colombiano e marcou o segundo tento garantindo a classificação inédita de uma seleção africana para as quartas de final de uma Copa do Mundo.

A partida seguinte contra a Inglaterra foi a melhor do Mundial da Itália.  Camarões virou o jogo depois de estar perdendo por 1 x0. Mas ainda pela ingênuidade de seus defensores cometeu dois pênaltis infantis e permitiu vitória dos súditos da rainha Elizabeth II.  Os africanos sairam aplaudidos de pé pela torcida do estádio San Paolo e pelo mundo. Depois da campanha dos leões, a Fifa anunciou mais uma vaga africana na Copa seguinte ( A África tinha apenas duas vagas), sendo que esse número aumentou para 6 hoje e o Mundial de 2010 será disputado em continente africano pela primeira vez em sua história. Culpa dos leões que rugiram nos estádios italianos em 1990.

ROMÊNIA E BULGÁRIA – 1994


Na história dos mundiais desde 1994, a equipes da Romênia e da Bulgária figuraram sempre como meros sacos de pancadas e coadjuvantes. Os búlgaros por exemplo, nunca haviam vencido uma única partida em Copas do Mundo e a Romênia igualmente tinha poucas e insignificantes participações em mundiais. Tudo mudou em 1994, quando as duas equipes além de vencerem e irem longe na Copa dos EUA, mostraram um futebol talentoso e competitivo.

A Romênia tinha ainda em seu time, os ecos do Steua Bucarest, campeão da Copa dos Campeões Europeus em 1986, mas foram dois jogadores em especial que mudaram o mapa de futebol do país recém saído  da cortina de Ferro: Raduciou e George Hagi.  Foi essa dupla que desfez toda a ilusão de grandeza colombiana aplicando 3 x 1 nos comandados de Maturana e devolvendo o país caribenho ao seu devido lugar.

Raduciou era um atacante rápido e impiedoso, e Hagi era o cérebro e o talento do time romeno. Apesar de uma campanha irregular na primeira fase, com uma goleada sofrida pela Suíça e uma magra vitória contra os donos da casa, foi nas oitavas de final contra a Argentina que todo o talento de Hagi eclodiu.

Ainda abalados pela suspensão pelo dopping de Diego Armando Maradona, os argentinos entraram em parafuso quando o meia romeno,  ironicamente chamado de “Maradona dos Carpatos” começou a atuar.  Hagi fez uma partida espetacular e com a ajuda do atacante Domitrescu derrotou os argentinos da Copa num inesquecível  3 x 2.

Os romenos fora eliminados depois de perderem uma partida disputadíssima contra os suecos. Se vencessem pegariam o Brasil na semifinal. Só de pensar nisso Parreira deve ter calafrios na espinha e o que deve fazer até os dias de hoje é  agradecer eternamente  aos suecos por eliminarem uma das melhores seleções da Copa de 1994.

Outro time do leste que foi longe foi a Bulgária. Desde sua estreia em Copas do Mundo os búlgaros não haviam vencido uma única vez em mundiais e pela partida inicial desastrosa contra a Nigéria a sina parecia se repetir. Mas no segundo jogo contra a Grécia as coisas mudaram. Uma goleada de 4 x 0 deu a primeira vitória nos mundiais e toda a confiança do que a equipe do genial Histro Stoitchkov  precisava.

Nas eliminatórias, os búlgaros haviam surpreendido a França por 2 x 1 em pleno Parc des Princes. Isso demonstrou que o time não iria para os EUA apenas para fazer figuração. Isto se confirmou quando venceram a Argentina, uma das favoritas ao título por 2 x o.  A vitória por pênaltis contra o México nas oitavas soou mais como um lance de sorte. Mas foi nas quartas de final contra os atuais campeões do mundo que a Bulgária mostrou sua força.

Ao contrário de todos os mundiais que haviam disputado até então, a Bulgária encarou os alemães de igual para igual. O gol de pênalti de Lothar  Matthaeus não freou o ímpeto búlgaro e  Stoitchkov e Letchkov viraram o jogo  classificando a Bulgária para as semifinais.  Contra a Itália os búlgaros não conseguiram superar o talento de Roberto Baggio e perderam por 2 x 1.  Mas nem mesmo a derrota por 4 x0 na disputa do terceiro lugar contra a Suécia apagou o brilho da campanha da ex- eterna saco de pancadas em Copas.

CORÉIA DO SUL – 2002

Talvez essa seja a única seleção dessa lista  que não se destacou por sua postura técnica, mas sim pela grandiosidade que mobilizou e emocionou uma nação inteira.  Se analisarmos o futebol por si, a Coreia jamais teria passado das oitavas de final não fosse a imprudência e as lambanças dos árbitros. Mesmo assim a seleção coreana comandada pelo holandês Gus Riddink marcou a Copa da Ásia. Por que? Desde que estreou em mundiais com um chocolate de 9 x 0 contra a Hungria a única qualidade dos coreanos era de ser um simples “fazedor de pontos” para os países mais fortes.

