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ATÉ QUANDO AGUENTAREMOS JOSÉ DIRCEU?

21/10/2005

 

O deputado Júlio Delgado(PSB-RJ), relator do processo contra José Dirceu(PT-SP) informou que arquivos importantes contra o parlamentar petista foram “deletados” do seu computador. Será mais uma manobra do ex-ministro da Casa Civil de permanecer no poder? Em toda a história da república jamais vimos um deputado apelar tanto. Recursos ao Supremo Tribunal Federal, depoimentos, apelações… tudo para evitar uma possível cassação. Suas manobras para permanecer na cúpula do partido dos trabalhadores foi surpreendente. Apesar das denúncias, o ex-ministro não arredou o pé e articulou a vitória de Ricardo Berzolin à presidência do PT. Tarso Genro, surpreendido pela influência enorme de Dirceu na direção do partido, sequer disputou as eleições petistas, desistiu e voltou ao Rio Grande do Sul com o rabo entre as pernas. Mesmo agora na hora da possível degola, José Dirceu demonstra uma influência gritante em todas as esferas. Difícil não acreditar que quando era ministro, sua participação também não era monstruosa.

 

 

As CPMI´S parecem estagnadas, ora pela dormência das investigações, ora pelas brigas políticas entre parlamentares do governo e da oposição. As pistas levam a crer que o mensalão é uma realidade. As renúncias de Valdemar da Costa Neto e do “Bispo” Rodrigues são altamente suspeitas. A livre circulação de Marcos Valério no planalto também. Agora vemos uma possível conexão entre o PT e o abafamento do caso Celso Daniel. Dirceu parece um fantasma, em todos os lugares e esferas. Seu gosto pelo poder parece não ter fim. Claro, como cidadão ele tem o direito da defesa, mas suas apelações e suas maquinações irritam. Ao invés de se defender com provas e argumentações convincentes ele discursa sobre as “maravilhas” da sua administração da Casa Civil, ediz que o Brasil precisa de uma “reforma política”, como se não fosse ele próprio, o responsável por essa discussão.

 

Desde sua militância estudantil e até sua nomeação para o ministério do governo Lula, o seu gosto pelo poder é evidente e claro. O deputado não quer largar o osso e quem perde com isso somos nós brasileiros que vemos esse cidadão mandar e desmandar, faz o poder judiciário interferir inconstitucionalmente no poder legislativo e pára o congresso com suas armadilhas e táticas malufistas. Na hora da verdade o verdadeiro vilão se revela como num filme de ação dos anos 90. Até quando teremos de aguentar José Dirceu?

 

 

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SE GRITAR PEGA LADRÃO….

14/10/2005

A respeito do que ocorreu recentemente no futebol brasileiro, o árbitro Edílson Pereira de Carvalho confirmou o mito do juiz “ladrão”, que era uma espécie de hipérbole para designar um árbitro incompetente e virou uma realidade nua e cura. A corrupção no Brasil atinge todos os níveis e camadas sociais, políticos, juízes de direito, assessores parlamentares, servidores públicos, policiais federais (veja os dólares do tráfico que sumiram em pleno cofre da PF no Rio de Janeiro), e agora o futebol. É duro de aguentar caros amigos. Ás vezes penso que o Brasil é uma ilha cercada por ladrões de todos os lados, isso se ele não é o seu vizinho ou seu “amigo.

É triste ver também que vemos uma fornada à mussarela na câmara dos deputados. “Assou-se” quem denunciou todo o esquema de corrupção do governo federal e se prepara uma imensa pizza para aliviar deputados envolvidos nas investigações. A eleição de Aldo Rebelo (testemunha de defesa de José Dirceu) para a presidência da Câmara é um duro golpe nas pretensões de se punir exemplarmente os deputados envolvidos. Pelo jeito, só Roberto Jefferson será cassado. Ninguém se entende nas CPMiS e a população parece mais interessada se a Sol da novela ficara com Ed ou o Tião. Já esqueceram de Marcos Valério e Delúbio Soares,e de tantos outros que jogaram no lixo o voto de milhões de brasileiros. Como no famoso samba dos anos 70, “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”. Na capital federal, isso vale como nunca.

O NAPOLEÃO DA BOLA

13/10/2005

Não vamos falar de Robinho, nem de Kaká e dos dois Ronaldos. Eles estão cheios de serem elogiados por razões óbvias.

Quem merece elogios é do camisa 10 da seleção francesa Zinedine Zidane. Ontem no jogo contra o Chipre ele provou ser indispensável para o time francês. No sufoco, a França perdia gols à queima roupa, graças ao nervosismo de alguns e a ruindade de outros como o centroavante Sisse.

De repente num lançamento Zidane matou a bola com categoria dentro da área e fuzilou o pobre goleiro cipriota: Pronto, a França abria o caminho para sua classificação. Zidane é um daqueles jogadores que enchem os olhos ao ver jogar.


O meia transforma a bola numa velha amiga ou numa noiva pronta para ir ao altar, linda, encantada sob os seus pés. Sua decisão de voltar ao selecionado francês foi correta. Sem ele os “le bleus” jamais conseguiriam chegar à Copa da Alemanha.

Como o general corso que dominou o mundo no começo do século 19, Zidane, descendente de árabes, repete a façanha, mas não pelas baionetas ou pelos canhões, mas pelo trato fácil e delineável que dá à bola. Seus tiros a gol encantam e emocionam qualquer amante do futebol arte. Em 1998 provamos o gosto amargo do seu talento.

Olho nele, pois será sua última copa, o seu réquiem, o seu último canto. E como Pelé em 1970, Zidane jogará sua ultima peça num selecionado francês renovado. Ele será o supremo comandante, o general num time de cadetes aplicados e talentosos. A Copa e o mundo agradecem a oportunidade de vê-lo em ação novamente. Alle Le Bleus!