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O MELANCÓLICO FADO DA PORTUGUESA

20/03/2006

 

Portuguesa campeão do Rio-Paulo em 1955: bons tempos

 

 

A Associação Atlética Portuguesa de Desportos á passa pela pior crise de toda a sua história. O time, que já foi rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro em 2004 repete o mesmo destino no campeonato paulista em 2006. Depois da derrota para o Juventus por 2 x 0 no sábado passado em casa, a equipe do técnico Edinho amarga a 8º partida sem vitória no certame. Foi a décima derrota do time do Canindé, que tem apenas 2 empates e 3 vitórias no torneio. A Lusa parece estar caindo num poço sem fim. Seguidas administrações desastrosas e brigas políticas internas (com denúncias de corrupção administrativa) estão levanto a Portuguesa ao nocaute.

 

Nem sempre foi assim. A Portuguesa se não é considerada grande por muitos sempre teve potencial para tal. Revelou grandes craques do futebol brasileiro como Djalma Santos, o “príncipe” Enéas, Servílo, Edu Marangon, Dêner, Zé Maria e Zé Roberto. Seu time sempre beirou a conquista de títulos importantes e o fez como os bicampeonatos paulistas de 1935, 36 e o de 1973. Se inicia aí o triste fado português. Em 1935 e 1936 a Portuguesa foi campeã jogando pela Apea, uma associação muito mais fraca e sem a presença de times como o Corinthians e Palestra Itália.

 

Em 1973 por causa de uma autêntica BURRADA do péssimo juiz Armando Marques, a Portuguesa dividiu o título paulista com o Santos. O que dá resulta numa autêntica crise de identidade para o clube e para os torcedores. Com exceção dos torneios Rio- São Paulo de 1952 e 1955, a Portuguesa nunca consegui ganhar um campeonato por completo. Em 1975 a equipe chegou à final do campeonato paulista e venceu o São Paulo por 2 x 0 mas não levou, pois amargou uma derrota nos pênaltis. Dez anos mais tarde, mais uma final e contra o mesmo São Paulo. Dessa vez o time que tinha em seu elenco Luís Pereira, Edu Marangon, Toninho e Esquerdinha não conseguiram resistir aos “menudos” de Cilinho e amargaram mais um vice-campeonato.

 

 

Em 1996 com a revelação Rodrigo Fabri a equipe foi vice campeã brasileira perdendo do Grêmio por 2 x 0 no finalzinho do jogo, gol de Aílton. Em 1998 talvez num dos roubos mais grotescos da história do futebol brasileiro a Lusa perdeu a chance de ir a final graças a atuação descabida, covarde e péssima de Javier Castrilli, um dos melhores árbitros da Argentina, mas que ajudou literalmente o Corinthians a ir para a final.

 

A Portuguesa sempre foi uma equipe intermediária no futebol paulista. Uma equipe de respeito e que sempre jogou de igual para igual ou até melhor contra os outros quatro grandes do Estado. As seguidas más administrações estão transformando a lusa, que tinha potencial para se tornar um clube grande, num time pequeno. Hoje. São Caetano, Santo André e outros times paulistas estão ocupando o espaço deixado melancolicamente pela equipe do Canindé. A quatro jogos do término do campeonato paulista, o segundo rebaixamento parece inevitável. Resta saber como a sua torcida e diretoria vão reagir para tirar a Lusa dessa areia movediça e honrar o Brasão da Cruz de Aviz que fica em seu escudo.

 

Para quem não sabe a Cruz de Aviz é uma representação do fim do domínio espanhol sobre os portugueses, que ocorreu na batalha de Aljubarrota em 1385. Talvez seguindo o exemplo de seus ancestrais, a torcida lusitana consiga erguer seu time das cinzas e quem sabe vencer as dificuldades que alijaram o clube. O futebol paulista e brasileiro agradecem.

