O MELANCÓLICO FADO DA PORTUGUESA

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Portuguesa campeão do Rio-Paulo em 1955: bons tempos

 

 

A Associação Atlética Portuguesa de Desportos á passa pela pior crise de toda a sua história. O time, que já foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro em 2004 repete o mesmo destino no campeonato paulista em 2006. Depois da derrota para o Juventus por 2 x 0 no sábado passado em casa, a equipe do técnico Edinho amarga a 8º partida sem vitória no certame. Foi a décima derrota do time do Canindé, que tem apenas 2 empates e 3 vitórias no torneio. A Lusa parece estar caindo num poço sem fim. Seguidas administrações desastrosas e brigas políticas internas (com denúncias de corrupção administrativa) estão levanto a Portuguesa ao nocaute.

 

Nem sempre foi assim. A Portuguesa se não é considerada grande por muitos sempre teve potencial para tal. Revelou grandes craques do futebol brasileiro como Djalma Santos, o “príncipe” Enéas, Servílo, Edu Marangon, Dêner, Zé Maria e Zé Roberto. Seu time sempre beirou a conquista de títulos importantes e o fez como os bicampeonatos paulistas de 1935, 36 e o de 1973. Se inicia aí o triste fado português. Em 1935 e 1936 a Portuguesa foi campeã jogando pela Apea, uma associação muito mais fraca e sem a presença de times como o Corinthians e Palestra Itália.

 

Em 1973 por causa de uma autêntica BURRADA do péssimo juiz Armando Marques, a Portuguesa dividiu o título paulista com o Santos. O que dá resulta numa autêntica crise de identidade para o clube e para os torcedores. Com exceção dos torneios Rio- São Paulo de 1952 e 1955, a Portuguesa nunca consegui ganhar um campeonato por completo. Em 1975 a equipe chegou à final do campeonato paulista e venceu o São Paulo por 2 x 0 mas não levou, pois amargou uma derrota nos pênaltis. Dez anos mais tarde, mais uma final e contra o mesmo São Paulo. Dessa vez o time que tinha em seu elenco Luís Pereira, Edu Marangon, Toninho e Esquerdinha não conseguiram resistir aos “menudos” de Cilinho e amargaram mais um vice-campeonato.

 

 

Em 1996 com a revelação Rodrigo Fabri a equipe foi vice campeã brasileira perdendo do Grêmio por 2 x 0 no finalzinho do jogo, gol de Aílton. Em 1998 talvez num dos roubos mais grotescos da história do futebol brasileiro a Lusa perdeu a chance de ir a final graças a atuação descabida, covarde e péssima de Javier Castrilli, um dos melhores árbitros da Argentina, mas que ajudou literalmente o Corinthians a ir para a final.

 

A Portuguesa sempre foi uma equipe intermediária no futebol paulista. Uma equipe de respeito e que sempre jogou de igual para igual ou até melhor contra os outros quatro grandes do Estado. As seguidas más administrações estão transformando a lusa, que tinha potencial para se tornar um clube grande, num time pequeno. Hoje. São Caetano, Santo André e outros times paulistas estão ocupando o espaço deixado melancolicamente pela equipe do Canindé. A quatro jogos do término do campeonato paulista, o segundo rebaixamento parece inevitável. Resta saber como a sua torcida e diretoria vão reagir para tirar a Lusa dessa areia movediça e honrar o Brasão da Cruz de Aviz que fica em seu escudo.

 

Para quem não sabe a Cruz de Aviz é uma representação do fim do domínio espanhol sobre os portugueses, que ocorreu na batalha de Aljubarrota em 1385. Talvez seguindo o exemplo de seus ancestrais, a torcida lusitana consiga erguer seu time das cinzas e quem sabe vencer as dificuldades que alijaram o clube. O futebol paulista e brasileiro agradecem.

 

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