AMEAÇADOS DE EXTINÇÃO

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campeonatos estaduais: com o tempo esses torneios perderam a sua importância

Começa nesse final de semana a disputa dos campeonatos estaduais de todo o Brasil. Mas a principal pergunta que se faz hoje em dia é que se hoje esses torneios valem a pena.

Antes esses torneios chegavam a ser mais importantes até do que uma Libertadores da América. Mas eram outros tempos. Antes o Brasil era um país continental com enormes dificuldades de locomoção, transportes e comunicações.

Com um país de dimensões continentais é claro que os estaduais ganharam uma grande importância no século passado.  Alguns são tão antigos que rivalizavam com as mais tradicionais ligas européias. Como esquecer a tradição de campeonatos como o Paulista e o Carioca por exemplo?

Mas hoje os tempos são outros. As barreiras de comunicação e transporte não existem mais. Os clubes menos tradicionais e pequenos viraram times de aluguel de empresários ou de qualquer ex-jogador que queira se aventurar no mundo da bola. Perspectiva de crescimento dessas agremiações? Nenhum. Vide o São Caetano que era um clube forte e aos poucos foi definhando, assim como foi com Guarani, que já foi campeão brasileiro e hoje amarga um terceiro rebaixamento para a série B do campeonato paulista. Idem para Ìnter de Limeira (hoje na quarta divisão do estado de São Paulo) e Bragantino ( que ensaia uma recuperação, mas ainda longe da glória dos anos 90).

Sempre gostei dos estaduais e sempre fui contra a sua extinção. Mas vendo como as coisas andam hoje, é difícil não acreditar que isso vai acontecer. Hoje em dia, os torneios regionais dão mais prejuízo do que lucro. Como um clube grande pode sustentar um jogo contra o Monte Azul por exemplo? Como uma partida dessas pode atrair torcedores para um Morumbi ou Pacaembu?

A antiga  Copa do Nordeste era a receita de um grande torneio interestadual no início da década. Com vários clubes fortes do Nordeste, o torneio era um sucesso de renda e público. Mas  por imposição da CBF, o  campeonato foi deixado na gaveta e o Sport Recife tem que jogar contra o Araripina pelo campeonato pernambucano, amargando  um senhor prejuízo no borderô. Uma barbaridade!

O Sport vence o "poderoso" Araripina: prejuízo no borderô

O futebol mudou. Já não faz sentido que clubes grandes do Rio paguem pra jogar contra times de menor expressão como a Cabofriense,  que não  acrescentam nada a um torneio. Hoje em dia a importância de se ganhar um campeonato estadual foi reduzida. O paulistão virou “paulistinha” . Os estaduais viraram meros torneios de verão. Só conta agora na soma, 22, 33, 45 títulos, não importa. O que interessa aos clubes é vencer Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores.

Sinal dos tempos. Já vibrei muito com as conquistas do meu clube no campeonato paulista. Vou continuar vibrando, mas vou ficar muito mais feliz se o meu time vencer uma  Copa do Sudeste por exemplo. Já pensou? Um torneio com Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Atlético-MG, Cruzeiro, América-MG e Desportiva Capixaba?

Não seria maravilhoso uma Copa Sul com times como Grêmio, Inter,  Juventude, Coritiba, Atlético-PR, Paraná Clube, Avaí, Figueirense e Cruciúma?

Não seria um torneio mais atrativo  que um campeonato paulista, carioca ou gaúcho  por exemplo?  Fica aí a nossa sugestão!

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4 Respostas to “AMEAÇADOS DE EXTINÇÃO”

  1. Guilherme Scalzilli Says:

    Exterminadores de times
    (publicado na revista Caros Amigos)

    Parte da crônica esportiva decidiu que os campeonatos estaduais de futebol chegaram a um nível irremediável de indigência e previsibilidade, devendo ser extintos e substituídos por disputas mais amplas. Não surpreende que a medida seja defendida majoritariamente pela imprensa das capitais: apenas os clubes poderosos conheceriam benefícios, enquanto os interioranos cairiam no ostracismo das divisões inferiores.
    É universalmente sabido que isso levaria, em pouco tempo, à extinção de dezenas de times sem recursos. As cidades menores sofreriam conseqüências negativas para o comércio e o emprego, perdendo ainda mais sua tão menosprezada identidade regional. Ao mesmo tempo, os clubes ricos ganhariam fortunas absorvendo diretamente os talentos originados nos rincões. Para dimensionar os valores envolvidos, basta fazer um levantamento dos jogadores mais badalados do país que foram revelados por times de menor expressão.
    Mas apenas o aspecto financeiro não explica o apego à proposta malévola. A indisfarçável decadência técnica do futebol nacional nivelou os times negativamente, ameaçando a primazia dos chamados “grandes”. Se um rebaixamento no campeonato brasileiro soa-lhes constrangedor, semelhante fracasso em nível estadual pareceria desmoralizante, abalando certas ilusões de “grandeza” que a imprensa alimenta para valorizar-se a reboque de seus preferidos.
    É essa mitologia da superioridade imanente que disfarça a cadeia de artimanhas viciadas dos gabinetes futebolísticos. O poder dos clubes privilegiados advém de uma popularidade construída com títulos que foram possíveis graças à generosidade dos contratos publicitários e de transmissão televisiva, além dos infames sistemas de repasses desiguais de verbas por parte da CBF. Para completar o cartel, resta apenas eliminar a indesejável concorrência.

  2. Marcelo Abdul Says:

    Isso vai ser inevitável como o pôr do sol. Não adianta ficar tapando o sol com a peneira. Os clubes pequenos dão prejuízo aos grandes. Na Itália por exemplo se o clube não tem dinheiro, ele simplesmente não joga. Aqui se faz caridade com um Macaé da vida. Uma hora os clubes grandes e médios vão perceber isso e largar os estaduais. Eles vão continuar, mas somente com a presença de times pequenos.

    Você fala em repasses desiguais da CBF. Colega, a CBF é a principal responsável pela continuidade dos estaduais pois a política do Sr. Teixeira ainda depende das federações estaduais. Tanto que foi ela, a
    principal responsável para que a Copa do Nordeste fosse engavetada.
    Era um torneio de clubes feito pelos clubes e que ameaçava o poder
    das federações. O seu artigo da Carta Capital é uma teoria politizada demais. Futebol é negócio. E tudo que dá prejuízo não dura. O que você prefere? Ver um jogo entre Santos x Cruzeiro ou Volta Redonda x Cabofriense? Por qual partida a televisão pagará mais? Qual terá mais público no estádio? Essa teoria bem brasileira do “coitadinho” já deu no saco!

  3. WIlliam Says:

    É EU GOSTAVA DO TORNEIO RIO X SÃO PAULO , DEIXASSE OS CAMPEONATOS REGIONÁIS PARA OS TIMES DO INTERIOR , VC TEM RAZÃO EU NÃO GOSTO DE PERDER NEM CAMPEONATO DE BOLA DE GUDE E VIBRARIA COM UM PAULISTA SIM , COMO NÃO MAS HOJE TA MUITO MINIMIZADO MESMO É UMA PENA !

  4. Marcelo Abdul Says:

    O campeonato paulista e outros regionais perderam importância infelizmente. Se muita gente desce o pau na Copa Sul-Americana dizendo que ela não “vale nada”, o paulista vale o que? rsss. Lógico que todos nós gostamos de ganhar, mas repito, um torneio de mais prestígio e importância seria muito mais legal de vencer.

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