 

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A TRISTE COR DO RACISMO

13/03/2006

 

 

Repugnante a atitude do zagueiro Antônio Carlos do Juventude contra o volante Jeovânio do Grêmio. Estamos no Brasil em que a maioria da nossa população é miscigenada e atitudes como essa revelam o racismo velado e a falsa “democracia racial” tanto exaltada por alguns. Mais surpreendente é ver um jogador como Antônio Carlos, que começou jogou em grandes equipes brasileiras, cometer um ato tão torpe e indigno. Antônio Carlos começou a se destacar no São Paulo de Telê Santana em 1991, quando foi campeão brasileiro jogando como um líbero. Aliás um dos primeiros líberos verdadeiros que apareceram no futebol brasileiro. Depois foi para a Espanha jogar no modesto Albacete e voltou para o poderoso Palmeiras-Parmalat de 1993-1994. Depois de ser campeão paulista em 1997 pelo Corinthians, o defensor foi para o Roma da Itália. Nesse momento é questionável a sua atitude. Depois de ler sobre o caso, procurei me informar melhor sobre o zagueiro e surpreendentemente me deparei com um artigo feito pelo site www.estadao.com de alguns anos atrás. Leiam o artigo abaixo e deixem seu queixo cair..

 

 

Antônio Carlos Pode Partir. Pela Família

Roma pode estar perdendo o futebol do zagueiro Antônio Carlos. O jogador, agredido domingo por seguidores da Lazio quando deixava um restaurante, disse que sua esposa Sônia e sua filha Natália estão assustadas com o que viram e pretendem deixar o país. “Se o fato tivesse ocorrido em outro país, com certeza iria embora. Mas eu amo a Itália, tenho um avô italiano. Por isso, espero convencê-las a ficar”.

Antônio Carlos aproveitou para pedir calma aos seguidores da Roma. “Peço a eles que não busquem vingar-se por causa da agressão que sofri, não devem descer a um nível tão baixo”. Ontem, foi confirmado que um dos agressores do zagueiro Carlos é da chefia de uma das mais extremistas torcidas da Lazio. O clube azul, por seu lado, mostrou-se solidário com o brasileiro. Ontem, o presidente Sergio Cragnotti revelou irritação com a agressão. “As pessoas que o atacaram são delinquentes e não torcedores. Devem ser perseguidas e castigadas”.

O dirigente afirmou que muitas pessoas se travestem de torcedores para fazer política. E que esse tipo de gente deve ser extirpada. “Temos uma boa relação com a associação de torcedores da Lazio, mas jamais iremos ceder.

Eles sabem que muitas atitudes abalam gravemente a imagem do clube”.

Não é de hoje que a xenofobia está inserida no contexto do futebol europeu, em especial o italiano, no qual torcedores do Verona e da Lazio, ultra-direitistas, não toleram jogadores de minorias, como negros e judeus.

Muitas vezes a discriminação passou da arquibancada para dentro de campo.

Além das faixas e gritos racistas contra os brasileiros Cafu e Aldair, da Roma, no clássico do domingo retrasado, outros exemplos de intolerância são facilmente encontrados. No ano passado, o sérvio Sinisa Mihajlovic foi acusado pelo francês Patrick Vieira, do Arsenal, de tê-lo chamado de negro bastardo após uma partida da Copa dos Campeões da Europa.

Experiência nada agradável também viveu o holandês Winter, vítima de manifestações de racismo quando defendeu a Lazio entre 1992 e 1996. (Marcelo Rozenberg, estadao.com.br)

Agora me expliquem como um jogador brasileiro, que defendeu clubes jogando junto com jogadores negros e que foi vítima de discriminação, mesmo sendo branco, pode tomar uma atitude semelhante a dos torcedores italianos ? Como diria o inesquecível Renato Russo, “o mundo anda tão complicado”.

O link desse surpreendente artigo é http://www.italiaoggi.com.br/migrazioni/migra_20010508a.htm