NO CALOR DE SEVILHA

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Brasil de 82: um time inesquecível

Sevilha, Estádio Sanchez  Pizjuan, a seleção brasileira inicia a sua caminhada na Copa do Mundo de 1982 contra a União Soviética. O time comandado pôr Telê Santana era considerado um dos favoritos para vencer o torneio, sediado na Espanha recém democratizada e tinha no seu plantel verdadeiros craques como o meia atacante Zico e dos laterais Júnior e Leandro do Flamengo, campeões mundiais interclubes em 1981.  Na defesa o time contava com o experiente goleiro Valdir Perez e o zagueiro Oscar do São Paulo, além do meio campista Falcão da Roma da Itália e do “Doutor” Sócrates  do Corinthians, capitão da equipe. Antes da Copa, o Brasil impressionou a mídia esportiva com uma excursão vitoriosa na Europa em que a equipe derrotou os times da França e Alemanha dentro da casa dos seus adversários. Depois a equipe canarinho disputou o Mundialito no Uruguai e goleou a Alemanha por 4 x 1, perdendo só para os donos da casa na final. A classificação para a Copa do Mundo foi relativamente fácil. Bolívia e Venezuela não foram páreo para o talento do time brasileiro.

Sócrates passa pela defesa soviética e marca: golaço

Assim no dia 14 de Junho de 1982 a  seleção brasileira estreou na Copa da Espanha contra a organizada seleção da União Soviética. O time soviético era considerado forte e perigoso, no gol,  o goleiro Rinat Dasaev do Spartak Moscou, considerado o melhor goleiro soviético desde a aposentadoria do “aranha negra” Yashin.  No ataque o time do leste tinha os perigosos Ramaz Shengelia do Dínamo Tbilisi e Oleg Blokhin do Dínamo de  Kiev, atacante soviético de maior destaque na Europa. O Brasil tinha tudo para fazer uma grande estréia na calorenta cidade de Sevilha, ela aconteceu, mas com contornos mais dramáticos do que se poderia esperar…

Naquele jogo o Brasil conseguiu uma das mais significativas viradas em Copas do mundo e começou a mostrar ao mundo um time que pôr muitos anos ficou gravado na memória de todos os brasileiros. O juiz costarriquenho Lamo Castillo apitou o início da partida e ambos os times estavam nervosos em campo. O Brasil começou com uma boa iniciativa e Zico fez uma boa jogada no ataque obrigando o goleiro Dasaev a fazer uma boa defesa.  Logo em seguida o centroavante Serginho do São Paulo não conseguiu escorar um cruzamento que veio da direita.  A partir daí o ímpeto brasileiro se enfraqueceu e não conseguiu mais passar pelo forte bloqueio soviético.  O time europeu passou a amortecer as jogadas e a tocar a bola frente à defesa brasileira procurando uma possível brecha onde o atacante Blokhin pudesse atravessar.  Numa dessas brechas o atacante  Ramaz Shengelia avançou perto da área mas foi seguro pelo zagueiro Luisinho. Pênalti que o costa riquenho Lamo Castillo preferiu não validar.

A barreira soviética se arma contra Éder: o canhão da Copa

Os soviéticos passaram a tocar mais a bola perto da área brasileira até que o meia campista Bal, recebeu uma bola e chutou despretensiosamente a bola. Ela veio forte mas defensável, principalmente para um goleiro experiente e rodado como Valdir Perez. Mas ao tentar encaixar a bola, o goleiro da seleção brasileira viu a bola lhe escapar sobre as suas luvas. Gol da União Soviética e um frango histórico do goleiro canarinho.  Depois do gol o Brasil se desconcentrou e não conseguiu mais produzir jogadas que ameaçassem a defesa “russa”. O primeiro tempo terminou 1 x 0 e com uma incerteza sobre o time  brasileiro. Ele conseguiria jogar bem? Ele alcançaria uma virada?
No segundo tempo o técnico Telê Santana sacou o improdutivo Dirceu e colocou o endiabrado atacante  Paulo Isidoro do Grêmio. Com a ajuda do lateral Leandro, o Brasil passou a alternar os ataques pelas pontas, ora com Leandro e Paulo Isidoro pela direita, ora com o ponta Éder pela esquerda.

O time soviético começou a se sentir pressionado pêlos constantes ataques brasileiros e o toque de bola de Sócrates,  Zico e do talentoso volante Paulo Roberto Falcão. Em um lateral jogado para dentro da defesa soviética, dois zagueiros tiraram afobadamente a bola. Sócrates pegou a sobra e driblou dois a adversários emendando um petardo  indefensável  de fora da área. O time verde e amarelo empatava aos 30 minutos levando alívio para a torcida brasileira.

Éder manda a bomba e a virada: gol antológico

Com o empate o time sul americano continuou investindo nas jogadas pelas pontas, sempre barrando na boa defesa soviética. Um empate parecia inevitável, até que aos 43minutos da segunda etapa, Paulo Isidoro toca uma bola da ponta para o meio. Falcão numa consciência digna de sua elegância vê Éder chegando livre a o seu lado e deixa a bola passar  entre as suas pernas. O atacante o Atlético-MG levanta a bola como se armasse um canhão e manda uma bomba do lado esquerdo  do atônito e paralisado Dasaev. O Brasil virava o jogo em dois a um. Fim de jogo e carnaval em Sevilha.  A partir daí, o Brasil e o mundo estavam conhecendo uma das maiores seleções de todos os tempos.

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4 Respostas to “NO CALOR DE SEVILHA”

  1. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Abdul, essa foi, de fato, minha primeira copa do mundo.
    Eu estava de ferias em Presidente Prudente, terra da minha mãe.
    Assistia todo jogo, maravilhado com as jogadas geniais desse esquadrão.
    Tinha 12 anos. Quando o Brasil perdeu pra Itália chorei muito, minha segunda dor inesquecível do futebol. Antes, em 81, eu tinha visto o São Paulo perder pro Grêmio de Baltazar. Saudades desse tempo ai, menos destes momentos…
    ***(*) ******(*)

  2. Marcelo Abdul Says:

    Pois é amigo somos contemporâneos de 1982. Somos privilegiados. Viva Telê!

  3. valdeci Says:

    tinha 17 anos e tbem acompanhei essa seleção mágica!!! foi realmente uma pena ter perdido aquele jogo!! coisas do futebol!!!

  4. Marcelo Abdul Says:

    Foi triste. Eu tinha 9, mas a derrota daquela tarde em Barcelona ainda dá um gosto amargo em minha boca. Foi com essa seleção de 1982 que aprendi a gostar de futebol.

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