A MÃO DE DEUS E UM PÉ DOS DIABOS

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Maradona vence Shilton: a "mão de Deus" derrota a Inglaterra

Pobre Inglaterra!

A Primeira Ministra Margareth Teacher mal havia sabido no vespeiro que havia se metido ao vencer a Argentina na guerra pela posse das Ilhas Falkland (chamado de Malvinas pelos portenhos). Orgulho platino ferido é fogo! É a pior coisa que se pode enfrentar. E a vingança argentina não tardaria a chegar. No dia 22 de Junho de 1986 ela aconteceu e pelas mãos (sim pelas mãos) de um baixinho genial chamado Diego Armando Maradona. Copa do Mundo no México, 1986, 114. 580 pagantes batem o recorde de público do torneio para ver o jogo Argentina x Inglaterra pelas quartas-de-final da Copa. De um lado a Argentina de Diego Maradona, Valdano e Burruchaga.

De outro a Inglaterra do artilheiro Gary Lineker e do goleiro Peter Shilton. Ambas as equipes haviam feito boas campanhas até ali. O time sul americano havia vencido seu arqui-rival Uruguai pelas oitavas por 1 x 0 e o “english team” havia detonado o pobre Paraguai graças ao talento de Gary Lineker. Vinte anos atrás esses mesmos países haviam feito uma partida polêmica. Em 1966 o atacante aregentino Rattin havia sido expulso injustamente e o selecionado sul americano foi covardemente chamado de “animais” pelo técnico inglês após a vitória do time britânico por 1 x 0.

Agora 20 anos depois a Argentina tinha a chance da desforra. Mas ao invés de bombas, mísseis ou declarações extra campo a equipe platina tinha Diego Maradona, até ali o melhor jogador da Copa do México em 1986. A Inglaterra conhecia todo o seu potencial e o técnico Bobby Robson  colocou os seus melhores volantes Samson e Hoddle para marcá-lo.  A princípio essa forte marcação estava obtendo resultados. Maradona estava elétrico mas o resto do time não. A Argentina teve poucas chances de gol e o goleiro Shilton fez poucas defesas. O mesmo se aplicava ao goleiro Neri Pumpido da Argentina que mal sujou a sua camisa número um, pois as bolas não chegavam aos pés do implacável  Gary Lineker.  Os esquemas se assemelhavam muito e o primeiro tempo se tornou morno, num lento e bocejante 0 x 0.

Maradona: nem mesmo um canhão poderia pará-lo

Talvez por uma bronca trovejante do técnico argentino Carlos Billardo, talvez pelo ímpeto de Maradona e dos outros jogadores da seleção, a Argentina voltou completamente diferente no segundo tempo. Mais aguerrida, mais comprometida com a vitória, o time platino e principamente sua maior estrela foram para o segundo tempo dispostos a vencer.  A marcação especial sobre Maradona não estava produzindo mais resultados.  O camisa 10 da Argentina estava infernal como se carregasse na costas toda a chama vingativa da derrota das Malvinas. Maradona pouco se importava com  a marcação inglesa, tocava a bola e se movimentava constantemente, deixando maluca toda a retaguarda britânica, o gol parecia inevitável e saiu da forma mais esdrúxula e absurda possível. Maradona tocou para Jorge Valdano que não conseguiu dominar a bola perto da grande área. Afobado, o meio campista inglês Hodge espanou a bola para o alto. Shilton no alto de seus 2 metros ia alcançar a pelota, mas o baixinho Maradona teve a ousadia de disputar a bola com o arqueiro inglês. De repente Maradona levanta a sua mão esquerda e toca maliciosamente na bola. Ela e entra e o por incrivel que pareça o árbitor egípicio Ali Bennaceur valida o gol. Maradona corre para comemorar  olhando para o árbitro denunciando a sua malandragem para o mundo. Mas o egípcio corre impassível no meio de campo para desespero dos jogadores da Inglaterra.

Maradona: o gol mais polêmico das Copas

Mas o pior para os súditos da rainha Elizabeth ainda estava por vir. Dois minutos depois Maradona ia entrar para a história do futebol mundial definintivamente. Ainda no meio de campo da Argentina, Maradona usa a sua esquerda e passa por Hoddle e Reid, arranca velozmente e dribla o zagueiro Butcher que depois da jogada corre desesperadamente atrás do 10 argentino. Maradona chega na área inglesa e dribla Fenwick só encontrando a sua frente o goleiro Shilton que também é impiedosamente driblado e toca no gol inglês, sendo acertado por Butcher tarde demais. O estádio Azteca aplaudia de pé a jogada do monstro Diego Armando Maradona. Um golaço e histórico que foi considerado pela FIFA o gol mais bonito do século. 2 x0 e a Inglaterra finalmente, caía diante da nação portenha.

Talvez maravilhados pela exibição de seu meia, a Argentina apagou. Bobby Robson agiu rápido e substituiu Trevor por John Barnes, o primeiro negro a jogar pela seleção inglesa em Copas do Mundo. E ele não decepcionou dando velocidade e usando a ponta esquerda para penetrar na defesa sul americana. Em uma dessas investidas Barnes cruzou e o artilheiro Lineker tocou para as redes fazendo seu sexto gol na Copa do Mundo, 2 x1.  Barnes continuou a infernizar a vida dos argentinos. Nos momentos finais ele repetiu a mesma jogada e Lineker errou a cabeçada. Por muito pouco a Inglaterra não empata e estraga o brilho de Maradona. Fim de jogo. Argentina vai para as semi-finais e comemora muito a classificação. Questinado sobre o gol ilegal, Maradona responde que fez o gol com a cabeça e com a “mão de Deus”. Nada mais correto, afinal de contas o meia argentino é considerado um Deus por seus compatriotas, então, a mão foi dele sim. E as Malvinas finalmente eram um passado distante.

ps-Confiram abaixo a narração antológica do segundo gol argentino. Uma narração emocionate e cheia de vibração. Sensacional.

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4 Respostas to “A MÃO DE DEUS E UM PÉ DOS DIABOS”

  1. Geraldo "JASON" Lina Says:

    Existem vários motivos pra idolatrarem tanto o Maradona, mas essa copa e esse jogo contra a Inglaterra é, sem dúvida, um dos principais motivos que fazem a Argentina adorar esse cidadão.

    A propósito, as Malvinas pertencem a Argentina.

    ***(*) ******(*)

  2. Geraldo "JASON" Lina Says:

    A propósito, que narração é essa velho ?
    Até eu me emocionei.

  3. Marcelo Abdul Says:

    A Margareth Teacher não corcorda contigo Lina. rsssss.

  4. Marcelo Abdul Says:

    Cara. Eu não sei. Depois te dou essa informação. A narração é espetacular mesmo. Melhor que a gritaria do Galvão.

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