Desde 1986, quando voltou ao mundial até 1998 os sul coreanos não haviam vencido uma única partida.  Sua estreia dentro de casa  contra a tradicional Polônia seria a “prova de fogo” e finalmente os coreanos tiraram o grito de vitória do peito, mas situações mais gloriosas estavam por vir. Depois de um empate contra os americanos, a Coreia iria decidir a classificação contra Portugal e venceu por 1 x 0. A festa se espalhou como nunca nas ruas de Seoul. Nem mesmo nas Olimpíadas de 1988 a mobilização do pais foi tão grande.

Contra a Itália, num jogo marcado por erros de arbitragem os coreanos repetiram a façanha de seus co irmãos do Norte em 1966 e venceram a “azzura” para o desespero do treinador italiano Trapatonni. Nas quartas após uma arbitragem escandalosa do egípcio Gamal Gandour, os coreanos foram para os pênaltis contra os experientes espanhois e os derrotaram. Era a primeira vez que um time asiático chegava a uma semifinal de Copa do Mundo. Um mar vermelho de proporções bíblicas tomou as ruas do país.  Mas a ilusão acabou na semifinal contra os disciplinados e metódicos alemães. O gol de Ballack acabou com os sonhos de milhões de coreanos. Mas o honroso quarto lugar demonstrou a esse país asiático que a missão estava cumprida.

8 Respostas to “AS SELEÇÕES QUE ENCANTARAM, MAS NÃO LEVARAM”

  1. Carlos Henrique Says:

    Perfeito Abdul, parabéns pela coluna, mas você errou quanto ao local do título olímpico da Polônia em 1972.

    Foi em Munique, não em Montreal.

    E outra, naquela época os países comunistas mandavam suas seleções principais aos Jogos Olímpicos.

    Romênia e Bulgária surpresas de 1994? Prova cabal que aquele mundial foi de baixo nível técnico.

    Um abraço

  2. Marcelo Abdul Says:

    Verdade Carlos Henrique. Valeu pelo toque. Corrigido. De fato, não só a Polônia como todos os países comunistas mandavam os seus times principais na Olimpiadas, e o leste Europeu dominou o quadro de medalhas no futebol olímpico por muitos anos. Quanto a 1994, não achei o nível técnico tão fraco assim. A Copa teve momentos de brilhantismo. Veja o jogo Romênia e Argentina e verá que foi uma grande partida de futebol. Abraços!

  3. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Como é que vocês conseguem fazer esses desenhos com a latinha de vocês hein ? Quero imitar… 8)

  4. Marcelo Abdul Says:

    Ae Lina. Tá na mão – http://www.faceyourmanga.com/

  5. Thiago Says:

    Discordo quanto ao destaque para a Coreia em 2002. Considero que mais justo seria escolher a Turquia como destaque. Uma seleção que ninguém dava nada e que deu trabalho pro Brasil na primeira fase e na semifinal, faturando 3º lugar da Copa do Mundo, vencido em cima da Coreia do Sul, inclusive. A seleção sul coreana só passou às semifinais graças a uma rotunda injustiça, uma interferência direta do árbitro egípcio Gamal Gandhour contra a Espanha, que jogou muito melhor que a Coreia. O egípcio anulou dois gols espanhóis legítimos e marcou três impedimentos inexistentes. Na minha opinião os destaques foram Turquia em primeiro e em segundo o Senegal.

  6. Marcelo Abdul Says:

    Discordo. A Turquia ficou em terceiro mas pegou uma caminho bem menos complicado. Ficou num grupo com China e Costa Rica em que só tinha o Brasil como maior adversário e nas fases seguintes pegou Japão e Senegal. E Senegal não fez nada melhor do que Camarões em 1990 apesar de ter feito uma grande Copa. Mas se você prestou atenção na postagem destaquei a Coréia do Sul não pelo futebol em si, mas sim pela força e mobilização da torcida. Na questão futebolistica você tem toda razão, não mereciam estar nem nas quartas pois nas oitavas a Itália foi garfada também. Mas a moblização da torcida coreana empurrou o time de uma maneira inédita, fanática e surreal. Por isso o destaque. Abraços.

  7. Armando Torrão Says:

    Show de postagens, as vezes o brilho na Copa do Mundo não está apenas nos campeões, vices, terceiros ou quartos e sim nas surpresas de seleções, jogadores, técnicos, torcidas que antes da Copa não tinham talvez nem se quer mencionados como depois do sucesso.
    Abraços.

    http://www.melhoresjogadoresdefuteboldomundo.blogspot.com

  8. Marcelo Abdul Says:

    Valeu Arnaldo. Uma Copa do Mundo pode ser espetacular por vários fatores. Citamos apenas alguns deles. Abraços.

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