O RANCOR ETERNO

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Dunga e a imprensa: uma mágoa de 20 anos

Muitos jornalistas  fazem o sinal da cruz ou realizam uma pequena reza antes de irem  a uma coletiva da seleção brasileira. O motivo? Aguentar o mau humor do técnico Dunga.

Ninguém perguntou a ele, mas se um dia questionarem se a imprensa deve acompanhar a seleção brasileira, a resposta dele será que ela deveria sumir do mapa.

Dunga nunca perdoou os jornalistas brasileiros pelas críticas  negativas após a Copa de 1990.  Naquela época, Dunga era um volante promissor, campeão mundial júnior  em 1985 com o Brasil e era uma das apostas mais garantidas da modorrenta seleção de Sebastião Lazaroni para a Copa da Itália.

O  atual técnico da seleção brasileira, de fato, não enchia os olhos de ninguém. Era raçudo, com uma técnica discutível e muito questionado pela imprensa esportiva brasileira. Quando era dirigido por Lazaroni, Dunga jogava mais deitado do que de pé. Sempre dava carrinhos  desnecessários, mas sua disposição foi um símbolo das esquisitices  táticas de Lararoni e de seus líberos falsos.  Assim aquela seleção ficou marcada como a “Era Dunga”.

Depois da derrota para a Argentina na copa de 90, em que a defesa e o meio de campo “marcadores” de Lazaroni ficaram estatelados no chão com uma jogada genial de  Maradona, a imprensa literalmente caiu de pau no jogador que mais representava aquele time: Dunga.

Durante 3 anos e meio o voltante sofreu. Como se a responsabilidade daquela derrota contra os portenhos fosse única e esclusivamente dele. Não foi, mas a fama foi se espalhando e Dunga ficou estigmatizado como símbolo do anti-futebol, um verdadeiro anti Cristo do futebol brasileiro até então.

Dunga na Copa de 1990: derrota e estigma

Quando Parreira o chamou de volta para as eliminatórias, quase o demitiram, mas Dunga estava amadurecido e com uma imensa vontade de não desperdiçar aquela chance. O resto da história todos sabem, Dunga foi uma das histórias mais vitoriosas do futebol brasileiro. De fracassado em 1990 a capitão do Tetra em 1994.

Porém desde que o volante levantou a taça fifa nos Estados Unidos, soltando  palavrões na tribuna de honra do estádio Rose Bowl,  o meio campista revelou toda a mágoa acumulada em 4 anos.  Pouca coisa mudou nos dias de hoje.

Parece que a mágoa e o rancor ainda endurecem a sua alma. Mesmo após ele mesmo ter superado suas dificuldades e provado para todos o seu valor na história do futebol brasileiro.  De nada adiantou os títulos mundias, sul-americanos e do respeito que ele ganhou justamente com a sua dedicação e o seu empenho como jogador.

Dunga levanta a taça Fifa em 94: consagração

Como técnico ele também tem se revelado uma grata surpresa. Alcançou os mesmos títulos pré-copa que seu antecessor  e realizou feitos notáveis como vencer os arquirivais Uruguai e Argentina em seus respectivos estádios na mesma eliminatória.

Porém a mágoa permanece. Os “cutucões” e os “foras” contra os jornalistas (alguns nem estavam em 1990) continuam. Uma pergunta mais díficil é repudiada com uma resposta atravessada.  Para Dunga, poucos jornalistas entendem de bola, ou quase nenhum. A sua própria história para ele é um exemplo de que membros da imprensa podem errar e feio.  De fato, ninguém é perfeito. Nem mesmo ele.

A vida é um eterno aprendizado. De nada adianta guardar mágoa ou rancor de algo que ocorreu no passado e que já foi superado.  Ser técnico da seleção brasileira  não é nada fácil. Muitos diplomatas da ONU recusariam tal função.  Mas ter sentimentos de mágoa ou revanchismo num cargo como esse não é nada bom em um ano de Copa do Mundo.

Dunga usa esse rancor para construir a sustentação de um possível fracasso. De se defender de possíveis ataques dos jornalistas “demoníacos” e “conspiradores”.  Na verdade a culpa de um possível sucesso ou fracasso caro Cláudio não será apenas de sua responsabildade. Como em 1990, o futebol é coletivo e nele todos ganham e todos perdem. Inclusive os jornalistas.

Dunga, relaxe.  Seja menos rancoroso e mais alegre em sua vida. Leia Jorge Luis Borges e principalmente leia William Sheakespeare que numa frase genial diz:

” Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”.

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6 Respostas to “O RANCOR ETERNO”

  1. Geraldo "JASON" Lina Says:

    O DUNGA EH UM ZEH MANEH DE SORTE.
    MAS SOU CAPAZ DE TE DIZER QUE ELE VAI PERDER ESSA COPA…
    ***(*) ******(*)

  2. William Says:

    Com GILBERTOS , felipe sei la o que , michel bastos kkkk pode ter certeza que nossa a copa não será !

  3. Marcelo Abdul Says:

    O Dunga é aquele cara feio que sempre se fode querendo pegar a menina mais bonita da escola. Apesar do cara conseguir fazer tudo o que ela quer, ela prefere o cara mais bonito. Essa é a sina do cara. Eu respeito a história dele, mas as vezes ele é super carrancudo e antipático. Dá uma puta má impressão isso.

  4. Marcelo Abdul Says:

    É William. Tá foda…rsss. Michel Bastos é o fim do mundo!

  5. Lesto Says:

    Marcelo tivemos de engolir aquele Zé Ruela do Zagalo, mas o Dunga nem que seja campeão na Africa vou engolir. Kara mala, soberbo, e como o Parreira e o Muricy esta fazendo um deserviço para o futebol Brasileiro.
    Futebol pragmatico com a quantidade de craques que surjem a cada dia no país é soda.

  6. Marcelo Abdul Says:

    Lesto. Acho muitas críticas que fazem contra o Zagalo injustas. Afinal de contas ele é um dos maiores vencedores da história do futebol mundial. Na Copa de 70 por exemplo, quem colocou Rivelino, Pelé e Tostão para jogarem juntos foi ele. Ele pode as vezes ser um “mala” nas declarações dele, mas não dá pra negar que ele é um mestre. Não haverá outro cara como ele, acreditem.

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